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3   Kvinnene  i  Tomas’  liv

3.1   Agnete

3.1.3   Svekkelse  av  forfatteridentiteten

A escolha de materiais didáticos, de acordo com Ramos (2010, p.57), “destaca-se entre as muitas ações instrucionais que governam a vida profissional do professor de Inglês”. A autora, com quem concordo, afirma que o livro didático é o material didático por excelência e que a escolha do livro didático “além de demandar tempo, esforço e trabalho por parte do professor, requer, entre outros, conhecimentos vários e, portanto, deve ser um dos conteúdos que precisa ser considerado nos cursos de formação de professores, seja este pré-serviço ou em serviço [...]”. (RAMOS, 2010, p.57).

A seleção de livros didáticos também é entendida por Silva, Parreiras e Fernandes (2015, p.356) como uma das funções inerentes ao trabalho do professor, pois o livro didático “é, e parece que ainda será, o principal material a que docentes e discentes recorrem dentro ou fora da sala de aula no cotidiano escolar.”

Na pesquisa realizada, todas as professoras afirmam que participaram do processo de escolha dos livros didáticos do PNLD. Dentro da categoria Segmentos de Orientação Temática, SOT, Processo de escolha do livro didático, que objetivou responder à segunda subpergunta de pesquisa, foi possível apreender as seguintes representações99, explicitadas nos quadros e parágrafos seguintes:

QUADRO 26- Representações sobre o Processo de Escolha das Coleções do PNLD - Categoria SOT

Representações Participantes Enunciados

O processo de escolha foi adequado porque os professores da rede estadual escolheram o mesmo livro.

Cristina [...] nós fizemos foi uma reunião entre os professores das escolas de (nome da cidade). [...]

foi o Estado que determinou que a escolha de

livros do Ensino Médio seria feita aqui. Então, vieram esses professores, então foi muito bom porque escolhemos o mesmo livro. Então, até mesmo o aluno que transfere de uma escola para outra, ele ... é o mesmo livro e aí, foi muito bom A escolha do livro deve ser de

acordo com a realidade da escola.

Natália Tem quem coloque: ‘Por que é que, nas escolas públicas, nós não adotamos os mesmos livros? Ficaria fácil até para um aluno que sai de uma escola para a outra, essa coisa... Eu também já

pensei assim. Hoje, eu penso mais na realidade

da escola. A escolha da coleção foi

resultado de um trabalho coletivo.

Natália E como nós temos uma parceria boa aqui na área de inglês, nós já vamos olhando, conversando, trocando informações a respeito dos livros. Sílvia Nós fizemos uma análise individual, cada

professora, selecionando aqueles pontos que importantes em cada obra e depois fizemos uma

reunião pra decidirmos por qual obra adotar.

Fonte: Textos das entrevistas com as participantes

A participante Cristina, da Instituição EE2, esclarece que a Secretaria de Educação do Estado determinou que fosse feita uma reunião entre os professores de Língua Inglesa do Ensino Médio da rede estadual para a escolha do livro do PNLD 2012. A professora aprova esse papel articulador da Secretaria. Percebe-se sua aprovação desse modelo de gestão pelo uso de

99 Os enunciados em negrito e itálico marcam a representação encontrada no discurso das professoras. As transcrições foram feitas sem correções gramaticais.

modalização apreciativa, ao afirmar que “foi muito bom”. A modalização apreciativa procede do mundo subjetivo, a partir do qual o agente avalia o conteúdo temático como benéfico, infeliz, estranho, etc. Segundo essa professora, a escolha de uma mesma coleção para todas as escolas da rede estadual facilita a disponibilidade de livros para os alunos, em caso de uma possível transferência.

Por sua vez, Natália reavalia esse processo de escolha na rede estadual, afirmando que concordava com esse processo, mas que mudou de posição, entendendo que sua preocupação maior deve ser com o perfil dos alunos que ela recebe na instituição em que trabalha. Essa nova postura está representada nas modalizações lógicas “Eu também já pensei assim” e “Hoje, eu penso”. A modalização lógica funda-se no mundo objetivo, em que o agente expressa o grau de certeza, necessidade, verdade sobre o conteúdo proposicional.

A participante Natália destaca o trabalho coletivo com os outros professores de Inglês no âmbito da instituição em que trabalha, o que possibilita que possam conversar sobre os materiais ao longo do processo de escolha. Essa representação pode ser percebida pelo uso da modalização lógica no enunciado “Nós temos uma parceria boa aqui na área de Inglês”.

Também Sílvia utiliza-se de modalizações lógicas para expressar a veracidade do processo coletivo de escolha do livro didático do PNLD 2012: “Nós fizemos”, “depois fizemos uma reunião pra decidirmos”.

Nessa mesma categoria, Processo de escolha do livro didático, foi possível observar outras representações na análise dos dados. Essas representações se inserem nos Segmentos de Tratamento Temático, STT, gerados no decorrer da entrevista.

QUADRO 27: Representações do Processo de Escolha das Coleções do PNLD Categoria STT

Representações Participante Enunciados

Desconhecimento dos critérios que o MEC utiliza na pré-seleção das coleções.

Autonomia do professor é reduzida porque as coleções são pré-selecionadas pelo MEC.

Natália

Eu não sei qual é o critério de determinação

ou escolha dos livros porque, de certa forma,

eles também já vêm escolhidos pra gente. Eu

não sei qual é o critério, qual é a estratégia que utilizam pra selecionar esses livros.

A troca de coleções no PNLD dificulta continuidade do trabalho pedagógico.

Natália [...] é como se você tivesse que começar o trabalho tudo porque isso acontece nas trocas.

Você nunca consegue trabalhar do 1º ao 3º,

uma turma que dá sequência, né? [...] Upgrade não estava na escolha.

Limitação do acesso a coleções não adotadas pode restringir enriquecimento das aulas.

Natália Mas é uma coisa que acontece que não me

agrada muito é que, na maioria das vezes, os

livros vão ficando na escola e eu sempre digo que material didático é na mão do professor. Então, quando a coleção vem no nome do professor, ela é encaminhada para o professor, mas se não estiver o nome do professor, ela fica na escola. Então, eu sempre fui contra isso. Eu

acho que livro didático é na mão do professor.

Então, se você precisa, por exemplo, enriquecer suas aulas, o material está na biblioteca, disponível, mas você não pode levá-lo pra

casa, entendeu?

Cristina Quando vêm duas coleções, a gente pega uma, leva pra casa, que lá a gente tem tempo de ver melhor. E a outra, a gente deixa aqui. Se a gente for trabalhar com o livro, depois a gente pega. Ou então, depois que fizer a escolha, a

gente pode levar todos, pode ficar com o

professor [...] Disponibilização do acesso a

todas as coleções possibilitou análise de cada coleção.

Sílvia [...] selecionando aqueles pontos importantes em cada obra

Tivemos acesso a todas as coleções que nos foram entregues pelo Departamento de Formação Geral.

Fonte: Textos das entrevistas com as participantes

Para Natália, da Instituição EE1, a sua autonomia de escolha do livro é reduzida porque os livros já são previamente selecionados pelo MEC e ela desconhece os critérios dessa pré- seleção. Isso implica que ela desconhece o Guia de Livros Didáticos do PNLD 2012, que apresenta os critérios de seleção das obras e coleções. Essa interpretação pode ser depreendida pelo uso de modalização lógica “Eu não sei qual é o critério de determinação ou escolha dos livros [...]”. A modalização lógica procede de critérios do mundo objetivo e avalia o conteúdo sob sua condição de verdade. Depreende-se, também, do dizer de Natália que seu trabalho pedagógico está totalmente organizado em torno do livro didático, pois, segundo ela, a cada coleção nova, ela precisava refazer todo o seu trabalho e a coleção (Upgrade), que ela estava utilizando na vigência do PNLD 2012, não fazia parte do PNLD 2015, que ela já tinha escolhido também. Pelo uso da forma pronominal “você”, a professora divide a responsabilidade enunciativa do desenvolvimento do seu trabalho em sala de aula com outros membros de um grupo específico (nesse caso, outros professores da escola pública que também utilizam os livros do PNLD), utilizando, ainda, o recurso interativo (“né?) por duas vezes, buscando a concordância da pesquisadora para sua afirmação.

Paiva (2014) registra esse problema, apresentado por Natália, que os professores enfrentam de não haver uma adoção gradativa das coleções. A pesquisadora ressalta que essa questão foi vivenciada também pelos professores do Ensino Fundamental II, quando escolheram as obras do PNLD 2011 e 2014:

A cada três anos, há nova seleção de livros e não há garantia de continuidade das coleções já adotadas, como aconteceu com os livros selecionados para uso em 2011. Os dois livros não entraram na lista dos selecionados no PNLD 2014 e, como consequência, os alunos da sétima série em diante, que já haviam iniciado os estudos em uma coleção, terão que usar outra, perdendo, portanto, a continuidade com o trabalho iniciado nos anos anteriores. (PAIVA, 2014, p.347).

Para Natália, o acesso a todas as coleções é restrito, porque o material não vem direto no nome do professor; a coleção fica na biblioteca da instituição e o docente não pode pegá-la emprestada para utilizá-la fora do âmbito escolar. A utilização de modalizações apreciativas nos enunciados “Não me agrada muito”, “Então, eu sempre fui contra isso”, de modalização lógica “Eu acho que o livro didático é na mão do professor”, e modalizações deônticas “Então, se você precisa, [...] você não pode”, revelam o julgamento do mundo social. A modalização deôntica avalia o conteúdo como sendo do domínio do direito, da obrigação e das regras sociais. Essa limitação quanto ao empréstimo do livro restringe a possibilidade de acesso a esses outros materiais que poderiam enriquecer suas aulas.

O acesso de Cristina a outras coleções é possível se houver disponibilidade de volumes na biblioteca, já que é material para uso do professor. Esse acesso é depreendido pelos dizeres da participante, ao afirmar, pelo uso da modalização pragmática “a gente pode levar todos, pode ficar com o professor”. A modalização pragmática revela aspectos da responsabilidade do agente; nesse caso, da instituição escolar que possibilitou o acesso da professora a todas as coleções.

A participante Sílvia igualmente afirma, em seus dizeres, que teve acesso a todas as coleções do PNLD, como se pode depreender pelo uso da modalização lógica “Tivemos acesso a todas as coleções [...]”, o que possibilitou que ela selecionasse “os pontos importantes em cada obra”.