5. MATERIALS AND METHODS
5.4 S TATISTICS
A indústria aeroespacial não é só aeronáutica mas também a exploração do espaço que toma cada vez maior importância. A evolução havida nos últimos anos tem ocorrido a vários níveis: satélites de telecomunicações, de posicionamento, de vigilância, científicos e militares. Depois da Terra, do Mar e do Ar, o Espaço será um dos teatros de guerra, na eventualidade de conflitos futuros entre grandes potências mundiais. Os projectos americanos como a
66 Os países referenciados como já tendo manifestado o seu interesse são: Bélgica, França, Itália, Espanha e Turquia, a que se junta agora a Inglaterra, perfazendo assim um total de 130 unidades, numa primeira vaga.
Iniciativa de Defesa Estratégica e mais recentemente o Sistema Nacional de Defesa de Mísseis, provam exactamente o teatro de guerra que se antevê.
As razões militares aliadas à evolução da utilização civil que a indústria espacial irá ter nos anos mais próximos, com o desenvolvimento de projectos já planeados pela ESA, permitirão uma maior afirmação da Europa face à potência espacial ainda dominante, os EUA.
Os lançadores espaciais, que constituem uma das áreas de especialização europeia através da Arianespace67, são essenciais à exploração do espaço68. São estes veículos que permitem colocar nos diversos tipos de órbita os mais diversos tipos de satélites. O mercado está subdividido em diversas categorias, consoante a massa e volume da carga e tipo de órbita a que se destina. Neste momento o lançador europeu Ariane 5, é o veículo comercial de maior capacidade, sendo também o que dispõe de uma carteira de encomendas mais significativa69.
Nas últimas décadas, as missões espaciais foram largamente dedicadas a fins científicos, de defesa, ou meramente de prestígio. A exploração comercial do espaço iniciou-se mais recentemente e com utilizações como as comunicações, a observação e a navegação, que rapidamente se transformaram no núcleo de uma indústria de rápido crescimento e cujas novas aplicações ainda se aguardam.
O ritmo de crescimento desta nova indústria está no entanto dependente da forma utilizada para a colocação no espaço dos dispositivos necessários a
67 Arianespace é a companhia europeia para o transporte espacial. No caso concreto actual, o transporte de cargas é efectuado através de lançadores de utilização única. A ESA e a Arianespace trabalham no sentido de produzir uma nova geração de transportadores que permitam lançamentos mais potentes (que transportem mais carga útil), com maior frequència e a preços mais baixos do que os actuais. A Arianespace é uma empresa que tem a participação de 12 países europeus tendo como accionistas 41 empresas da indústria aeroespacial, 11 bancos e uma agência espacial (ESA). Portugal não participa directamente na Arianespace contrariamente ao que se passa com a Irlanda com uma quota de 0,17%, Noruega com 0,3%, Dinamarca com 0,58% ou Suécia com 2,29%, para destacar apenas alguns dos países com uma dimensão demográfica semelhante ou inferior a Portugal. (www.arianespace.com/about_shareholders.html, 16-Mar-2000)
68 AECMA, “Towards a European Aerospace Policy”, www.aecma.org
69 Mais de 41 encomendas contra 23 do concorrente mais directo, Atlas IIIA explorado por um consórcio Americano/Russo. (Flight International, “Space: Launch failures put pressure on space station project”, 22-Dec-1999, pp. 30-31).
essa exploração. Os processos que têm sido utilizados baseiam-se numa metodologia quase artesanal, pois os lançadores são fabricados um a um de raíz, repetindo-se todos os passos executados na unidade anterior sendo necessário proceder a um conjunto exaustivo de testes e ensaios para garantir a fiabilidade da unidade anterior (o que nem sempre é conseguido). O objectivo da indústria espacial é ter lançadores cujo processo de construção seja idêntico à linha de produção de aviões de passageiros. Só assim será possível obter prazos de construção menores e custos mais reduzidos. O projecto do space-
shuttle70 americano e russo foi uma resposta possível na concretização do conceito da reutilização do veículo contudo, o peso significativo dos motores e depósitos de combustível auxiliares no custo total do lançamento e as imprescindíveis e muito morosas revisões em cada vai-vem (após cada missão) não permitiram uma redução significativa dos custos, nem uma frequência mais elevada de lançamentos.
A ESA e a Arianespace trabalham arduamente no estudo desta problemática tentando encontrar uma nova geração de lançadores que permita finalmente explorar as potencialidades do espaço de uma forma mais efectiva. Os americanos também perseguem esse objectivo tendo já produzido diversos protótipos que têm vindo a ensaiar nos últimos anos. O interesse particular nesta frente da indústria deve-se ao facto de que quem a dominar irá dispor de vantagens muito importantes tanto no plano militar como no plano económico.
O crescimento de uma economia, tecnologicamente orientada como a da UE, seria significativamente limitado se não dispusesse de autonomia para manter e desenvolver as suas actividades espaciais. Tal como na componente aeronáutica, também na componente espacial existem razões para que países (uns desenvolvidos outros ainda em vias de desenvolvimento) se esforcem bastante para conseguir manter e desenvolver a sua indústria aeroespacial. Esses motivos encontram-se no rigor com que os sistemas e estruturas aeroespaciais têm de ser concebidos e construídos, no sentido de resistirem a
70 Vai-vem espacial. Os americanos iniciaram a sua exploração científica e comercial tendo, após o acidente registado em 1986, apenas dois veículos em utilização. Os russos desenvolveram também o seu vai-vem com características semelhantes ao americano tendo suspendido o projecto quando o país começou a enfrentar sérias dificuldades económicas.
condições extremas de pressão, temperatura, radiações e micro-impactos. A experiência adquirida nesses projectos e os materiais desenvolvidos propositadamente para essas missões, ao serem utilizados noutras envolventes permitirão valorizar a experiência e conhecimento obtido, constituindo assim spin-offs daquela indústria (ver a figura 1).
Figura 1
Spin-offs gerados pela Indústria Aeroespacial
Fonte: Adaptado de AECMA, Spin-offs generated by Aerospace
Spin-offs
Aeroespaciais
Conjunto de tecnologias fundamentais para o futuro do Homem Geração de crescimento e de valor acrescentado devido a elevados investimentos em I&DT Transferência de tecnologia em áreas de: - Técnicas e Processos - Materiais - Métodos cálculo - Produtos Hardware - Ferramentas de GestãoContribuição para uma melhorada Análise Conceptual introduzindo ideias como “Raciocínio Global” e “Raciocínio de Sistemas”
2.4 Como a envolvente mundial poderá influenciar o desenvolvimento