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D ELPROBLEM 2: I NFORMASJONENS FORM

O ambiente AulaNet6 é outro exemplo do uso da tecnologia na aprendizagem coopera-

tiva. Esse ambiente permite ao docente a criação de cursos sem a necessidade de programa-

ção, apenas atuando como autor de conteúdo e projetista de learningware (ambiente de a-

prendizagem) (FUKS, 2000, pp. 6-9). Os cursos são projetados pelo docente por meio da es- colha e configuração de mecanismos de interação relativos à comunicação, à coordenação e à cooperação, estruturados nesses grupos. Cada um desses grupos possui ferramen- tas/mecanismos que podem ser selecionadas de acordo com a necessidade do curso e aborda- gem do professor responsável. Segundo Fuks, o ambiente distingue essas três modalidades para que fique evidente a função de cada uma das ferramentas de cada grupo. Assim, ainda segundo o autor, as ferramentas de comunicação sustentam a coordenação (é preciso comuni- cação para a coordenação de ações), as de coordenação apóiam a cooperação entre os apren- dizes e entre esses e docentes (a coordenação favorece a cooperação). São elas (FUKS, 2000, pp. 9-14):

− Mecanismos de Comunicação. Nesse grupo, são selecionadas as ferramentas de comu- nicação que possibilitam a comunicação entre discentes e docentes, como:

o Mensagem aos Docentes possibilita o contato do aprendiz com o docente, co- autores e coordenador do curso por meio do correio eletrônico interno do ambiente; o Lista de Discussão, canal de comunicação entre todos os participantes da turma por

meio de correio eletrônico. Cada mensagem enviada é repassada por correio a todos

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Esta ferramenta está disponível para download ou para aquisição do seu CD e/ou teste de suas funcionalidades em: http://www.eduweb.com.br/portugues/home.asp

da turma e armazenada no ambiente para futuras consultas;

o Conferências (newsgroup ou fórum de discussão) permite a criação de conferências textuais assíncronas direcionadas a tópicos. Nessa ferramenta, as mensagens posta- das não são enviadas para a caixa de correio dos participantes do curso. Ao invés disso, as mensagens são endentadas com o propósito de reforçar a idéia de seqüên- cia de raciocínio entre as mensagens. Enquanto na lista de discussão o propósito é favorecer a comunicação entre os participantes em torno de um assunto pertinente, as conferências têm o propósito de levar os aprendizes a um aprofundamento maior em relação a determinados tópicos. Assim, por exemplo, uma aula poderia introdu- zir um tema que deveria ser debatido por todos na lista por um determinado perío- do, como um seminário. Já quanto à condução de pesquisas e trabalhos mais apro- fundados, o docente poderia, por exemplo, criar e intitular conferências destinadas a grupos de interesses em comum para estimular o trabalho em grupo e o aprofunda- mento em tópicos da disciplina;

o Debate (chat), mecanismo que possibilita a discussão síncrona textual. Serviria, por exemplo, para o fechamento de idéias ao final de um seminário, onde todos os a- prendizes deveriam contribuir com suas idéias;

o Contato com os Participantes possibilita o contato entre os colegas por meio de correio eletrônico ou mensagens instantâneas. As mensagens são armazenadas no ambiente;

− Mecanismos de Coordenação permitem que os participantes do curso se coordenem a fim de poderem trabalhar adequadamente. Estas ferramentas favorecem a coordenação de compromissos estabelecidos, completando os esforços comunicativos em função do estabelecimento de ações. Por conseguinte, também diminuem a necessidade de coman- do e controle por parte do docente. As opções são:

o Avisos permite a criação de avisos sobre o curso e agendar eventos por meio de in- formes;

o Plano de Aulas permite a criação de uma estrutura para o acompanhamento dos conteúdos didáticos do curso. É com essa ferramenta que o docente determina o conteúdo do curso. A ferramenta permite ao discente o livre acesso às aulas já con- figuradas e liberadas. Caso o discente queira evitar que o aprendiz veja o conteúdo de aulas adiantadas, ele pode apenas criar e configurar as aulas sem liberar todas, deixando para liberar as aulas no momento certo;

o Tarefas possibilita a criação de atividades (trabalhos e exercícios) individuais ou em grupo. O ambiente gerencia prazo, submissão de arquivo da tarefa e a avaliação do docente pela atribuição do conceito e de comentário. Se for de acordo com o mé- todo de trabalho do docente, é possível permitir o acesso do trabalho a todos os a- prendizes do curso;

o Avaliação permite criar exames para (auto-)avaliação dos aprendizes. O docente

pode criar provas online para fazer a avaliação formativa do processo de aprendiza-

gem. Os objetivos desse mecanismo são: auxiliar a criação de provas para uma

grande audiência, dar notas e feedback aos discentes e gerar relatórios para o docen-

te;

o Acompanhamento de participação permite a conceituação de diversas formas de participação dos aprendizes: mensagens (listas de discussão e conferências), atua- ção nos debates e submissão de conteúdos (co-autoria do aprendiz). Além disso, fornece relatórios sobre estas contribuições e suas avaliações. Em poucas palavras: “facilita o acompanhamento da participação dos estudantes nos diversos eventos do curso e possibilitam apreciação da qualidade da contribuição gerada por esta parti- cipação, do ponto de vista do docente” (FUKS, 2000);

− Mecanismos de Cooperação. Além da conversação/comunicação, é vital a criação de espaços compartilhados a fim de se criar entendimento compartilhado. Assim, se fazem também necessários meios de cooperação entre aprendizes e docentes, onde a coopera- ção deve ser entendida como a preparação do conteúdo que os aprendizes consumirão e também como a permissão para que outros docentes e aprendizes possam preparar con- teúdos a serem apreciados e incorporados ao curso. O ambiente AulaNet oferece os se- guintes mecanismos de cooperação:

o Bibliografia - possibilita a criação de uma lista de referências bibliográficas para o curso;

o Webliografia - onde se pode indicar referências externas (URLs) ao ambiente do curso;

o Documentação - possibilita a criação de conteúdos não ligados diretamente a uma aula do Plano de Aulas. Algumas possibilidades como exemplo poderiam ser: arti- gos, livros montados com artigos por professores co-autores, manual de equipamen- to, fotos ilustrativas, vídeos, arquivos de voz ou sons, etc;

o Co-Autoria de Docente - possibilita a indicação de outros docentes para participa- rem como co-autores do curso. Este dispositivo permite ser usado para definir ou- tros conteudistas para o curso;

o Co-Autoria de Aprendiz - possibilita a indicação de aprendizes para criarem conte- údos para o curso de forma semelhante à co-autoria de docente. Tais conteúdos de- vem ser certificados pelo docente antes da sua utilização no curso;

o Download - possibilita que o aprendiz veja uma lista com todos os conteúdos do curso e faça a transferência para seu computador ou sua rede local.

Assim, o AulaNet é uma ferramenta com recursos de apoio à aprendizagem cooperati- va. Ao utilizar a ferramenta, o que se percebe é que ela deixa a cargo do estudante, e especi- almente do professor, a forma de condução dos cursos implementados. Isso porque, como foi visto antes, ela ainda não permite a definição da seqüência das aulas. Além disso, o ambiente não disponibiliza ferramentas para a elaboração de projetos aos moldes do AmAm (HARB et al., 2004). Diante desta análise, entende-se que o ambiente está mais direcionado à condução de cursos orientados a conteúdo do que a projetos.

Um mecanismo de comunicação do ambiente merece destaque por seu poder de dimi-

nuir a confusão em debates. Mediated Chat (PIMENTEL; FUKS; LUCENA, 2004) teve o uso

da Engenharia de Groupware no seu desenvolvimento e aprimoramento. Essa ferramenta en-

fatiza a comunicação, mas favorece também a coordenação e a cooperação. Assim, procura amparar aspectos como:

− o encadeamento da conversação, para diminuir o problema da Perda de Co-texto (res- postas a outros textos). Desta forma, todo texto deve estar associado a outro e as mensa- gens são organizadas em forma arborescente, possibilitando a visualização da conversa- ção de forma linear;

− técnicas de conversação para evitar interrupções da dinâmica (coordenação). Com isso, um aprendiz é previamente selecionado como moderador do debate e torna-se responsá- vel pela coordenação deste, e uma seqüência de etapas e objetivos do debate é definida e ela evidencia como os participantes devem ser coordenados para que os objetivos sejam alcançados;

− fila de mensagens para evitar a sobrecarga de mensagens. Esta técnica visa diminuir a quantidade de mensagens simultâneas, facilitando da leitura. O servidor de mensagens enfileira as mensagens postadas e aguarda um intervalo de tempo para publicá-las.

A comunicação no AulaNet é reforçada pelos mecanismos Lista de Discussão e Con- ferência (GEROSA; FUKS; LUCENA, 2004a). No primeiro mecanismo, as mensagens são visualizadas em ordem de lista cronológica. No segundo, elas são endentadas como nos fóruns de discussão. O AulaNet também categoriza as mensagens sem forçar a adoção de um conjun- to de categorias fixo. Isso pode ser feito no ambiente de forma planejada e em função das ca- racterísticas do grupo e das estratégias e objetivos do mediador.

Os autores discutem a segmentação das mensagens em grupos separados dentro das conferências como forma de melhorar a percepção e de auxiliar a comunicação, a coordena- ção e a cooperação num grupo. “Perceber é adquirir conhecimento, por meio dos sentidos, do que está acontecendo e do que as pessoas estão fazendo. As informações de percepção auxili- am os indivíduos a interpretar eventos e prover possíveis necessidades” (GEROSA; FUCKS;

LUCENA, 2001 apud GEROSA; FUKS; LUCENA, 2004a). Segundo os autores, atividades

de comunicação, cooperação e coordenação auxiliam a aprendizagem em grupo e, além disso, outras questões são favorecidas (GEROSA; FUKS; LUCENA, 2004a):

[essas] atividades e suas relações são fomentadas por informações de percepção, [pode-se] dizer que a estruturação e a categorização de mensagens propiciam a colaboração. Elas também contribuem para reduzir a sobrecarga de informação, fornecendo elementos para os participantes identificarem os conteúdos e a estrutura da discussão sem a necessidade de ler imediatamente o corpo das mensagens [...].

Os autores discutem também a necessidade de se ter o cuidado na criação de categori- as deve-se ter o cuidado com as características e necessidades do grupo e dos indivíduos e o tipo de finalidade das mensagens. No AulaNet, ao contrário de outras ferramentas de comuni- cação, a forma de categorização implantada permite que o docente defina qual o conjunto de categorias que deseja criar, implementando o modelo próprio ou utiliza algum disponível na literatura como IBIS, QOC ou DRL (GEROSA; FUKS; LUCENA, 2004a).

Dois elementos de percepção são discutidos pelos autores e que são proporcionados

nesses dois mecanismos de comunicação: (i) a endentação e a localização vertical da mensa-

gem, que representam a posição dela dentro da discussão, indicando a qual mensagem ela se

refere; e (ii) a categoria, que ajuda a entender o tipo de relação e de conteúdo para as mensa-

gens inseridas nela, ao mesmo tempo em que o título fornece informações mais específicas. Esses dois elementos de percepção ajudam a construção da visão global da discussão ao mesmo tempo em que possibilita identificar características distintas da mesma. A categoriza-

ção e a endentação de mensagens no mecanismo de comunicação Conferências do AulaNet são ilustrados na Figura 8.

Figura 8: Categorização e endentação de mensagens no mecanismo Conferências do AulaNet

(GEROSA; FUKS; LUCENA, 2004b)

Como foi apresentado, o AulaNet reforça a idéia de colaboração como instrumento de apoio a aprendizagem em ambientes de educação a distância. “Para trabalhar e aprender cola- borativamente, os indivíduos têm de debater idéias (se comunicar), estar em sintonia com os outros membros do grupo (se coordenar) e realizar as tarefas satisfatoriamente.” (FUKS et al.,

2002a apud GEROSA; FUKS; LUCENA, 2004a). Por outro lado, o AulaNet foca mais na

condução a distância do que no acompanhamento e na elaboração de projetos como forma de aprendizagem. Muitas idéias, como a divisão dos mecanismos em categorias e a utilização de fóruns de discussão direcionados a tópicos, reforçarão algumas idéias deste trabalho, como será visto adiante. Ainda assim, pelo foco deste trabalho, algumas preocupações relacionadas ao desenvolvimento de projetos finais pelos estudantes precisam ser mais bem consideradas, seguido idéias nos moldes dos ambientes MEDIADOR, CRETA e AmAm descritos anterior- mente.