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4. Analysis of data

4.2.5 Summary on Government Policy

Há certo paralelismo entre os tempos presente e imperfeito, uma vez que produzem os mesmos efeitos; o primeiro, no momento presente e o segundo, no passado. A mesma função que o presente tem de marcar a coincidência entre um momento de enunciação e um processo, o imperfeito realiza-a no passado: marca a

coincidência entre um processo e um momento de referência passado, momento do qual fala o enunciador (atualidade de um presente transposta em um passado). No exemplo francês a seguir, o momento de referência passado é marcado pela expressão “hier à midi”:

Ex.1: Juliette marchait sur la route hier à midi. Ex.2: Os espectadores riam muito.

O imperfeito é empregado para se fazer um comentário ou uma explicação. Um emprego do imperfeito bastante usual é o da descrição de coisas e/ou pessoas, ou de lembranças que estão presentes em nossa memória. Este tempo faz o efeito de permanência no passado e parece fixar imagens, assim como o faz o presente (a “generalização” no passado):

Ex.1:Je me rappelle que, dans les années 60, personne ne parlait des années 60 ni des sixties ni de la chance qu‟on avait de vivre là-dedans. Les gens se levaient tôt. Ils rentraient chez eux déjeuner. Ils écoutaient la radio ou défilaient des noms bizarres, comme Ferhat Abbas, Lagaillarde ou U Thant. Les femmes

travaillaient rarement au-dehors. Elles passaient leurs journées chez elles, en

blouse, à frotter ; quand elles avaient un peu d‟argent, elles engageaient une petite bonne, en blouse, qui frottait à leur place. Il n‟y avait ni surgelés ni micro- ondes ni plats préparés. On épluchait tous les légumes. On langeait les bébés. Aux fenêtres, dans les jardins, du linge séchait sans cesse. Dans la rue, on

sifflotait des airs d‟Aznavour. (F. Granon, in Télérama, nº2114, 18.07.90. In CHARAUDEAU, 1992, p. 470).

Ex.2: Nossa casa ficava entre montanhas.

Tal tempo também pode servir para descrever a duração dos acontecimentos, opondo-se ao passé composé – pretérito perfeito ou ao passé simple do francês. Neste caso, os acontecimentos têm um caráter de “inacabado” (aspecto imperfectivo): as ações são vistas em curso, ou seja, a(s) ação (ações) está (estão) se produzindo56 (A trois heures 54, Lafitte franchissait la ligne; Quando

atravessava a rua, o automóvel atropelou-o). Os verbos no imperfeito vão formar o que muitos linguistas denominam de “pano de fundo” ou “segundo plano”, opondo-se ao primeiro plano constituído pelas ações contadas com o PC-pretérito perfeito ou OS, que são os tempos que fazem as ações avançar.

Para dar um efeito de “acabado” a essa duração marcada pelo imperfeito, pode-se utilizar o tempo verbal plus que parfait. Mas, em muitas narrações, só o

56 Bonnard (1990) identifica o imperfeito em questão

como “imparfait flash” que se produz uma vez só e exige uma indicação de um momento de referência, normalmente colocado antes do verbo. No exemplo citado, o MR é “à trois heures 54”. Acreditamos que o que o autor denomina “imparfait flash”

imperfeito ou ainda o imperfeito + mais-que-perfeito sozinhos não conseguiriam inscrever um acontecimento na temporalidade de forma satisfatória: eles podem parecer incompletos ou tratar-se de hábitos. Portanto, eles estão intrinsecamente ligados aos outros tempos do passado (tempos perfectivos) – PC-pretérito perfeito e/ou PS – em um contexto maior.

No exemplo a seguir, encontrado em Maingueneau (1999, p. 88), podemos observar a duração no passado, marcada pelo imperfeito; o efeito de duração acabada (anterioridade) do mais-que-perfeito, ambos colocados como em um pano de fundo para as ações pontuais contadas com o passé composé, e este formando o primeiro plano:

Tu sais, hier après-midi, il fallait que j‟aille chez Monique. Il faisait pas bien beau, mais je suis parti quand même à pied. À peu près à dix minutes de chez elle il s‟est mis à dégringoler une averse terrible ; la rue était complètement couverte et tout le monde avait dû se mettre à l‟abri. J’avais jamais vu ça. Eh bien ! tu me

croiras si tu veux, il m‟a fallu une demi-heure avant de pouvoir repartir. Finalement quand je suis arrivé elle était pas là et je m’étais fatigué pour rien.

3.4.1.1. Efeitos de sentido com o imperfeito

O imperfeito, assim como o presente, é um tempo verbal passível de ser usado com valor de vários outros tempos verbais como demonstraremos nos exemplos a seguir:

I – Sistema enuncivo:

1) O pretérito imperfeito pelo pretérito perfeito (no francês, PC ou PS). Quando o que se quer preferencialmente é a descrição em detrimento da narração (imperfeito narrativo):

Ex.1: Tout cet ensemble avait je ne sais quelle sérénité inexprimable. Il semblait

qu‟on y sentit l‟âme des choses. J’invitais le prince à contempler cette belle nuit, et

je me souviens que je lui disais distinctement ces paroles : _ Vous êtes prince ; on vous apprendra à admirer la politique humaine ; aprenez à admirer la nature.

(IMBS, 1960, p. 92)

Ex.2: Duas horas depois do acontecido, ele partia.

2) O pretérito imperfeito pelo futuro do pretérito (conditionnel):

Ex.1: Un peu plus il perdait l‟équilibre.

3) O pretérito imperfeito pelo presente. Para marcar um efeito de sentido de irrealidade, para manisfestar fatos hipotéticos. NesTes casos, não há um valor temporal, trata-se, sobretudo, de um valor modal (modalização), que pode se apresentar de três maneiras:

a) imperfeito de cortesia, de polidez:

Ex.1: Excusez-moi de vous déranger; je voulais vous demander un

renseignement.

Ex.2: Você podia me emprestar uns trocados?

b) o imperfeito hipocorístico (linguagem utilizada geralmente para com bebês ou entre amantes):

Ex.1: [A mãe fala com seu bebê] Qu‟il était mignon, ce petit!,.

Ex.2: [A mãe fala com seu bebê] O nenê era tão bonzinho para a mamãe. Ele fazia miséria esse nenê.

c) Como o imperfeito marca a simultaneidade, no discurso indireto ele aparece em frases do tipo:

Ex.1: Vous avez dit que j’étais là?

Ex.2: Provavelmente estava na cozinha entre as pedras que serviam de trempe. Antes de se deitar, Sinhá Vitória retirava dali os carvões e a cinza, varria com um molho de vassourinha o chão queimado, e aquilo ficava um bom lugar para cachorro descansar.

4) Pretérito imperfeito pelo mais-que-perfeito. A anterioridade é expressa pelo imperfeito, o passado é trazido para o presente do narrado (pode ocorrer também com a perífrase venir de + infinitif - acabar de + infinitivo).

Ex.1: Une nuit, il y a sept ou huit mois, la personne qui vivait ici m‟a appelée, affolée, parce que mon mari venait d’avoir une syncope cardiaque.

Ex.2: E o homem empurrado, apenas sentiu o empurrão. Caminhava absorto, espraiando a alma, desabafado de cuidados e fastios. Era o diretor do banco, o que acabava de fazer a visita de pêsames ao Palha.