O DESENVOLVIMENTO DO CURRÍCULO
O desenvolvimento do Rolfing aconteceu paralelamente ao desenvolvimento do ensino e com a fundação e implantação das Instituições que serviram de suporte para sua evolução, tanto nos EUA, onde o Rolfing foi criado, como nos demais países por onde se expandiu e vem sendo ensinado.
Há um grande desafio ao se estruturar e ensinar uma metodologia nascente. Especialmente quando se trata de um ponto de vista novo e, sobretudo, quando a perspectiva filosófica é holística e a visão de homem subjacente é evolucionista.
Como ciência humana, Rolfing requer cuidados na seleção de seus candidatos; inicialmente, foi ensinado para pessoas selecionadas diretamente por Rolf e, depois, quando as Instituições foram fundadas, tais pessoas assumiram esta responsabilidade. É ensinada em nível de pós- graduação, em Instituições não acadêmicas. Os alunos poderiam ser provenientes de formações prévias diferentes. Nos EUA, sede do Rolf Institute, o curso é aprovado oficialmente pelo Departamento de Educação do Estado do Colorado; no Brasil e na Europa, são cursos livres de extensão; na Austrália e Japão ainda não tem regulamentação oficial. Há uma centralização do ensino de Rolfing pelo Rolf Institute que seleciona, forma e controla o desempenho dos professores; desenvolve e controla o currículo mínimo, além de delegar às Associações satélites a função de ministrar os cursos em outros lugares fora dos EUA (ERA – Associação Européia de Rolfing, ABR – Associação Brasileira de Rolfing, ARA- Associação Australiana de Rolfing, JRA – Associação Japonesa de Rolfing).
O ensino de Rolfing compreende o desenvolvimento de conhecimentos sobre a matéria e de desenvolvimento pessoal, utilizando-se da metodologia básica. Assim, é importante que o aluno tenha experimentado o processo e que, ao vivenciá-lo, assimile-o em sua própria experiência pessoal. Os candidatos devem passar pelo processo tanto de Rolfing Estrutural como de Rolfing pelo Movimento, antes de ingressarem nos cursos, em que novamente vão experimentar o processo, desta vez recebendo informações e fazendo as reflexões intelectuais concernentes.
Quando começou a ensinar, Rolf queria fazê-lo para profissionais médicos, osteopatas e quiropraxistas. Estes profissionais não compreenderam seu ponto de vista e se apropriavam de elementos da técnica e das táticas de trabalho aplicando-os fora do contexto mais amplo (integração de estruturas) que definia o Rolfing. Porém, percebiam um impacto inovador e as pessoas ficavam intrigadas com seu trabalho.
Até 1971 (Fundação do Rolf Institute), ela ensinava pessoalmente em todos os cursos. Como citado anteriormente, havia organizado o sistema que denominou Integração Estrutural (posteriormente chamado de Rolfing) numa estratégia de 10 sessões (a “receita”). O tempo de ensino era curto; as classes tinham alunos em dois níveis: ouvintes e praticantes, e os cursos duravam 5 semanas (duas sessões por semana). O aluno-ouvinte primeiramente observava a formação dos praticantes e, numa segunda rodada (como praticante), passava pelo processo novamente em classe e aplicava a metodologia em clientes de classe, com supervisão da Dra. Rolf. Esta fase era profissionalizante. Usava, portanto, a “receita” como estratégia de ensino. Cada sessão tinha um tema e uma localização anatômica específica que orientavam o trabalho.
Rolf assumia que a receita era uma estratégia segura para os alunos seguirem e, com a prática, completarem sua formação. Dizia que os alunos precisavam de 5 anos de experiência para “realmente” entenderem o que é e como funciona Rolfing. Porém, não dizia que era a “receita”; ela criara a receita e o modelo de ensino com ouvintes e praticantes para poder agilizar a divulgação do Rolfing. Porém, a receita era a estratégia segura para este desenvolvimento inicial dos profissionais.
A medida que o tempo passava e os praticantes trabalhavam, mais clientes eram rolfados, pois a demanda por continuação do trabalho e dos processos aumentava e, imediatamente, surgia a necessidade de aprofundamento na aprendizagem, revisão de conceitos básicos e a própria necessidade de se ter um repertório maior de possibilidades de trabalho.
Ela recomendava, como Educação Continuada, um workshop de 6 dias por ano que, no início, era ela mesma quem ensinava. Nesse encontro os alunos trocavam sessões entre si, evoluíam em sua própria Integração Estrutural e discutiam sua visão de trabalho. Despontava o trabalho de manutenção e as séries de 3 sessões. Estas seguiam as estratégias das sessões 8-9-10 que, por serem sessões “integrativas” na fase de fechamento do trabalho básico, por sua própria natureza, menos formulística, prestavam-se à função de evolução com clientes que já haviam
passado pela série básica. Sem se afastarem muito da receita básica, conduziam a evolução dos alunos até o treinamento avançado.
No fim da década de 60 e no início dos anos 70, å medida que o trabalho foi desenvolvendo- se, foram criados os cursos avançados para dar continuidade à formação dos profissionais. No início, o trabalho avançado não possuía estratégia definida. Enquanto vivia, chegou a uma organização do trabalho avançado em 4 sessões que, como tática, utilizavam-se posições parecidas com posturas de hatha yoga. Posteriormente, já após sua morte, estas 4 sessões tornaram-se 5. Então, tentou-se organizar uma “receita” avançada; com o curso avançado haveria a compleição da educação do profissional. Sua especificidade residia no fato dos clientes estarem em posições ativas durante o trabalho de manipulação, o que exigia do cliente maior presença e controle durante o processo e, do profissional, habilidades mais sofisticadas. Rolf acreditava que o trabalho de manipulação deveria ser acompanhado por trabalho de “movimento”, para repadronização da função e para estabilizar a transformação estrutural. Oferecia, em seu currículo, exercícios de repadronização que aprendera com Amy Cochram. Como dissemos, convidou Dorothy Nolte e depois Judith Aston para desenvolverem esta dimensão do trabalho. Com a fundação do RI, seus discípulos mais antigos começaram a ministrar os cursos básicos e ela restringiu-se a lecionar nos cursos avançados.
Após sua morte, em 1979, os cursos eram dados no RI por seus discípulos, seguindo o formato que Rolf utilizara. Assim como ela começara a fazer nos seus últimos cursos básicos, incluía uma semana de estudos de Anatomia do Tecido Conjuntivo antes do curso. O procedimento padrão era fazer uma conferência sobre a sessão a ser ensinada, uma demonstração, uma troca de sessões entre os alunos e depois a prática clínica.
Paralelamente, com a multiplicação de profissionais, com as observações clínicas, com a prática do ensino e a reflexão sobre o trabalho, houve um desenvolvimento das técnicas de manipulação e de movimento e o currículo básico começou a transformar-se.
Criou-se então um “pré-curso” para padronizar a formação anterior dos alunos, que poderiam vir de áreas profissionais diferentes. Neste curso, ensinava-se Anatomia, Fisiologia, Cinesiologia, Psicologia e Massagem, com o intuito de fornecer recursos humanos para os que vinham das áreas de ciências exatas e vice-versa. Tais cursos desenvolveram-se, tentando
adequar estes conhecimentos àqueles já desenvolvidos e específicos da recém-nascida ciência do Rolfing. Desta Forma, Anatomia e Fisiologia eram dadas com um enfoque global, e não sectarizado, não compartimentalizado; Psicologia, como relações terapêuticas no trabalho corporal; Cinesiologia, pensando-se a relação de movimento com estrutura corporal; Massagem, como introdução ao toque miofascial, etc. Este pré-curso passou por etapas de desenvolvimento até estruturar-se num curso de 200 horas, obrigatório, constituindo-se numa primeira unidade do curso de Rolfing. Sua denominação também passou por fases: Pré- Requisitos, Pré-Curso, Estudos Integrados, Fundamentos para Trabalho Corporal, Fundamentos para Práticas Somáticas. Este corpo de conhecimentos se estruturou então na Unidade 1 do projeto Educacional do RI.
Eventualmente, as Unidades 2 (para alunos ouvintes) e 3 (para alunos praticantes) tornaram-se homogêneas (todos os alunos no mesmo nível): Unidade 2, em que o foco principal é a incorporação do trabalho, os alunos aprendem passando pela experiência, trocando trabalho entre si e, a Unidade 3, que é a sessão mais clínica do treinamento, além de aprofundarem na teoria, os alunos atendem clientes em classe. Estes módulos estenderam-se para 8 semanas cada um, com um total de 300 horas/aula por unidade.
Os workshops anuais estruturaram-se num programa denominado Educação Intermediária, com cursos obrigatórios para desenvolvimento técnico em manipulação e movimento, e em matérias optativas (que cobriam a grande variedade de abordagens nascentes no campo). O curso Avançado estruturou-se num curso de 200 horas a ser cumprido entre 3 e 7 anos de formação. Rolfing, então, evoluiu de um curso de 280 horas para um curso de 1120 horas/ aula. O aluno que não cumprisse este contrato de 1120 horas de estudo em sala de aula, no prazo acordado, seria desligado da Associação, perdendo o direito de denominar-se um rolfista ou de chamar seu trabalho de Rolfing.
O ENSINO DO TRABALHO POR MEIO DO MOVIMENTO
Como comentamos anteriormente, Rolf queria o desenvolvimento do trabalho pela função, pelo movimento; achava que era uma complementação do trabalho de manipulação. Dorothy Nolte, depois Judith Aston, desenvolveram seu trabalho e percebeu-se que mais pessoas
interessadas nesta perspectiva queriam aprendê-la. Este novo corpo de conhecimento ainda carecia de organização formal, porém já tinha conteúdo suficiente e gerava interesse de se explorar sua relação com o processo de Rolfing, pela da manipulação do tecido conjuntivo. Formou-se um grupo piloto para se ensinar, de forma sistematizada, este trabalho num curso que acontecia paralelamente a uma formação de Rolfing. De manhã, os alunos assistiam às conferências e às aulas teóricas de Rolfing Estrutural e, à tarde, faziam explorações pelo movimento. Disto nasceu um corpo de conhecimentos que eventualmente se transformou num currículo de um curso de formação de “Professores de Rolf Movement”, paralelo ao da Formação de Rolfistas.
O Instituto começou a oferecer cursos e formação independentes de “Rolfing Movement” e “Rolfing Estrutural”. Os alunos de Movimento freqüentavam as conferências e assistiam às demonstrações das aulas do curso de “Rolfing Estrutural”. Se, por um lado, o trabalho Estrutural continuava seguindo a receita de Ida Rolf e a manipulação direta de tecido conjuntivo, uma prática bastante estruturada, o trabalho de Rolfing Movimento, por sua própria natureza, tinha uma metodologia de trabalho e de ensino não lineares, portanto, mais difícil de ser ensinado e, muitas vezes, de ser compreendido pela mentalidade mais “estruturalista”, uma vez que não apresentava uma seqüência de manobras a serem seguidas, requerendo um nível de abstração e compreensão de outra ordem.
Porém, a força e o sentido desta metodologia aumentavam e, eventualmente, percebeu-se que se poderia obter transformações estruturais apenas mediante o trabalho pelo movimento, sendo este uma metodologia própria, alinhada aos objetivos gerais do Rolfing. Gradualmente, sessões de Movimento foram também tornando-se pré-requisitos para os candidatos à formação em Rolfing. Mais tarde, em 1987, instituiu-se o estudo de Rolfing Estrutural como pré-requisito para se estudar Rolfing Movimento; porém, a questão da integração do ensino destas metodologias continuava presente.
Houve, iniciando-se no fim da década de 80, um projeto piloto denominado Combined Studies, que pretendia ensinar Rolfing Estrutural pela manipulação, simultaneamente com Rolfing Movimento, produzindo alunos com certificação em ambas as abordagens. Nestes cursos, assim como nos anteriores, a metodologia de ensino tinha uma visão pedagógica integrada entre informações, prática clínica e evolução pessoal.
O Combined Studies propunha que os alunos trocassem 4 sessões semanais em classe, ou seja, para cada sessão estrutural haveria uma de movimento. O resultado disto foi avaliado como uma sobrecarga muito grande para o aluno e os processos individuais sobrepunham-se à dimensão de aprendizagem intelectual também necessária. O projeto foi finalmente abandonado em 1995, deixando estas duas abordagens separadas tanto no ensino como na prática de Rolfing. Tratava-se de utilizar uma técnica ou outra.
Na segunda década do ensino do Rolfing, já com Ida Rolf ausente e o Rolf Institute organizando-se funcional e politicamente - o trabalho acontecia na prática e a reflexão era ainda embrionária -, dois assuntos tornaram-se críticos: o trabalho formulístico versus o não- formulístico; as técnicas de manipulação versus as técnicas de movimento. Algo intrincado revelava-se como desafio para a evolução, prática e ensino do Rolfing e se referiam a visões e paradigmas diferentes: por um lado, uma visão mecanicista, neopositivista e, por outro, uma visão mais experiencial e fenomenológica.
O ENSINO FORMULÍSTICO E NÃO FORMULÍSTICO
A receita era um guia confiável e seguro para o iniciante. A manipulação do tecido conjuntivo e sua técnica requeriam tempo e precisavam da atenção direta do rolfista. As sessões de trabalho pela técnica de manipulação eram “cheias”, e sempre havia muito por ser feito.
As dimensões do trabalho relacionadas com o processo do cliente, a dimensão não física do trabalho (emocional, espiritual), bem como os aspectos que incluíam a participação consciente do indivíduo no seu processo (significado dos padrões, da transformação, apreensão do novo, história emocional, desabrochar ontológico, relações terapêuticas…), foram temas mais presentes e desenvolvidos entre aqueles que trabalhavam com Rolfing Movement, ou entre alguns praticantes do trabalho de manipulação que não encontravam tempo nas suas estratégias formulísticas para lidar com estas dimensões concretamente. A pressão vinha de todos os lados, uma vez que os contratos e expectativas dos clientes também assumiam as 10 sessões como referência ao processo.
As demais técnicas de Movimento propunham toques mais gentis e possibilitavam mais experiências nas dimensões não físicas; a própria estruturação estratégica do trabalho seguia
linhas processuais e não linhas biomecânicas. O contexto cultural da época explorava novas formas de psicoterapia (neoreichianas) e trabalhos de abordagem corporal (que se proliferavam como Feldenkrais, Alexander, Tragger, Polarity, Eutonia (COTTINGHAM, 1985). O Rolfing Movemento aproximava-se mais destes valores e guardava-os dentro da cultura do Rolfing.
Porém, no nível interno do Instituto, havia aqueles que achavam que o único Rolfing era o da manipulação de tecido e que a única estratégia de trabalho era o trabalho formulístico, tanto no nível básico como no avançado. E, entre tais extremos, situava-se uma gama de combinações: aqueles que achavam que o trabalho de manipulação poderia ser combinado com o trabalho de movimento e os que não achavam isto. Alguns viam benefício em que a manipulação viesse antes da intervenção pelo movimento e, outros, que viesse depois; outros ainda, pregavam que o trabalho pelo movimento deveria ser interveniente às sessões de manipulação estrutural. Ademais, havia aqueles que achavam que o trabalho de movimento deveria ser formulístico e, outros, que achavam que o trabalho de manipulação deveria cuidar mais do processo do cliente e não só da dimensão física envolvida.
Todas estas questões permeavam o desenvolvimento do currículo; tornaram-se questões políticas e levaram a dissabores nas relações pessoais entre professores, administradores e membros e, finalmente, uma “batalha dos egos” gerou um cisma no Instituto e na Faculdade, acompanhado de reverberações negativas por todos os membros do Rolf Institute.
Como dissemos, no fim da década de 80, já depois do cisma, os professores avançados do corpo docente revisaram a Receita, iniciando um trabalho de descrição dos princípios que regiam a estrategização da abordagem (MAITLAND; SULTAN, 1992). De posse dos “Princípios para Estrategização do Rolfing”, estabeleceu-se o pensamento não formulístico (raciocínio até então só utilizado para o trabalho avançado).
A INTEGRAÇÃO DO ENSINO PELAS TÉCNICAS ESTRUTURAL E DE MOVIMENTO Na década de 90, a Faculdade do Rolf Institute dedicou-se à descrição e à revisão do Currículo. Esta tarefa visava a precisar e a unificar a formação de Rolfing: fato pedagógica e politicamente complexo.
Já se havia elaborado uma grade curricular que foi expandida e organizada com objetivos distribuídos pelas seguintes categorias:
• teoria de Rolfing;
• intervenção – nas técnicas Estrutural e Movimento; • corporação (embodiment)2 ;
• relações terapêuticas; • reconhecimento de padrões.
O conteúdo programático seguia estas categorias gerais que eram diferenciadas nas diversas unidades do curso (unidades 1.2.3., educação continuada e nível avançado).
O sistema de Avaliação dos cursos constituía-se de entrevistas no meio e ao fim de cada unidade, elaborada em formulários específicos que ajudavam a verificar a apresentação de comportamentos definidos e observáveis referentes a cada objetivo do programa.
Coletivamente, trabalhava-se no desenvolvimento curricular e buscavam-se formas de integrar as técnicas estruturais e de movimento. Três propostas diferentes surgiram:
• a Americana, que colocava o trabalho funcional como interveniente no trabalho estrutural;
• a Européia, que mantinha as formações separadas, e
• a Brasileira, que tentou usar os Princípios de Estrategização como elemento comum entre as duas metodologias (estrutural e movimento) e também tentou ensinar Rolfing por meio do pensamento não-formulístico, favorecendo a escolha de técnicas em função do processo clínico de cada cliente.
A proposta brasileira ressuscitava a dupla certificação; o trabalho foi iniciado por Prado e Jaye e apresentado na reunião da Faculdade do RI de 1995 em Boulder Colorado, (Prado, 1995), desenvolvido e elaborado nos cursos brasileiros subseqüentes por professores brasileiros e professores convidados estrangeiros, entre eles, Jaye, Harrington, Klem, Sultan, Schleip, Caspari, Keen, Rossi (PRADO, 2004c). Nestes cursos, Rolfing era ensinado como uma metodologia que poderia ser executada exclusivamente pela da manipulação do tecido conjuntivo, só pelo movimento ou como um processo em que o aluno poderia escolher as técnicas e fluir entre elas (PRADO, 1995).
2 Embodiment, em inglês, relaciona-se com o conhecimento que a pessoa adquire por meio de sua experiência sensorial e corporal, isto é, conhecer por meio do corpo, conhecer no próprio corpo. Em português, começa a aparecer o verbo “corpar” e o substantivo “corporação” para se referirem a este tipo de experiência e forma de aprendizagem.
Paralelamente, com a mudança de currículo nos EUA e na Europa, as classes tornaram-se homogêneas, separando os ouvintes dos praticantes, e manteve-se a formação discriminada nas duas técnicas. Na Europa, a técnica de Movimento estava em crise, até o início da influência de Hubert Godard, que trazia para o Rolfing a teoria da Função Tônica. Godard, aos poucos, foi convergindo seus conhecimentos para uma reinterpretação da receita, gerando uma fórmula sob a ótica funcional, a ser utilizada como caminho didático.
A proposta curricular, diferente nos diversos continentes, punha em risco a integridade do ponto de vista de Ida Rolf e anunciava regionalismos, além do desejável, para uma ciência ainda jovem.
Como apresentado anteriormente, na reunião de professores avançados do Rolf Institute, na Alemanha em 2001, da qual participei, gerou-se uma proposta de currículo integrado, pela qual movimento e estrutura seriam ensinados juntos, utilizando-se novamente a estratégia da receita; o ensino de estrutura e função em conjunto traria a compreensão de serem estes dois aspectos um só fenômeno. Todo Rolfing é Estrutural e todo Rolfing é Funcional. A ênfase então é dada à leitura funcional da receita, antes ensinada com ênfase na estrutura geométrica. A receita, tradicional eixo pedagógico no ensino de Rolfing, flexibilizada com o pensamento não formulístico, é rejuvenescida com a leitura de sua lógica funcional (EUROPEAN ROLFING ASSOCIATION, 2000).
Atualmente, os três principais centros de ensino do Rolfing devotam-se a criar e lapidar esta integração, tanto no ensino como na reciclagem dos profissionais existentes. O Projeto Educacional Brasileiro (Estrutural e Movimento ensinado pelos princípios e não formulisticamente) é também adaptado para acompanhar o currículo Universal e a abordagem não formulística é transferida para o currículo avançado. O Brasil continua a liderar a exploração da Integração das técnicas de Movimento e de Estrutura.
O Currículo Internacional continua estruturando-se e expandindo à medida que surgem novos conhecimentos. No momento, o nível de integração do trabalho estrutural com o de movimento e a flexibilidade no uso e adequação do trabalho não formulístico representam a expansão dos limites. O desafio transcultural é ainda o de honrar o ponto de vista holístico, sendo que todas as dimensões da pessoa são consideradas e Rolfing cumpre seu papel tal como em sua concepção.
As dificuldades na percepção geral das diferentes vertentes desta ciência atestam mais uma vez a transição no modo de pensar presente em nossa época, nem mesmo aqueles que abraçam uma posição multidimensional profissionalmente conseguem ser fiéis a este ponto de vista, muitas vezes, como manifestamos anteriormente, reduzindo a prática a uma ação mecanicista, com uma mentalidade corretiva de eliminação de sintomas, revelando uma atitude neopositivista e, que se confronta com uma posição mais fenomenológica.
AS INSTITUIÇÕES
Acredito que o desenvolvimento do método Rolfing, de seu ensino e das instituições que dão suporte a seu desenvolvimento, estão intimamente conectados.
Relatatamos, abaixo, historicamente, o surgimento das Instituições que deram suporte aos cursos e eventualmente o surgimento dos principais centros de Ensino do Rolfing.
• 1970 agrupamento informal de rolfistas, autodenominado Guild for Structural Integration.
• 1971 fundação do Rolf Institute for Structural Integration, sediado na Califórnia, uma sociedade sem fins lucrativos com a missão de ensinar,