Após definir o seu orientador e seu tema/título da proposta, o estudante inicia então a fase de elaboração da proposta. Esta representa a fase de realização do que foi estabelecido no acordo ao final da negociação. Nessa fase, o estudante preenche os elementos da sua proposta na sua interface de trabalho. O seu orientador marcará com o apoio do mecanismo agenda (Seção 4.1.2), atividades, compromissos e tarefas, como a entrega de uma determinada parte da proposta em uma data estipulada, uma reunião assíncrona, a leitura e síntese de um deter- minado documento, etc. Em outras palavras, o estudante neste ponto estará em pleno desen- volvimento da sua proposta. Desde o início dessa fase o estudante trabalhará sua proposta que segue o modelo proposto pelo coordenador. O estudante é acompanhado pelo seu orientador e seu AAE durante toda a fase.
O trabalho em torno de uma proposta acontece em três níveis inspirados na “arquitetu- ra” AC-Híbrida (CASTRO et al., 2004; NOBREGA, CASTRO & FERNEDA, 2004), chama- dos Modelo Individual, Modelo de Colaboração e Modelo Global – essa “arquitetura” e seus modelos são apresentados no Capitulo 3, Seção 3.4. Cada participante do sistema tem seu próprio Modelo Individual e para cada proposta existe ainda, um Modelo de Colaboração e um Modelo Global.
Cada AAE controla apenas o seu Modelo Individual enquanto os AAPs controlam, a- lém do Modelo Individual do orientador, os outros dois níveis de cada proposta que o profes- sor orienta. O nível Individual é de domínio apenas de seu usuário, não podendo ser consulta- do por outros usuários. Os níveis de Colaboração e Global são para consultas de todos de um mesmo grupo. Enquanto o nível de Colaboração pode ser alimentado apenas pelos envolvidos com a proposta o nível Global só pode ser mantido pelo orientador, ou seja, é o professor ori- entador que define qual a versão do documento no nível de Colaboração que deve ser encami- nhada para o Modelo Global. Os estudantes podem apenas consultar ou trazer para o Modelo Individual um documento que está no Modelo Global. No Modelo Global deve estar também o modelo para propostas que o estudante deve recuperar para o seu Modelo Individual ao co- meçar a trabalhar. Cada proposta tem, portanto, o seu próprio conjunto de níveis controlados pelos agentes assistentes do sistema representados na Figura 23.
Figura 23: Modelo de colaboração assíncrona para elaboração de proposta
(CASTRO et al., 2004; NOBREGA, CASTRO & FERNEDA, 2004)
Como apresentado anteriormente, uma versão inicial da proposta, que deverá ser pre- enchida pelo estudante, estará disponível para o estudante no Modelo Global de sua proposta no momento em que ele inicia a elaboração da mesma. Cada documento de proposta segue modelo vigente definido pelo coordenador. Como já apresentado também, se o coordenador ainda não tiver definido o modelo de proposta quando o estudante iniciar o seu trabalho, este
receberá um modelo default. Quando o coordenador define o modelo definitivo, cada AAE
solicita uma adequação dos documentos aos estudantes.
Os documentos da proposta contêm informações que indicam ao AAE como deve ser o preenchimento, a formatação, a manipulação e a apresentação das propostas, controlando assim, o que o estudante pode ou não fazer no seu documento da proposta. Assim, de acordo com as definições da instituição de ensino, o coordenador formata um documento padrão para servir de modelo às propostas do ambiente. O formato e as informações contidas nesse mode- lo identificam para os agentes assistentes como os documentos devem ser manipulados. Isso é descrito com mais detalhes na Seção 4.1.1.6.
A versão definitiva da proposta a ser apresentada para avaliação de uma banca ou da coordenação ou mesmo apenas para registro deve ser definida no Modelo Global pelo profes- sor orientador na data determinada pela coordenação e de acordo com as normas da institui-
ção. O professor pode fazer a entrega do documento via e-mail ou informar qual é o documen-
to que deve ser recuperado/consultado no Modelo Global, a critério da coordenação e das normas da IES. O ideal é que o professor promova o documento para uma versão mais atuali- zada no Modelo Global, se já não estiver como tal.
Com esse recurso, cada estudante pode acompanhar o desenvolvimento da sua propos- ta criando e mantendo versões em seu Modelo Individual. Os estudantes devem também sub- meter versões dos seus documentos no Modelo de Colaboração. As propostas podem também ser ajustadas hierarquicamente.
O ambiente de colaboração existe para fomentar a discussão contextualizada, a colabo- ração e orientação. Ao postar uma contribuição, o agente humano indica em que ponto da hie- rarquia subjacente ao fórum ela deve aparecer. Assim, as mensagens de discussão ficam en- dentadas em função de suas respostas e documentos relacionados, a critério dos colaboradores (Figura 24). Por meio desse ambiente de colaboração, os estudantes podem receber orienta- ções e apresentar argumentos de debate para o orientador e colegas de trabalho, se for o caso.
O agente assistente de cada usuário também controla a sua agenda e emite avisos. As- sim, o estudante pode ser acompanhado pelo professor e receber atividades que o conduza na elaboração de seu trabalho. Dessa forma, o AAE tem o papel de apoiar o estudante em suas pesquisas, controlar a sua agenda de compromissos e manter seu documento de proposta, a- lém, é claro, de possibilitar o uso do ambiente e de seus mecanismos. Já o AAP fica responsá- vel pelo apoio às atividades do professor de orientação fornecendo respostas a consulta de AAEs, controle de compromissos e mensagens e apoio ao controle de documentos de propos- tas, assim como disponibilizar o ambiente com seus mecanismos. O Agente Administrativo
fica responsável pela criação dos agentes assistentes e pelo controle de seu status (se ativos,
Figura 24: Colaboração assíncrona para documentos de propostas
As atividades e controles desempenhados pelos agentes humanos e virtuais nessa fase estão relacionados com a fase de realização proposta por Flores (1996) e apresentada na Se- ção 3.4. Tais atividades e controles referem-se ao acompanhamento, cumprimento dos acor- dos entre as partes (orientadores e orientandos), cancelamento ou revogação do acordo. Essas duas últimas possibilidades, apesar de indesejadas, podem acontecer em casos em que uma das partes, eventualmente desista do acordo ou deseje romper o acordo por descumprimento da outra parte. Isso pode acontecer em casos de trancamento ou abandono do curso, desenten- dimentos pessoais entre as partes ou má formulação do pedido na contextualização ou má ne- gociação dos termos, entre outras situações.