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Epilogue: Cooperative learning in the perspective of further education

Chapter 5: Discussion, Conclusion and Recommendations

5.6. Epilogue: Cooperative learning in the perspective of further education

LIMA, Mário Flávio Cardoso1; SOUZA, Isabella Mesquita2; FERREIRA, Ariane de Oliveira2; SILVA, Mara Reis2.

1

Universidade Federal de Viçosa – UFV(Departamento de Nutrição e Saúde), Campus Viçosa.

2

Universidade Federal de Goiás (Faculdade de Nutrição). Rua 227 Qd. 68 s/nº - Setor Leste Universitário, 74 605 08, Goiânia, GO, Brasil. Correspondência para: Goiânia, Mara Reis Silva. E-mail: [email protected]

Resumo

A insatisfação com o próprio corpo ou com a imagem que se tem dele torna-se um dos principais motivos que levam as pessoas a participarem de programas de exercícios físicos nas academias. Diante disso, a identificação de condutas incoerentes deve fazer parte da rotina de investigação do profissional da saúde, uma vez que alguns hábitos são gerados pela distorção da imagem que o indivíduo tem de si mesmo. O distúrbio de imagem corporal caracteriza-se como um sintoma de possíveis transtornos alimentares, causada pela auto-avaliação errônea dos indivíduos. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar as variáveis subjetivas da percepção da imagem corporal de frequentadores de uma academia na cidade de Goiânia/GO. Foi um estudo transversal de base populacional. A avaliação da satisfação com a imagem corporal foi realizada com aplicação de uma escala de silhuetas com nove pontos, adaptada de Stunkard et al (1983). Dentre os diferentes sexos foi encontrado porcentagens semelhantes de indivíduos insatisfeitos (70% entre as mulheres e 71% entre os homens). Entretanto em números absolutos foi encontrado maior número de mulheres insatisfeitas (n=24) sendo estas 62% entre todos os indivíduos insatisfeitos. O grau de insatisfação médio foi de 1,00 (±0,88) para homens e 1,15 (±1,03) para mulheres. A frequência de insatisfação foi maior no público feminino, o que pode ter sido influenciado por uma preocupação mais acentuada deste grupo em alcançar um corpo mais magro.

Palavras chave: Imagem corporal; Insatisfação com a imagem; Escala de Silhuetas INTRODUÇÃO

A busca por uma melhor aparência física ocorre principalmente entre os praticantes de atividade física, sendo um fenômeno sociocultural, influenciado pela mídia, pela família e amigos. Estas influências condicionam os indivíduos a se exercitar, a cuidar de seus corpos, direcionando-os a desejos, hábitos, cuidados e descontentamentos com a aparência visual do corpo (1).

A insatisfação com o próprio corpo ou com a imagem que se tem dele torna-se um dos principais motivos que levam as pessoas a participarem de programas de exercícios físicos nas academias (2).

Além da atividade física, os frequentadores de academias demonstram interesse em alimentação saudável. No entanto, a noção do saudável nesses indivíduos pode ser distorcida. Fato identificado quando se verifica um aumento constante no consumo de suplementos e alimentos para praticantes de exercícios físicos, sem nenhuma orientação (3).

Diante desta realidade, a identificação de condutas incoerentes deve fazer parte da rotina de investigação do profissional da saúde, uma vez que alguns hábitos são gerados

pela distorção da imagem que o indivíduo tem de si mesmo. O distúrbio de imagem corporal caracteriza-se como um sintoma de possíveis transtornos alimentares, causada pela auto-avaliação errônea dos indivíduos (4).

Diante do aumento de problemas relacionados com a insatisfação da imagem corporal, a avaliação da imagem corporal, de frequentadores de academia, pode auxiliar na investigação da ocorrência de condutas incorretas e transtornos alimentares em praticantes de exercícios físicos. Assim, partindo destas premissas, o objetivo deste estudo foi avaliar as variáveis subjetivas da percepção da imagem corporal de frequentadores de uma academia na cidade de Goiânia/GO.

METODOLOGIA

Foi um estudo transversal de base populacional realizado em uma academia de grande porte da cidade de Goiânia. Os voluntários foram abordados e selecionados em livre demanda durante todos os horários de funcionamento da academia. Foi aplicado um questionário socioeconômico e também realizadas medidas antropométricas (massa corporal, altura e perímetro da cintura-PC) para caracterização da amostra.

A avaliação da satisfação com a imagem corporal foi realizada com aplicação de uma escala de silhuetas com nove pontos adaptada de Stunkard et al (1983)(5). Cada silhueta está relacionada com uma determinada classificação do índice de massa corporal (IMC) podendo ser classificada de baixo peso até obesidade. Os voluntários foram questionados sobre qual figura representava sua imagem atual e em seguida qual representava uma imagem ideal. O calculo do grau de insatisfação corporal foi realizada através da diferença entre o valor atribuído a imagem real menos a imagem atual podendo variar entre 0 a 8 pontos.

O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFG (protocolo nº 194/2010). Todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido para participação no projeto.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A amostra foi composta por 64 indivíduos adultos do sexo masculino (n=24) e feminino (n=40). A maioria dos indivíduos possuíam ensino superior completo e idade entre 29 e 39 anos. Em relação ao IMC foi encontrado maio número de indivíduos eutróficos (n=27) e com sobrepeso (n=29). Foi observada maior frequência de indivíduos com adequados valores de PC (n=37), ou seja, sem risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Dentre os diferentes sexos foi encontrado porcentagens semelhantes de indivíduos insatisfeitos (70% entre as mulheres e 71% entre os homens). Entretanto em números absolutos foi encontrado maior número de mulheres insatisfeitas (n=24) sendo estas 62% entre todos os indivíduos insatisfeitos.

O grau de insatisfação médio foi de 1,00 (±0,88) para homens e 1,15 (±1,03) para mulheres. Isso indica que apesar de ter sido encontrado um alto número de indivíduos insatisfeitas com a própria imagem (70,3%), elas não se consideravam tão distantes da imagem que desejavam ter. O grau de insatisfação negativo (indicando que o indivíduo escolheu uma silhueta ideal maior do que a real) foi encontrado apenas em três indivíduos, sendo dois do sexo masculino e um do sexo feminino. Assim é possível afirmar que a maioria das pessoas insatisfeitas (principalmente as mulheres) desejavam uma silhueta menor do que a que possuem.

Houve diferença entre a escolha de silhueta real e ideal para sexo masculino e feminino. Observou-se, que para os homens as silhuetas mais indicadas como reais foram “I” e “L”, enquanto que para as mulheres as silhuetas apontadas foram a “K” e “G”. Na escolha da silhueta ideal, as imagens “G” e “L” foram as mais enumeradas pela amostra, sendo as escolhas feitas pelo sexo feminino e masculino, respectivamente. Houve maior preferência por silhuetas com menos curvas e mais magras entre as mulheres e com aparência mais musculosa entre os homens. Quando comparado às silhuetas reais, percebe- se que tanto homens quanto mulheres optaram por imagens ideais próximas as apontadas como reais, mostrando que existe insatisfação quanto a aparência atual, porém esta imagem não é vista como muito distante dos padrões que consideram ideais.

As mulheres, de maneira geral, anseiam pela redução do tamanho da silhueta corporal, enquanto que a predominância nos homens é pelo desejo de ter um corpo mais forte e volumoso (6). Damasceno et al. (2005)(1) demonstraram essa mesma tendência em estudo realizado com amostra de 186 praticantes de caminhada de uma cidade do Estado de Minas Gerais. Fato não confirmado neste trabalho, uma vez que 96% dos homens almejaram uma silhueta ideal igual ou inferior a silhueta “L”, enquanto a silhueta mais apontada como real foi a “I”.

A avaliação da insatisfação com a imagem corporal por meio da silhueta corporal é um método simples, prático e fidedigno (7). Esta escala permite avaliar, por meio de imagens bidimensionais, a percepção que homens e mulheres possuem de seus corpos. Atualmente é utilizada para avaliar distorções na imagem corporal. No entanto os desenhos das silhuetas possuem limitações relacionadas às formas lineares e bidimensionais que possuem, o que implica em falhas na representação total do corpo, na distribuição da massa de gordura e em outros aspectos da composição corporal que são importantes na formação da imagem corporal (8).

CONCLUSÃO

Foi encontrado um grande número de pessoas insatisfeitas (70%). Mesmo considerando a diferença numérica entre os sexos, a frequência de insatisfação foi maior no público feminino (62%), o que pode ter sido influenciado por uma preocupação mais acentuada deste grupo em alcançar um corpo mais magro. Em contrapartida, percebeu-se pequena escolha por uma imagem ideal maior do que a atual, quando considerado o grau de insatisfação em ambos os sexos. Contudo, pela análise geral, observa-se que a maioria das pessoas insatisfeitas não considerava sua imagem ideal tão distante da imagem atual. Salienta-se ainda que este trabalho apresenta limitações inerentes aos estudos transversais, ou seja, estima as relações entre as variáveis em apenas um único momento, não permitindo identificar as relações de causa e efeito.

Assim, fazem-se necessárias outras avaliações comparativas, considerando uma amostra mais representativa e de comparação com variáveis do estado nutricional (consumo alimentar, índice de massa corporal, percentual de gordura, etc.) para que haja maior entendimento quanto as relações subjetivas da insatisfação com a imagem corporal.

Figura 1. Escala de silhuetas adaptada REFERÊNCIAS

1. Damasceno VO, Lima JRP, Vianna JM, Vianna VRA, Novaes JS. Tipo físico ideal e satisfação com a imagem corporal de praticantes de caminhada. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 2005; 11(3); 181-6.

2. Theodoro H, Ricalde SR, Amaro FS. Avaliação nutricional e autopercepção corporal de praticantes de musculação em academias de Caxias de Sul-RS. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 2009; 15(4);291-4.

3. Hirschbruch MD, Carvalho JR. Nutrição esportiva: uma visão prática. 2. ed. Barueri: Manole, 2008. 430 p.

4. Saikali CJ, Soubhia CS, Scalfaro BM, Cordás TA. Imagem corporal nos transtornos alimentares. Revista de Psiquiatria Clínica, 2004;31(4);164-66.

5. Stunkard AJ, Sorenson T, Schulsinger F. Use of danish adaption registry for the study of obesity and thinness. The Genetics of Neurological and Pshychiatric Disorders. 1983;60();115-20.

6. Cunha DW, Drozdek S, Feller ELB, Gonçalves FL, Simões EAQ, Raboni MR. Sentimento de inadequação na percepção do próprio corpo. Revista Psychê, 2002;7(2);1- 56.

7. Branco LM, Hilário MOE, Cintra IP. Percepção e satisfação corporal em adolescentes e a relação com seu estado nutricional. Revista de Psiquiatria Clínica. 2006;33(6);292-6. 8. Coqueiro RS, Petroski EL, Pelegrini A, Barbosa AR. Insatisfação com a imagem corporal: avaliação comparativa da associação com estado nutricional em universitários. Revista de Psiquiatria, 2008; 30(1);131-68.

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