Background and Context
2.5 Computing Similarity
2.5.1 String Similarity
gou em sua página no Facebook quatro republicações de maté- rias sobre aviões e mortes, buscando um paralelo com a tragédia na Colômbia. O website recebeu então uma série de críticas dos seus leitores nos comentários e uma campanha surgiu na rede social para “descurtir” a página. A direção do portal reagiu e de- fendeu as postagens em um editorial exclusivo para o Facebook. Horas depois, o Catraca mudou de opinião e pede desculpas, mas mantendo a defesa das matérias publicadas. Por último, o cria- dor do portal assumiu toda a culpa pela polêmica e admitiu ter feito todo o processo errado (Miranda & Vieira, 2016).
Este artigo estuda o caso citado acima sob o questionamento se é possível praticar um jornalismo de serviços com técnicas de clickbait. Para isto, parte-se de três hipóteses: a) o Catraca Livre praticou a técnica para aumentar a audiência da página conheci- da como clickbait, conforme as críticas feitas pelo público; b) O Catraca Livre é um jornal digital de jornalismo de serviços, pois a linha editorial do website foca na promoção de cursos e eventos de cultura, lazer e saúde gratuitos para o público; c) a prática do clickbait é incompatível com o jornalismo a que se propõe o Catraca Livre.
Metodologia
Este artigo é um estudo de caso intrínseco, pois avalia apenas os detalhes do caso, sem o objetivo de utilizar como modelo para
Giovanni Ricardo Ramos Clickbait e jornalismo de serviços: o caso do Catraca Livre na cobertura do acidente da Chapecoense
outros casos (Stake, 2016). Inicialmente, apresenta-se o caso a partir de informações publicadas em jornais sobre o acidente a re- percussão das publicações do Catraca Livre que serão analisadas.
Na segunda parte, faz-se uma revisão bibliográfica dos concei- tos de jornalismo de serviços e clickbait. As informações levanta- das serão utilizadas para a validação das hipóteses apresentadas na introdução, pois a revisão bibliográfica atua como uma garan- tia da investigação empírica (Tuzzo & Braga, 2016).
Com os dois conceitos estabelecidos, analisa-se as quatro pos- tagens que o Catraca Livre fez sobre o acidente da Chapecoense que não eram diretamente sobre a tragédia, mas de assuntos pa- ralelos que foram relacionados (Miranda & Vieira, 2016).
Por fim, compara-se as chamadas do Catraca Livre com o conceitos de clickbait e jornalismo de serviços para validar as hipóteses.
O Catraca Livre
O portal Catraca Livre surgiu em 2008 na cidade de São Pau- lo por uma iniciativa do jornalista Gilberto Dimmenstein com o objetivo de “divulgar serviços acessíveis, fazer jornalismo sobre possibilidades gratuitas ou quase gratuitas, unindo comunicação e ativismo comunitário”. Em 2015, o site possuía 28,5 milhões de usuários únicos por mês com um alcance de 87 milhões de pes- soas no Facebook (Alves, 2015).
Segundo a página institucional do portal, o Catraca Livre tem a missão de empoderar os leitores através do seu jornalismo:
“A grande missão do Catraca Livre é usar a comunicação para empoderar os cidadãos. Empoderar se traduz, em nosso jornalismo, na busca do maior número possível de informações que mostrem possibilidades acessíveis e de qualidade, virtuais ou presenciais, em todas as áreas da atividade humana: da cultura, passando pela saúde e mobilidade, até educação, esportes e consumo” (Catraca Livre, 2018).
Dimmenstein classifica o slogan do portal, “comunicar para empoderar”, como uma forma de o jornalismo informar as pes- soas de uma forma que elas se qualifiquem, tenham acesso a mais bens de consumo, produtos e serviços.
“Empoderamento, aqui, significa saber onde se baixa um curso sem pagar nada, onde se compra um livro mais barato, usar o aplicativo de carona. O sentido é fornecer informações a partir das quais a pessoa vai poder utilizar para aumentar o seu alcance o seu poder. É como dar uma notícia sobre as vagas para terceira idade que existem na USP” (Dimmenstein, 2015).
O caso
A Associação Chapecoense de Futebol, de Chapecó, Estado de Santa Catarina, jogaria contra o Atlético Nacional de Medellin, Colômbia, pela final da Copa Sulamericana no dia 30 de novem- bro de 2016. No entanto, o avião com os jogadores, comissão téc- nica e mais 22 jornalistas caiu próximo da cidade colombiana na madrugada do dia 29. Havia 77 pessoas a bordo, 71 morreram (Globo Esporte, 2016).
As notícias começaram a ser publicadas ainda na madrugada de terça-feira (29), desde a informação da queda de um avião próximo do Medellin até a confirmação que se travava do time da Chapecoense.
No início da manhã do dia 29, o jornal digital Catraca Livre postou em sua página no Facebook quatro notícias antigas do portal que já tinham sido publicadas na rede social, mas que fo- ram relacionadas a tragédia da Chapecoense na republicação. São as notícias:
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Figura 1: Republicação de um artigo publicado originalmente em 31/10/2016.
86 87 Figura 2: Republicação de um artigo publicado
originalmente em 28/09/2016.
Fonte: página de Facebook de Catraca Livre
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Figura 3: Republicação de um artigo publicado originalmente em 20/09/2016.
Figura 4: Republicação de um artigo publicado originalmente em 20/09/2016.
Fonte: página de Facebook de Catraca Livre
As quatro postagens foram mal recebidas pelo público, que além de fazer críticas nos comentários, começou a não seguir mais a página no Facebook. Segundo Vieira & Miranda (2016), o Catraca Livre perdeu, em média, 12 mil seguidores por hora durante o dia do acidente.
“A estratégia repercutiu mal entre os leitores, que fizeram cam- panhas em seus perfis e nos espaços destinados aos comentários. ‘Tem curso de jornalismo pra vocês do Catraca Livre? Talvez com uma aula inaugural sobre empatia e bom senso…’, escreveu uma leitora. ‘Catraca Livre, para de postar coisas por hoje. Ou pela se- mana. Ou pra sempre, talvez!’, desabafou outro internauta” (Mi- randa & Vieira, 2016).
A repercussão negativa da cobertura fez com que o Catraca Li- vre fosse um dos assuntos mais comentados no Twitter brasileiro durante o dia 29, aparecendo nos Trend Topics junto com a tra- gédia da Chapecoense.
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Diante das críticas, o Catraca Livre fez algumas postagens na página do Facebook comentando o assunto. O primeiro edito- rial defendeu as publicações que geraram a polêmica. O segundo editorial saiu por volta das 14h. O veículo mudou seu posiciona- mento e passou a afirmar que errou na cobertura, mas continuou considerando o conteúdo divulgado como útil. O erro teria sido na falta de cuidados.
Figura 5: Editorial do Catraca Livre
Fonte: página de Facebook de Catraca Livre
O pedido de desculpas não foi aceito pelo público, que conti- nuou a criticar a cobertura do site e também a demora para admi- tir o erro. O terceiro editorial foi assinado pelo fundador Gilberto Dimmestein. Com uma imagem com um fundo negro e com o título “Meu erro”, ele assumiu toda a culpa pelos fatos.
90 91 Figura 6: Editorial do Catraca Livre assinado
pelo diretor da página
Fonte: página de Facebook de Catraca Livre
No total, o número de pessoas que curtem a página do Catraca Livre no Facebook caiu de 8,3 milhões antes das primeiras pos- tagens para 7,9 milhões no final do dia (Miranda & Vieira, 2016).