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Chapter 4: Kathryn Tanner’s Conception of Christian Tradition

4.5 Tanner’s Truth and Method

A lógica41, como vimos, é o âmbito no qual Hegel vai buscar determinar a

Ideia em si ou as determinações do pensamento; mas para esse empreendimento, a lógica deve tomar o pensamento de forma abstrata no sentido de não conter nenhuma representação de algo empírico42. É preciso tratar do pensamento em sua pureza, no que

tempo como não-verdadeiros, em sua diferença para com Deus, o mundo por ele criado, a natureza e o espírito finito". (LE, p. 170).

38 Complementando: "[...] pois a liberdade é justamente isto: estar junto de si mesmo no seu Outro;

depender de si, ser o determinante de si mesmo". (LE, p. 80).

39 Além das passagens já utilizadas, acrescentamos: "O pensar constitui assim a substância das coisas

exteriores, é também a universal substância do espiritual". (LE, p. 79).

40 Uma nota sobre isso é a de que Hegel já vê precursores dessa sua concepção na filosofia antiga, por

exemplo, quando menciona que "Essa significação do pensar e de suas determinações está expressa com mais precisão quando os antigos dizem que o noũs rege o mundo; ou quando nós dizemos que há razão no mundo, e com isso entendemos que a razão é a alma do mundo, nele habita, é seu [ser] imanente, sua mais própria e mais íntima natureza, seu universo". (LE, p. 78).

41 Sobre o termo 'lógica', cabe uma observação peculiar que é logo a entrada de um capítulo feito por John

Burbidge: "Although two of Hegel's works are called Logics, he is seldom considered a major figure in the history of logic. For the Science of Logic and the Encyclopedia Logic do not focus on the terms, propositions and syllogisms that make up the bulk of logic textbooks, but range through a number of concepts that sound more like traditional metaphysics, such as being, quality, quantity, essence, actuality, teleology and life. In addition, the discussion is cloaked in a dense and obscure language that appears to abandon the traditional conventions of argument that start from accepted premises and move on to justified conclusions". (2004, p. 131). Essa observação também poderá ser vista em consonância da 'terceira consequência', onde trataremos da união entre Lógica e Metafísica feita por Hegel. BURBIDGE, John W. Hegel's Logic. In: GABBAY, Dov M; WOODS, John. (org.). Handbook of the History of Logic – The Rise of Modern Logic: From Leibniz to Frege. Amsterdam: Elsevier, 2004. p. 131- 175. v. 3.

ele é em si, pois o pensar puro é o objeto de pesquisa específico dessa Ciência43.

Todavia, precisamos ter em mente – como implícito nas passagens anteriores e adiantamento da consequência terceira (2.2.2.3) – que, para Hegel, o pensar não é algo estático, porém, sim, atividade, movimento imanente autodeterminante44 que, em

liberdade no seu agir, "no ato livre do pensar", é um "colocar-se no ponto de vista em que é para si mesmo, e por isso se engendra e se dá seu objeto mesmo". (LE, p. 58, grifos do autor). Desse modo, por mais que o pensamento deva ser tomado sem representações, ele é uma parte ativa e integrante do Espírito Absoluto, e uma parte de altíssima importância dentro do sistema. Vejamos o que Hegel diz sobre isso:

Se considerarmos a Lógica, em consequência do que foi dito até agora, como o sistema das puras determinações-de-pensamento, então aparecerão, ao contrário, as outras ciências filosóficas — a filosofia da natureza e a filosofia do espírito — por assim dizer como uma lógica aplicada, pois a lógica é sua alma vivificante. O interesse das demais ciências é então somente conhecer as formas lógicas nas figuras da natureza e do espírito; figuras que são apenas uma peculiar maneira- de-exprimir-se das formas do puro pensar. (LE, p. 81).

Ou seja (agora como evidência do que já afirmamos), se tanto a filosofia da natureza quanto a do espírito aparecem como lógicas aplicadas, o pensar ou Ideia, em si, será a base e estrutura sem a qual a própria natureza e espírito não poderão emergir; e nisso, dada a centralidade da Ideia, o que toma conta dela, por sua vez, a fim de mostrar o seu desenvolvimento, é a Lógica – sendo ela, assim, a Ciência da Ideia. Sem a Lógica, portanto, não poderia haver conhecimento absoluto, não apenas pelo fato de faltar uma parte de três, mas, sobretudo, pelo fato de o restante do todo ser engendrado pelas categorias que o próprio pensar se deu (exatamente o estudo que a lógica perfaz). Dessa forma, a não clareza nas categorias é sinal de não clareza epistêmica, não somente por impeditivos que o entendimento pode causar, mas porque o mundo mesmo é projetado em cima dessas categorias.

43 Embora já tenhamos comentado rapidamente acima, cabe, aqui, explicitar uma importante distinção

feita por Hegel, indispensável para um entendimento adequado do que ele está fazendo na Lógica: "Que o

pensar seja o objeto da lógica, sobre este ponto se concorda universalmente. Mas do pensar pode-se ter

uma opinião muito mesquinha e também uma opinião muito alta. Assim, diz-se de um lado: 'isto é

somente um pensamento', e se supõe com isso que o pensamento é apenas subjetivo, arbitrário e

contingente, mas não é a Coisa mesma, o verdadeiro e efetivo". (LE, p. 67). Então, o objeto da Lógica é a coisa mesma, o pensamento não enquanto subjetivo, mas substancial e puro nele mesmo, i.e., sem nenhuma mistura da intuição ou imaginação.

44 Trataremos com mais detalhes dessa particularidade do pensamento na próxima subseção (2.2.3), cujo

Agora, se já sabemos o objeto da lógica, certamente podemos determinar um pouco mais o seu objetivo (igualmente já subentendido no que falamos). Para tanto, selecionamos uma passagem onde Hegel trata desse ponto abertamente:

O ponto mais importante para a natureza do espírito é a relação não apenas do que ele é em si, com o que ele é efetivamente, mas sim de como ele se sabe; esse saber de si é, porque ele [é] essencialmente consciência, determinação fundamental de sua efetividade. Purificar essas categorias, que são ativas apenas de modo instintivo e, primeiramente, [são] trazidas à consciência do espírito como isoladas e, com isso, de maneira variável e confusa e lhe concedem, dessa maneira, uma efetividade isolada e incerta e elevar o espírito nas categorias à liberdade e à verdade, isto é, portanto, o empreendimento lógico supremo. (CL, p. 38, grifos do autor).

Aqui, temos três coisas a destacar: a) o que está em pauta na lógica é o conhecer-se categorialmente do espírito porque é consciência autodeterminante de sua efetividade – item que se apresenta no "empreendimento lógico supremo" de duas maneiras (nossos dois outros pontos de destaque); b) no "purificar as categorias" do pensamento – que é o conhecer da própria estrutura lógica do seu pensar/espírito com precisão e uma dedução adequada dela, com rigor científico; e c) no "elevar o espírito nas categorias à liberdade e à verdade" – sendo, assim, o ponto de chegada da compreensão de si mesmo do espírito, pela purificação das categorias, a própria verdade e a sua liberdade.

Essa é a lógica, portanto, no seu operar com o pensar puro que, como veremos na consequência três, terá ligação não apenas com a lógica em si, mas também com a ontologia (outro ponto que já se deixa entrever do autodesenvolvimento do espírito por meio das categorias lógicas no constituir de sua efetividade).

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