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Aqui agrupamos os itens referentes às maiores dificuldades enfrentadas em sala de aula3.

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Nessa questão os professores poderiam marcar mais de um item, assim, a freqüência das respostas foi feita tendo por base o número de professores que assinalaram a mesma opção. Fizemos essa ressalva como forma de evidenciar que a soma das freqüências estará superior a 100%.

Tabela 8- Dados do ofício 1

DADOS DO OFÍCIO - as maiores dificuldades enfrentadas em sala de aula? TOTAL % Número elevado de alunos 12 70 Desatenção dos alunos 7 41 Falta de tecnologias adequadas 5 30

Barulho 7 41 Gerenciamento das condições de ensino-aprendizagem 1 6

Lidar com os alunos 1 6 Fonte: Dados da pesquisa.

Solicitados a sinalizar as maiores dificuldades enfrentadas em sala de aula, um total de 70% destacou o número elevado de alunos. Esse fator torna-se desafiador na medida em que passa a exigir um maior esforço do professor para se fazer ouvir e ser compreendido pelos alunos, dificultando o acompanhamento da aprendizagem e das dificuldades sentidas pelos alunos. Cruzando esse dado com a precariedade de condições de trabalho, já comentadas, no que se refere aos recursos tecnológicos e ambientação, inferimos que esse conjunto de dificuldades ameaça a saúde e a integridade física do professor. Interligado ao elevado número de alunos em sala, 41% dos professores indicaram outras dificuldades: a desatenção deles e o barulho em sala de aula. A expansão do Ensino Superior que, por um lado, é necessária e urgente, por outro lado, se não for acompanhada de políticas de sustentabilidade que levem em conta as condições de trabalho do professor e demais envolvidos na educação, acentuará as dificuldades registradas anteriormente, servindo apenas como uma forma mais cômoda de aumentar o capital dos seus empresários, sem considerar a eficácia e o comprometimento do ensino- aprendizagem, especialmente nas instituições particulares. Morais (1986), na sua obra intitulada Sala de aula: que espaço é esse? analisa problemas dessa natureza, referindo tratar-se de um assunto polêmico e que exige a adoção de medidas que objetivem não apenas a aprendizagem dos alunos mas também a saúde dos professores.

Ainda dentro das maiores dificuldades enfrentadas em sala de aula, foi significativo o fato de 30% haver enumerado falta de tecnologias adequadas ao desenvolvimento do trabalho. Temos claro que, numa sociedade que “respira” avanço tecnológico, exercer o ofício docente sem dispor do mínimo desses recursos torna-se angustiante para o professor e desmotivante para o aluno. Numa época em que a

tecnologia fornece variados recursos audiovisuais, continuar usando apenas o giz e a fala é um tanto cansativo para alunos e prejudicial à saúde dos professores.

Diferentemente da Instituição particular, onde os recursos visuais, em geral, estão sempre à disposição do professor, na Instituição pública, como verificamos no curso onde foi desenvolvida a pesquisa, os professores chegam a trazer de casa os equipamentos de que necessitam para desenvolver uma aula com recursos mais adequados. Nesta Instituição, constatamos que, em pleno século XXI, quando os quadros de escrever da maioria das escolas públicas do Ensino Fundamental e Médio já são adaptados para o uso do pincel, no nível superior de ensino, os professores ainda estão se utilizando do giz e da fala como únicos recursos disponíveis. Vale ressaltar que esse segundo recurso, a fala, com o tempo, vai sendo desgastado por ter que ficar exposto, durante tanto tempo, à poeira do giz, e ter que se fazer ouvir por um número elevado de alunos. É comum, além de ouvirmos as queixas dos professores quanto à falta de tecnologias adequadas, também reclamarem do desgaste que a voz vai sofrendo com o passar dos anos. O desgaste se apresenta com nuanças as mais diversificadas, e o professor, por força do ofício, vai se adaptando, numa busca permanente por não deixar cair a produtividade.

E bastante interligado às dificuldades encontradas em sala de aula, investigamos dos docentes como costumavam lidar com os alunos:

Tabela 9 - Dados do ofício 2

DADOS DO OFÍCIO - Como costuma lidar com os alunos? TOTAL % Investe nas relações interpessoais 6 35

Respeitosamente 5 30 Outros 6 35 Fonte: Dados da pesquisa.

Relacionar-se ou lidar com alunos é algo implícito à ação do professor. Embora a pesquisa desenvolvida por Picado (2005) tenha evidenciado que estabelecer relações satisfatórias com os alunos desencadeia altos graus de ansiedade, quando tiveram que se pronunciar sobre as formas costumeiras de lidar com eles, 35% mencionaram fazer grandes investimentos nas relações interpessoais. Nessa perspectiva, Zabalza (2004), ao tratar das competências necessárias ao professor, ressaltou que o gerenciamento das relações é uma ferramenta de grande valia na ação docente.

“Respeitosamente” foi a expressão usada por 30% dos participantes para caracterizar o tipo de contato mantido com os alunos. Na expressão, vemos revelado o

cuidado em dispensar um tratamento que, além de garantir um clima de reciprocidade, ainda situa o aluno na posição de interlocutor que se sente considerado, respeitado e ouvido nas suas idéias e conhecimentos em elaboração.

Ainda um total de 35% elencou opções adotadas no trato com os alunos: relação cordial, boa empatia, parceria, tratamento igualitário e amizade. Nestas opções, é possível perceber a intenção de fazer do trato com os alunos um investimento que contribua para favorecer a ação docente. A intenção do investimento é bastante utilizada pelos que dão aulas em curso de Administração, uma vez que avaliam as ações cotidianas pela óptica do custo benefício, exigindo sempre uma atitude de quem investe para obter retorno.

Salvador (1994), ao tratar da relação entre aprendizagem, construção do conhecimento e interação com os alunos, evidencia o princípio vygotskiano de que as funções superiores têm origem nas relações entre as pessoas. Este princípio, embora tenha sido estabelecido com base em experimentos com crianças nos anos iniciais de escolarização, pode ter suas idéias aplicadas na medida em que põe em relevo a importância desse modo de lidar com os alunos no desenvolvimento das funções cognitivas e afetivas do ser humano. Podemos inferir, assim, que, para o atingimento da zona de desenvolvimento proximal, o adulto, no caso em estudo, o professor, apóia, pela interação, as aquisições cognitivas dos alunos.

Enfim, seria desejável que o ato de lidar com os alunos, longe de ser um mecanismo de defesa ou distanciamento afetivo do professor, viesse a favorecer o desenvolvimento de novas aquisições cognitivas e afetivas para ambas as partes.