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Summary and quantitative comparison

2.3 Comparison of OFDM/QAM and OFDM/OQAM

2.3.5 Summary and quantitative comparison

Atualmente as projeções são realizadas para a instalação e produção de energias renováveis num determinado horizonte do projeto, não contabilizam os impactos causados pelas alterações climáticas. No entanto, como se pode ver ao longo desta dissertação, os cenários indicam que os potenciais hídrico, eólico e solar poderão vir a sofrer alterações significativas. Tendo em conta as projeções estudadas no capítulo 3, é esperado que a temperatura aumente durante o século XXI, podendo esse aumento chegar a 4ºC no Verão de 2070, quando comparada com valores atuais. No mesmo período, a precipitação poderá sofrer uma redução superior a 35%. Estas alterações nos parâmetros climáticos conduzem à ocorrência do aumento de stress hídrico e de secas, que por sua vez diminuem a disponibilidade hídrica.

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Segundo os estudos analisados, poderá ocorrer uma redução no escoamento de 36%, havendo ainda estudos que vão mais longe e indicam que o caudal dos rios pode mesmo reduzir cerca de 80%. Esta redução na disponibilidade hídrica implica o declínio da produção de energia hidroelétrica.

O mesmo sucede com a disponibilidade eólica. A velocidade média do vento deverá diminuir, assim como as velocidades extremas de vento, podendo sofrer reduções superiores a 1 m/s. O facto da velocidade do vento e da densidade energética diminuírem, para além dos impactos causados pelas restantes variáveis climáticas, implica uma menor disponibilidade do recurso eólico.

Mesmo que a diminuição na disponibilidade e no potencial de produção elétrica seja mínima, esta pode pôr em causa a viabilidade económica do sistema, reduzindo os investimentos e os retornos financeiros dos projetos que estão a ser implementados e projetados. Desta forma coloca-se a questão: estará o sistema energético português a contabilizar estas alterações? Olhando para o caso do aproveitamento do recurso hídrico no país, a DGEG indica que o licenciamento no setor hídrico passou de 4 899 para 7 157 MW no período de 2004 a 2011, sendo as grandes centrais hidroelétricas responsáveis por 2 164 MW deste aumento. Atualmente o estado português possui o Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico (PNBEPH), que tem como objetivo a construção de dez novos aproveitamentos hidroelétricos, aumentando a capacidade instalada em 2 055 MW no período 2007-2020, atingindo mais de 7 000 MW de capacidade instalada no país. Para além das novas centrais, deverá ocorrer também um reforço da capacidade instalada em alguns aproveitamentos já existentes. Este plano advém do cumprimento do objetivo estabelecido pelo Governo em termos de produção de energia com origem em fontes renováveis para o ano 2020, redução da dependência energética nacional e redução das emissões de CO2 (INAG, DGEG, & REN, 2007).

As avaliações ao PNBEPH e as previsões de produção energética no horizonte dos projetos hídricos são realizadas sem que sejam ponderados e contabilizados os impactos causados na produção elétrica pelas alterações climáticas esperadas. O relatório ambiental do PNBEPH apenas refere como ameaça ao projeto, o crescente grau de exigência para a redução de emissões de GEE e como pontos fortes, as condições naturais favoráveis para a produção de energia elétrica por fontes de energia renováveis e a existência de largo potencial hidroelétrico para explorar. É assim necessária a definição de uma metodologia que permita determinar as afluências de escoamento futuras aos aproveitamentos hidroelétricos do PNBEPH e uma posterior avaliação dos impactes na produção de energia hidroelétrica.

Em relação à produção de eletricidade através de energia eólica em Portugal, os dados mais recentes da DGEG mostram que, no final de Novembro de 2012, encontravam-se licenciados 4 537 MW. A potência eólica instalada para a mesma data totalizou 4 420 MW, distribuída por 222 parques com 2 394 aerogeradores, ao longo de todo o território Continental.

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Portugal integrou recentemente o grupo de países que investem na energia eólica offshore através do projeto WindFloat, inaugurado em 2012. Este projeto tem um aerogerador de 2 MW que estará a ser testado por um período mínimo de um ano. Atualmente já está a ser injetada energia na rede através do WindFloat.

O Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (INEGI) está a desenvolver dois projetos. Um dos projetos visa realizar uma previsão da produção elétrica de base eólica, através de um contrato com a EPREV (agrupamento complementar de empresas) e o outro faz estimativas do potencial eólico de Portugal Continental, em parceria com a REN. Em ambos os estudos não existe indicação de que os impactos das alterações climáticas venham a ser estudados.

Ao contrário dos recursos energéticos renováveis discutidos até então, a disponibilidade do recurso solar em Portugal deverá aumentar no decorrer do século XXI. A diminuição da nebulosidade e o consequente aumento da radiação, podendo atingir valores superiores a 150 MJ/m2 em 2050, o que permitirá uma maior produção elétrica. Este aumento da radiação e consequentemente da produção de energia poderá ser afetado negativamente em caso de ocorrência de eventos extremos, como ondas de calor, em que o painel fotovoltaico atinge temperaturas demasiado elevadas.

Segundo a DGEG, de Novembro de 2011 a Novembro de 2012, a tecnologia fotovoltaica foi a que sofreu um maior incremento no licenciamento, passando de 137 MW para 225 MW. Atualmente, a Energia Endógenas de Portugal contabiliza 19 centros electroprodutores solares fotovoltaicos em funcionamento com potência instalada superior a 250 kW. A Associação de Energias Renováveis (APREN) refere que, se fosse instalado em Portugal um milhão de metros quadrados de painéis solares, poderia poupar-se entre 2 a 3% das importações em combustíveis fosseis.

Em relação à produção de CSP, Portugal deveria investir neste tipo de tecnologia. Atualmente não existe nenhuma central em Portugal, no entanto o potencial de produção de eletricidade através de CSP é superior ao potencial fotovoltaico. O caso da instalação da central de CSP em Almería, Espanha, é um exemplo do que poderia ser feito em Portugal.

Segundo a última edição de 2012 do Índice de Atratividade dos Países em Energias renováveis, da Ernst & Young, Portugal é o 19º país mais atrativo para investimentos em energias renováveis, apresentando as mesmas oportunidades de investimento em energia eólica e solar.

Embora não se invista tanto em energia solar devido à conjuntura económica atual e ao preço elevado da tecnologia, também é percetível a falta de informação sobre os impactos das alterações climáticas no país, visto que o recurso solar deverá tornar-se num recurso com potencial acrescido de produção elétrica, e como foi referido anteriormente, os recursos hídricos e eólicos serão afetados negativamente.

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5.2. Evolução do sistema energético português: Cenário de referência e