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O método de trabalho é definido como uma sequência de passos lógicos que o pesquisador segue para alcançar os objetivos da sua pesquisa. (MARCONI; LAKATOS, 2003; DRESCH, 2013). O método de trabalho bem definido permite maior clareza e transparência na condução da pesquisa, facilitando o reconhecimento do estudo por parte de outros pesquisadores. (LACERDA et al., 2013). A Figura 14, a seguir, lista as etapas percorridas para a condução desta pesquisa. O método de trabalho se estrutura em concordância com as etapas do método preconizado por (DRESCH, 2013).

Figura 14 - Etapas do método fundamentado na DSR

Fonte: Elaborado pela autora.

Identificação do Problema

Fase 1: Mensurar e evidenciar do Environmental Debit (ED)

Conscientização do Problema Fase 2: Realizar revisão

sistemática da literatura sobre

ED (método existentes)

Entrevistar gestores e

pesquisadores identificar métodos e práticas atuam na temática de mensuração do ED (métodos aplicados e em construção)

Identificação artefatos e configuração classes de Problemas

Fase 3: Definir classes de problema e artefatos de referência sob três ângulos:i) ambiente externo; ii) ambiente interno;iii) soluções satisfatórias.

Proposição do artefato Fase 4: Propor métodos de mensuração e evidenciação do Environmental

Debt.

Desenvolvimento do Artefato Fase 6: Elaborar o método de mensuração e evidenciação do ED,

considerando-se :

i) identificação e mensuração dos bens e serviços ecossistêmicos; ii) disponibilidade de métodos de valoração econômica ambiental; iii) internalização das externalidades por meio de registros contábeis; iv) evidenciação do ED.

Avaliação do Artefato Fase 7: Avaliação do artefato: esta fase é segmentada em duas avaliações:

especializada e prática Aprendizagens Conclusões Generalização do Método Comunicação Projeto do Artefato selecionado Fase 5: Definir estrutura e etapas para posterior desenvolvimento do de

mensuração e evidenciação do ED

7.1 Avaliação especializada: das áreas de gestão ambiental, contabilidade e do segmento da aplicação do método

7.2 Avaliação prática: aplicação junto a um sistema de produção produtivo real

Fase 9: Conclusões, limitações e sugestões de trabalhos futuros

Fase 10: Generalização para uma classe de problemas: detalhamento das heurísticas de construção e refinamento do método

Fase 11: Comunicação dos resultados: entrega da tese e defesa

Fase 8: Explicitações das aprendizagens resultados da construção e avaliação do método

O ponto de partida se localiza na definição do problema de pesquisa, a saber, na mensuração e na evidenciação do ED (fase 1). Após a definição do problema, o direcionamento da pesquisa se encaminha para a fase 2, conscientização do problema. A etapa requer informações que garantam a compreensão ampla do problema de pesquisa, entendendo o contexto em que ele se insere. Busca, ainda, compreender as causas e a funcionalidade do artefato, bem como a performance esperada para sua atuação e os seus requisitos de funcionamento. (DRESCH, 2013).

Cabe sublinhar que esta pesquisa se fundamenta na obra Environmental

Debt, de Amy Larkin, da qual afloram os pontos de discussão sobre o conceito do

ED e o posicionamento da Contabilidade frente à mensuração e à evidenciação das externalidades ambientais. A pesquisa também é motivada pela publicação do primeiro Relatório de Lucros e Perdas Ambientais do Grupo Puma, empresa alemã de equipamentos esportivos.

O trabalho de mensuração e de evidenciação que resultou no Relatório de Lucros e Perdas Ambientais da Puma, e posteriormente, o da empresa farmacêutica Novo Nordisk, é considerado ponto de partida para a construção do artefato da presente pesquisa, que se configura como um método de mensuração e de evidenciação das externalidades ambientais. Os Relatórios de Lucros e Perdas Ambientais da Puma e da Novo Nordisk são considerados, por seus autores, como artefatos em construção. Os trabalhos da Puma e da Novo Nordisk foram realizados no âmbito de operações das empresas, ambas com negócios globalizados que contemplam a mensuração das externalidades, envolvendo toda a cadeia de suprimentos e o escopo cradle-to-gate.

No que tange à consulta às bases de dados, por meio do que é possível identificar os avanços e as lacunas teóricas do conhecimento gerado sobre o tema de pesquisa até o momento, são consultadas as bases EBSCOhost, ScienceDirect e Google Acadêmico. São selecionados artigos publicados em revistas científicas, sem demarcação de data, que apresentam no resumo e nas palavras-chave o tema de mensuração econômica das externalidades ambientais, como revela o protocolo da RSL, na Tabela 1.

Tabela 1 - Critérios e resultados da pesquisa nas bases de dados

Palavra-chave Critérios Resultado

Busca

Abstracts Analisados

Artigo Analisado Environmental Debt título ou resumo ou palavras-chave 14 2 2 internalization of

externalities

título ou resumo ou palavras-

chave 78 21 7

external cost or internal

cost palavras-chave 174 20 7

externalities and monetary

value palavras-chave e resumo 90 28 23

valuing external costs expressão exata no título e em todo o texto 1 1 1 environmental accounting or green accounting or environmental management accounting palavras-chave 560 35 2 Total 905 107 42

Fonte: Elaborado pela autora.

As palavras-chave empregadas para pesquisar nas bases de dados são identificadas a partir da questão de pesquisa e do framework conceitual sobre externalidade ambiental e Contabilidade Gerencial. Estas estão evidenciadas na Tabela 1, ao lado das associações de busca, dos critérios de identificação e dos resultados.

As bases de dados de pesquisa são periódicos localizados nos seguintes sítios: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), EBSCOhost e ScienceDirect. A escolha se efetiva pelo critério de disponibilidade, e porque essas são consideradas as principais bases de dados para a revisão sistemática da literatura na área de gestão, como preconizam (MORANDI; CAMARGO, 2015).

São utilizadas, também, ferramentas de busca da internet, como Google e Google Acadêmico. O intuito é identificar materiais publicados em documentos de estudos primários que tratam do objetivo da pesquisa, como anais de congressos, seminários, conferências e reportagens, relatórios de divulgação ambiental e documentos referenciados em bases selecionadas na revisão sistemática. Os critérios de busca de estudos definidos são: i) qualquer idioma; ii) qualquer período de tempo; e iii) expressões definidas no título, nas palavras-chaves ou no resumo, conforme descrito na segunda coluna da Tabela 1.

Nos resultados das buscas, são examinados os títulos, os resumos e os documentos adequados à pesquisa. Porém, para a análise do texto completo, se estabelece como parâmetro a observância de um dos seguintes aspectos: i) o

conceito de ED; ii) um método de valoração física e monetária ambiental; iii) uma metodologia de evidenciação ambiental que contemple a valoração monetária dos custos externos, em consonância com os resultados listados na Tabela 1.

Após a análise dos artigos relevantes, constata-se que não há publicações que abordam a prática do conceito de ED, tampouco trabalhos que associam o conceito de ED a outros termos incluídos na revisão sistemática da literatura. Além da revisão sistemática da literatura, entrevistas com gestores, consultores e pesquisadores de áreas vinculadas à sustentabilidade, atuantes na mensuração de impactos e externalidades ambientais, contribuem com a identificação e proposição do método. Com base nos resultados das entrevistas, são identificados artefatos vinculados a artigos científicos, a empresas de consultoria e auditoria, a organismos internacionais e a grupos de pesquisa. Esses materiais são agrupados considerando a fonte de informação.

A fase 3 prevê a identificação das classes de problemas e de artefatos existentes. Esses dados passam por um processo de análise estruturada que possibilita a visualização dos critérios utilizados em cada classe de problemas e em cada artefato existente. Tal cuidado viabiliza analisar as contribuições e as limitações dos estudos dos artefatos existentes sob três ângulos.

O primeiro ângulo consiste em conscientizar o ambiente externo, iniciando pela compreensão dos mecanismos utilizados para identificar o impacto no capital natural. Primeiramente, são verificados históricos, registros, pareceres técnicos, banco de dados de impactos, especialistas da área, dentre outros aspectos. Posteriormente, realiza-se a mensuração física com as unidades de medida, de modo a identificar os mecanismos de valoração ambiental. Por fim, apresenta-se a análise comparativa e crítica dos artefatos identificados.

O segundo ângulo compreende a conscientização acerca do ambiente

interno em que os artefatos serão desenvolvidos para aplicação em processos de

produção. Desse modo, cumpre identificar os estudos de mensuração física e econômica do capital natural; mensurar os impactos; e fazer levantamento perceptivo de especialistas, métodos e bases para proposição do artefato.

Resta esclarecer que o levantamento perceptivo de especialistas se efetua, nesta pesquisa, mediante entrevistas com pesquisadores do tema abordado. Após a conscientização dos ambientes externo e interno, buscam-se soluções satisfatórias,

mediante a análise das contribuições dos estudos e das suas limitações. A Figura 15 apresenta esses passos.

Figura 15 - Identificação das classes de problemas e artefatos - Fase 3 do Método de Trabalho

Fonte: Elaborado pela autora.

A etapa seguinte do método de trabalho envolve a proposição do artefato (fase 4), que abarca artefatos e classes de problemas localizados na fase anterior. Nessa etapa também são contemplados elementos funcionais para a proposição do método, identificados por meio de entrevistas com especialistas, a partir de relatos de experiência e de percepções em torno de um tema, especialmente da aplicação de métodos de mensuração de externalidades em processos produtivos.

Para a proposição do método, são formalizadas soluções satisfatórias para um artefato genérico, com a intenção de resolver um problema genérico. Portanto, o projeto do artefato selecionado na fase 5 do método de mensuração e de evidenciação do ED é desenvolvido para sistemas produtivos de qualquer natureza, atendendo a qualquer segmento de negócio.

A fase 6 de desenvolvimento do artefato envolve a confecção de um protótipo do método de mensuração e de evidenciação do ED. O primeiro passo do desenvolvimento se baseia na identificação de técnicas e de ferramentas para perceber bens e serviços ecossistêmicos e para mensurar os impactos e as externalidades ambientais.

Conscientização Ambiente Externo

a) mecanismos para identificar o impacto no capital natural; b) mecanismos para mensuração física do capital natural; c) mecanismos para valoração do capital natural;

d) análise comparativa e crítica dos itens “a”, “b” e “c”. Conscientização Ambiente Interno

e) levantamento dos estudos de mensuração física e econômica do capital natural;

f) identificação das etapas de mensuração dos impactos; g) levantamento perceptivo dos especialistas;

h) métodos-base para a proposição do artefato.

Soluções Satisfatórias

i) análise das contribuições dos estudos; j) análise das limitações.

Artefatos da literatura

Artefatos aplicados em sistemas de

O segundo passo elenca os métodos de valoração econômica validados pela comunidade científica, além de levantar técnicas e ferramentas que auxiliam a valorar as externalidades não abarcadas pelos métodos de valoração econômica. O terceiro passo trata da internalização das externalidades ambientais que possibilitam a identificação do ED. Baseia-se em técnicas e em ferramentas da contabilidade, para que o método esteja vinculado à contabilidade gerencial. Por fim, o quarto passo engloba a evidenciação do resultado, com ferramentas que evidenciem o ED, o que se estrutura graficamente e em formato de relatório quantitativo e qualitativo.

Concluída a fase de desenvolvimento, o artefato segue para a fase 7, de avaliação. Esta se desdobra em dois níveis. O primeiro diz respeito à avaliação de especialistas de áreas inter e multidisciplinares, como grupos de pesquisa com conhecimento acerca de mensuração de impactos ambientais e externalidades ambientais. Após a avaliação e o ajuste do método, os testes de avaliação são encaminhados ao segundo nível, ao gestor de negócio, e o método é aplicado em um sistema de produção real. O segundo nível, trata-se da avaliação prática.

Nesta pesquisa, a fase de avaliação é cíclica, pois essa etapa objetiva identificar as melhorias e o aprendizado gerado na condução do processo de avaliação. Outrossim, o retorno às etapas anteriores se efetiva sempre que necessário, a fim de que o método seja validado como robusto.

Depois da fase de avaliação, e tendo o artefato atingido os resultados esperados, a próxima etapa abrange as explicações das aprendizagens. A fase 8 se refere à construção do método, às contribuições dos entrevistados e especialistas e à aplicação do método em um ambiente real. A conclusão, na fase 9, evidencia os resultados da pesquisa, as contribuições, os aspectos de melhoria do método, as limitações e as sugestões para trabalhos futuros.

Por fim, a última etapa prevista pelo método de trabalho contempla a comunicação dos resultados. A fase 10, que ocorre por meio da divulgação desta pesquisa, poderá ser acessada tanto pela comunidade acadêmica quanto pelos profissionais das organizações, por meio da entrega e defesa da tese, de publicações, de seminários e de congressos, ou seja, por meio da disseminação dos conhecimentos gerados pela pesquisa. A generalização do artefato para determinada classe de problemas, na fase 11, contempla a generalização das

heurísticas de construção e de contingências, o que permitirá a resolução de problemas similares e o avanço do conhecimento em design science.

Para alcançar o rigor da pesquisa fundamentada no design science research, todos os procedimentos para proposição, construção e avaliação do método devem ser passíveis de rastreabilidade. Nessa perspectiva, são apresentadas as etapas de coleta e análise de dados.