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O segundo grupo focal foi composto por seis membros de diferentes comunidades virtuais, todos eram moderadores e encaixavam-se no perfil de membro central, formando assim um grupo focal homogêneo. Os membros centrais são aqueles que participam ativamente da comunidade, nas discussões e debates nos fóruns, que assumem os projetos da comunidade, que identificam assuntos para tratar e movimentar a agenda

O grupo teve a duração de uma hora e trinta e seis minutos e não contou com nenhuma interrupção.

A seguir são apresentadas as percepções identificadas no grupo focal 2.

4.2.2.1 Percepções relacionadas ao fator falta de tempo para participar da comunidade

Neste grupo, citaram que a falta de prioridade é um dos principais motivos para a alegação de falta de tempo para a participação dos membros nas comunidades. Colocam como importante a definição de uma regra em termos de empenho próprio em inserir na rotina diária uma parcela de tempo para participação. [43] [44]

Outro argumento que foi colocado foi a perda de tempo, justificando a não participação nas comunidades em função da atuação em áreas de demanda crítica. Mencionaram que essa participação é menos importante diante das outras demandas no dia-a- dia, argumentando que em áreas de demandas críticas o tempo gasto na participação em comunidades poderia impactar em suas atividades. [45]

Citaram que o desconhecimento a respeito das comunidades, por se tratar de algo novo na organização, levava certas pessoas a não dar a devida importância às mesmas, utilizando-se da desculpa de falta de tempo para não participarem. [46] [48]

Atribuíram a falta de tempo á dificuldade em ter que acessar o ambiente tecnológico das comunidades, percebendo isto como um sistema a mais para utilizar e mais uma senha para lembrar. Este argumento foi entendido por outro membro do grupo como falta de empenho e de interesse em participar das comunidades. [49] [50]

4.2.2.2 Percepções relacionadas ao fator falta apoio da organização à comunidade

Indicaram que, para este fator, notou-se a desigualdade entre os departamentos desta organização ressaltando extremos que vão da falta de patrocínio à plena utilização das comunidades. Justificaram que esta plena utilização se dá em função do apoio da alta gestão e o surgimento de tal departamento dentro do contexto das comunidades. Por outro lado, a falta de patrocínio ou apoio da alta gestão dificulta a disseminação do uso de comunidades. [51] [52] [53]

Foi colocado que a alta gestão incentiva a criação, mas não participam ou estimulam a participação dos demais. [54]

Outra situação relatada, é que mesmo quando os gestores participam e incentivam o uso das comunidades, os membros ainda assim não participam ativamente. [55] [56]

Citaram casos em que o gestor ao incentivar, obtinha respostas como: “Chefe, você já falou tudo. Eu vou falar o quê?”, que indicam inibição à participação perante o gestor dentro da comunidade. [57]

Afirmaram que por não ter patrocínio, os membros não tem compromisso em participar destas comunidades. [58]

4.2.2.3 Percepções relacionadas ao fator falta moderação atuante na comunidade

Foi citado que alguém que coloca sua opinião, espera um feedback ou um comentário sobre o que foi postado, entendendo que o moderador deve responder a todas as manifestações dos membros. [59]

Mencionaram que é comum os membros terem este tipo de expectativa, embora entendam que não só o moderador mas todos os membros, poderiam se manifestar em relação aos assuntos discutidos dentro da comunidade. [60] [61]

Vêem isso como um pensamento comum na maioria das comunidades, no sentido de se ter uma expectativa mais paternalista do moderador, que no caso irá responder a todas as perguntas. E quando é colocado que a figura do moderador é mais para alinhamento dos assuntos que estejam em desacordo com o foco da comunidade, os membros questionam que suas atribuições não devem se resumir apenas a isto. [62] [63] [64] [65]

Colocaram também que quando algum questionamento de um membro não for respondido, o moderador deve intervir buscando obter a resposta através da participação dos outros membros. [66]

Foi questionado se existe alguma forma de orientação dos moderadores no sentido de como atuar e incentivar a participação dos demais membros das comunidades. Foi sugerido treinamentos para moderadores como o objetivo de prepará-los para melhor conduzir suas comunidades. [67] [68] [69]

4.2.2.4 Percepções relacionadas ao fator falta de validação dos conteúdos da comunidade e divulgação dos resultados

Foi feito o questionamento sobre a quem compete validar os conteúdos da comunidade, demonstrando desconhecimento sobre as atribuições dos participantes. [70]

Colocaram que em determinada comunidade os próprios membros cobram do moderador durante quanto tempo o assunto será discutido e quando ocorrerá a validação dos conteúdos. [71]

Demonstraram falta de conhecimento a respeito de como validar e divulgar um conteúdo. Sugeriram então que no treinamento de moderadores fosse abordada a importância da validação e divulgação dos conteúdos, e qual seria a melhor forma para que o moderador consiga fazer o fechamento dos assuntos já discutidos. [72]

Vêem como importante fazer essa validação no caso de comunidades que tem como objetivo gerar artefatos (documentos) específicos, neste caso entendem que é preciso validar e divulgar o que foi produzido pela comunidade (fechamento). Mas ressaltaram que isso não pode ser visto como uma regra, já que as comunidades podem não ter este objetivo. [73]

Afirmaram que é importante fazer a validação dos conteúdos e divulgá-los para não ficar parecendo que a comunidade não tem um objetivo, dando a impressão de que as discussões não são importantes e as pessoas estão ali apenas filosofando. [74] [75]

4.2.2.5 Percepções relacionadas ao fator falta de realização de eventos presenciais na comunidade

Citaram inicialmente que como as comunidades são virtuais, não deveria existir a expectativa de se conhecer todos os membros pessoalmente. [76]

Ressaltaram que esse fator não deveria ser considerado como uma barreira, mas sim um complemento às atividades da comunidade, não tendo a sua realização caráter obrigatório. Embora afirmem que caso os eventos presenciais aconteçam, isso seria positivo. [77] [78] [79]

Foi citado a respeito da dificuldade de se reunir todos os participantes de uma dada comunidade considerando o porte da organização em questão. [80]

Vêem a falta de realização de eventos presenciais como um fator dificultador, pois consideram que a organização não possui a cultura do virtual, justificando que isso se deve ao fato do convívio tête-à-tête. [81] [82]

Encaram que a realização destes eventos presenciais facilitam a divulgação das comunidades. [83]

Sugeriram que o uso de “webcam” poderia minimizar o caráter impessoal das interações virtuais. [84]

4.2.2.6 Percepções relacionadas ao fator falta de conhecimento preexistente dos membros com relação ao que é discutido na comunidade

Mencionaram que não só a falta de conhecimento preexistente dos membros sobre os assuntos que estão sendo discutidos, mas também a dificuldade de escrever e se expressar inibem a participação nas comunidades. [85]

Citaram que o fato de não terem domínio sobre um determinado assunto, lhes dá a impressão que não haverá troca de experiências, ou seja, que as suas opiniões não seriam relevantes para a comunidade. [86]

Foi citado que quando um membro não tem conhecimento sobre o assunto que está sendo discutido, ele evita se envolver na discussão como foi mencionado: “Quem não tem gabarito, foge da discussão”. Reforçaram ainda que esta falta de conhecimento limita bastante a participação ativa. [87] [88]

Mencionaram que mesmo que o membro da comunidade não tenha conhecimento do assunto, ele deve participar, pois acompanhando as discussões ele poderá aprender sobre o que está sendo discutido. [89]

Citaram que inserem materiais sobre o assunto que está sendo discutido, para que sirva de fonte de informação para aqueles que conhecem pouco sobre o assunto, incentivando a participação. [90]

No quadro 4, a seguir é apresentada uma síntese com as categorias (fatores) e respectivas subcategorias ( motivos) identificadas no grupo focal 2.

Quadro 4 – Categorias e subcategorias de acordo com grupo focal 2

CATEGORIAS (FATORES) SUBCATEGORIAS (MOTIVOS)

Falta de tempo para participar da comunidade Falta de prioridade; Perda de tempo; Excesso de demandas; Medo do desconhecido ou do novo;

Plataforma tecnológica pouco amigável;

Falta de empenho.

Falta de apoio da organização à comunidade

Falta de apoio dificulta a disseminação da idéia do uso de comunidades;

Os chefes incentivam, mas não usam;

Quando não tem patrocínio, não tem compromisso por parte dos membros.

Falta de moderação atuante na

comunidade Expectativa que o moderador vai responder todos os questionamentos;

Falta de orientação dos

moderadores, eles não sabem como proceder.

Falta de validação dos conteúdos da comunidade e divulgação dos resultados

Desconhecimento a quem compete validar;

Desconhecimento de como validar; Se tiver o objetivo definido que precisa validar, deve validar e publicar;

Quando não valida, parece que não é importante, que não tem objetivo.

Falta de realização de eventos presenciais na comunidade

Distancia as pessoas, quando não se conhece pessoalmente, isso reflete no virtual;

Quando ocorrem encontros

presenciais, interfere no

motivacional.

Falta de conhecimento preexistente dos membros com relação ao que é discutido na comunidade

Dificuldade de escrever e se expressar;

Insegurança quanto a importância de suas contribuições, acham que por saberem pouco não vão agregar nenhum conhecimento (evitam participar);

Fuga da discussão (não se considera à altura);

Os membros subestimam seu conhecimento.