6. DISCUSSION AND CONCLUSION
6.1 D ISCUSSION
6.1.2 Support for the hearing impaired students
Diversas ferramentas e metodologias de avaliação ambiental foram desenvolvidas pela comunidade científica nos últimos anos, entre as quais estão incluídas a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA), Avaliação de Risco Ecológico (ARE), Análise de Fluxo de Materiais (AFM), Análise Custo-Benefício (ACB) e Análise do Ciclo de Vida (ACV). A ACV é usada para avaliar os possíveis impactos ambientais associados a um produto, processo ou atividade durante todo o seu ciclo de vida (Norgate et al., 2007). A ACV pode ser distinguida de outras metodologias de avaliação ambiental devido a dois fatores constituintes e únicos: a análise “do berço ao túmulo” e a unidade funcional. Através da aplicação simultânea destes fatores, é possível comparar sistemas de produto que satisfaçam o mesmo ou propósitos semelhantes. Análise “do berço ao túmulo” (cradle-to-grave) significa que todas as fases no ciclo de vida do produto estão incluídas na análise, nomeadamente a extração de matérias-primas, a produção de materiais e de produtos, a sua utilização e desposição de resíduos ou reciclagem. Qualquer transporte que ocorra entre estas etapas também é contabilizado. Os produtos são definidos como bens e serviços em todas as normas. No caso dos serviços, o produto final é intangível, contudo, necessita de todos os processos e fontes de energia que os produtos ou bens tangíveis (Klöpffer, 2014). A ACV é um método fluido, aplicável a todos os setores de produção. Foi padronizado internacionalmente pelas normas ISO 14040 e 14044 (ISO, 2006a, 2006b). Esses documentos delinearam um procedimento partilhado entre todos os setores para os quais um cálculo de ACV poderia ser interessante e constituem uma das principais tentativas de harmonização entre os estudos. O método definido pela ISO baseia-se em quatro pilares principais: definição de objetivo e âmbito, inventário de ciclo de vida, avaliação de impacto e interpretação de resultados. Cada passo implica várias escolhas, e cada uma delas poderia afetar os resultados finais da análise (Baldini, Gardoni, &
A ACV consiste na compilação e avaliação das entradas (inputs) e saídas (outputs), bem como potenciais impactes ambientais associados ao ciclo de vida de um sistema de produto (ISO, 2006a). Segundo Klöpffer, 2014, o objeto de estudo de uma ACV, não é apenas o bem ou serviço tangível, mas sim, todos os processos e fluxos que ocorrem a montante e jusante da sua utilização. Todos estes elementos compõem o sistema de produto, como se pode verificar na Figura 2.17.
Figura 2.17 - Esquema ilustrativo de um sistema de produto (adaptado de ISO, 2006a).
O sistema de produto é composto por todos os processos que ocorrem ao longo da vida do produto, as etapas principais e as secundárias, como o transporte de recursos e o fornecimento de energia. Segundo Alcobia, 2009, o ciclo de vida inclui as seguintes etapas:
• Aquisição da matéria-prima – Inclui todos os processos que envolvam a extração de matéria- prima e fontes de energia diretamente do ambiente, bem como os recursos consumidos e as emissões geradas (inclui o transporte dos materiais desde a extração ao ponto de processamento);
• Produção – Abrange o processamento e utilização da matéria-prima, a fabricação do produto final (material, produto ou embalagem), o seu acondicionamento e expedição para o consumidor ou local de armazenamento;
• Utilização – Inclui todas as atividades associadas à vida útil do produto. Consiste na aplicação real do produto para cumprimento de uma das suas funcionalidades e quaisquer processos de manutenção;
• Reciclagem/reutilização e tratamento do resíduo – Correspondem à etapa de fim-de-vida do produto. São processos alternativos dependentes das propriedades do produto; a recuperação
do resíduo permite a sua reintrodução no processo de produção como matéria-prima, enquanto o seu tratamento resulta na deposição em aterro ou na sua valorização energética.
Entende-se que a fase de utilização consiste na fase mais difícil de modelar, por ser a fase mais imprevisível. Esta fase encontra-se diretamente relacionada com os padrões comportamentais, os quais podem facilmente sofrer oscilações.
São também considerados todos os recursos que entram no sistema e o seu transporte, bem como os resíduos e emissões resultantes. Os fluxos de entrada e saída são classificados como fluxos elementares ou de produto, consoante a interferência humana na sua produção. Segundo a ISO (2006a), os recursos que entrem no processo diretamente a partir do ambiente, ou que saiam do sistema de produto sem qualquer tipo de gestão ou tratamento posteriores, designam-se por fluxos elementares. Os fluxos de produtos correspondem a recursos que entram no sistema de produto diretamente a partir de outro. Todos os processos que ocorram fora do limite do sistema, não são considerados na ACV.
A propriedade essencial de um sistema de produto é caracterizada pela sua função e não pode ser definida apenas em termos dos produtos finais. Cada uma das fases do sistema de produto é composta por processos unitários, que constitutem o elemento básico de uma ACV (ISO, 2006a). A estes processos são associadas fluxos de entrada, de saída e intermédios (Figura 2.18).
Figura 2.18 - Exemplo de um conjunto de processos unitários num sistema de produto (adaptado de ISO, 2006a).
Segundo Pato, 2015, os inputs correspondem a recursos materiais e energéticos, enquanto que os outputs consistem nos resíduos, nas emissões e nos produtos e coprodutos resultantes do processo. Entre os processos unitários ocorrem ainda fluxos intermédios que dizem respeito aos produtos
intermédios do processo de produção. A análise detalhada dos fluxos de cada processo unitário, nas várias etapas do ciclo de vida do produto, é o cerne da ACV. A sua quantificação permite determinar as pressões ambientais decorrentes do sistema.
A ACV é agora uma das principais metodologias utilizadas para métricas ambientais e potencialmente se tornará numa poderosa ferramenta estratégica de gestão e tomada de decisões para tornar a nossa sociedade mais sustentável e eficiente a nível da utilização de recursos. A principal vantagem desde método consiste na perspectiva sistémica que visa evitar a “transferência de encargos” de um impacte ambiental para outro e de um estágio de produção para outro (Baldini et al., 2017).