4 Forventninger til unge, palestinske menn
4.5 Inkludering i arbeidslivet
4.5.1 Tap av arbeidsplasser i Israel
A partir de uma observação de Philipe Hamon356, na qual expõe a sua fórmula da descrição-típica, e a partir do conceito de iconotexto, proposto por Liliane Louvel, propomos uma classificação dos textos-quadros pela utilização de padrões descritivo-iconotextuais, quando da análise de passagens pictóricas. Estes padrões terão como base fundamental a fórmula da descrição-típica, ou seja, P + F + TH-I (N + Pr), onde P significa personagem; F, significa modo a partir do qual a descrição aparecerá; TH-I,
representa o tema introdutor (thème indroducteur) – o qual também é conhecido como pantônimo –; N representa o nome e, por fim, Pr significa o predicado adjunto ao nome, ou isolado.
A seguir, expomos a classificação dos padrões sugeridos, após a qual atribuímos uma legenda:
Padrão descritivo-iconotextual 1
S N / E f N [βN→ SD {X+β+FΨ+∆+TH-I (N + Pr) + Mpic}/IcTx/]
Padrão descritivo-iconotextual 2
S N / E f N [ [βN → SD {X[-]+Y[+]+Fγ+TH-I (N + Pr) + Mpic}/IcTx]
Padrão descritivo-iconotextual 3
S N / E f N [ [βN → SD {βN {X[Pa]+Y[Sp]+Fα+TH-I (N + Pr) + Mpic}/IcTx/]
Padrão descritivo-iconotextual 4a
[+HtDg, +ExDg], S N / E f N [βN→ SD {A+F0+TH-I (N + Pr) + Mpic}/IcTx/]
Padrão descritivo-iconotextual 4b
[+ExDg, +HmDg], S N / E f N [βN→ SD {A+F0+TH-I (N + Pr) + Mpic}/IcTx/]
Padrão descritivo-iconotextual 4c
[+InDg, +HtDg], S N / E f N [βN→ SD {A+F0+TH-I (N + Pr) + Mpic}/IcTx/]
Padrão descritivo-iconotextual 4d
Onde:
SN indica sistema narrativo;
EfN indica efeito narrativo;
βN significa pausa na seqüência linear diegética/ no efeito narrativo;
SD indica sistema descritivo;
β indica pausa da personagem;
Xsignifica personagem 1;
Y significa personagem 2;
Fφ indica verbo de percepção;
Fγ indica verbo alocutório, de fala;
Fα refere-se a verbo de ação;
Δ representa o topos meio transparente/ favorável para a descrição;
TH-I indica pantônimo, referente descritivo;
N significa nome, elemento da declinação centrífuga;
Pr indica predicado;
Mpic indica marcadores picturais;
/ IcTx/ indica iconotexto;
A equivale a narrador;
Pa indica participante ativo;
Sp indica espectador;
[+] significa personagem que detém o conhecimento técnico;
[-] indica personagem que é leigo no conhecimento técnico;
[+HtDg, +ExDg] indica a presença de narrador heterodiegético-extradiegético;
[+ExDg, +HmDg] indica a presença de narrador extradiegético-homodiegético;
[+InDg, +HtDg] indica narrador intradiegético-heterodiegético;
[+InDg, +HmDg] refere-se a narrador intradiegético-homodiegético.
O padrão descritivo-iconotextual 1 aparece a partir da pausa na seqüência linear diegética/efeito narrativo (βN), que poderá ajudar na visualização do enquadramento da cena; após esta pausa, a personagem, aqui representada por X, depara-se com um determinado meio (
Δ
), que lhe vai proporcionar o acesso ótico ao referente a ser descrito, ou seja, ogeométricas ou arquitetônicas, ele é comumente concretizado sob os aspectos morfológicos de janela, de vitral e de porta; estes são os mais comuns, embora haja outros tipos de meio. Claro é que, para que a personagem possa ver, é mister que este meio apresente um grau de transparência relevante, daí que se fale aqui em meio transparente.
É preciso destacar algumas variáveis importantes neste conjunto descritivo ótico. No primeiro caso, temos o querer ver, ou seja, a motivação subjetiva, que proporciona a vontade de ver algo; também existe a variável saber ver, a qual depende de competência técnica, que proporciona uma descrição ótica mais abalizada e próxima da realidade, do que efetivamente é357; a variável poder ver está intimamente ligada ao meio transparente, uma
vez que é preciso que haja uma condição favorável para que a personagem tenha o acesso ótico, do ponto de vista da perspectiva. Nesse sentido, um meio como janela é muito importante, para o aparecimento da descrição visual. Lugares como cumes ou lugares altos também são igualmente importantes, além de terem a vantagem de oferecer uma perspectiva mais ampla para a personagem. Esta variável está ligada a um fator externo ao personagem. As variáveis querer ver e saber ver estão inseridas em um contexto subjetivo, uma vez que o processo descritivo-ótico passa pelo viés pessoal da personagem, sempre de um ponto de vista volitivo. A variável poder ver seria, em ultima análise, externa, pois é apenas o meio material a
partir do qual a personagem inicia a descrição. A variável
∆
também apresenta uma relação estreita com verbos de percepção (F
φ ), os quais357 Como temos advertido, esta realidade sendo condicionada pela cosmovisão da Física Clássica, pautada na separatividade eterna entre o sujeito cognoscente e o objeto.
indicam uma das formas pelas quais a personagem pode observar algo. A partir também de verbos como ver, observar, contemplar, pode-se iniciar o processo descritivo. Esta natureza verbal possui um vínculo com os elementos meio e querer ver.
A personagem, então, inicia a descrição e as variáveis aqui comentadas podem concorrer concomitantemente, ou não. Dependendo da competência descritiva de X, podemos ter um iconotexto mais técnico ou rico, do ponto de vista lexical, numa disputa com leitor, ao qual caberá um reconhecimento e entendimento dos itens declinados.358 A natureza de TH-I
é diversa em sua composição. Ele pode apresentar um aspecto dinâmico ou estático, dependendo de cada iconotexto.359 Os nomes (N) e predicados (PR)
são muito importantes para a coesão interna do texto-quadro, pois funcionam como os elementos-suporte, de base textual, para a existência de
358 Cf. HAMON, 1993, pp. 43 e 113.
359 Sobre esse aspecto descritivo, estudamos, em uma pesquisa anterior intitulada Estudo
das descrições picturais em La fille aux yeux d’or, de Honoré de Balzac, a importância dos iconotextos relacionados à pintura orientalista de Delacroix, na composição do referido romance de Balzac. Nessa pesquisa, obtivemos duas imagens distintas de um mesmo espaço físico, o boudoir (o pantônimo desta descrição). Num primeiro momento, o narrador descreve picturalmente o espaço, dentro do qual declina variados elementos arquitetônicos e decorativos. Este iconotexto possui natureza descritiva de caráter estático. Com efeito, nele, não vemos a presença de nenhum personagem; ele nos revela somente os seus contornos espaço-decorativos. Num segundo momento, contudo, este mesmo recorte espacial se apresenta de maneira diferente: ele é declinado iconotextualmente de forma que consigamos ver uma imagem dinâmica, em função não apenas da presença de personagens, mas também, e sobretudo, em função de verbos de natureza cinética (como o mais-que-perfeito), os quais ajudaram na composição dinâmica da imagem. Além disso, este espaço descrito é o mesmo que o anterior (o boudoir), fato que propicia ao narratário, devido à presença de alguns marcadores picturais, um reconhecimento espacial evidente. Estes dois iconotextos, tendo em comum a mesma ilusão referencial, divergem, porém, em seus sentidos e em suas funções. A primeira descrição, estática, apresenta o local onde os protagonistas, Paquita e Du Marsais, se encontraram pela primeira vez, numa aura de mistério, para a qual contribui a relação com a pintura orientalista; trata-se, portanto, de ambiente amoroso e de luxúria, construído na forma de um iconotexto orientalista. A segunda descrição, por outro lado, apresenta a luta travada entre a protagonista e sua ex-amante, a marquesa do Hôtel San-Réal. Deste confronto, adveio a morte da personagem principal, Paquita; nesse sentido, o segundo iconotexto está envolto numa atmosfera agressiva e fúnebre, à qual associamos a tela A morte de Sardanapal, de Eugène Delacroix, oposto, portanto, ao primeiro. Esta relação complementar entre estes dois iconotextos salientou a importância particular do boudoir neste romance, lugar de encontros amorosos entre os protagonistas e do desfecho trágico das mesmas, topos literário em estreita associação com a pintura orientalista.
TH-I. Ressaltemos também a grande importância dos marcadores picturais (Mpic), sem os quais o iconotexto não se confirma. Mas, para que ele exista, é fundamental que ao menos os Mpic mais representativos estejam presentes.
No padrão descritivo-iconotextual 2, há igualmente a presença da personagem, que estará acompanhada. As duas personagens (X e Y), portanto, entrarão em cena no processo descritivo. Neste momento, haverá uma personagem que, do ponto de vista do conhecimento técnico, é mais abalizada que a outra. Entra-se, portanto, numa disputa entre um competente e um leigo, ao qual será mostrado determinado referente visual360. A personagem que possui a competência é mais informada sobre a
matéria (+); sob esta condição, mostra e explica o pantônimo, utilizando-se dos mais variados itens lexicais, em harmonia com a área comentada. A menos informada (-), muitas vezes, ficará em posição passiva e ouvirá as explicações, sob um aspecto contemplativo. Assim, verbos alocutórios (Fγ) estarão presentes, pois funcionam como a forma de transmissão do conhecimento técnico de X (+) para Y (-).
O padrão descritivo-iconotextual 3 apresenta uma pequena diferença em relação ao anterior. Apesar de ambos apresentarem dois personagens, X e Y, temos um processo de participação ativa do fabrico de algo, por exemplo. A personagem Y, além de ter o conhecimento, também participa ativamente (Pa), enquanto que a personagem X (Sp) apenas vê, contempla o processo de fabricação, dentro de uma perspectiva passiva361. Sob a égide
verbal, entram em cena verbos de natureza cinética, de ação (Fα ), os quais
360 Cf. HAMON, 1979, pp. 469-571. 361 Cf. HAMON, 1979, pp. 469-571.
estarão naturalmente relacionados com Y, que detém o conhecimento técnico e que fabrica algo, no caso, representado pelo pantônimo (TH-I).
Os comentários acima feitos direcionam-se os iconotextos (/IcTx/) que apresentam personagens em sua composição geral. Neste caso, abordam-se os textos-quadros que se tornam possíveis graças à intervenção direta do narrador (A). Portanto, o IcTx é visto e descrito unicamente por A, que, neste momento, não está representado pelo olhar da personagem. Assim, como nos iconotextos anteriores, ocorre também uma pausa na diegese (βN), com subseqüente aparecimento da descrição iconotextual. O narrador onisciente (AF0) inicia o processo descritivo, utilizando os mais variados nomes (N) e predicados (Pr), os quais lhe ajudarão na composição do quadro.
No padrão descritivo-iconotextual 4a, a narrativa apresenta uma natureza heterodiegética-extradiegética ([+HtDg, +ExDg]), uma vez que o narrador em primeiro grau (AF0) faz um relato sem dele participar, como, por exemplo, Homero em A Ilíada; o padrão descritivo-iconotextual 4b apresenta um narrador extradiegético-homodiegético ([+ExDg, +HmDg]) que relata a história e, concomitantemente, dela participa; ou seja, o narrador também é um dos personagens, muito comum nas autobiografias; no padrão descritivo- iconotextual 4c, observamos a presença de um narrador em segundo grau intradiegético-heterodiegético ([+InDg, +HtDg]), que apenas relata a história, abaixo de um narrador primário; no padrão iconotextual 4d, existe a presença de um narrador intradiegético-homodiegético ([+InDg, +HmDg]), ou seja, aquele narrador em segundo grau que relata a história e que dela participa.
iconotextuais que apresentam diretamente a intervenção diegética do narrador:
Padrão descritivo-iconotextual 4a
SN (A[+ HtDg, + ExDg]) Diegese global
Padrão descritivo-iconotextual 4b
Diegese (A [+HtDg, +HmDg]) Diegese global, narrador que a Narrador 1 conta
Narrador 1’
Diegese com a participação do narrador.
Padrão descritivo-iconotextual 4-c
Diegese (A [+InDg, +HtDg])
Narrador 1 Diegese global Narrador 2
Diegese com narrador em
segundo grau, que apenas relata.
Padrão descritivo-iconotextual 4-d
Diegese (A [+InDg, +HmDg])
Narrador 1 Diegese global Narrador 2 (participante)
- - - Diegese com narrador em
segundo grau, que relata e participa da diegese
Estas fórmulas, estabelecidas a partir da conjugação entre a fórmula típica do Descritivo de Philippe Hamon e a definição de iconotexto de Liliane Louvel, podem ajudar na identificação e classificação de determinados icontextos. No próximo capítulo, enfocaremos a análise de três passagens imagéticas, que selecionamos de Salammbô, associando-os à pintura orientalista e, inclusive, aos padrões descritivo-iconotextuais pertinentes a cada passagem.