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2. WHAT IS A COFFEE BAR?

2.4 T HE COFFEE BAR MARKET IN O SLO

A partir do Século XIX, a cultura cafeeira alcançou o estado paulista, adentrando-se a partir do Vale do Paraíba e, num segundo momento, expandiu-se rapidamente em direção ao Oeste. Neste processo, foram geradas transformações tanto na

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consolidação dos centros urbanos já existentes, como também no que se refere à criação de novos núcleos.

Já na primeira metade do Século XIX, o plantio do café alcançou o território paulista pelo Vale do Paraíba e imediações da capital. Matos (1974, p.37) destaca que já em 1836 o “café tinha seu grande centro de produção no vale do Paraíba, e na zona serrana do chamado ‘Norte de São Paulo’: Areias, Silveiras, Bananal”. Também se referindo ao avanço do café, Milliet (1946, p.20) afirma que “oito lustros bastam para abarrotar de cafeeiros todo o Vale do Paraíba e parte das terras mais férteis das regiões próximas da capital, colonizadas pelo açúcar”.

Neste contexto, cabe ressaltar a relação existente entre a expansão da cultura cafeeira e o processo de urbanização, embora ainda em ritmo lento. Milliet (1946) enfatiza que ao mesmo tempo em que o café avança:

Cidades erguem-se, crescem rápidas, sem tempo suficiente para tomar pé, sem raízes bastante fortes para resistir desde logo às vicissitudes da marcha vertiginosa e fatigante. De 1797 a 1836 anda-se ainda devagar. Acompanha-se o caminho do burro, a trilha; procura-se o núcleo já habitado, para as experiências. (MILLIET, 1946, p.20).

Esse avanço do café descrito pelo autor, ilustrado na Figura 3, veio acompanhado pela expansão da malha ferroviária. A necessidade de um meio de comunicação do planalto com o litoral, principalmente na busca de um sistema de transporte eficiente para o escoamento da produção cafeeira em ascensão, levou ao desenvolvimento de uma rede ferroviária no estado. Portanto, o avanço do café e a expansão da cultura cafeeira constituem-se em processos associados, como já demonstraram Simonsen (1973), Matos (1974), Saes (1981), entre outros.

Assim, é a partir do avanço do café e das ferrovias, no contexto de um conjunto maior de fatores atrelado à inserção da economia paulista no modo capitalista de produção, que passamos a verificar transformações importantes, principalmente no que se refere à urbanização, em diferentes regiões do estado. Se na primeira metade do século XIX a produção cafeeira concentrava-se no Vale do Paraíba, aos poucos ela avançou em direção a outras regiões, inclusive suplantando outras culturas já existentes.

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Figura 3 – Avanço cronológico do café e das ferrovias no Estado de São Paulo. Fonte: Milliet (1946) e Saes (1981).

Foi o que ocorreu nas regiões de Campinas, Piracicaba e Itu, que Milliet (1946) denomina como Zona Central. Trata-se de uma região onde já haviam núcleos urbanos importantes estruturados desde a segunda metade do Século XVIII em decorrência do desenvolvimento da produção açucareira e, devido a isso, constituiu-se na área conhecida como “Quadrilátero do Açúcar”. Para Camargo (2004), o “Quadrilátero do Açúcar foi responsável pela fundação de inúmeros núcleos produtores, como Piracicaba, Capivari e Cabreúva, entre outros, que mais tarde tornaram-se vilas com uma estruturação econômica e social semelhante”. Nesse contexto, Itu já se destacava como importante polo da produção açucareira e, com a expansão da lavoura canavieira, novas vilas foram surgindo na região, “entre elas Piracicaba (1784-1821), Capivari (1826-1832) e Cabreúva (1830- 1859)” (CAMARGO, 2004, p.108).

Com a chegada do café e da ferrovia a partir de meados do Século XIX, esta região passou por um conjunto de transformações significativas. Devido à posição estratégica dessa região e a facilidade de acesso aos principais meios de comunicação e transporte (rios, num primeiro momento, e depois ferrovias):

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[...] a Zona Central tinha que participar de todos os surtos econômicos do Estado e principalmente do surto do café. Foi realmente o que se deu e de sua situação geográfica decorre em grande parte o seu progresso ininterrupto. Para a sua expansão muito contribuiu ainda a enorme corrente migratória de fins do século XIX (MILLIET, 1946, p.45).

Diante desse contexto, verificou-se um intenso aumento populacional nessa região. O número de habitantes nos municípios como Itu, Itapetininga e Sorocaba praticamente dobrou de 1886 para 192017. À medida que Campinas consolidou-se como importante centro urbano nessa região, gradativamente o cultivo do café e a malha ferroviária avançou em direção a oeste, permitindo a criação de mais povoados. Por isso, à medida que se ampliavam as fronteiras do chamado interior paulista, novos núcleos foram sendo implantados, “como aponta a data de fundação de freguesias como Jaú (1858), Ribeirão Preto (1870), Barretos (1874) e Bauru (1880), em áreas até então chamadas de sertão” (CAMARGO, 2004, p.127).

A partir de 1886 as plantações de café avançaram para além da região central, estendendo-se mais a oeste. Assim, no início do Século XX alcançou o planalto ocidental paulista, que até então era “pouco conhecido e ocupado pelos indígenas”, conforme exposto na Figura 2. As primeiras incursões em direção ao Oeste Paulista partiram de Botucatu e Lençóis, então bocas de sertão, para avançar por meio dos espigões e, assim, formar as primeiras povoações. Neste processo, cabe ressaltar o caso dos mineiros que, principalmente em meio a tensões políticas e a decadência da mineração, migraram para o território paulista e passaram a desempenhar importante papel na marcha pioneira, tanto mais ao norte, nas imediações de São José do Rio Preto, quanto ao sul, no espigão entre os rios Paranapanema e do Peixe (MONBEIG, 199818). A ocupação desse território se deu, num primeiro momento, a partir da “expulsão dos habitantes de então, os indígenas, pelo desmatamento do solo para cultivo de subsistência e pelo estímulo à formação de povoados” (SILVA, 1996, p.9).

Transformações mais efetivas no Oeste Paulista ocorreram a partir da expansão das estradas de ferro, tanto para comunicação quanto para o escoamento da produção agrícola, influenciando inclusive na fundação de novos núcleos urbanos e na ocupação de novas terras. Cabe ressaltar que o avanço do café para o oeste se deu de forma articulada com dois outros elementos importantes: um atrelado ao transporte, como já mencionamos

17 Baseando-se nos dados apresentados por Milliet (1946).

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anteriormente, referente à expansão da rede ferroviária; e outro ligado à mão-de-obra, representada pelos imigrantes. A partir da segunda metade do Século XIX, café, população e ferrovia passaram a caminhar juntos em direção ao oeste (SAES, 1981).

Assim, a partir do final do Século XIX e principalmente no início do Século XX, verificou-se o avanço mais significativo em direção ao Oeste Paulista, a partir da ocupação mais efetiva do planalto ocidental, levando à fundação de novos núcleos urbanos.

É neste contexto que Monbeig (1998) descreve o surgimento dos primeiros patrimônios na “franja pioneira”, considerando-se esse avanço para oeste. Ainda de acordo com o autor, tais patrimônios eram fundados para “fornecer ao povoamento rural e principalmente aos pequenos lavradores os seus quadros urbanos”, servindo como centros comerciais e pontos de parada. Destacavam-se neste contexto os estabelecimentos que beneficiavam a produção agrícola da região, tais como as máquinas de descaroçar algodão, descascar arroz e despolpar café, que recebiam “a produção dos sitiantes vizinhos, sendo prevalecente esta função mercantil local” (MONBEIG, 1998, p.340).

Portanto, foi no âmbito do avanço dessa ocupação pelo Planalto Ocidental Paulista e das transformações decorrentes da expansão da economia cafeeira que se verificou a associação entre urbanização e industrialização com base na atividade agrícola. Dessa forma, os núcleos urbanos que surgiram nesse período apresentavam uma forte ligação com o campo, por meio de suas atividades industriais e comerciais. Sobre este aspecto, Monbeig (1998, p.360) ressalta que as indústrias beneficiadoras estavam ligadas “à produção rural e a presença delas robustece tanto mais a solidariedade da cidade com o campo, quanto os donos das máquinas são ao mesmo tempo os banqueiros dos pequenos plantadores”.

Portanto, a partir da consolidação do complexo cafeeiro no estado, mudanças expressivas ocorreram numa escala mais geral, no que se refere, por exemplo, a inserção da economia no mercado internacional, repercutiram direta e indiretamente no processo de urbanização, que se tornou mais efetivo e intenso.

Diante disso, a partir do momento em que o Estado de São Paulo passa a se constituir em um núcleo estruturador do desenvolvimento capitalista do país, inserindo-se no mercado internacional por meio do complexo cafeeiro, verificou-se uma divisão territorial do trabalho que levou à consolidação do sistema urbano já existente, bem como a constituição de novos núcleos que causaram uma reestruturação da rede de cidades.

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Neste processo, vale destacar duas situações distintas. Enquanto em algumas regiões do Oeste Paulista a marcha de ocupação antecedeu a chegada do café e das ferrovias, como ocorreu, por exemplo, ao longo do espigão entre os rios Paranapanema e Aguapeí/Peixe, em outras regiões, a expansão da estrada de ferro antecedeu todo o processo, inclusive criando novas cidades e comercializando terras para o cultivo agrícola, como aconteceu no eixo da Noroeste, conforme demonstrado por Monbeig (1998) e Ghirardello (2002).

Como exemplos, podemos citar os casos de Assis e Presidente Prudente, fundadas antes da chegada do eixo da Sorocabana e, por outro lado, a Companhia Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que criou estações no meio da mata, sendo que muitas deram origem a núcleos urbanos, como Birigui, Cafelândia, Lins, entre outros.

Essa diferença relativa à origem dessas cidades teve papel importante na constituição inicial dos núcleos, embora atualmente se verifique muitas semelhanças entre eles no que diz respeito às configurações morfológicas e da estrutura da cidade, uma vez que toda a região encontrava-se inserida em uma mesma lógica e dinâmica econômica. A diferença inicial estava no fato de que enquanto algumas cidades novas, implantadas a partir da chegada da ferrovia, tiveram seus planos traçados e planejados em função, ou sob influência dessa, outras passaram por reconfigurações, uma vez que seus planos urbanos e a própria estrutura da cidade foram readaptadas com a chegada da via férrea.

A partir desses aspectos, consideramos necessária a abordagem de elementos da morfologia urbana e da estrutura dos primeiros vilarejos e patrimônios. Em suas origens, os diferentes núcleos urbanos encontravam-se inseridos em contextos socioeconômicos, naturais, políticos e históricos distintos, bem como passaram por uma evolução atrelada a essas especificidades, impactando na constituição e reconfiguração de suas formas urbanas originais. Neste sentido, trataremos a seguir dos aspectos morfológicos dos primeiros núcleos urbanos, tanto aqueles do período colonial, quanto os mais jovens, cuja origem remonta ao final do século XIX ou mesmo início do século XX.