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Estimation methods based on null-subchannels

5.2 Estimation methods

5.2.1 Estimation methods based on null-subchannels

De acordo com um relatório da EEA (2006b) a maioria das regiões europeias tem presenciado uma expansão das áreas urbanas maior do que o crescimento populacional, num fenómeno denominado de dispersão urbana. Portugal é disto um dos exemplos mais graves. Tal decorre do desenvolvimento de novas áreas residenciais e comerciais essencialmente nas áreas suburbanas, cuja dependência da utilização do automóvel privado se deve ao facto de que as actividades procuradas continuam a estar localizadas no centro urbano original (Bart, 2010). Este relatório da EEA (2006b) vem anunciar que a dispersão urbana não é um fenómeno natural, podendo ser efectivamente controlado através de políticas de governância apropriadas.

O planeamento destes desenvolvimentos suburbanos dá-se geralmente sem consideração pela rede de transportes públicos existente. Tal implica maiores consumos energéticos tanto pela dependência do automóvel privado para percorrer distâncias maiores como pela tentativa de cobertura de uma população dispersa pela rede de transportes públicos (Bart, 2010). Camagni et al. (2002) concluíram que o transporte público parece ser fortemente influenciado, em termos de eficiência e competitividade, pela estrutura urbana, afirmando que quanto mais disperso for o desenvolvimento urbano, menor será o nível de eficiência e competitividade e consequentemente a sua representação na distribuição modal.

Uma medida sugerida por Bart (2010) neste sentido é a definição de níveis de acesso mínimos dos novos edifícios à rede de transportes públicos, visando evitar a construção de edifícios em áreas suburbanas de baixa densidade onde o transporte público não é competitivo em relação ao automóvel privado. Para além das infra-estruturas de transporte, o desenvolvimento disperso das cidades implica a extensão de outras infra-estruturas urbanas como as redes de abastecimento e saneamento de águas e a iluminação das ruas, cuja operação e manutenção requer consumos de energia adicionais (Madlener e Sunak, 2011). Madlener e Sunak (2011) referem que os edifícios

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localizados em áreas densas quando comparados com habitações isoladas perdem menos calor uma vez que têm menos superfícies expostas.

As estruturas urbanas compactas, caracterizadas por uma densidade elevada, uso do solo misto, habitação orientada para a pedonalidade e eficiência energética, são defendidas por muitos autores como a forma indicada para um desenvolvimento urbano sustentável (Chen et al., 2011). A Comissão Europeia afirma que “evitar a dispersão urbana através de padrões de desenvolvimento caracterizados por uma densidade elevada e mistura de funções permite benefícios ambientais relativamente ao uso do solo, transporte e aquecimento, contribuindo para diminuir o consumo de recursos per capita” (COM, 2005). Outros autores, no entanto, revelam evidências de que a redução do consumo energético nas cidades pode ser também alcançada pela concentração de desenvolvimentos descentralizados (Holden e Norland, 2005).

Apesar de ser tema de discussão na literatura científica, as vantagens da cidade compacta sobre a cidade dispersa no que diz respeito aos consumos energéticos são geralmente aceites (Madlener e Sunak, 2011). Actualmente, o controlo da dispersão urbana constitui um princípio fundamental de planeamento urbano sendo um dos objectivos mais realçados nas políticas e estratégias de ordenamento do território (EEA, 2006b; Couch e Karecha, 2006). A Holanda é disto um exemplo de um caso bem-sucedido e admirado pelos peritos do tema (Dieleman e Wegener, 2004; Bart, 2010).

A promoção da compactação urbana não deve, no entanto, ser feita sem considerar os potenciais efeitos negativos como a concentração insustentável de população e os níveis de congestionamento (Echenique et al., 2012; Melia et al., 2011). Uma característica típica das cidades compactas e densas, por exemplo, é o efeito da ilha de calor, que provoca um aumento da temperatura do ar na cidade entre 1⁰C a 3⁰C quando em comparação com a área envolvente (Madlener e Sunak, 2011). Tal traduz-se no aumento dos consumos energéticos requeridos para arrefecimento e utilização de ar condicionado nos espaços interiores (Ewing e Rong, 2008). Este efeito pode ser, no entanto, contrariado pela colocação de árvores no espaço urbano devido ao arrefecimento do ambiente proporcionado pelo ensombramento e pelo processo de evapotranspiração.

Outras opções que permitem mitigar o efeito da ilha de calor consistem no desenvolvimento de espaços verdes e outros espaços públicos abertos (Madlener e Sunak, 2011). Estas considerações tornam-se essencialmente pertinentes quando, apesar do aumento de temperatura devido ao efeito da ilha de calor, uma estrutura urbana compacta e densa permite ao mesmo tempo significativas poupanças energéticas, nomeadamente no sector dos transportes.

Para que ocorra a redução da utilização do automóvel privado por parte da população urbana é necessário construir cidades em que não ter o carro é uma vantagem e não uma dificuldade

(Bart, 2010). Segundo Clark (2003), densidades populacionais mais elevadas estão correlacionadas com níveis inferiores de deslocação per capita e com menores consumos de energia relacionados com o transporte. Na Figura 2.15 apresenta-se um gráfico onde os autores mostram a relação entre o consumo de energia nos transportes e a densidade urbana.

A densidade populacional constitui, assim, um factor que determina a eficiência energética do sistema de transportes urbanos. Os outros factores identificados no seu estudo foram a densidade de emprego, o grau de dispersão populacional, a conectividade regional e os nós urbanos. A conclusão de que a compactação urbana reduz as distâncias percorridas nas deslocações da população é válida no caso em que a maioria das deslocações realizadas ocorre dentro do município e não entre municípios (Clark, 2013).

Figura 2.15. Relação entre a energia consumida nos transportes e a densidade urbana Adaptado de Monde Diplomatique (2007)

No que diz respeito aos próprios desenvolvimentos urbanos, segundo Wende et al. (2010), os critérios mais relevantes são a densidade do parque edificado e as ligações com a rede dos transportes, a disponibilidade e proximidade de infra-estruturas básicas; a maximização de oportunidades de aproveitamento natural de luz, aquecimento e arrefecimento e o

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acondicionamento de espaço para a instalação de sistemas de produção de energia renovável (solar e eólica). A atribuição de licenças de construção apenas a projectos que permitissem uma optimização do território por forma a assegurar a sua eficiência energética é uma das medidas sugeridas por Larson et al. (2012).