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Data collection methods

Chapter 3: Methodology and Procedures of Research

3.4. Data collection methods

Isabella Correia de Oliveira Andrade Lima1, Adriana de Oliveira Fernandes¹, Denise Sandrelly Cavalcanti de Lima1, Lanni Sarmento da Rocha1, Renata Pereira da Silva1. 1

Setor de Nutrição - Hospital das Clínicas - Universidade Federal de Pernambuco (HC- UFPE) - Recife, PE – Brasil.

Email: [email protected]

Endereço: Avenida João de Barros. N. 1205. Apt 301. Espinheiro. CEP: 52021-180. Recife, PE - Brasil.

Resumo:

A doença hepática crônica (DHC) influencia direta e indiretamente o estado nutricional do paciente, sendo a desnutrição bastante prevalente nesta população. O Índice de Risco Nutricional (IRN) é um dos indicadores validados para avaliar estado nutricional, possível de ser aplicado no paciente hepatopata hospitalizado. Objetivo: Avaliar o estado nutricional através do Índice de Massa Corporal (IMC) e IRN de pacientes com DHC internados nas enfermarias de Clínica Médica do Hospital das Clínicas – UFPE. Métodos: Estudo retrospectivo, realizado com 107 pacientes internados nas enfermarias de Clínica Médica de um hospital universitário. Dados de sexo, idade, peso habitual ou usual (PU), peso atual (PA) e albumina sérica foram coletados a partir de fichas de avaliação nutricional utilizadas na rotina do serviço. Resultados: Os pacientes apresentaram idade média de 57,41±16,9 anos, sendo 55 do sexo feminino (51,4%). A prevalência de desnutrição pelo IRN foi significativamente maior que pelo IMC (72,0% vs 33,6%). Conclusão: Recomenda-se a utilização de várias medidas antropométricas e acompanhamento do estado nutricional nesses pacientes, visto que o diagnóstico nutricional acurado representa grande desafio devido à retenção hídrica e efeitos da função hepática comprometida sobre a síntese de proteínas plasmáticas.

Palavras-chave: desnutrição, doença hepática, estado nutricional, índice de risco nutricional.

Introdução:

A doença hepática crônica (DHC) influencia direta e indiretamente o estado nutricional do paciente, sendo a desnutrição bastante prevalente nesta população. As causas da desnutrição são multifatoriais, relacionadas à alteração na ingestão, na absorção e no metabolismo dos macro e micronutrientes1. A desnutrição está presente em 20% dos pacientes com doença hepática compensada e em mais de 80% nos portadores de cirrose descompensada2.

McCullough (2000)3 refere que a desnutrição calórico-proteica (DCP) levaria a deterioração mais rápida da função hepática, pela formação de um ciclo vicioso, onde a desnutrição agrava a doença e esta o estado nutricional.

Após análise comparativa dos métodos empregados na prática clínica, como dobra cutânea tricipital (DCT), circunferência muscular do braço (CMB) e avaliação global subjetiva (AGS) para diagnóstico nutricional de pacientes com cirrose por vírus C, foram validados dois indicadores compostos, possíveis de serem aplicados no paciente hospitalizado. Entre eles o Índice de Risco Nutricional (IRN), considerado com média sensibilidade e especificidade, detectando 60,5% de desnutrição nos pacientes avaliados2.

Considerando a alta prevalência de desnutrição em pacientes com DHC, é necessário iniciar a terapia nutricional precocemente, a fim de possibilitar melhora do estado nutricional. A desnutrição está relacionada à pior evolução clínica e a maior incidência de complicações como ascite, encefalopatia hepática e infecções.

Este estudo teve como objetivo avaliar o estado nutricional através do IMC e IRN de pacientes com DHC internados nas enfermarias de Clínica Médica do Hospital das Clínicas – UFPE.

Metodologia:

Participaram do estudo pacientes com diagnóstico de DHC internados nas enfermarias de Clínica Médica do Hospital das Clínicas – UFPE. Dados de sexo, idade, peso habitual ou usual (PU), peso atual (PA) e albumina plasmática foram coletados a partir de fichas de avaliação nutricional utilizadas na rotina do serviço.

O Índice de Massa Corpórea (IMC), definido como o peso (em quilos) dividido pela altura (em metros) ao quadrado, foi utilizado para a avaliação do estado nutricional, segundo a classificação da OMS para adultos (1995)4 e segundo LIPSCHITZ (1994) para idosos5.

Para calcular o IRN foi utilizada a seguinte equação e os pontos de corte para o diagnóstico de desnutrição6:

IRN = [(15,9 x albumina plasmática [g/dL]) + (0,417 x % PU)] Sendo %PU = PA X 100/ PU

IRN > 100 – EUTROFIA

IRN = 97,5 a 100 – LEVEMENTE DESNUTRIDO

IRN = 83,5 a 97,4 – MODERADAMENTE DESNUTRIDO IRN < 83,5 – GRAVEMENTE DESNUTRIDO

O peso usual foi definido como o peso mais estável do paciente em seis ou mais meses anterior à avaliação.

Os dados obtidos foram tabulados no banco de dados Excel e avaliados através do software SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) versão 13. Todas as variáveis contínuas foram testadas quanto à normalidade pelo teste de Kolmogorov Smirnof. Para a descrição das proporções, a distribuição binomial foi aproximada a distribuição normal pelo intervalo de confiança de 95%.

A pesquisa foi conduzida após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco, registro do SISNEP FR 229142, em obediência à Resolução do Conselho Nacional de Saúde n°196/96 sobre “Pesquisa envolvendo Seres Humanos”.

Resultados e Discussão:

A amostra foi composta por 107 pacientes internados nas enfermarias de Clínica Médica do Hospital das Clínicas-UFPE, no período de 2007 a 2012. A média de idade foi de 57,41±16,9 anos. Quanto ao sexo, 55 pacientes eram do sexo feminino (51,4%) e 52 do sexo masculino (48,6%).

Foram encontrados valores séricos de albumina plasmática <3,5 g/dL em 74,8% (IC95%=65,45-82,67) e ≥ 3,5 g/dL em 25,2% dos pacientes avaliados (IC95%=17,33- 34,55).

Segundo o IMC, 47,7% dos hepatopatas avaliados apresentaram eutrofia (IC95%=37,92-57,54), 33,6% desnutrição (IC95%=24,8-43,42) e 18,7% excesso de peso (IC95%=11,81-27,38).

O IRN classificou 72% dos pacientes como desnutridos (IC95%=62,45-80,22), sendo 25,2% desnutridos graves, 42,1% desnutridos moderados e 4,7% desnutridos leve, e 28% eutróficos (IC95%=19,78-37,55).

Conclusão:

Recomenda-se a utilização de várias medidas de avaliação no acompanhamento do estado nutricional nesses pacientes, visto que o diagnóstico nutricional acurado ainda representa grande desafio, devido à retenção hídrica frequentemente encontrada e dos efeitos da função hepática comprometida sobre a síntese de proteínas plasmáticas.

O resultado deste estudo foi semelhante ao esperado, pois na fórmula do IRN consta a albumina sérica, uma proteína sintetizada exclusivamente no fígado.

Mais estudos são necessários para avaliar o IRN como um bom parâmetro para avaliação do estado nutricional de hepatopatas.

Referências:

1. Vulcano DSB. Avaliação dos indicadores nutricionais em hepatopatas crônicos e a relação com a etiologia e gravidade da doença [Dissertação – Mestrado]. Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista; 2010.

2. Jesus RP, Nunes ALB, Magalhães LP, Buzzini R. Terapia Nutricional nas Doenças Hepáticas Crônicas e Insuficiência Hepática. In: Fabio BJ, Wanderley MB. Projeto Diretrizes: Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina. IX volume. São Paulo: AMB CFM; 2011, p.207-225.

3. McCullough AJ. Malnutrition in liver disease. Liver Transpl. 2000;6(suppl 1): 85-96. 4. WHO. World Health Organization. Physical status: the use and interpretacion of anthropometry. Genebra, 1995.

5. Nutrition screening iniciative. The American Dietetic Association. Incorporating nutrition screening and interventions into medical practice: a monograph for physicians. Washington: Nutrition screening iniciative, 1994.

6. Rosa G. Avaliação Nutricional do paciente hospitalizado: Uma abordagem Teórico- Prática. 1 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. p.141.