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4.3 Theme 2: Teaching Strategies which Regular Teachers Use in Teaching Reading

4.3.3 Scaffolding

A reacção distintiva do Japão à presença e dominação Ocidental com a “Revolução Meiji” não foi apenas importante no contexto da História do Japão e região: ela demonstra também como não há nada de inevitável no impacto das forças externas ou na forma como Estados individuais respondem a desafios similares. Com efeito, a experiência japonesa representa um grande obstáculo às teorias que consideram que a Ásia, em determinada altura, foi incapaz de se desenvolver por causa de valores culturais inadequados ou porque o domínio estrutural do Ocidente tornava impossível o desenvolvimento da “periferia” na economia global (Beeson, 2007: 37).

A emergência do Japão e a sua posterior tentativa de criar uma Esfera de Co-Prosperidade desafiou a histórica centralidade da China na Ásia Oriental, representando para os chineses

um desafio muito distinto dos Ocidentais: com efeito, ao contrário dos europeus, russos ou americanos, o Japão era indígena da região e encarado na tradicional perspectiva chinesa como um Estado subordinado; ora, o Japão não só obteve um estatuto de igualdade com as potências ocidentais como substituiu a China enquanto potência asiática proeminente. Apesar de vir a falhar nos seus propósitos, a ascensão do Japão e a sua expansão significam que a noção de “domínio natural” chinesa da Ásia Oriental passou a ser contestada directamente por outra potência asiática. Paradoxalmente, à semelhança da China (embora por razões bens diferentes), o Japão teve dificuldade em conduzir relações com outros países asiáticos numa base de igualdade. Na prática, a “igualdade” para os dirigentes nipónicos respeitava somente às potências ocidentais, reservando para os seus vizinhos asiáticos as premissas da hierarquia nacional que quando transferidas, horizontalmente, para a esfera internacional, significaram conquistar e dominar. Como referido anteriormente, a crença chinesa na sua superioridade baseava-se nas ideias de reinado universal e cultura/civilização superior, apoiada no seu poder material; a ordem sino- cêntrica, quando existira era, em grande medida, moral e civilizacional. O Japão, por seu lado, ansioso por se tornar na potência hegemónica da Ásia Oriental, baseou a sua superioridade no poder económico e na força militar. A falta de matérias-primas no seu território foi um factor chave para a deriva imperialista nipónica, explorando duramente aqueles que dominou.

O impacto do imperialismo japonês produziu vários efeitos que têm relevância na actual geopolítica e complexo de segurança da Ásia Oriental. Primeiro, deixou um legado de profundos ressentimentos anti-nipónicos por toda a macro-região, concretamente, na Península Coreana, na China e no Sudeste Asiático que ainda hoje condicionam as atitudes destes povos e destes países em relação ao Japão e que representam um sério obstáculo à aceitação do Japão como um “país normal” e como uma grande potência “independente”: afinal, o “asiático” Japão teve um comportamento imperialista semelhante aos ocidentais na Ásia e, em larga medida, mais brutal. Segundo, a retórica e a ocupação japonesa acirraram, decisivamente, o nacionalismo e o independentismo dos países asiáticos. É verdade que o nacionalismo asiático começara a emergir antes da ocupação japonesa, que a experiência da ocupação japonesa variou de país para país e que o colaboracionismo dos locais com os nipónicos existiu, aspecto que se tornou assunto tabu desde 1945. Porém, sobretudo no Sudeste Asiático, o discurso anti-colonial e a destruição das estruturas coloniais encorajariam as lutas de libertação quando os colonizadores regressaram e a ênfase destes países nos princípios de respeito absoluto pela soberania e de não ingerência nos assuntos internos. Por outro lado, a dominação e a ocupação japonesa representa uma memória histórica colectiva comum importante para os países do Sudeste Asiático, a par da

colonização Ocidental, o que contribui para o a reconstrução identitária à escala regional no Sudeste Asiático.

Em terceiro lugar, a competição entre o Japão, a China e a Rússia pela Península Coreana evidenciou os riscos e os dilemas associados à localização perigosa da Coreia - precisamente, situada na confluência estratégica dos seus poderosos e rivais vizinhos -, reforçando o nacionalismo coreano e a ligação, mais tarde, a uma outra “potência externa”, os EUA. Quarto, a rivalidade russo-japonesa pelo poder e influência no Nordeste Asiático que se sucedeu ao declínio chinês, bem como as disputas territoriais entre a Rússia e o Japão, contribuiriam decisivamente para agravar as percepções negativas mútuas e as limitadas relações bilaterais quer em tempo de Guerra Fria quer na actualidade. Quinto, as sucessivas agressões nipónicas contra a China e a política de terror implementada durante a ocupação criaram uma memória histórica de profunda animosidade chinesa anti-Japão que, a par das sensibilidades mútuas sobre a Coreia, a Manchúria e Taiwan e da disputa sobre as ilhas Senkaku/Diaoyutai, torna ainda mais complexa a coabitação da China e do Japão enquanto grandes potências. Por outro lado, a luta pela libertação contra o invasor japonês ajudou, inquestionavelmente, à posterior ascensão do Partido Comunista Chinês ao poder, colhendo os frutos da vitória para efeitos de auto-legitimação, legado que ainda hoje o regime de Pequim instrumentaliza quer em termos internos quer na sua politica asiática. Sexto, a derrota do Japão e o severo sofrimento infligido ao povo nipónico, incluindo a ocupação estrangeira e a experiência aterradora de bombardeamentos atómicos, marcaram significativamente a sociedade japonesa, contribuindo para o desenvolvimento do seu pacifismo institucionalizado, a não-nuclearização e um enorme complexo acerca do estatuto político-estratégico japonês e da ressurgência do Japão como uma potência normal e independente.

Finalmente, a Esfera de Co-Prosperidade japonesa representou a primeira tentativa de pensar explicitamente a “Ásia Oriental” como uma região distinta nos seus próprios termos. Embora tenha sido desenvolvido em função de propósitos imperialistas “pegando mal” no regionalismo asiático, o pan-asiatismo nipónico teve um duplo efeito: por um lado, trazer à tona a noção de “Asiatização” em oposição à “Ocidentalização”; por outro, demolir a ideia da superioridade Ocidental e da sua invencibilidade – ou seja, dando fundamento à ideia de foi «o militarismo japonês quem personificou a primeira identidade da Ásia» (Godement, 1996:14). A partir daqui, seria apenas uma questão de tempo para que os colonizadores Ocidentais se retirassem e, depois, um certo regionalismo começasse a emergir na região. Isto ocorreria, no entanto, em conjugação com a plena aplicação da Guerra Fria na Ásia Oriental.