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5. DISCRIBTION AND ANALYSIS

5.1 I NTERACTION OF HEARING IMPAIRED STUDENTS IN THE REGULAR CLASSROOM SETTING

5.1.3 Teaching Methods

Dentre os seis coletivos de teatro de improviso que compõem a amostra da presente investigação, por intermédio dos critérios da tipicidade e da acessibilidade (LUCERO et al., 2018), foram selecionados 27 sujeitos, sendo 14 artistas brasileiros e 13 portugueses, em razão de nem sempre ter sido possível contar com todos os membros dos grupos analisados como respondentes da coleta de dados atrelada ao estudo empírico. Além dos improvisadores integrantes dos grupos cariocas e lisboetas, foram proclamados como informantes-chave outros quatro sujeitos de pesquisa, aduzidos em função de sua profunda expertise acerca dos temas de interesse do estudo e/ou em razão de sua ampla experiência com o movimento impro brasileiro e com a cena portuguesa de teatro de improviso. Em sua totalidade, o cômputo de sujeitos de pesquisa chegou a 31 (14+13+4) indivíduos, como se detalha nas próximas linhas. 3.3.1 Improvisadores brasileiros

3.3.1.1 Baby Pedra e o Alicate

A formação original do grupo Baby Pedra e o Alicate reuniu, em 2011, quatro não atores – um sociólogo, um advogado, um médico e um cineasta84 – que haviam travado conhecimento no ano anterior, por ocasião de um curso livre de impro ministrado pelo ator, improvisador e diretor Claudio Amado na Companhia de Teatro Contemporâneo:

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O autor da presente investigação participou de cursos regulares de teatro de improviso ministrados no Rio de Janeiro por Flávio Lobo Cordeiro entre 2012 e 2016, na Companhia de Teatro Contemporâneo e no Espaço Mova. No primeiro semestre de 2018, dedicou-se ao estudo do teatro de improviso em long form com Claudio Amado, no Sobrado Boemia, também no Rio de Janeiro. Amado e Lobo Cordeiro estão citados na dissertação de Hércules (2011) como importantes precursores do movimento impro no Brasil.

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Eventualmente, alguns membros do Baby Pedra e dos Imprudentes, formados em carreiras não relacionadas ao teatro, obtiveram seus registros profissionais como atores em decorrência do reconhecimento de suas experiências profissionais em impro. No Brasil, a concessão do registro de ator pelo Ministério do Trabalho, em atendimento ao Sindicato de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões (SATED) independe de uma formação técnica ou universitária em Artes Cênicas.

107 respectivamente, Alberto Goyena, Bernardo Sardinha, Carlos Limp e Taiyo Omura. Os quatro integrantes da primeira formação do Baby Pedra – que permanecem no grupo – foram joeirados como sujeitos da presente pesquisa, assim como outros quatro integrantes que posteriormente se reuniram à trupe: o casal de atores Adriano Pellegrini e Thaine Amaral, ambos graduados em artes cênicas, o músico improvisador Breno Paraizo, que acompanha com seu violão as apresentações do grupo, e a atriz Carol Lobato, que serve ao coletivo principalmente como improvisadora de iluminação e efeitos sonoros. Ao longo dos anos, a composição do Baby Pedra e o Alicate passou por diversas modificações. No momento da coleta de dados realizada para a pesquisa, porém, os oito improvisadores que efetivamente constavam como integrantes do grupo foram todos arrolados como sujeitos da investigação.

Dos três coletivos que formam a amostra brasileira do presente estudo, o Baby Pedra e o Alicate distingue-se por privilegiar o teatro de improviso em long form, por investir em números musicais improvisados, por estimar o trabalho com máscaras nos ensaios e nas apresentações, e por dividir o palco com bonecos tais como fantoches85. As máscaras, os bonecos, alguns figurinos e os demais itens de indumentária, em sua maioria, são confeccionados por Bernardo Sardinha, que também parece desempenhar a função de diretor artístico do grupo, enquanto Adriano Pellegrini opera como uma espécie de diretor cênico e Taiyo Omura intervém como diretor musical da trupe, embora o grupo dispense a rigidez de tais títulos, ou mesmo qualquer atribuição formal de funções. Outra particularidade do Baby Pedra e o Alicate é a aquiescência de seus integrantes a uma rotina regular de ensaios, de maneira sistemática e disciplinada, ao longo dos anos, nas noites de segunda-feira, no último andar da clínica mantida pelo médico otorrinolaringologista e improvisador Carlos Limp, que também vem a ser o informante mais velho desta pesquisa, tendo nascido no ano de 1960.

Em termos de treinamento corporal pregresso, os integrantes do Baby Pedra e o Alicate apresentam desenvolvimentos qualitativamente dissemelhantes. Os atores do grupo, Adriano Pellegrini e Thaine Amaral, receberam capacitação formal em dança e expressão corporal em seus cursos de graduação, tendo sido iniciados nas técnicas difundidas por Meyerhold, Laban, Grotowski, Bausch e outros importantes encenadores anteriormente mencionados nesta pesquisa. Pellegrini também recebeu treinagem avançada em técnicas de palhaçaria, enquanto Amaral se dedicou ao jazz e à dança contemporânea. Carlos Limp e Taiyo Omura e foram alunos diretos de Keith Johnstone, em 2012, no Canadá. Como outros tantos cariocas, vários membros do grupo praticaram (e ainda praticam) atividades desportivas de maneira sistemática: Carlos Limp e Thaine Amaral, por exemplo, citaram a natação, enquanto Taiyo Omura mencionou o remo. As artes marciais também apareceram entre as práticas corporais preferidas pelos integrantes do Baby Pedra, bem como por membros de outros coletivos brasileiros, como se mostra mais à frente. Omura nomeou o supracitado Aikido japonês, enquanto Pellegrini aludiu à arte marcial israelense do Krav Magá, que comporta técnicas de defesa pessoal e proteção de terceiros por meio de combate corpo-a-corpo, luta com facas e conflitos com utilização de armas de fogo, com base na análise de incidentes violentos em arenas civis e militares (COHEN, 2010).

A curiosidade de Bernardo Sardinha com respeito a diferentes disciplinas cênicas – notadamente a mímica, as máscaras e os fantoches – conduziu o grupo a investigar novas possibilidades no tocante à corporalidade. De forma eminentemente autodidata, através de

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Os fantoches e as marionetes são bonecos animados por pessoas, e a principal diferença entre os dois reside na forma de manipulação. Enquanto as marionetes são suspensas por fios invisíveis e geralmente têm seus braços e mãos movimentados pelos dedos do artista, os fantoches – também chamados títeres ou bonífrates – são manipulados internamente. Cabe notar que, em alguns estados da região Nordeste do Brasil, registra-se um tipo particular de teatro de bonecos, praticado por artistas do povo e denominado Mamulengo, que se baseia na improvisação livre do ator e guarda “elementos vinculados à tradição dos folguedos ibéricos e (...) remanescentes dos espetáculos da Commedia dell´Arte” (SANTOS, 2007, p. 20).

108 pesquisas em livros e em vídeos tutoriais hospedados em canais de Internet, Sardinha enriqueceu seu repertório estético e performativo, amplificando admiravelmente as potencialidades criativas do Baby Pedra. A contracenação dos atores com bonecos86, com estruturas humanoides encimadas por máscaras e com criaturas construídas diante do público a partir de peças de figurino e itens como cabides e instrumentos musicais, levou o elenco a explorar corpos surpreendentes e inauditos, até então talvez percebidos como impossíveis de serem materializados no palco. Segundo Tillis (2003, p. 366), o desafio crucial da arte da manipulação de bonecos – no inglês puppetry – consiste em “apresentar personagens por meio de um contexto de significação diferente dos reais seres viventes”, os quais não raramente são vistos como obras de arte obtidas por meio de um processo artesanal de natureza frequentemente ritualística. A rigor, segundo o autor, não se pode atribuir a esses bonecos as propriedades relacionadas ao efeito de presença, mas é possível falar da “aura” que eles produzem ao serem utilizados por artistas performativos versados em sua manipulação.

Foto 24 – Observados por Bernardo Sardinha (ao fundo, com o boneco do Escritor), Taiyo Omura (parcialmente encoberto), Adriano Pellegrini (ao centro) e Carlos Limp improvisam uma canção ao final do espetáculo “Puppet Fiction”, em 9 de novembro de 2017, na quarta noite do Festival Universitário de Teatro de Improviso

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--- Crédito da fotografia: Zeca Carvalho

Tal direcionamento artístico se coaduna com o panorama contemporâneo da arte do titerismo, que, ao longo do Século XX, sofreu uma profunda transformação, passando de uma abordagem baseada na animação a uma perspectiva orientada para o animismo, a partir da

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Todos os objetos com os quais o grupo contracena – sejam eles fantoches ou formas criadas no instante a partir da junção de máscaras, cabeças de bonecas, panos, pedaços de manequins ou outros materiais – são chamados “bonecos” pelos improvisadores do Baby Pedra e o Alicate.

109 qual o treinamento formal dos artistas pôde transcender as convenções técnicas e artesanais do ofício, para alcançar uma concepção sensível da arte, focada na animação de múltiplas formas, na subjetividade visual da dramaturgia e no desenvolvimento da consciência do artista com relação a um entendimento plural da corporalidade (ASTLES, 2010). Esse movimento possivelmente se origina das performances dadaístas apresentadas no final dos anos 1910 em centros europeus tais como Berlim, Paris e Zurique, em que eram aplamente utilizadas máscaras e títeres (GOLDBERG, 1979).

Por conta dessa herança performativa, nas cenas do Baby Pedra, podem ganhar existência real entes minúsculos, criaturas voadoras, monstros de duas cabeças ou mesmo tipos absolutamente comuns “interpretados” por um fantoche, enfim, toda uma gama de personagens que, na maioria dos grupos de impro, existe apenas na imaginação dos atores e dos espectadores. Como evidencia a Foto 24, nos espetáculos do Baby Pedra e o Alicate, novos corpos se multiplicam em cena, carregados de estranheza e inundados de encantamento, cabendo aos improvisadores encontrar soluções em suas próprias corporalidades para dar prosseguimento à contracenação. Aqui cabe ressaltar a posição de Cohen (2017), acerca da perspectiva de que a criatividade do artista que se dedica à arte do titerismo não reside na imposição de sua vontade sobre os utensílios que manipula, mas em moldar suas escolhas performativas ao encontro com seres não-humanos, em uma celebração da agência de objetos que são criaturas essencialmente teatrais, cuja existência subsiste na realidade partilhada entre artistas e espectadores. No espetáculo “Puppet Fiction”, por exemplo, toda a narrativa dramática é conduzida pelo boneco do Escritor, único personagem a se comunicar diretamente com o público e a movimentar os improvisadores em cena para construir as histórias acordadas entre ele e o espectador, como se os atores fossem os bonecos, numa brincadeira de inversão da manipulação entre humanos e não humanos.

Os oito improvisadores do Baby Pedra e o Alicate que foram apartados como sujeitos da presente investigação tiveram seus nomes codificados de acordo com a seguinte padronização, ulteriormente replicada para os demais coletivos que compuseram a amostra da pesquisa: [Sobrenome do improvisador_Abreviatura do nome do grupo_Iniciais do país de origem]. Assim, a encriptação [Sardinha_Baby Pedra_BRA] refere-se ao improvisador Bernardo Sardinha, componente do grupo Baby Pedra e o Alicate, originário do Brasil.

3.3.1.2 Imprudentes

Oriundos da mesma escola que promoveu o encontro dos integrantes do Baby Pedra e o Alicate, os cinco membros fundadores dos Imprudentes também advieram de fora do meio teatral, com exceção de Marcelo Piriggo, ator, dublador e jornalista. Os demais Imprudentes – o engenheiro químico Cauê Costa, o arquiteto Marcello Cals, o administrador Rafael Tonassi e o músico “Neurastênico” Ramon Ribeiro – acumulavam pouca ou nenhuma experiência em artes performativas antes de sua iniciação nos cursos livres de teatro de improviso ministrados por Claudio Amado na Companhia de Teatro Contemporâneo. Aproximadamente dois anos depois de sua celebrada estreia, os Imprudentes se viram privados do imaginativo Ramon Ribeiro, que voluntariamente se afastou por motivos pessoais, e que era reconhecido por muitos artistas da cena impro carioca como um dos mais miríficos improvisadores do Rio de Janeiro. Seguiu-se um período de transição para os improvisadores remanescentes, que se mantiveram nas competições de Teatro-Esporte, para depois enveredarem também pelas pesquisas com a improvisação de formato longo.

Um bom caminho para se compreender a trajetória dos Imprudentes no circuito competitivo de Teatro-Esporte do Rio de Janeiro pode ser a parábola Hacelgolgana, publicada por Omar Argentino Galván em duas versões (GALVÁN, 2013; 2018a). No texto, o informante-chave da presente investigação conta a história de alguns adolescentes de Palermo, em Buenos Aires, que, jogando futebol em um parque público até altas horas da

110 noite, decidem que está na hora de retornar para suas casas, e combinam pôr fim ao jogo assim que qualquer um dos times vencer, e que, para ganhar o jogo, basta alguém marcar um gol. Momentos depois, um dos meninos consegue driblar a defesa adversária e se depara com o gol vazio. Sua escolha é chutar a bola para fora do campo, sem marcar o tento que finalizaria a partida. Espantados, os outros meninos perguntam ao primeiro porque razão ele havia escolhido deliberadamente perder aquele gol, para dele ouvir “Eu quero continuar jogando” (GALVÁN, 2018a, p. 75). O autor da parábola conclui que, em impro, deve-se jogar para que todos possam ganhar, e que, se perder o jogo significa continuar jogando, a lição dos meninos de Palermo foi apreendida. Na opinião do autor da presente pesquisa, que dividiu o palco com os Imprudentes em diversas ocasiões, este é precisamente o espírito que marca o grupo. Os Imprudentes foram finalistas em inúmeras competições de Teatro-Esporte, não por desejarem sagrar-se campeões, mas porque queriam seguir jogando.

O percurso artístico dos Imprudentes é marcado pelo contato permanente com o público, pelo carisma, pela generosidade e pela homogeneidade do talento de seus improvisadores, que evidenciam no palco uma rara sintonia. A predileção do grupo pelas tramas intrincadas e inteligentes, bem como pelos recursos do solilóquio e da narrativa em cena aberta, pode transmitir a equivocada impressão de que a corporalidade constitui uma preocupação menor para os improvisadores, porém tal sensação se dilui à medida que o grupo consegue imprimir, ao longo de suas cenas, uma maior fluidez nas histórias partilhadas com o público. Os Imprudentes também se notabilizam por encomiar como lições de vida os princípios fundamentais do Sistema Impro de Keith Johnstone, tais como escuta, aceitação e positivação. Aparentemente liderados por Rafael Tonassi, os Imprudentes burilam processos criativos democráticos e altamente participativos, em que todos manifestam reciprocidade na geração e no desenvolvimento de propostas. Para usar as palavras de Stokstad (2003, p. 6), “um grupo em que todos são totalmente amigáveis e confiantes e abertos e seguros uns com os outros”. Os Imprudentes ainda contam, eventualmente, com seu mentor, Claudio Amado, para orientar e supervisionar a direção artística de seus espetáculos.

Rafael Tonassi foi aluno direto de Keith Johnstone, tendo estudado impro também com Dennis Cahill e Shawn Kinley na matriz da companhia The Loose Moose Theatre, fundada por Johnstone e Cahill em Calgary, no Canadá, no ano de 1977. Atualmente, Cahill ocupa o cargo de diretor artístico do Loose Moose, função que herdou do próprio Johnstone. Tonassi e alguns dos outros Imprudentes costumam ser convocados para integrar grupos selecionados de improvisadores brasileiros em festivais e torneios de Teatro-Esporte sediados em vários países latino-americanos. Cabe destacar que integrantes dos demais coletivos que completam a amostra do presente estudo no Brasil também são regularmente elencados como jogadores de seleções brasileiras de Teatro-Esporte.

No que tange ao trabalho corporal de seu elenco, o grupo enfatiza a ausência de qualquer treinamento protocolar em artes performativas por todos seus integrantes, com exceção de Marcelo Piriggo, ator por formação. A exemplo do Baby Pedra, repetem-se com os Imprudentes os antecedentes dos esportes e das artes marciais. Marcello Cals, por exemplo, praticou natação, jogging, ciclismo, escalada, remo de caiaque e canoa havaiana, além de Judô. Rafael Tonassi é professor de Jiu-Jitsu, arte marcial de origem japonesa que foi adaptada para a realidade brasileira, particularmente por meio da influência da família Gracie em escolas de lutas no Rio de Janeiro, nas quais muitos atletas se dedicavam aos desafios de Vale-Tudo, prática que posteriormente evoluiu para os milionários torneios de Mixed Martial Arts (MMA), atualmente populares em todo o mundo, e que se distinguem pela utilização de técnicas corporais oriundas de artes marciais variadas (CAZETTO, 2010). Cals e Tonassi também são músicos percussionistas, e o segundo, como se viu preliminarmente na presente investigação, dedica-se igualmente ao ofício da palhaçaria.

111 Dentre todas as propostas cênicas contempladas pela etapa empírica da presente investigação, o espetáculo “Impropose”, dos Imprudentes, é aquele que traduz mais efetivamente a ideia de um processo criativo integralmente ancorado na corporalidade, em que o público acompanha cada estágio da criação testemunhando as transformações a que são submetidos os corpos dos atores. Na peça “Impropose”, retratada na Foto 25, a unidade fundamental do processo criativo que se desenrola aos olhos do público é a “pose” – uma construção corporal individual e estática que demanda uma complementação orgânica e espontânea por parte dos corpos dos demais improvisadores. Evidentemente, essa criação coletiva tem por premissa um diálogo permanente entre os corpos dos jogadores, como um jogo de perguntas e respostas por meio da corporalidade, que logicamente remete aos princípios do método de criação da dança-teatro de Pina Bausch (ver: DEY, 2018; PLATEL, 2018; TAVARES, 2017). Contudo, aos Imprudentes parece não importar a sistematização da articulação entre linguagem e movimento, e o grupo compreende o mote do “Impropose” como uma sucessão de imagens mostradas ao público, sem problematizar a fluidez dialógica que permite a transição entre as fotos. Admiravelmente, essa atitude de aparente despreocupação do grupo com as transformações experimentadas por seus corpos conduz naturalmente a improvisação para um processo de criação intuitivo e espontâneo, ancorado na construção conjunta de uma corporalidade intensificada a cada cena.

Foto 25 – Cauê Costa (à esquerda), Marcello Cals (recurvado), Marcelo Piriggo (ao fundo) e Rafael Tonassi (à direita), durante o espetáculo “Impropose”,

apresentado pelos Imprudentes no Festival Universitário de Teatro de Improviso, no dia 9 de novembro de 2017

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--- Crédito da fotografia: Zeca Carvalho

Os quatro improvisadores que atualmente formam o elenco dos Imprudentes foram selecionados como sujeitos do presente estudo: Cauê Costa, Marcello Cals, Marcelo Piriggo e Rafael Tonassi. A exemplo do coletivo antecedentemente apresentado e dos que são mostrados nas próximas seubseções, os Imprudentes também tiveram os nomes de seus

112 membros codificados. Por exemplo, [Costa_Imprudentes_BRA] representa o improvisador Cauê Costa, integrante do grupo Imprudentes, do Brasil.

3.3.1.3 Cachorrada Impro Clube

O elenco inicial do Cachorrada Impro Clube reuniu, em 2011, quatro estudantes do curso profissionalizante de formação de atores da Companhia de Teatro Contemporâneo, agrupados para disputar torneios de Teatro-Esporte, sob a direção de Flávio Lobo Cordeiro, que atuava como treinador do grupo: José Guilherme Vasconcelos, Luiz Felipe Martins, Othelo Nascimento Júnior e Pedro Freitas. A despeito do excelente desempenho da equipe em competições desde sua apresentação de estreia, a composição do Cachorrada variou bastante ao longo dos anos subsequentes. Da formação original do grupo, no momento em que se realizou a coleta de dados para o presente estudo, remanescia apenas Luiz Felipe Martins, ao qual se juntaram, em 2013, o ator e administrador Leandro Austin e, subsequentemente, em 2015, o engenheiro de software, ator e humorista de stand up comedy Leonardo Reis, conhecido como Gigante Leo, em decorrência de ser uma pessoa com nanismo. Durante três anos, depois dessa saliente mudança em seu elenco, o Cachorrada manteve-se afastado das competições, até que, no segundo semestre de 2018, angariando o reforço dos experientes Daniel Mendonça e Rodrigo Amém, além do estreante Arthur Pimenta, o grupo retornou ao Teatro-Esporte e conquistou importantes resultados em torneios nacionais e internacionais.

Dos três grupos brasileiros que compuseram a amostra desta pesquisa, o Cachorrada talvez seja aquele que batalha com mais afinco pela profissionalização do gênero no Rio de Janeiro. Dois de seus membros atuam como professores de teatro de improviso: Martins ministra aulas para crianças e adolescentes em importantes escolas cariocas, enquanto Austin compõe o corpo docente da Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante, onde provê cursos de improvisação para futuros oficiais de Náutica e de Máquinas da Marinha Brasileira. Luiz Felipe Martins e o Gigante Leo têm na arte sua principal fonte de renda, e Leandro Austin ministra habitualmente treinamentos corporativos e consultorias empresariais com o apoio de métodos provenientes do Sistema Impro. O Cachorrada Impro Clube também se diferencia na cena do teatro de improviso carioca em razão de sua disposição em cingir o humor como linguagem primordial e pela desobediência a regras historicamente impostas aos adeptos do sistema desenvolvido por Keith Johnstone, mas que, quando acatadas de maneira impensada concorrem, no entendimento do grupo, para arruinar a profícua interação do