No processo de inovação o design é uma atividade considerada de fundamental importância, visto que está relacionado com a criatividade onde as idéias são geradas e onde se realiza a união entre possibilidades / técnicas e oportunidades de mercado, ou seja, produção e consumo.
Mesmo a mais radical das invenções precisa ser materializada em uma forma utilizável através do processo de design. Isto nos leva a entender que conceitualmente, o design cumpre o papel de tornar realidade o mundo das idéias. (CNI ,1996).
O design relaciona-se tanto às inovações tecnológicas quanto organizacionais. Em se tratando de inovações tecnológicas através do desenvolvimento de um novo design è possível: (a) diminuir o uso de insumos materiais e energéticos (miniaturização dos produtos); (b) diminuir significativamente o número de partes e peças envolvidas num determinado produto, otimizando e reduzindo seu tempo de fabricação; (c) e até equacionar formas ideais de descarte ao final de sua vida útil. Destacam-se ainda a abertura de novas possibilidades com o surgimento de novos materiais, equipamentos e processos produtivos em nível geral, e até especificamente na área de design com a utilização dos sistemas CAD. (CNI, 1996).
Para reforçar a idéia de que o design anda de mãos dadas com a inovação tecnológica, Benevides-Puerto (1999, p.20 in Venâncio, 2002, p.20), afirma que, certamente o Desenho Industrial é um elemento componente da Inovação Tecnológica, pois, em essência, todas as invenções, independente do tipo de complexidade que possam representar, passam pela produção em serie. Esta afirmação denota o grau de comprometimento e importância do design como elo de ligação entre a invenção e a inovação tecnológica.
Já para relacionar o design com as inovações organizacionais, a CNI (1996), destaca que a natureza das atividades de design faz com que os designres participem de diferentes funções das empresas, como pesquisa e desenvolvimento; produção, teste de materiais; controle da qualidade e, planejamento financeiro, comercial e estratégico – bem como com outros parceiros da empresa como fornecedores, prestadores de serviços e consumidores. Esta característica favorece as diferentes visões e atores do processo de desenvolvimentos, os quais em geral possuem, diferentes informações, conhecimentos e expectativas.
A empresa que utiliza o design como ferramenta de inovação pode alcançar vários benefícios e muitas são as vantagens que podem ser evidenciadas. Por exemplo, na imagem da empresa que passa a ser vista como empresa inovadora, coerente com as tendências mundiais; na otimização de custos, usando formas mais eficientes, matéria-prima e processo de fabricação adequados, evitando desperdícios; na exportação, prevendo uma boa logística, possibilitando uma distribuição adequada e conservação do produto, não só no mercado interno como também externo; e no aumento da competitividade, pois possibilita a
empresa competir com produtos mais inovadores e diferenciados. (Bahiana, 1998, pp. 18 a 20 in Venâncio, 2002, pp. 21 a 22).
Nas palavras de Silva e Câmara (2004), as MPEs não têm consciência dos ganhos de competitividade trazidos pelas oportunidades de negócios associadas as inovações, visto que estas, só introduzem inovações quando percebem as oportunidades de negócio ou quando o mercado consumidor exige algo diferente.
Seragini (2005) citando (De Masi) traz a seguinte colocação:
“ Mais do que novas fabricas, o que se necessita mesmo são Laboratórios de Design, onde novas idéias e novas estéticas sejam produzidas: Se existe crise, trata-se de uma crise de idéias, e se é mais criativo quanto mais futuro se consegue projetar. O futuro chega graças à experimentação e iniciativas de vanguarda e a criatividade é o recurso mais fecundo com que o homem conta para superar dificuldades e construir o progresso”. (De Masi). Na percepção de Seragini (2005), o design é o grande parceiro da criatividade e da inovação. O mesmo autor reforça que a inovação estimula o crescimento econômico, e mesmo quando a economia se mantém incerta, ela é a saída para uma empresa estar viva nos negócios. Ele acrescenta ainda que “a inovação é definida como o processo de criar idéias de valor e implementá-las com sucesso. Ela é sinônimo de mudanças em todos os aspectos do negocio: no modelo de gestão, estratégia, processos, produtos, serviços, tecnologia e comportamento ” (Seragini, 2005).
A partir dessas afirmações de Seragini (2005), é possível inferir que o processo de inovação numa empresa depende de sua cultura inovadora, da liderança, de atitudes individuais e da gestão competente no processo inovador.
Segundo Baxter (2003), no entanto, a inovação não acontece repentinamente em uma empresa. É necessário realizar investimentos a médio e longo prazos, para a criação de um ambiente favorável à inovação dentro da empresa. Esse ambiente criativo depende das atitudes das pessoas na empresa, a começar pelo estilo gerencial adotado pela administração superior dessa empresa, e de como ela se relaciona com os demais
empresarial que é muito difícil de ser mudada. O autor afirma ainda, que a capacidade inovadora de uma empresa não pode ser criada simplesmente mexendo no organograma da empresa.
Para Baxter (2003), as estratégias de inovação de uma empresa podem ser qualificadas em quatro tipos:
Estratégias ofensivas ou de ação: empresas líderes de mercado, ela é conseqüência de uma forte cultura inovadora, onde devem existir várias equipes dedicadas à pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias;
Estratégias defensivas ou de reação: empresas que querem seguir as líderes, deixam que elas arquem com os custos de desenvolvimento e riscos para abrir novos mercados;
Estratégias tradicionais: empresas que atuam num mercado estático, com uma linha de produtos estática;
Estratégia dependente: empresas que não possuem autonomia para lançar seus próprios produtos.
Nas palavras de Baxter (op cit), percebe-se que as empresas que adotam uma estratégia ofensiva ou de ação precisam contar com especialistas de Marketing, P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), Engenharia de Produção e Fabricação. Isto também acontece com aquelas empresas que adotam estratégias defensivas, porém em menor intensidade. Já as empresas que adotam a estratégia tradicional e a dependente, devem concentrar seus esforços na produção.
Para as micro e pequenas empresas que muitas vezes não dispõem de recursos tecnológicos, o design oferece uma grande oportunidade de aliar a criatividade com a utilização de alguns métodos especificamente desenvolvidos para orientar o processo de inovação e lançamento de novos produtos no mercado.