2. Sosial rapportering i Statistisk sentralbyrå
2.4. Slik har vi det
Rolf (Feitis, 1986) pesquisou empiricamente, criou o método e o ensinou nas condições descritas no início deste capítulo. Inicialmente, a práxis individual, seguida de encontros para educação continuada representaram o fórum de exploração e o fórum de debate para as primeiras especulações e investigações sobre o Rolfing. A matéria começou a ser primordialmente transmitida oralmente (Rolf deixou pouca coisa escrita), mas gradualmente começou a ser registrada por seus seguidores.
Bibliografia disponível
Em 1969, criou-se o Bulletin for Structural Integration. Esta publicação visava congregar as primeiras reflexões sobre Rolfing e, desta forma, a revista vigorou até 1980, para a qual Ida Rolf publicou 21 artigos e havendo um total de 131 contribuições.
Paralelamente, com a fundação do Rolf Institute, em 1971, criou-se um boletim informativo, denominado Rolf Lines. No início, a finalidade era servir como boletim de informações, contando com publicação de cartas, que se referiam ao Rolfing como ciência, registravam-se de relatos de experiências profissionais e fomentava-se um debate informal sobre a práxis do Rolfing.
A comunidade aumentava em número e se expandia além dos EUA, para a Europa e depois para o Brasil, Austrália e outros países. Rolf Lines, então, foi modificando-se e transformando-se numa revista mista, que continha artigos e relatos de pesquisas sobre Rolfing, bem como as notas informativas do Rolf Institute.
Foi em 1981, quando o Bulletin for Structural Integration deixou de ser publicado que Rolf Lines herdou seu espírito de revista mais científica e começou a publicar artigos de mais peso, antes reservados ao Bulletin. Atualmente está no Volume XXXV, registrando a maior parte dos debates sobre Rolfing, não só em artigos formais, mas também numa sessão denominada Forum, com troca de cartas e informes espontâneos referentes a temas polêmicos ligados ao exercício do Rolfing e sua teoria. Seu inventário constava de 372 artigos mais significativos quando, em 2001, mudou-se o nome desta publicação para Structural Integration: the journal
of the Rolf Institute, o corpo editor tornou-se mais rigoroso, extinguiu-se a sessão Fórum e mais 136 artigos foram nela publicados.
Na Suíça, Flury, em 1989 tomou a iniciativa de criar a “Notes on Structural Integration”, publicação que aconteceu anualmente ate 1993. Com um corpo editorial mais rigoroso, buscava selecionar só artigos científicos.
No Brasil, a ABR começou a editar o Rolfing-Brasil em 1999, publicação em português cujo conteúdo relatava trabalhos de rolfistas brasileiros ou traduções de artigos importantes das publicações estrangeiras, que está no seu 7o volume, no número 19, e 36 artigos publicados. Simultaneamente, alguns trabalhos acadêmicos foram realizados, algumas pesquisas formais aconteceram e vários livros escritos por Rolfistas foram publicados, já como resultado da experiência na prática profissional desta comunidade, atualmente com 1460 pessoas, em 36 países, e em 48 dos estados dos EUA.
Porém, para que esta revisão de literatura pudesse acontecer, foi necessário o desenvolvimento de uma pesquisa que consistiu em reorganizar as coleções do Rolf Institute e da Associação Brasileira de Rolfing, complementando-as. Deste trabalho, nasceu a idéia de se organizar uma biblioteca virtual que facilitasse o acesso ao material disponível e que servisse de base não só para este trabalho, mas para o estudo futuro, tornando a produção intelectual existente em Rolfing disponível e com consulta ágil, ou seja, fornecendo base para pesquisa e ensino.
Este projeto foi por mim desenvolvido e atualmente a biblioteca está sediada no www.rolfinglibrary.com.br e esta revisão que se segue representa a primeira tentativa de sistematização do material escrito em Rolfing.
O Contexto do Trabalho
Maitland; Cottingham (1997) fez uma primeira organização sobre os diferentes domínios que Rolfing abarcava, e comentou que, para entendermos as contribuições de Rolf às terapias manuais e holísticas, precisaríamos compreender a diferenciação entre terapias holísticas e as demais. Desenvolveu um modelo com três paradigmas a serem usados em protocolos de
trabalho, que representavam três possíveis dimensões existentes: as relaxantes, as corretivas e as integrativas, holísticas.
No paradigma relativo ao relaxamento, as práticas buscavam alívio de dores ou sintomas presentes. Num segundo nível, o corretivo, as práticas dirigiam-se à correção daquilo que produziam os sintomas, buscando alterações para a eliminação destes. São intervenções mais tópicas, enquanto que o paradigma holístico, o terceiro, cultivava a integração, o equilíbrio e a harmonia da pessoa como um todo.
Como exemplo destes paradigmas, uma pessoa que apresenta dor nas costas faria uma sessão de massagem para aliviar e relaxar a tensão (1o paradigma), algumas manobras biomecânicas para corrigir o alinhamento intrarticular (2o paradigma), ou Rolfing para integrar o corpo todo na gravidade (3o paradigma). Muito da medicina ocidental opera no 2o paradigma, com especializações e busca de controle de sintomas.
Os objetivos e a atitude do profissional, em qualquer intervenção terapêutica, apóiam-se em algum destes paradigmas, e revelando posturas filosóficas diferentes. Estes paradigmas não são mutuamente exclusivos. Quando se tem a visão integrativa, pode-se corrigir um sintoma específico e alcançar o relaxamento. Um trabalho pode-se iniciar no primeiro ou no segundo e terminar num paradigma integrativo.
Rolf expandiu a abordagem holística, incluindo o conceito de integração na gravidade. Insistia em que mudanças estruturais ou funcionais duradouras requeriam do corpo um equilíbrio não só em relação a si mesmo mas também em relação à gravidade e ao ambiente. Freqüentemente, a volta da sintomatologia ou o aparecimento de novas disfunções deviam-se à impossibilidade da pessoa em adaptar-se às intervenções locais que não considerassem o todo no ambiente. Rolfing, portanto, tem dois objetivos concomitantes: o de organizar a pessoa em relação a si mesma e em relação à gravidade e ao ambiente.
A contribuição de Maitland, estabelecendo formalmente a dimensão e o campo de trabalho do Rolfing, ajudou a manter e a estabilizar o foco desta abordagem, a pontuar a atitude terapêutica e a discriminá-la de outras práticas de terapia manual. Rolfing pensa no todo da pessoa e mesmo as áreas sintomáticas devem ser percebidas e endereçadas em relação a este todo no contexto em que acontece.
Revisão de Alguns Conceitos Centrais Gravidade e Linha
Durante estes últimos 50 anos, a própria ciência da Física trouxe novos modelos para lidar com o conceito de Gravidade,: tema central na proposta de Rolf. Tanto o conceito da linha gravitacional como a referência para o trabalho de Integração Estrutural (todas as estruturas humanas organizadas em torno do eixo central), como o conceito de forças compressionais (blocos que empilhados cujos centros de gravidade se alinhassem representariam uma estrutura mais organizada) mostraram-se limitados.
Tais conceitos foram extensamente discutidos nos anos que se seguiram à sua morte, tanto do ponto de vista teórico como de suas implicações para a prática do Rolfing, sendo as contribuições de Oschman J; Oschman N (1998) e Oschman (2001) as mais importantes. Tenta trazer os conceitos da teoria da relatividade e da física quântica para o domínio do Rolfing, esboçando explicações sobre a fisiologia do tecido conjuntivo à luz destes conhecimentos.
A exploração da natureza fisiológica e experiencial das forças do empuxo ajudou a considerar a gravidade não só como peso, mas como algo que produzia a leveza. Nesta discussão, havia duas vertentes: aqueles que valorizavam o conceito Newtoniano, e que tendiam a ver um homem estático e a estrutura como um campo fechado, ou seja, a unidade homem e a relação de forças e massas intra-sistemicamente, em relação a si mesmo (FLURY, 1989; HARDER, 1991; BRECKLINGHAUS, 1998; GAGGINI, 1998), e os que ao valorizar o que já era implícito na proposta de Rolf - a importância dos processos de orientação dados pelos sentidos na organização da postura (ROLF, 1977), chegaram à compreensão de gravidade como um conceito relacional, traduzido numa dança contínua, envolvendo os mecanismos de percepção e de ajuste de posicionamento da pessoa no ambiente (AGNEESSENS, 2001; ZORN e CASPARI, 2003). Estes viam um homem dinâmico e entendiam a gravidade no movimento.
Provavelmente não houve na comunidade inteira de Rolfing quem não tivesse participado e ainda participa deste debate.
A “linha”, conceito referencial da geometria ortogonal de Rolf também passa a receber atenção como um conceito estático ou dinâmico, conceito este que discutiremos a seguir. Tecido Conjuntivo
O tema tecido conjuntivo (TC) conjuntivo também recebeu muitos estudos; foram artigos especulativos, compilações de material de estudo, alguns livros e algumas pesquisas científicas.
Vários professores de anatomia do Rolf Institute dirigem seus estudos e produzem livros sobre a descrição anatômica do tecido conjuntivo. Schultz; Feitis, (1996), Myers (2001) e Bertolucci (1998, 2003, 2005a e b), em vários artigos avançam na descrição do tecido conjuntivo na exploração das implicações que esta visão traz para a locomoção, na reabilitação e na dor crônica. Na mesma linha de inquérito, ainda outro professor de Anatomia do RI, Schleip, et al. (2005, 2006) se engajou em pesquisas laboratoriais, em que estuda a elasticidade passiva do TC, contribuindo mais para a compreensão do porquê o toque de Rolfing é eficiente, e como fazer para potencializar os resultados das intervenções. Ao estudar a presença de células de musculatura lisa na matriz do TC, abre a percepção dos rolfistas para os efeitos do toque de Rolfing no SNA. São resultados com ressonância para a teoria e técnicas do Rolfing (SCHLEIP, et al., 2004, 2005, 2006). Do ponto de vista teórico, assinalamos a contribuição de Oschman J; Oschman N (1993); Oschman (2001, 2003), no que se refere a uma visão de funcionamento de TC, visto sobre a luz da física quântica, e que muito se alinha às leituras atuais.
Como subproduto do desenvolvimento do Rolfing, surgiu a “Liberação Miofascial”. A riqueza advinda da exploração do toque no tecido conjuntivo foi organizada por alguns rolfistas em sistemas específicos. No Brasil, destacaram-se Bertolucci, Menegatti, Cintra e outros (BERTOLUCCI et al., 2005). São descrições de técnicas ou de sistemas integrados de técnicas, que mostram o registro de algumas possibilidades de intervenção manual para liberação miofascial e que podemser usados nos diferentes paradigmas de trabalho, cuidando de sintomas específicos, e ajudando no alívio da dor. (BERTOLUCCI 2005b). Na Austrália, há a publicação de “Structural Bodywork”, de SMITH (2005).
O protocolo de 10 sessões: a Receita
Maitland (1993), ainda na tentativa de organizar conceitualmente a prática de Rolfing, também estabeleceu importante distinção entre Objetivos Gerais, Princípios, Estratégias, Técnicas e Táticas de Trabalho, estabelecendo uma hierarquia de pensamento que ia do mais abstrato ao mais concreto e, do mais geral ao mais específico - de princípios Gerais que dão suporte a estratégias que precisam de técnicas que empregam táticas.
Foi comum no aparecimento do Rolfing surgiu uma confusão entre as técnicas utilizadas e os objetivos do trabalho: identificava-se o trabalho com as técnicas ou táticas utilizadas. Assim, sendo uma terapia manual no tecido conjuntivo, usavam-se toques que vão do superficial ao profundo, utilizando-se mãos, punhos, antebraço ou cotovelos. Porém, estas táticas de trabalho não o definem, sendo meios para se desenvolver o processo de Rolfing. Tal confusão histórica levava as pessoas a não compreenderem o real sentido da proposta e, conseqüentemente, desvirtuavam sua prática.
Ida Rolf, para acelerar o ensino e a difusão de seu ponto de vista, deixou-nos um excelente protocolo formulístico de 10 sessões, astuto em sua concepção, amplo em sua dimensão e muito eficiente como estratégia de trabalho. Também foi extremamente útil na função de ensinar pessoas que, ao repetirem o protocolo sistematicamente e, aos poucos, compreenderem a natureza do trabalho e dominarem suas especificidades. O uso repetido de um protocolo formulístico para tratamento era um método de auto-aprimoramento profissional, de “auto-ensino”.
Tal o poder desta estratégia de 10 sessões, que ela também foi - e muitas vezes ainda o é - identificada com o trabalho em si mesmo.
Um protocolo traz em si dois desafios: um, o de assumir que os corpos reagirão da mesma forma na sua evolução até se atingir o “corpo ideal” e, outro, de comprovar que este método é apropriado para todas as pessoas.
Quanto ao primeiro ponto, as pessoas eram avaliadas em função desta possibilidade - organização estrutural em torno da linha gravitacional, vertical em relação à terra - e o processo de Rolfing era dirigido para a liberação das restrições no tecido mole, permitindo o emergir de uma organização mais ordenada. A organização estaria em torno deste eixo
central, buscando-se então, uma harmonização dentro dos limites apresentados em cada processo, para cada pessoa, uma vez ser o ideal inatingível.
Inúmeros testemunhos de alunos seus afirmam que seu trabalho não era sempre protocolar, adaptava seu método ao caso clínico trabalhado: a origem deste protocolo tinha o sentido de facilitar e agilizar o ensino.
Um protocolo formulístico, porém, por sua própria natureza, assume a existência de um corpo ideal, ou de um estado que represente a normalidade. Trata-se de um idealismo somático: formulismo e idealismo somático andam de mãos dadas (MAITLAND, 2002).
Por um lado, a aplicação dos mesmos procedimentos para todas as pessoas pressupõe que os resultados sejam os mesmos, e que se encaminhem na mesma direção: a do corpo que deveria ser daquela forma (MAITLAND, 2002). Assim, o que é único, específico em cada pessoa ou, as diferenças no processo de cada um, podem acabar não endereçados numa proposta formulística, idealística.
Porém, Ida Rolf não era crítica quanto ao seu idealismo somático e tendia a usar sua noção de corpo e função ideais como um parâmetro em relação ao qual avaliava o corpo dos clientes e os resultados do trabalho. Sua posição era universal e dizia respeito à espécie humana.
A observação clínica mostrava que a receita não contemplava as diferenças entre os vários tipos de corpos das pessoas. Com o gradual aparecimento das diferentes teorias que apresentavam diferentes tipologias estruturais, também ocorreram adaptações no uso da receita para atender tais diferenças.
Esta discussão coletiva gerou duas vertentes antagônicas: aqueles que se propunham a seguir uma prática que valorizava o idealismo somático e que utilizava o protocolo básico de 10 sessões, ensinado por Rolf, e aqueles que tentaram esclarecer os princípios subjacentes à receita, e que regeriam a estrategização em Rolfing. Estas vertentes geraram, em 1987, um cisma no Rolf Institute, criando-se a Guild for Structural Integration, onde se cultivou a primeira posição acima descrita e, no RI, em 1992, é publicado por Maitland e Sultan (1992) o artigo: “Definição e Princípios de Rolfing”.
Os professores avançados do Rolf Institute, então livres da polêmica, revisaram a “receita” e criaram os Princípios para estrategização, considerando a receita como uma das possíveis estratégias de trabalho.
Liberados das limitações advindas do idealismo somático e do formulismo, Rolfing passou a ser um recurso para mais pessoas, e seu domínio começou a considerar a maneira que tipos psicobiológicos diferentes lidam com os efeitos da gravidade, tendo isto se incorporado à sua teoria e prática. Todos os tipos de corpo/pessoa podem beneficiar-se do trabalho de Rolfing, mas nem todos da mesma maneira.
O Conceito de normal também sofre revisões; o normal deixa de possuir uma referência externa e adquire uma referência interna, pessoal, representando um processo de descoberta e de adaptação de cada pessoa. A linha vertical passa a ser vista como uma resultante, mais que como uma norma. Sem uma referência absoluta, descobrir o que é natural para cada um em relação a seu ambiente transforma-se, então, num processo muito mais complexo e fascinante:
...o que se constitui normal para cada indivíduo revela-se através de manipulação estrutural e da educação de movimento cuidadosos, que exploram e revelam a plasticidade e limitações inerentes na forma de cada pessoa em relação à maneira de adaptação ao ambiente. Seres vivos são sistemas que se auto-organizam, auto-regulam e se sentem; são caracterizados por uma busca contínua de equilíbrio, de organização, de harmonização para a melhoria de suas vidas. Normalidade não é um estado nem ideal, nem estático, mas uma realização ortotrópica que é conseguida através da vida repetidamente (MAITLAND, 2001a, p. 20).
A partir de então, originou-se o pensamento não formulístico, em que as estratégias seriam organizadas para cada indivíduo, respeitando-se os Princípios de Intervenção do Rolfing. Maitland reduz a questão da estrategização a três perguntas básicas:
Como começo, como continuo e quando acabo uma sessão, ou um processo de Rolfing (MAITLAND, 1993). Maitland, Sultan e Salveson, em seus cursos avançados no Rolf Institute apontam para o princípio Holístico e mais 5 princípios que, operados entre si proveriam as condições em que o trabalho seria eficaz. Com o conhecimento destes princípios, o trabalho de estrategização seria mais livre, criativo e eficiente, endereçando as necessidades específicas de cada cliente no desenvolver do processo, e os resultados seriam mais eficazes (MAITLAND; SULTAN, 1992).
São eles: HOLÍSTICO
Holismo é o meta princípio que compreende todos os outros.
“Nenhum princípio pode ser satisfeito a não ser que todos os outros também o sejam”. Algumas decorrências do princípio holístico são que:
• o corpo é um todo e nenhuma parte é mais importante para a organização do todo que o todo em si;
• o corpo é uma unidade, e a disfunção somática também o é, e reflete-se em todos os aspectos do ser;
• conhecer os componentes da forma viva não é suficiente para compreender a organização do todo;
• os corpos vivos são sistemas, auto-regulados e auto-organizados;
• para se compreender locais de disfunção precisa-se compreender o estado do todo e sua relação com o ambiente;
• que nenhum componente do corpo pode ser adequadamente compreendido quando isolado do todo e de sua relação com o ambiente;
• todos os princípios funcionam conjuntamente.
ADAPTABILIDADE
Este princípio trata da possibilidade do cliente em aceitar novas opções de alinhamento, da percepção de si e de movimento. Por meio deste princípio, reconhece-se que uma intervenção (seja pelo toque, pelo movimento ou pela palavra) só será efetiva se o cliente puder adaptar-se a ela, tanto no nível intrínseco da sua própria estrutura, na relação entre as diferentes dimensões da pessoa como no universo relacional da qual a pessoa faz parte, orienta-se, organiza-se e interage.
Desta forma, ao se soltar uma restrição miofascial, por exemplo, no retináculo do tornozelo de uma pessoa pelo toque, esta intervenção aumentaria a possibilidade de amplitude de movimento desta articulação e só se estabilizaria na medida em que os joelhos, o quadril, a coluna e a cabeça estiverem soltos para acomodar a liberdade produzida por esta soltura. Se os joelhos ou os quadris, estiverem, por exemplo, rígidos, o tornozelo não pode ser utilizado na dimensão de soltura disponibilizada pelo toque, e, portanto, segundo o princípio da adaptabilidade voltará a enrijecer-se.
Da mesma maneira, mesmo se a estrutura tiver liberdade suficiente na rede miofascial para acomodar este toque no retináculo do tornozelo e puder apresentar movimentos em todas as outras articulações do corpo no movimento, se o cliente não puder acomodar em sua imagem de corpo um movimento mais rápido, esta articulação voltará a prender-se. Ou ainda, se o cliente não tiver “coragem” de dar passos mais soltos e livres, sua estrutura se adaptará ao que ele como pessoa pode integrar neste momento.
SUPORTE
Segundo tal princípio, uma intervenção é bem sucedida na medida em que o cliente efetivamente encontrar suporte na gravidade para a mudança proposta.
No nível mecânico, por exemplo, se o quadril do cliente está deslocado anteriormente, ele não oferece suporte para seu peito e cabeça, e, portanto, serão necessárias compensações no sistema miofascial para a estabilização de sua estrutura na gravidade. Caso se liberem as restrições de tecido no peito, e não estiverem liberadas as restrições que mantém o quadril deslocado anteriormente no plano horizontal, o peito não encontrará suporte mecânico para tal liberdade, a mudança não se estabilizará e, voltará a contrair-se para poder equilibrar-se na gravidade.
Da mesma forma, se a pessoa não puder iniciar a marcha pelo peito, e continuar repetindo o padrão de iniciá-la pelo quadril anteriorizado, o peito liberado na manipulação do tecido tenderá a contrair-se novamente por falta de suporte dinâmico na gravidade. Então, o reconhecimento do sistema de suporte e sua utilização no movimento passam a ser elementos do trabalho.
Esta mesma pessoa pode encontrar suporte no seu processo de percepção e orientação no espaço e no aumento de consciência da sensação em seus pés, o que ajuda aumentar a consciência de postura e de equilíbrio, e atender ao princípio de suporte no Rolfing.
Num outro nível, a consciência de um padrão ou o próprio suporte terapêutico podem ter uma dimensão de auxiliar no suporte para uma mudança nos níveis estrutural e funcional.