Chapter 4: Analysis and presentation of data
4.2. Presentation of essay data
4.2.1. Arena “Cooperative learning tasks”
Vanessa Azevedo Jesuz, Zoraide Nascimento, Eduardo de Salvo Castro, Vânia Mattoso e Vilma Blondet de Azeredo
Faculdade de Nutrição Emílio de Jesus Ferreira da Universidade Federal Fluminense Rua Mário Santos Braga, n°30 / 5ºandar, Valonguinho, Niterói, RJ
e-mail: [email protected] Resumo
Dietas “milagrosas”, com efeito rápido, têm sido usadas por uma parcela da população. Dentre elas está a Dieta de Atkins ou dieta da “proteína”, caracterizada como hiperprotéica, hiperlípidica e hipoglicídica. O presente estudo teve como objetivo analisar possíveis alterações na absorção de minerais em ratas alimentadas com a dieta da “proteína”. O estudo teve duração de 60 dias e foram utilizados 28 Rattus novergicus, adultos, fêmeas, Wistar, albino, divididos em quatro grupos: GC1-dieta controle ad libitum; GC2-ração controle com restrição; GE1-dieta da proteína ad libitum; GE2- dieta de proteína com restrição. O peso corporal foi determinado semanalmente. Foram retiradas amostras de fezes aos 30 e 60 dias de experimento. Foram analisadas as concentrações de cálcio, fósforo e magnésio nas fezes e rações utilizadas no experimento. Após as análises, observou-se que o GE2 apresentou maior eliminação fecal de cálcio, fósforo e magnésio quando comparado aos demais grupos aos 30 dias (18,07 ± 4,4; 8,63 ± 1,5; 8,61 mg/dl ± 1,8, respectivamente) e 60 dias de experimento (15,8 ± 1,1; 6,6 ± 0,5; 9,59 ± 3,0, respectivamente). Da mesma forma, GE2 apresentou menor excreção destes minerais, em relação aos demais grupos do estudo. A partir dos resultados encontrados acredita-se que, associada à restrição energética, a dieta da “proteína” diminui significativamente a biodisponibilidade dos minerais cálcio, fósforo e magnésio da dieta consumida.
Palavras-chave: dieta da moda, dieta hiperprotéica, minerais, biodisponibilidade Introdução
A procura por dietas milagrosas tem sido um caminho buscado por uma parcela da população e dentre as dietas mais conhecidas atualmente está a Dieta de Atkins, que é caracterizada por sua alta concentração de proteína e de lipídios e baixíssima concentração de carboidratos, caracterizando uma dieta hiperprotéica, hiperlípidica e hipoglicídica (ATKINS, 2002).
Um dos principais pontos de crítica deste tipo de dieta é a relativa ausência de muitos micronutrientes e de fibras na dieta (CARAPETIS M & PHILIPIS PJ, 2006), de modo que alguns médicos têm recomendado que pacientes que fazem uso desta dieta usem suplementos dietéticos para evitar deficiências nutricionais (RILEY MD & COVENEY J, 2004).
Acredita-se que o consumo de uma dieta hiperprotéica possa estar relacionada a alteração na biodisponibilidade de determinados minerais, como o cálcio, principalmente (CARAPETIS M & PHILIPIS PJ, 2006).
Ainda são insuficientes os estudos existentes sobre a dieta da “proteína”, desta maneira faz-se necessário, então, investigar os efeitos da dieta hiperprotéica, hiperlipídica e hipoglicídica sobre a biodisponibilidade de minerais importantes no metabolismo, visto que existe grande divulgação desta como um método rápido para emagrecimento, fazendo com que muitos indivíduos acabem aderindo a este padrão alimentar, sem conhecerem seus efeitos negativos sobre a saúde.
Desta forma, o presente estudo teve como objetivo analisar o efeito do consumo da dieta da “proteína” sobre a absorção de minerais da dieta.
Metodologia Animais
Foram utilizados, 28 fêmeas de Rattus novergicus, Wistar, albino adultos, com 60 dias de vida, provenientes do Laboratório de Nutrição Experimental (LabNE) do Departamento de Nutrição e Dietética da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal Fluminense. Os animais foram mantidos em gaiolas individuais, em ambiente com temperatura controlada, ao redor de 22ºC e ciclo claro/escuro de 12 em 12 horas.
O presente projeto foi submetido ao Comitê de ética responsável por pesquisas em animais de laboratório da UFF, tendo sido aprovado com protocolo número 0027/08. Grupos Experimentais
Os animais foram divididos em quatro grupos (n=7/grupo): Grupo Controle 1 (C1): recebeu ração à base de caseína, ad libitum, balanceada às necessidades nutricionais segundo a AIN 93M; Grupo Controle 2 (C2): recebeu ração idêntica ao do grupo controle 1, com redução da ingestão alimentar; Grupo Experimental 1 (E1): recebeu ração hiperprotéica e hiperlipídica, ad libitum; Grupo Experimental 2 (E2): recebeu ração idêntica ao grupo experimental 1, com redução da ingestão alimentar;
A restrição alimentar foi realizada em função da diminuição da oferta de ração aos animais, totalizando 30% a menos de consumo diário.
Coleta de Dados
Os animais foram pesados em balança eletrônica 1 vez por semana para obtenção da variação de peso corporal (em gramas). Neste mesmo dia, a quantidade de ração oferecida e a sobra eram pesadas para a obtenção do consumo alimentar dos grupos. Todavia, os grupos submetidos à restrição alimentar tiveram ração ofertada diariamente e a sobra pesada para obtenção do consumo alimentar.
Conteúdo Mineral das Rações e Fezes
Antes da análise, todo o material foi previamente lavado por imersão em ácido nítrico diluído (1:4), posteriormente, cuidadosamente enxaguado com água deionizada e, por fim, colocado em estufa à 105ºC para a secagem. Os cadinhos foram resfriados no dessecador e depois colocados por 3h na mufla para posterior resfriamento e pesagem em balança analítica.
Para a determinação das cinzas, foi determinada inicialmente a umidade, por meio da técnica gravimétrica com emprego de calor (105ºC). Em seguida, foram pesadas aproximadamente 5g de amostra em cada cadinho em separado, aquecidas em mufla à 550ºC por 3 horas (até a queima total de matéria orgânica) e resfriadas em dessecador até a temperatura ambiente, para posterior pesagem em balança analítica. Novas pesagens foram realizadas até as amostras adquirirem peso constante (Cecchi,1999). Com os resultados de umidade e cinzas foi possível obter o resíduo mineral contido em cada amostra.
Após pesadas as cinzas, estas foram acidificadas com 3 ml ácido nítrico (65%) e, em seguida colocadas em placa à 80ºC por 30 minutos. Depois de resfriados, os cadinhos foram lavados com água deionizada (10 mL), sendo recuperados 5 ml de amostra com uma seringa contendo um filtro acoplado a ela. Essas amostras foram colocadas em tubos lavados em ácidos para que assim pudessem ser realizadas as análises de minerais.
As análises de minerais foram realizadas a partir dos kits comerciais específicos e a leitura realizada em espectofotômetro.
Os resultados foram expressos através da estatística descritiva como média±DP. Para comparação das médias entre grupos foi utilizado ANOVA two way e Duncan como pós-teste. Foi utilizado um nível de significância de 5% e o software GraphPad inStat. Resultados e Discussão
O peso corporal do GC1, aos 30 e 60 dias de experimento, (257,8 ± 14,33g e 272,4 ± 16,41g, respectivamente) apresentou-se semelhante ao do GE1 (257,3 ± 34,96g e 277,4 ± 42,49g); o mesmo podendo ser observado entre os grupos GC2 (204,7 ± 4,75g e 177,6 ± 4,67g) e GE2 (206 ± 9,27g e 187 ± 28,09g). Todavia, o peso corporal médio dos grupos GC1 e GE1 apresentou-se significativamente maior (p<0,05) do que o peso corporal dos grupos GC2 e GE2. Isto mostra que, ao longo do experimento, a restrição alimentar imposta aos grupos C2 e E2 ocasionou perda de peso semelhante entre estes grupos, não havendo influência da dieta e sim da restrição alimentar imposta. Não houve diferença significativa em relação ao consumo de ração entre os grupos C1 e E1 e os grupos C2 e E2 (Tabela 1).
Em relação à eliminação das fezes (g/dia), observou-se que o GE1 (4,31 ± 1,2 e 2,18 ± 0,3) e GE2 (3,11 ± 0,8 e 1,6 ± 0,6) apresentaram maior excreção de fezes em relação aos grupos que receberam a ração controle GC1 (1,94 ± 0,5 e 1,16 ± 0,3) e GC2 (1,36 ± 0,4 e 1,23 ± 0,1), aos 30 e 60 dias do experimento, respectivamente.
No que diz respeito à quantidade de minerais excretados pelas fezes, pode-se observar que a eliminação de cálcio foi maior nos grupos E1 e E2 do que nos grupos C1 e C2, tanto aos 30 quanto aos 60 dias (Tabela 2). Sendo que, ao final do experimento, o GE2 apresentou maior (p<0,05) eliminação de cálcio, quando comparado aos outros grupos (Tabela 2).
Aos 30 dias de experimento, foi observada excreção de fósforo semelhante entre os grupos GC1 e GE1. No entanto, o grupo que apresentou menor eliminação deste mineral foi o GC2, enquanto o GE2 apresentou maior eliminação; o mesmo sendo observado aos 60 dias.
Em relação à quantidade de magnésio excretado através das fezes, foram encontrados resultados semelhantes entre GC1 e GC2, assim como entre GE1 e GE2, nas análises realizadas nos 30 dias de experimento. Em contrapartida, nas análises realizadas aos 60 dias de experimento, o GE2 excretou quantidade maior de magnésio, quando comparado aos demais grupos. Os resultados de GE1 e GE2 foram diferentes estatisticamente, no entanto, os resultados de GC1 e GC2 foram estatisticamente iguais (Tabela 2).
Pode ser observado que, em virtude da adaptação do organismo, a maioria dos valores de excreção de minerais pelas fezes foi menor após 60 dias de experimento.
Além destes resultados, observou-se que o GE2 foi aquele que apresentou a menor absorção de minerais, em comparação com os demais grupos do estudo. Aos 30 dias de experimento, os animais que receberam a Dieta de Atkins com restrição energética absorveu diariamente, em média, 11,76 mg/dl de cálcio, 1,6 mg/dl de fósforo e 3,0 mg/dl de magnésio e, aos 60 dias de experimento, 11,60 mg/dl de cálcio, 2,8 mg/dl de fóforo e 1,16 mg/dl de magnésio. Em contrapartida, o GC1 foi o grupo que apresentou a maior absorção destes minerais ao longo do estudo (35,94 e 31,70 mg/dl de cálcio, 20,12 e 18,99 mg/dl de fósforo e 25,55 e 20,09 mg/dl de magnésio, aos 30 e 60 dias de experimento, respectivamente).
Conclusões
A partir dos resultados encontrados pode-se perceber que a dieta da “proteína” não promove maior perda de peso corporal do que a dieta com restrição energética e
balanceada. Parece ser capaz de aumentar a saciedade e a excreção de fezes. Além disso, acredita-se que, associada à restrição energética, a dieta da “proteína” diminui significativamente a absorção dos minerais cálcio, fósforo e magnésio.
Tabela 1 – Consumo de ração e minerais aos 30 e 60 dias de experimento
30 dias 60 dias Ração C1 C2 E1 E2 C1 C2 E1 E2 Consumo de ração (g/dia) 17,5±1,7a 9,2±0,2b 16,2±2,2a 8,9±0,4b 14,6±2,2a 8,02±0,1b 13,4±0,7a 8,2±0,1b Consumo de ração (g/100gPC/d) 6,8 ± 0,6a 4,5±0,2b 6,4±1,1a 4,4±0,3b 5,4±0,6a 4,5±0,1b 4,7±0,6b 4,5±0,9b Minerais ingeridos (mg/dL) Cálcio 45,5±4,5a 23,9±0,4b 54,2±7,4c 29,8±1,2d 38,2±4,4a 20,9±0,2b 44,8±4,7c 27,4±0,4d Fósforo 25,2±2,5a 13,3±0,2b 18,5±2,5c 10,2±0,4b 21,2±2,4a 11,6±0,1b 15,3±1,6c 9,4 ± 0,1b Magnésio 27,9±2,8a 14,7±0,3b 21,1±2,9c 11,6±0,5d 23,4±2,7a 12,8±0,1b 17,4±1,8c 10,6±0,1b
Letras diferentes entre colunas denotam diferença estatística significativa (p<0,05 ) Tabela 2 – Quantidade de minerais eliminados diariamente através das fezes, aos 30 e 60 dias de experimento (mg/dL). 30 dias 60 dias Grupos C1 C2 E1 E2 C1 C2 E1 E2 Cálcio 10,01 ± 1,6a 5,57 ± 0,7a 16,45 ± 4,2b 18,07 ± 4,4b 6,46 ± 1,7a 6,48 ± 1,1a 11,55 ± 2,4b 15,8 ± 1,1c Fósforo 5,10 ± 1,6a 2,63 ± 0,4b 6,27 ± 1,4a 8,63 ± 1,5c 2,16 ± 1,0a 2,18 ± 0,9a 3,1 ± 1,4a 6,6 ± 0,5b Magnésio 4,62 ± 0,8a 3,33 ± 0,5a 8,54 ± 2,9b 8,61 ± 1,8b 3,35 ± 1,2a 3,74 ± 0,7a 7,16 ± 1,2b 9,59± 3,0c
Letras diferentes entre colunas denotam diferença estatística significativa (p<0,05 )
Referências
Atkins RC. Dr. Atkins New Diet Revolution. New York, NY: Morrow/Avon, 2002
Carapetis M, Philips PJ. High Protein diets and diabetes. Australian Family Physician. 35(6): 411-3, 2006
Riley MD, Coveney J. Atkins and the new diet revolution: is it really time for regimen change ? MJA. 181(10): 526-7, 2004
Cecchi HM. Fundamentos Teóricos e práticos em análise de alimentos. Campinas, SP: Unicamp, 1999
Organização Mundial de Saúde (OMS). Junta de Conselho de Especialistas FAO/WHO/UNU. Necessidades de Energia e Proteína. São Paulo: Editora Roca, 2008