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O Programa Gestão da Aprendizagem Escolar (GESTAR II)31 oferece formação continuada em língua portuguesa e matemática aos professores dos anos finais (do sexto ao nono ano) do ensino fundamental em exercício nas escolas públicas. A formação possui carga horária de 300 horas, sendo 120 horas presenciais e 180 horas à distância (estudos individuais) para cada área temática. O programa tem por objetivo contribuir para o aperfeiçoamento da autonomia do professor na sua prática pedagógica com base em habilidades e competências e melhorar o processo ensino-aprendizagem dos alunos.

Quanto aos objetivos, entendemos que seja necessário melhorar o processo de aprendizagem dos alunos nas disciplinas de referência, mas, também, é necessário que o professor tenha autonomia no exercício da sua atividade. Valemos de Freitas (2007) para indagarmos que essa prática não seja perfilada a habilidades e competências, tornando o professor um mero técnico que aplica conhecimentos produzidos por especialistas.

O programa visa à reorientação da prática escolar de forma a propiciar que os alunos tenham acesso aos conhecimentos linguísticos e matemáticos necessários ao exercício da cidadania e, também, atua para melhorar os indicadores do processo de ensino-aprendizagem por meio de ações e estratégias de estudo individual e coletivo, com atividades presenciais (oficinas) para os professores cursistas, orientadas por um formador-tutor (Orientações Gerais, s/d, p. 1).

A partir da consulta ao Banco de Teses da Capes, verificamos que as dissertações defendidas apontam para a valorização da produção dos professores, e podemos inferir que há contribuições do programa na formação

31 Informação no site: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12380

continuada dos professores. Nessa perspectiva, Sacramento (2011) afirma que as professoras ao elaboram modelos variados de letramento, ora voltados para a reprodução de práticas do modelo autônomo em que foram formadas, ora revelam transformações de movimentos anteriores em direção às práticas baseadas no modelo ideológico, e tais movimentos estão atrelados às suas condições de letramento; além disso, observou o engajamento dessas professoras na concepção da leitura e da escrita como prática social.

Sobre a compreensão de Sacramento, entendemos que há similaridade nas conclusões de Miguel (2011), ao constatarmos que cada professor/professora constrói um percurso particular, o que permitiu identificar três formas de exposição denominada pelo autor: autoria alinhada à formação profissional, autoria espelhada na formação continuada e autoria autônoma.

Esses aspectos citados por Miguel (2011) e Sacramento (2011) nos possibilita compreender que a profissão docente, de acordo com Tardif (2002), é construída a partir de quatro saberes: os saberes da formação profissional (das ciências da educação e da ideologia pedagógica), os saberes disciplinares, os saberes curriculares e os saberes experienciais.

Diante dessa construção permitida pelo programa, como vivemos em um mundo contraditório, onde as verdades não são absolutas, o programa contempla aspectos positivos e negativos, os quais foram percebidos nos trabalhos de Schmoeller (2009), Lisboa (2010), Miguel (2011), Rocha (2011) e Cabral, Aguiar Júnior e Araújo (2010).

A análise da pesquisa de Lisboa (2010) aponta que as mudanças no trabalho/prática docente foram mínimas e apenas durante a duração do Programa. O autor detecta falta de contextualização da formação e a desconsideração do professor no momento de elaboração das propostas de formação. Ainda, indica o fortalecimento da formação como processo e o estabelecimento do assessor como meio de proceder as reflexões baseadas em princípios práticos e teóricos.

Miguel (2011) aponta, também, que as reflexões, acerca das orientações fornecidas pelo material aos professores para elaboração do relato de prática, são insatisfatórias para a escrita detalhada do processo experienciado na prática pedagógica, porque se limita a solicitar “aspectos facilitadores e dificultadores do processo”, pressupondo conhecimento anterior do gênero.

Semelhante a Miguel (2011), a autora Silva (2011), identifica aspectos que não dão conta da formação continuada em Língua Portuguesa, mesmo adotando as concepções de linguagem e de escrita veiculadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa – PCNLP. São insuficientes para o ensino-aprendizagem baseado nos gêneros.

No entanto, Schmoeller (2009, p.42) “[...] aponta para uma formação positiva e completa dos professores, em se tratando do ensino de gêneros discursivos nos últimos ciclos do ensino fundamental”.

As argumentações de Schmoeller (2009) corroboram com as de Rocha (2011), ao compreender como positivo o GESTAR II, enquanto política de formação continuada de professor, ao favorecer melhor desempenho docente em sala de aula. A relevância desta pesquisa vem da possibilidade de ampliação dos estudos sobre os temas relacionados com a formação de professores e da contribuição para o desenvolvimento de estratégias eficazes para política de formação de professores no Sistema de Educação Municipal.

Quanto à disciplina de Matemática, não há divergência de opinião entre os autores, pois o

Gestar Matemática tem na sua essência um material muito rico, que abrange varias (sic) linhas como: resolução de problemas, tecnologias, jogos, e muitas outras que são exploradas na prática como as chamadas transposições didáticas que é o “coração” do curso. Estas transposições são de mais importantes visto que é através dela que o professor cursista realiza as atividades propostas no curso sendo o momento de ver na prática os resultados alcançados (CABRAL, AGUIAR JÚNIOR; ARAÚJO, 2010, p. 2).

Dado as diferenças entre as análises, entendemos que isso ocorre devido ao fato de que cada docente ao passar por um programa de formação continuada, tem o seu processo de constituição enquanto profissional modificado.

Assim sendo, entendemos que o Gestar II, a partir dos trabalhos mencionados, contemplam uma formação continuada necessária ao momento atual, devido a flexibilização, inclusão dos professores no mundo digital, oportunidade de desenvolvimento dos conteúdos por meio do espaço virtual, experiência na utilização da plataforma moodle possibilitando o armazenamento de informações, compartilhamento de reflexões para construção do conhecimento através dessa modalidade de ensino e troca de experiências com os pares.