4.3 Theme 2: Teaching Strategies which Regular Teachers Use in Teaching Reading
4.3.2 Teaching and Learning Materials
A “Segunda Guerra Sino-Japonesa” fez aumentar o auxílio americano-britânico à China. É certo que uma série de “Actos de Neutralidade” tinham sido aprovados nos EUA pelos “isolacionistas” americanos, proibindo a ajuda a países em guerra; porém, uma vez que a Guerra não tinha sido formalmente declarada (a China apenas o faria, oficialmente, em Dezembro de 1941, após a declaração de guerra americana subsequente ao ataque japonês a Pearl Harbor), o Presidente Roosevelt pode argumentar que não existia um verdadeiro estado de guerra na China, mantendo as “normais” relações comerciais com os chineses e, naturalmente, apoiando também o seu esforço de guerra contra o Japão. Assim, acompanhados pelo Reino Unido, os EUA iniciam uma série de sanções comerciais contra o Japão envolvendo, sobretudo, equipamento militar e matérias-primas cruciais como o
40
O Tratado Germano-Soviético, ou Ribbentrop-Molotov como também ficou conhecido em virtude do nomes dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha Nazi e da URSS estalinista, celebrado em 23 de Agosto de 1939 foi anunciado publicamente como um Pacto de Não Agressão por 10 anos, embora contivesse um acordo secreto sobre a ocupação e a partilha entre ambos da Polónia. Sem ser beligerante, a URSS ocupou a parte Oriental da Polónia e celebrou vários acordos comerciais com a Alemanha Nazi. Em 28 de Setembro de 1939, Ribbentrop deslocou-se a Moscovo onde celebrou com Molotov um verdadeiro tratado de cooperação e amizade, coroado pelo famoso comunicado conjunto em que os Governos do Reich e da URSS responsabilizavam a França e a Inglaterra pela continuação da guerra. Ficava, portanto, claro que a Alemanha Nazi combateria o Ocidente com a neutralidade colaborante da URSS Estalinista - até ao volte-face provocado pela invasão Alemã da União Soviética, em Junho de 1941.
petróleo. Estas sanções baixaram ainda mais as expectativas japonesas quanto ao comércio externo (oitenta por cento do petróleo importado pelo Japão provinha dos Estados Unidos) e acentuaram a necessidade nipónica de expansão para o Sudeste Asiático. Em Abril de 1939, a Marinha nipónica fez publicar a sua “Política para o Sul”, começando depois a preparar uma missão nas Índias Orientais Holandesas a fim de garantir abastecimentos petrolíferos adicionais.
É neste quadro que os estrategos e ideólogos japoneses desenvolvem e promovem as ideias de pan-Asiatismo - expressa no slogan “Ásia para os Asiáticos” - e de uma “Esfera de Co-Prosperidade na Grande Ásia Oriental”, evidentemente, liderada pelo Japão. A subsequente expansão para o Sudeste Asiático assume, portanto, um carácter distinto não só da tese do “espaço vital” Nazi na Europa como das anteriores ocupações nipónicas no Nordeste Asiático. A retórica do pan-Asiatismo e da Esfera de Co-Prosperidade da Grande
Ásia Oriental pretendia ser uma justificação para a nova Ásia Oriental que o Japão estava a
criar, um mecanismo para unificar a macro-região sob a sua hegemonia, com a economia e a força militar nipónicas a actuarem como principais alavancas. Desde a sua implementação prática, essa “Esfera de co-prosperidade” foi tomada pela burocracia, pelo empresariado e pelos militares nipónicos e pró-nipónicos, defrontando grande hostilidade quer na China quer por todo o Sudeste Asiático, o que tornou a presença japonesa particularmente agressiva (Young, 1998; Godement, 1996).
Por outro lado, as exigências da economia de guerra fariam com que o Império nipónico não fosse capaz de substituir os mercados e o abastecimento de bens de consumo Ocidentais, tornando a sua ocupação meramente predatória dos recursos ali existentes. Consequentemente, os níveis de vida por toda a região declinaram em virtude do seu isolamento económico, falta de investimento e dependência económica do Japão, pelo que a tal “co-prosperidade” asiática nunca se materializou (Beeson, 2007: 47). Ou seja, estratégica e economicamente, a Esfera de Co-Prosperidade da Ásia Oriental foi mal concebida e um enorme insucesso: em vez de significar um acréscimo de prestígio, de capacidades e de poder para o Japão, arrastou-o para uma ocupação trágica que, na China e no Sudeste Asiático, consumiria recursos económicos e militares que seriam indispensáveis para combater o inimigo Ocidental, além de perpetuar um legado de grande animosidade regional anti-Japão.
O início da guerra na Europa alterava a situação na Ásia Oriental, com Tóquio a percepcionar que esta situação tornava ainda mais delicado o abastecimento de matérias- primas mas também que o Japão tinha agora uma oportunidade soberana para se expandir, dado que as forças europeias regressavam ao teatro europeu enquanto a frota americana era dividida entre os teatros do Pacífico e do Atlântico, com predomínio para o segundo. No
início de 1940, Tóquio começou a propor que certos territórios e ilhas do Sudeste Asiático fossem incorporadas nas sua “Esfera de Co-Prosperidade”, o que não só foi recusado pelos colonizadores Ocidentais como fez aumentar as restrições contra o Japão. A situação tornava-se crítica e o dilema para Tóquio era tremendo: se nada fizesse, as dificuldades de abastecimento acentuar-se-íam, provocando o declínio japonês; se se expandisse para o Sudeste Asiático, entraria em guerra com os colonizadores europeus e, acima de tudo, com os Estados Unidos e perderia por completo o acesso ao comércio e ao mercado destes. Depois de um novo Pacto Tripartido com a Alemanha e a Itália, em Setembro de 1940 e de um Tratado de Neutralidade com a URSS, em Abril de 1941, o Japão decidiu-se pela agressão, com os militares japoneses a ocuparem facilmente a desprotegia Indochina (Julho de 1941) de uma França subordinada ao Governo de Vichy, colaboracionista com os Nazis41, o que levou os EUA e o Reino Unido a congelarem os fundos japoneses e a suspenderem toda a actividade comercial com o Japão. Em Junho de 1941, a Alemanha invadia a União Soviética, levando esta a tornar-se beligerante na Europa sem que, contudo, o Japão, aliado da Alemanha, tenha rompido a sua neutralidade em relação à URSS – não só porque queria continuar a aceder aos recursos soviéticos como a sua prioridade era a “conquista do Sul”, não querendo arriscar também uma frente Norte.
Incapazes de, por via diplomática, persuadirem os Estados Unidos a levantarem o embargo e a reconhecerem a autoridade japonesa no Sudeste Asiático, o Governo e os militares nipónicos decidiram-se por atacar as posições americanas no Pacífico para, assim, eliminarem o potencial grande opositor e controlarem toda a região da Ásia-Pacífico. Ou seja, pela força, o Japão procuraria alcançar o seu duplo objectivo de aceder a recursos vitais de que tanto necessitava e criar a sua Esfera de Co-Prosperidade da Ásia Oriental. Em 7 de Dezembro de 1941, num raid surpresa que repetia outros ataques sem declaração de guerra (contra a Rússia, em 1904 e contra a China, em 1894 e novamente nos anos 1930), a armada japonesa atacou a base naval americana de Pearl Harbour, no Hawai, e outras posições americanas nas ilhas de Midway e Wake. As forças japonesas atacaram também as colónias britânicas de Hong Kong, Malásia e Singapura e a base aérea americana de Clark Field, nas Filipinas. Consequentemente, os Estados Unidos, o Reino Unido e a República da China de Chiang Kai-shek declararam guerra ao Japão (logo a seguir, em 11 de Dezembro, a Alemanha, aliada do Japão, declarou guerra aos EUA, trazendo estes também para o teatro europeu como parte beligerante); ao invés, a URSS manteve a sua neutralidade em relação ao Japão até bem perto da capitulação nipónica. Começava, assim, a Guerra do Pacífico, inexoravelmente ligada à guerra no teatro europeu (e africano, por inerência) desencadeada desde 1939 e também à guerra sino-japonesa, em
41
A França havia capitulado, em Junho de 1940, instalando-se no país um “governo autónomo” liderado pelo Marechal Philippe Pétain, sedeado na cidade de Vichy e, evidentemente, manietado pela Alemanha Nazi.
curso desde 1937. A Guerra assumia um carácter verdadeiramente Mundial, com dois grandes teatros de operações - Europa e Ásia-Pacífico. Neste último, o Japão começou por obter sucessivas vitórias, fazendo rapidamente uma gigantesca progressão para toda a Ásia do Sudeste: entre Dezembro de 1941 e Junho de 1942, conquistou Singapura, as Índias Holandesas, a Malásia, as Filipinas e a Birmânia, permitindo apenas que o Sião (não colonizado) conservasse uma independência mais formal do que real42 (Godement, 1996: 104-115). No Verão de 1942, a Armada Imperial levava o Japão a atingir o seu apogeu expansionista, chegando ao Noroeste marítimo da Austrália, à Costa Norte da Nova-Guiné e a Guadalcanal (Ilhas Salomão) e outras ilhas americanas no Pacífico.
Mapa 6. O Japão no seu apogeu durante a Guerra do Pacífico, Verão de 1942
Fonte: Messenger, Charles (1990)- A Segunda Guerra Mundial. Porto: Edinter - colecção “Conflitos do Século XX”: p. 14.
As batalhas do Mar de Coral e de Midway (Verão-Outono de 1942) puseram, no entanto, termo à sucessão de vitórias japonesas e à sua expansão. O Japão tinha ido para lá das suas reais capacidades e, em breve, iria pagar caro pelo seu belicismo: na China, nacionalistas e comunistas aliam-se e reorganizam-se para combater o invasor japonês,
42 A “independência” do Sião foi garantida a troco de uma declaração de guerra (igualmente, mais formal que
real) contra os Aliados Ocidentais e da abertura à passagem das tropas japonesas pelo seu território, ficando sem grandes problemas na órbita nipónica.
contando com o apoio Ocidental e, embora mais discreto, também soviético; no Sudeste Asiático e nas suas colónias da Coreia, Manchúria e Taiwan os japoneses desgastam-se com diversos focos de resistência e insurreição; no Pacífico, os Estados Unidos recuperam e reiniciam a contra-ofensiva, avançando ilha após ilha. Apesar da Esfera de Co-
Prosperidade da Ásia Oriental chegar a ser celebrada numa reunião em Tóquio, em
Novembro de 1943 (Godement, 1996: 114), progressivamente, o Império nipónico foi recuando até à sua dimensão original, com as suas cidades a ser duramente bombardeadas. Em Maio de 1945, a sua aliada Alemanha capitulava. O “Império do Sol Nascente” resiste encarniçadamente e os Estados Unidos efectuam, então, os dois primeiros e únicos bombardeamentos atómicos da História, em 6 e 9 de Agosto de 1945, sobre as cidades japonesas de Hiroshima (75 000 mortos) e Nagasaki (45 000 mortos) (Chaliand e Rageau, 1995: 82), respectivamente, naquela que foi uma das mais traumáticas experiências históricas do Japão, senão mesmo a mais dura, ao mesmo tempo que, pressionada pelos americanos, a URSS acaba por se tornar também beligerante contra o Japão.
Quando, finalmente, capitulou, em de 14 de Agosto de 1945, o Japão encontrava-se destruído, sem soberania e ocupado pelos EUA, potência que domina toda a Ásia Oriental e o Oceano Pacífico. Os territórios que o Japão ocupara regressam à posse dos seus antigos donos (Manchúria, Mongólia Interior e Taiwan para a China; Curilhas e Sacalina Meridional para a URSS; países do Sudeste Asiático para os colonos Ocidentais) ou recuperam a independência (Coreia). Dos escombros da II Guerra Mundial emergiria uma nova ordem mundial e também na Ásia-Pacífico, mas é inequívoco que a expansão japonesa deixou um legado profundo na memória histórica de todos os povos da região e no sistema internacional da Ásia Oriental.