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Buscamos com as entrevistas preservar a identidade da pessoa, mas não, a de suas ideias e ideais. Para tanto, elas serão discutidas e analisadas em função do subgrupo ao qual pertencem e, no Capítulo seguinte, apresentamos as inferências possíveis.

A entrevista foi feita com cada uma das professoras que se voluntariaram para a segunda etapa da pesquisa, que seria realizado em datas por elas agendadas e ocorreram em dias diferentes. Foi opção das professoras que o registro da entrevista fosse feito apenas com microfone de lapela. Durante a entrevista, quando se fez necessário, as professoras assistiram aos vídeos feitos durante suas aulas, para subsidiar as discussões. Elas foram identificadas como P1, P2 e P3, simplesmente por causa da ordem em que ocorreram as filmagens, agendaram e concederam as entrevistas, sendo essa ordem de conhecimento exclusivo do pesquisador.

O formulário elaborado para orientar a entrevista foi feito de maneira a abordar três subgrupos distintos que permeiam o exercício do magistério: a formação, a escola e a aula. Por esse motivo, fazemos uma análise da estrutura utilizada e dos objetivos que deveriam ser alcançados por subgrupo da entrevista (formação, escola e aula). Porém, por ser uma entrevista e não um questionário, em diversos momentos, assuntos e temas se misturam e se repetem, pois, a construção não ocorre de maneira linear e contínua, mas

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sim, em consequência das lembranças assumidas como fatos relevantes da construção do vivido.

Quando selecionados trechos da transcrição das entrevistas concedidas pelas professoras e que constam do anexo, esses são identificados atendendo ao número da linha ao qual correspondem. As entrevistas apresentam uma numeração sequencial individual, isto é, todas iniciam a partir da linha 1.

5.4.1 A Formação

Essa etapa da entrevista teve como objetivo identificar a entrevistada e perceber sua relação com a disciplina de Matemática, a partir do modelo de atribuição de turmas e aulas pela escola.

Com o intuito de subsidiar o entendimento da relevância desse assunto, é importante lembrar que, na rede de ensino e no magistério público, existe uma diversidade de estruturas de contratação para a prestação de serviços na área de educação. Os modelos de contratação pelo sistema de ensino público são subdivididos em:

a) Professora concursada e efetiva – que possui estabilidade de emprego; b) Professora contratada com estabilidade e sem estabilidade – por causa do

tempo de magistério; e

c) Professora contratada temporária – essa recebe somente pelas aulas dadas e durante o período de aula, dentre outras formas.

A atribuição de aulas utilizada há muitos anos112 na rede pública segue um padrão fundamentado em uma pontuação adquirida a partir do enquadramento da contratação, do tempo de serviço no magistério, de aprovação em concursos, da formação específica e continuada, dentre outros. A partir da soma desses pontos, é feita uma listagem única ou ranqueamento de toda a rede, subdividido por diretoria ou delegacia de ensino onde a professora está inscrita.

A partir do ranqueamento, classificação que a professora tem nessa listagem, ela tem aulas atribuídas na escola onde está lotada, na diretoria ou delegacia de ensino, antes ou depois do início do ano letivo. A estrutura utilizada para a atribuição de aulas tem sofrido muitas críticas ao longo dos anos, mas é o único aceito pela maioria dos

112 Em 1996, quando lecionei no ensino básico em São Paulo, o sistema de atribuição de aulas já possuía

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professores. Contudo esse fato pode ser visto como um dos aspectos responsáveis pelo desgaste que vive a relação entre o trabalho exercido e o ensino oferecido.

Cabe destacar que parte da responsabilidade pelos graus diferenciados de engajamento, pertencimento e representação pode estar associada a essa estrutura de atribuição. Como nem sempre a professora tem suas aulas atribuídas de maneira a determinar a melhor relação entre a turma atribuída, horário de aula e distância entre a escola e a moradia, é possível que a equalização desses fatores possa contribuir para o bom relacionamento entre professora, escola e atividade desenvolvida, reduzindo as perdas existentes devido aos diferentes graus de engajamento, pertencimento e representação.

5.4.2 A Escola

Nessa parte da entrevista, se procura observar, a partir do discurso da professora, seu entendimento acerca da organização pedagógica da escola. Busca-se identificar como o discurso dialoga com o questionário e com o trabalho que efetivamente acontece na escola, pois é nesse espaço que acontece e onde se estabelecem os processos de representação e se constrói o grau de pertencimento entre professora, escola e atividade profissional.

Assim, procuramos identificar como a professora se relaciona com as normas da escola e do sistema de ensino e como essa relação aparece nas ações e no discurso educacional e institucional que ela faz. Nosso interesse está na possibilidade de identificar, a partir do discurso da professora, o quanto está presente em suas ações, já que ter um discurso não quer dizer necessariamente que compactuamos com ele ou vice- versa.

5.4.3 A Aula

Na parte final da entrevista, buscamos identificar como diferentes fatores atuam sobre a aula. Nosso interesse está focado na observação de alguns fatores que consideramos relevantes, tais como: afinidade com a disciplina e com os conteúdos da disciplina de Matemática; distribuição da grade de ensino organização pedagógica da escola; e formação, além de considerarmos importante verificar como esses fatores se articulam na construção dos saberes e da prática da professora nos processos de representação e de construção de uma identidade profissional.

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Além desses comportamentos verificados, procuramos evidenciar como a representação do conhecimento matemático atua sobre a construção da aula e da prática de ensino.

Tendo em vista a importância da articulação que se faz necessária para a elucidação dos problemas existentes no ensino de Matemática no 1º ciclo do ensino Fundamental, neste Capítulo, fizemos uma abordagem descritiva dos fatos relativos à formação das professoras, apresentada nos questionários respondidos e na descrição das aulas que foram filmadas. Igualmente, foi buscada a definição dos critérios necessários para a análise das entrevistas realizadas. Dessa maneira, no próximo Capítulo, analisaremos e discutiremos tudo o que for necessário para se estabelecer a correlação dos dados coletados até o momento.

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Capítulo VI – Considerações das professoras a respeito de sua