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Stroke patients ’ knowledge about cardiovascular family history - the Norwegian Stroke in the Young

Esse tema resultou de minha composição de sentidos sobre algumas experiências narradas tais como: “As Tecnologias Digitais: meus questionamentos e minha promessa”; “Ouvir e escrever, escrever e ouvir: consultando o Google” e “Dia D de não acontecer: lidando com imprevistos”.

Ao ler as minhas narrativas, percebi que em alguns momentos eu quis ter o controle sobre as atividades que envolvem minha rotina na vida pessoal e profissional. Na organização das atividades de minha casa, estou sempre querendo dar a palavra final. Nos retoques das arrumações da casa, se algo está em desacordo com o que eu gostaria, eu modifico para ficar como gosto. Não permito um tapete colocado de maneira desigual ao que “eu” gosto. Com a educação dos filhos, sofri muito e, até hoje, entro em conflito com eles, ao tentar impor um pensamento meu como verdade.

Ao relatar a experiência que intitulei “As Tecnologias Digitais: meus questionamentos”, percebi minha postura questionável ao deixar meu aluno sentado ao meu lado enquanto eu realizava a atividade para ele. Não possibilitei ao aluno o uso de um computador adaptado com Tecnologias Digitais em sala de apoio, mas eu quis ser o apoio. Entretanto, quando afirmo que fiquei incomodada com a habilidade do aluno ao telefone, foi por não me permitir mais que o aprendizado do meu aluno seja negligenciado e sua autonomia ignorada, ou seja, eu compreendo que meu aluno opera o celular com facilidade, mas na sala de aula, eu acredito que sou eu quem deve fazer o trabalho para ele. Hoje, olhando para aquela prática, vejo que há um conflito entre o que acredito e a forma como atuo durante os atendimentos aos alunos com necessidades educacionais individuais.

Quando li as histórias narradas, percebi uma preocupação exagerada ao querer que os alunos fizessem as atividades sem cometer algum erro, como na história “Ouvir e escrever, escrever e ouvir: consultando o google”. Fiquei incomodada pelo fato de o aluno consultar o

Google para escrever, pois ele poderia não contar com este recurso sempre e, então, ele iria

cometer erros. Naquele momento, desconsiderei que os erros fazem parte do processo de aprendizagem.

Hoje, percebo que, ao proceder assim, estou tentando evitar que o aluno aprenda com seus próprios erros e acertos, o que poderia contribuir para sua formação, algo importante para um estudante com deficiência visual. No entanto, embora perceba a necessidade de mudar minha prática, ainda não consigo agir de maneira diferente.

Quando faço as atividades para os alunos, estou pensando na apresentação de uma atividade que não apresente erros de ortografia, fato que é normal, mas para mim, penso que esse material poderá ser lido por alguém que vai julgar meu trabalho na sala de apoio. Vejo que estou mais preocupada com os outros do que com os alunos. Mas, hoje, entendo que erros são parte do processo de aprendizagem.

Portanto, ao rever minhas experiências, percebo que estava mais preocupada com minha reputação como professora de apoio do que com o aprendizado do aluno e, talvez, com o desenvolvimento da sua autonomia.

Ao me preocupar com o volume de atividades e a urgência em concluí-las, eu não posso pensar na autonomia do aluno. Sinto-me responsável em entregar para a escola regular as atividades que são propostas para o aluno, porém, vejo que ao pensar desta forma, estou deixando de lado algo que é muito importante na formação do aluno, principalmente do deficiente visual, que é ser independente, ter autonomia para realizar suas tarefas, tanto escolares, quanto as da sua rotina diária.

Vejo que existe um conflito, a escola conta com as atividades realizadas, a família espera que as tarefas enviadas pela escola regular sejam concluídas durante os atendimentos na sala de apoio; portanto, não questionam como foi o processo de realização das atividades.

Entretanto, agora, observo que ao proceder dessa forma, atendendo a todas essas demandas, vários aspectos na aprendizagem do aluno podem estar sendo negligenciados. Nem sempre o estudante cego pode contar com o apoio de outras pessoas para realizar suas atividades. Ao fazer a tarefa para o aluno, estou colaborando para que meus alunos se tornem cada vez mais dependentes de mim e de outras pessoas para realizar suas atividades.

Outro aspecto importante que observei em minha prática foi o fato de que é muito cômodo, para mim, proceder da forma descrita, pois evito uma série de transtornos no dia a dia de minha prática, como por exemplo, a cobrança da escola regular pelas atividades apresentadas pelos alunos que frequentam os atendimentos. Além disso, entendo que os pais,

ao levarem os filhos no contraturno para os atendimentos, acreditam que estão isentos de os acompanharem em suas atividades escolares; mas não posso e, talvez, não seja meu papel, assumir essa responsabilidade sozinha. Posso, menos ainda, querer apenas agradar aos pais, ao invés de atender as demandas e necessidades do aluno.

Também entendo que, fazendo as tarefas para o aluno, eu estou evitando sair da minha zona de conforto, onde já conheço os passos a serem seguidos. Ao deixar o aluno aventurar-se na realização do seu trabalho, eu posso me deparar com situações que vão depender de muito mais esforço da minha parte. Assim, evito, também, ter que explicar que as atividades que o aluno conseguiu realizar não atingiram as propostas pela escola regular, como acontece muitas vezes. Esses são conflitos que me fazem questionar a minha postura e a possibilidade de agir de outra forma.