4 MEASURES TO ADDRESS RESISTANCE
4.6 Teaching method
De acordo com Pimenta Jr. (2012) e Wang, Zhang e Zhoud (2015) a assimetria de volatilidades de retornos é a mais estudada e consolidada delas. Tem sido largamente documentado na literatura que um choque negativo nos retornos de ativos financeiros, ou uma
queda inesperada no seu preço, tende a aumentar sua volatilidade em uma maior extensão que um choque positivo nos retornos, ou uma alta inesperada no preço de mesma magnitude.
Segundo Daouk (2001), a interação entre retornos e volatilidade está no centro dos modelos de precificação de ativos. Mais especificamente, a assimetria nesta relação tem importantes implicações nos modelos de precificação de opções e de previsão de volatilidade. Os modelos GARCH assimétricos, como o EGARCH e o GJR-GARCH, são amplamente usados para verificar essa assimetria. Um melhor entendimento da assimetria de volatilidade permitirá o refinamento destes modelos pela incorporação de variáveis que levam em consideração essa característica de uma maneira mais eficiente.
Existem vários trabalhos que procuram verificar empiricamente a existência deste fenômeno nos mercados de capitais ao redor do mundo. A maioria desses estudos feitos com dados de mercados desenvolvidos encontraram que choques negativos no mercado levam a uma maior volatilidade nos retornos do que choques positivos de mesma proporção. Shields (1997), por exemplo, testou e confirmou essa hipótese ao constatar que esse fenômeno estava presente em uma série de retornos de ações de mercados desenvolvidos.
Nam, Washer e Xu (2005) corroboram esta ideia ao demonstrarem a existência de assimetrias nos retornos do mercado de ações dos EUA. Em particular, eles encontraram que retornos positivos tipicamente exibem momento maior do que os retornos negativos. Em um estudo recente, Thorlie et al. (2015) também encontraram que choques negativos (más notícias) são mais efetivos do que choques positivos (boas notícias) na volatilidade para o mercado dos Estados Unidos.
Ainda com dados do mercado norte-americano, Henry, Olekalns e Shields (2010) realizaram uma investigação empírica das respostas dinâmicas que seguem a chegada de notícias, avaliando a existência de assimetrias de sinal e de fase. Os resultados sugerem que é relevante se a notícia é boa ou ruim. Além disso, esta distinção parece importar somente quando a economia está em expansão.
Em estudo feito por Sinha e Agnihotri (2014) no mercado dos EUA, eles encontraram que a volatilidade é afetada por pronunciada persistência na volatilidade, reversão à média dos retornos e assimetrias no mercado de capitais.
Riordan et al. (2013) estudaram as assimetrias nas reações a novas mensagens no mercado canadense. Eles encontraram em seu estudo empírico que notícias negativas são particularmente informativas e induzem a reações de mercado mais fortes. Assim, seus resultados encontraram evidências da existência de reações assimétricas a notícias.
Outros trabalhos buscaram testar se esse fenômeno também estava presente nos mercados emergentes. A maioria deles encontraram evidências de sua existência. Por exemplo, os resultados do estudo de Shamsuddin (2008) sugerem haver assimetrias de volatilidade nos mercados do Sul Asiático. Isso porque a volatilidade condicional respondeu assimetricamente a boas e más notícias em todos os mercados de capitais, exceto o de Bangladesh.
Ceretta e Costa Jr. (1999) examinaram a influência de eventos sobre a volatilidade em seis mercados acionários da América Latina: Argentina, Brasil, Chile, México, Peru e Venezuela. Os resultados sugerem que os eventos negativos apresentam maior influência do que os positivos na maioria dos países estudados, a exceção é o mercado da Venezuela.
Otuki et al. (2008) também analisaram a América Latina, sendo que foram incluídos no estudo os três maiores mercados da região: Brasil, México e Argentina. Os resultados foram similares aos de Ceretta e Costa Jr., apesar do período ser diferente. Eles encontraram evidências de assimetria na volatilidade. A magnitude da volatilidade foi maior depois de impactos negativos do que de positivos. Além disso, foi identificado que impactos negativos provocaram efeitos com maior duração do que os impactos positivos, caracterizando o fenômeno da assimetria de persistência da volatilidade.
Pimenta Jr., Lima e Gaio (2014) estudaram outro grupo de países emergentes: os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). Eles investigaram o comportamento da volatilidade dos mercados de capitais destes países durante a crise financeira global de 2008, comparando- os aos dos mercados de capitais desenvolvidos (EUA, Japão, Reino Unido e Alemanha). Usando dados de 2006 a 2010 dos índices acionários, eles aplicaram os modelos univariados GARCH, EGARCH e TARCH. Os resultados mostraram comportamentos semelhantes entre ambos os grupos de mercado no tocante à presença de persistência nos efeitos de choques, assimetria e reação atrasada da volatilidade às mudanças de mercado. Porém, os mercados emergentes dos BRICs apresentaram menor persistência aos choques de volatilidade, menor assimetria, e reações mais rápidas da volatilidade às mudanças de mercado.
Em um estudo recente, Assaf (2015) testou alguns fatos estilizados das séries temporais financeiras e encontrou que os retornos de ações nos mercados de capitais emergentes MENA (Egito, Jordânia, Marrocos e Turquia) apresentam significantemente caudas mais pesadas do que a distribuição normal e assimetrias.
Evans e McMillan (2009) fizeram um estudo mais amplo, no qual analisaram 33 índices de ações internacionais e encontraram suporte para padrões de assimetrias de retornos
em todos os mercados. Além disso, eles identificaram que dias consecutivos de retorno positivo exibem maior persistência do que dias consecutivos de retorno negativo.
Em oposição, Shields (1997) não encontrou assimetrias de volatilidades dos retornos nos mercados emergentes do Leste Europeu.
Por fim, Ning, Xu e Wirjanto (2015), em outro trabalho recente, investigaram padrões de assimetrias nos agrupamentos de volatilidade. Em seus resultados, foram encontradas evidências de que os conglomerados de volatilidade são altamente não lineares e fortemente assimétricos no sentido de que os clusters de alta volatilidade ocorrem com maior frequência dos que os clusters de baixa volatilidade. Além disso, os clusters de volatilidade persistem por mais de um mês e sua assimetria por diferentes períodos de tempo.