O inicio da Idade Moderna e o período da Idade Média tardio que imediatamente o antecedeu, caracterizou-se por um movimento expansionista europeu ocidental através da via marítima que estava no seu imediato alcance, o Atlântico. Tinham assim uma localização privilegiada aqueles países que com este oceano tinham directo contacto. Esta realidade geográfica desde logo limitava substancialmente a participação dos países da bacia mediterrânica se bem que à época alguns fossem consideravelmente mais robustos em todas as vertentes. Era quase impensável em meados do século XV que uma potencia como a Itália, se bem que politicamente não unificada, ficasse subalternizada em relação a um pequeno país periférico fraco em recursos naturais e em população como era Portugal. De facto assim aconteceu e a principal razão foi de ordem geográfica.
Mas a localização estratégica para este fenómeno expansionista não era apenas apanágio de Portugal. Outros países com costa atlântica e com capacidade bem superior eram sérios concorrentes. Por motivos que irão ser referidos só intervieram no entanto consideravelmente mais tarde. Assim sendo durante bastante mais de um século os países ibéricos foram capazes de se expandir em novas áreas que a eficácia das suas marinhas e a progressiva aquisição de conhecimento náutico foram possibilitando. Num acordo firmado no decurso dessa epopeia, em 1494, o Oriente ficou atribuído aos portugueses e o Ocidente aos espanhóis consistindo a demarcação num semi meridiano, então fixado, passando pelo Atlântico. A concorrência atlântica do norte da Europa, que neste acordo não foi tida em conta por então ser pouco significativa, veio posterior e fatalmente a emergir. O seu embrião desenvolveu-se nas margens do mar do Norte e foi protagonizado por dois países: a Inglaterra e os Estados Unidos dos Países Baixos, vulgo Holanda45. Foram estes no Oriente os dois maiores concorrentes de Portugal. A
França, inegável potência atlântica, também se assumiu como concorrente mas no que
45 Na realidade a Holanda era apenas uma dos sete províncias que formaram as províncias unidas dos
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respeita à rota do cabo e na transição do século XVI para o século XVII não teve expressão. Uma das razões terá sido, ao contrário do que sucedeu com a Inglaterra, o facto de ter prolongado por mais tempo conflitos territoriais no continente europeu.
Mas o que tinha o Mar do Norte de particular para proporcionar este potencial e porque razão o mesmo não se manifestou mais cedo de forma aos seus países costeiros poderem competir desde o inicio com os países ibéricos e não apenas século e meio mais tarde? Várias razões podem ser apontadas. À semelhança do que aconteceu com Portugal, em que a navegação costeira e de cabotagem para o comércio e a pesca cedo se desenvolveram, existia no mar do Norte uma tradição e um conhecimento de navegação mesmo que também rudimentar. Por exemplo o comércio entre os países baixos e a Inglaterra desde há muito, em plena Idade média, se vinha incrementando. Havia por exemplo um forte interesse entre a Inglaterra produtora de lã e da Flandres transformadora dessa matéria prima.
A comunicação naturalmente fazia-se por via marítima. Foi exactamente no contexto da ameaça da interrupção desse tráfego que teve lugar em 1340 o primeiro confronto da guerra dos cem anos, a batalha naval de Écluse. Certo que era como referido uma marinha rudimentar como aliás também então o era no início do século XV a marinha portuguesa. Na véspera da conquista de Ceuta foi notória a dispersão da esquadra portuguesa por condições meteorológicas adversas às quais o conhecimento de então dos nossos mareantes não conseguiu dar resposta com eficácia. No entanto a tecnologia de navegação portuguesa, e de forma menos exigente a espanhola, desenvolveram-se e a da Europa setentrional atrasou-se. Vários motivos podem ser apontados. Considerando o período que nos leva até 1590 (finais do século XVI) veremos que esses motivos de atraso são diferentes em relação à Inglaterra e em relação aos países baixos, prendendo-se naturalmente com percursos históricos diferentes que iremos resumidamente descrever.
Em ambos os percursos intervém de forma importante a Espanha já unificada nos finais do século XV pelos reis católicos. Mas antes disso merece uma sucinta abordagem a realidade do Mar do Norte. É um mar do oceano Atlântico, situado entre
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as costas da Noruega e da Dinamarca a leste, a costa das Ilhas Britânicas a oeste e a Alemanha, Países Baixos, Bélgica e França a sul. A profundidade varia entre 10 metros no sul e 9-12 metros no norte. Os principais rios que desaguam no mar do Norte são o Elba (em Cuxhaven), o Weser (em Bremerhaven), o Ems (em Emden), o Reno e o Mosa (em Roterdão), o Schelde (em Flushing), e o Tamisa (em Londres). Esta realidade geográfica permite desde logo explicar a razão do potencial criado nos países e povoações servidos pelo Mar do Norte. A grande afluência de rios possibilitava o acesso muito diversificado de transporte de produtos por via fluvial de localidades por vezes longínquas, promovendo o seu posterior comércio marítimo. A baixa profundidade do Mar do Norte tornava-o um rico viveiro de peixe, importante contributo para sustento duma demografia significativa.
Também importante de referir que este mar constituía uma escola para a navegação à vela então determinante para rotas marítimas mais distantes. Com efeito o Mar do Norte é um dos mares mais exigentes do mundo. Tem violentas tempestades e os invernos são enevoados. Para além disso nele ocorrem fortes correntes em diversas direcções. Acresce que a costa do lado dos Países Baixos é baixa e pantanosa, e o litoral britânico tem rochedos baixos e praias de areia. Tudo isto obriga os navegadores a desenvolverem uma grande mestria no domínio dos elementos com um perfeito desempenho das mareações, o que tornou o Mar do Norte uma escola de aprendizagem e de treino.
Iremos em primeiro lugar abordar o percurso inglês e depois o percurso dos países baixos.
A Inglaterra
A Inglaterra era aliada de Portugal. A Aliança Luso-Britânica, conhecida vulgarmente como Aliança Inglesa, entre o reino de Inglaterra e o Reino de Portugal, é a mais antiga aliança diplomática do mundo ainda em vigor. Foi assinada uma primeira vez em 1373, em plena guerra dos cem anos, num período em que Portugal se tornou
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aliado da Inglaterra no seu confronto contra a França que então contava com a fidelidade de Castela e que por sua vez pretendia o domínio de Portugal. Com algumas vicissitudes essa aliança foi reforçada pelo consórcio entre as famílias reais portuguesa e inglesa. Essa consolidação envolveu uma colaboração no domínio naval46. Após a
tentativa gorada da tomada por Castela, Portugal retirava-se desta contenda europeia ficando disponível para a sua “aventura ultramarina”. A Inglaterra continuava pelo contrário extremamente empenhada na guerra dos cem anos que ia a pouco mais de meio. Não admira por isso que quando da tomada de Ceuta, em pleno vigor da aliança sendo inclusivamente os infantes portugueses luso ingleses, não tivesse havido nenhuma participação efectiva de forças inglesas ao lado das portuguesas. Estas estavam de facto mobilizadas na guerra no continente contra a França.
A batalha de Azincourt, uma das mais importantes da Guerra dos Cem Anos, vencida pelos ingleses, teve lugar dois meses depois da conquista de Ceuta. Mas a indisponibilidade inglesa para a expansão marítima prolongou-se por um período mais vasto sem que isto queira dizer que não se mantivessem ou mesmo reforçassem as relações comerciais com Portugal. A Guerra dos Cem Anos termina oficialmente em 1453 com a batalha de Castillon. A Inglaterra perdia todas as conquistas que tinha feito em França ficando apenas com Calais. As consequências da prolongada guerra tinham sido devastadoras para o país. O comércio ao longo das costas inglesas definhava enquanto que os piratas sulcavam o Mar do Norte e o Canal da Mancha, sem que a marinha inglesa reduzida à sua expressão mínima pudesse fazer-lhes frente 47 Esta
derrota face à França, à primeira vista limitativa, veio no entanto revelar-se da maior importância.
46 Fernando Gomes Pedrosa Navios, marinheiros e arte de navegar 1139-1499, Academia de Marinha,
Lisboa 1997 p 47. No tratado de Windsor de 9 de Maio de 1386, D. João I, já rei, comprometeu-se a colocar dez galés portuguesas ao serviço do rei de Inglaterra, em águas inglesas, durante seis meses. Cada galé levaria 1 patrão, 3 alcaides, 6 arrais, 2 carpinteiros, 18 marinheiros, 30 besteiros, 180 remadores e 2 serventes.
47 J. Thorn, R. Lockyer e D. Smith tra, Histoire de l’Angleterre , de la conquête romaine à la République de
Cromwell , Gérard & Cº, Verviers, 1968, p. 187. Edição original: A History of England, Londres, Ernest
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A Inglaterra pode então virar-se para o mar onde no futuro viria a desempenhar uma intervenção de primeiro plano e abandonar a pretensão de se expandir territorialmente para o continente. Salvo as devidas proporções podemos estabelecer uma analogia com o que se verificou em Portugal, país que constatando a necessidade de se expandir teve que desenvolver como alternativa ao território que lhe estava vedado, a vertente da navegação. Essa opção inglesa iria no entanto ainda tardar.
Terminada a guerra dos cem anos, a Inglaterra vê-se envolvida num outro conflito agora uma guerra civil: a Guerra das Duas Rosas. Foi uma série de lutas dinásticas pelo trono, ocorridas ao longo de trinta anos (entre 1455 e 1485) de forma intermitente, durante os reinados de Henrique VI, Eduardo IV e Ricardo III. Em campos opostos encontravam-se as casas de York e de Lencastre, ambas originárias da dinastia Plantageneta e descendentes de Eduardo III, rei da Inglaterra entre 1327 e 1377, que iniciara a guerra dos cem anos.
Esta nova contenda foi resultado dos problemas sociais e financeiros decorrentes da Guerra dos Cem Anos, combinados com o reinado considerado fraco de Henrique VI, que perdeu muitas das terras francesas conquistadas pelo seu antecessor Henrique V, sendo por isso fortemente contestado pela nobreza. A guerra terminou quando um candidato relativamente afastado da linha Lencastre, Henrique Tudor, derrotou o último rei de York, Ricardo III, e assumiu o trono com o nome de Henrique VII (1485-1509).
No final a actividade comercial inglesa permanecia muito abalada e tal espelhava-se na demografia urbana. Londres em 1500 tinha uma população estimada em 60 000 habitantes, menos população do que Lisboa que tinha 70 000 habitantes, aproximadamente um quarto da população de Paris que era de 225 000 habitantes e metade da população de Nápoles e de Veneza que era respectivamente de 125 000 e de 115 000 habitantes48.
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Com o início da dinastia Tudor, a Inglaterra com cerca de três milhões de habitantes49 era uma potência de segunda linha, inferior à França e ao Império
Germânico. No entanto a descoberta do novo mundo que despontava dar-lhe-ia ocasião de alcançar as nações rivais e mesmo de as ultrapassar. A hegemonia das nações quanto ao ultramar, estava a partir da Idade Moderna intimamente ligada com a sua força naval. Em relação à rota para a Índia, segundo Hailey50, temos os seguintes anos de passagem
de predomínio: de portugueses para espanhóis (unificação das coroas) 1580, de espanhóis para holandeses 1620, de holandeses para Ingleses 1806. A riqueza dos mercadores ingleses não parou de crescer. Com o evoluir do tempo, a primazia de Veneza iria passar para Antuérpia, depois para Amesterdão e depois para Londres.
Voltemos ao século XVI onde em Inglaterra como também no resto da Europa se verificaram inovações que ajudam a explicar a superioridade de armamento que permitiu a expansão nos restantes continentes. Em Inglaterra a indústria têxtil continuou a ser a mais generalizada e a que ocupava maior número de operários. No entanto os maiores e determinantes avanços técnicos produziram-se nas minas e na metalurgia. Nas explorações mineiras verificou-se o aperfeiçoamento das escavações e galerias, o desenvolvimento de engenhos e máquinas para a bombagem dos poços, a elevação e lavagem do mineral, e a sua trituração e tratamento.
A metalurgia do cobre aperfeiçoou-se nos sécs. XV e XVI, conseguindo-se uma técnica tão perfeita que continuou a usar-se até à utilização de processos electrolíticos, em finais do séc. XIX. Realizava-se em fornos de 1,5 metros de altura, colocando-se camadas alternativas de mineral e carvão vegetal, eliminando-se os outros metais por oxidação. O cobre voltava a refinar-se depois. A nova técnica permitiu adquirir matéria prima para fabrico de armas e peças de artilharia de alta qualidade, o que também foi devido ao aumento da exploração de estanho cuja produção aumentou notavelmente. A Inglaterra era rica em cassiterite, minério de onde é extraído o estanho. O bronze, liga de cobre e estanho, foi o metal industrial mais usado nos sécs. XVI e XVII. Em Portugal a
49 J. Thorn, R. Lockyer e D. Smith, op, cit., p. 221.
50 Lord Hailey, An African Survey 1956 in O Porto de Lisboa, estudo de história económica, dir. J. Bacellar
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tecnologia do manuseamento do bronze foi fundamental na construção das peças de artilharia que equipavam os navios conferindo-lhes uma capacidade bélica determinante, conforme já se referiu, no Oceano Indico no século XVI.
O sucessor de Henrique VII, Henrique VIII (1509-1547), é historicamente reconhecido como um dos fundadores da Marinha Real Inglesa. Elaborou pessoalmente projectos de navios. Modificou a artilharia naval à semelhança de outros países. Também foi responsável pela criação de uma marinha permanente, com o apoio de ancoradouros e estaleiros. A marinha cresceu com cinquenta novos navios e o rei foi o responsável por estabelecer o Conselho de Causas Marinhas para especificamente supervisionar a manutenção e operações, tornando-se a base para o posterior Almirantado. A Henrique VIII sucederam Eduardo VI, e Maria Tudor, reinados em que não houve significativa alteração na marinha inglesa. Seguiu-se Isabel I que reinou de 1558 a 1603.
A Inglaterra entra, então, em uma fase de grande desenvolvimento marítimo, isto um século depois de Portugal e Espanha. Os dois grandes navegadores intervenientes deste período foram John Hawkins e Francis Drake.
O conflito com os países ibéricos já implantados nos territórios ultramarinos era inevitável. Primeiro com a Espanha e depois com Portugal, nomeadamente após a fusão das duas coroas em 1580. Determinados eventos marcantes em que intervieram os dois referidos protagonistas exemplificam este confronto crescente. John Hawkins começou sua carreira no mar como traficante de escravos capturados na Guiné, os quais transportava para serem vendidos, e trocando-os por açúcar em portos das Antilhas. Francis Drake, primo de Hawkins, era um hábil comandante de navegação costeira no norte da Inglaterra e Escócia, que mais tarde se lhe associou no comércio e no combate à marinha espanhola. Mesmo sem autorização dos espanhóis para traficar nas suas possessões na América, Hawkins conseguiu realizar uma fortuna para si e para os seus financiadores em Londres. A primeira viagem financiada por comerciantes ingleses deu tanto lucro que uma segunda (1564-1565) incluiu uma contribuição da própria rainha Isabel I. No entanto a terceira (1567-1569) que consistiu numa frota de
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seis navios inclusivamente um comandado por Francis Drake, fracassou em San Juan de Ulúa, no México, em 1568. Apenas Hawkins e Drake se conseguiram fazer-se ao mar e escapar. Hawkins foi posteriormente nomeado tesoureiro da marinha inglesa em 1577 que modernizou. Fez bloqueio aos navios espanhóis na altura dos Açores. Entretanto a frota de Drake saqueou as costas do Chile e do Peru, tomou posse da Califórnia (a que chamou Nova Albion), e retornou pelas ilhas das especiarias: Ternate, Molucas, Java, dobrou o cabo da Boa Esperança, passou a Serra Leoa e no mês de Setembro de 1580 retornou a Plymouth, tendo-se circum-navegado o planeta pela segunda vez.
O feito e o valor dos produtos que trouxe valeram-lhe uma rápida subida de prestígio na Corte e o título de "Sir" outorgado pela rainha. Empenhou-se em seguida em atacar as Antilhas, tomando o controlo da ilha de São Domingos em 1585. Dois anos depois, à frente de 30 embarcações, levou a cabo novos ataques contra a Espanha, nomeadamente no porto de Cádis. A consequente guerra aberta contra a Inglaterra levou Filipe II a uma grande ofensiva com a constituição da Invencível Armada, composta por navios dos dois reinos Ibéricos já sob a mesma coroa, que zarpou de Lisboa em 1588. Tratava-se mais duma operação anfíbia de desembarque com transporte de tropas terrestres do que uma força naval manobrável. Foi vencida pelas pequenas e móveis embarcações inglesas ajudadas pelo mau tempo e conhecedoras da navegação no mar do Norte. O desembarque não foi possível e assim o objectivo da operação não foi alcançado. Houve baixas dos dois lados mais acentuadas do lado espanhol. Dos mais de 130 navios que saíram de Lisboa em Maio de 1588 perderam-se 37 em naufrágios, capturas e um afundamento em combate. Do lado dos ingleses apenas se perderam 8 navios utilizados como incendiários em Calais. As baixas humanas foram dos dois lados substancialmente agravadas com epidemias que eclodiram após os combates. Do lado espanhol tiveram lugar no decurso do prolongado regresso51.
No inicio de Maio de 1589, apenas dez meses após a derrota da Invencível Armada, foi relevante a constituição de uma das maiores expedições navais ocorridas no século XVI. Foi conjuntamente chefiada por Sir Francis Drake indigitado comandante
51 Augusto Salgado, João Pedro Vaz, Invencível Armada. A participação portuguesa, Lisboa, Tribuna da
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da armada e por Sir John Norris, indigitado comandante do exército. Uma frota de 16 grandes navios e 140 embarcações com 11 000 soldados e 4000 marinheiros Partiu do porto de Plymouth rumo à Península Ibérica52. A bordo seguia D. António, Prior do Crato,
no exílio, pretendente ao trono português, e mais de 70 partidários portugueses, juntamente com um contingente anglo holandês de 12.400 soldados. Tencionava repetir-se o êxito dos ataques surpresa executados com mestria por Drake a Cádiz e Sagres em 1587, mas em maior escala. Tinha agora por objectivos destruir as unidades sobreviventes da Invencível Armada que haviam regressado ao norte de Espanha, tomar Lisboa e repor D. António no trono português. Abrir-se-ia assim uma nova frente contra Espanha em território Ibérico e criava-se capacidade para interceptar a Frota da Prata espanhola ao largo dos Açores, interrompendo o fluxo vital de metais preciosos para Espanha. A força desembarcou na Corunha mas confrontada com uma forte resistência popular e desprovida de equipamentos de cerco, reembarcou no dia 7 de Maio, deixando a cidade baixa saqueada e destruída. O aviso deste desembarque foi providencialmente recebido em Lisboa a tempo de se reforçarem as defesas da capital portuguesa. Por isso Francis Drake não teria estado de acordo com esta etapa do empreendimento. No dia 26 de Maio de 1589, chega à vila de Peniche uma esquadra de 155 navios. Este número é surpreendente considerando por exemplo que a invencível armada um ano mais cedo tinha 130 navios, se bem que em média fossem de maior porte. As forças inglesas desembarcaram na povoação um contingente de 6.500 homens. Deixando Peniche o General Sir John Norris, D. António Prior do Crato e o conde de Essex iniciaram a marcha por terra para Lisboa com cerca de 6.000 homens e 44 cavaleiros. Em 30 de Maio, Cascais é tomada por Francis Drake ao mesmo tempo que Lisboa é cercada por John Norris. As forças navais portuguesas encontravam-se em plena reconstrução após o fracasso da "Invencível Armada” de 1588, não tendo intervindo na defesa de Lisboa contra esta expedição. A barra e o estuário do Tejo foram defendidos por navios da Coroa de Espanha que obstacularizaram a progressão de Drake. Simultaneamente as defesas da capital e os reforços entretanto chegados impediram a tomada de Lisboa por terra, tendo a armada inglesa e as forças terrestres
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optado por abandonar o projecto e retirar.Com elas seguiu o prior do Crato nesta última grande tentativa para ocupar o trono português. Em Inglaterra, a rainha Isabel não poupou Sir Francis Drake pelo fracasso da expedição, sobretudo pela incapacidade em forçar a barra do Tejo para se reunir às tropas de Sir John Norris. Em resultado, o famoso corsário e almirante inglês cumpriu um desterro da Corte isabelina - e dos mares -