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Logic-based Techniques

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Background and Context

3.2 Techniques for Identifying Subsumption Relations

3.2.3 Logic-based Techniques

A pergunta que finaliza a análise não tem resposta. Se antes o jovem não foi procurado para ser compreendido, para dar sua versão da história, agora tampouco isso será possível. Não é in- tenção deste artigo fazer um julgamento, nem dos jornalistas, nem dos meios de comunicação em relação aos equívocos que podem ter sido cometidos durante a apuração deste caso. Con- tudo, as contradições encontradas suscitam questionamentos e uma problematização urgente.

Para esta análise, apenas alguns exemplos foram escolhidos, mas há inúmeras reportagens sobre o caso na internet. Esses textos expõem algumas características da modernidade que se refletem no processo jornalístico e nos produtos. As fontes ofi- ciais, além de continuarem sendo privilegiadas, se tornaram

institucionais. Nomes raramente são citados. A maioria dos tex- tos analisados menciona a “Polícia Militar” como fonte principal. Até mesmo o nome do advogado de defesa, que não é uma ins- tituição, mas uma pessoa, não é citado. O G1 chega a atribuir a informação de que ele é técnico de enfermagem à “Justiça”, ape- nas, não referenciando o órgão de onde a informação foi obtida. Outra prática que tem se tornado comum entre os meios de co- municação é a menção a outros veículos, como se isso eximisse a responsabilidade pelo que é dito.

Os meios de comunicação podem não ter tido a intenção de di- famar, mas, como visto em alguns casos, a imagem e o nome do jovem foram expostos à opinião pública sem a observância de todas as determinações do Código de Ética dos Jornalistas, do Código Civil, da Constituição Federal do Brasil e da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Esta última traz, no Artigo 5°: “Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamen- tos cruéis, desumanos ou degradantes”. Por muito tempo, consi- deramos tratamentos desumanos àqueles contra o corpo físico. Embora a divulgação de informações não agrida diretamente o corpo físico de uma pessoa, consideramos que as consequências podem ser ainda mais danosas do que qualquer outro tipo de le- são. Neste sentido, o jornalismo pode desumanizar.

Conforme as notícias e o boletim de ocorrência registrado por um familiar, o corpo do jovem foi encontrado junto com medica- mentos antidepressivos e a suspeita é que ele tenha se suicidado. Se pensarmos que a intenção de quem ingere antidepressivos é se sentir melhor, como saber – já que seu depoimento não foi nem será mais ouvido – que sua intenção era realmente acabar com sua vida?

Os avanços tecnológicos trouxeram mudanças importantes, como o acesso a diferentes meios de comunicação e agilidade nos processos. Mas essa mesma agilidade, bem como a demanda por informações, fez com que os profissionais passassem a atuar pressionados pelo tempo, pela necessidade de publicar antes da concorrência.

Isso, embora não justifique, talvez explique tantas notícias

praticamente iguais, sendo que alguns textos parecem ter sido copiados, colados e reescritos centenas de vezes. Essa repetição de dados em praticamente todos os sites revela uma apuração, no mínimo, limitada. Todos fizeram as mesmas perguntas à polícia? Só havia aquelas perguntas a serem feitas? As contradições entre uma reportagem e outra demonstram que alguém errou ou não apurou de forma adequada. As fontes? Ou os jornalistas?

A possibilidade de reprodução rápida de textos, sem uma apu- ração própria, é um dos aspectos que ocorrem na internet e que precisam ser problematizados. Se é que apenas o trabalho de co- piar e colar ou copiar e reescrever poderia ser chamado de jorna- lismo. Trata-se de uma ética do meio de comunicação, mas tam- bém de cada profissional.

Partimos da tese de que o compromisso com o jornalismo é com o público e a defesa dos Direitos Humanos e a cidadania. Porém, diversos exemplos, como este, demonstram que o jor- nalismo, quando se afasta desses objetivos, pode desumanizar. Pode também matar? Embora seja um questionamento sem res- posta, serve de alerta. Afinal, se o jornalismo deixa de fazer seu papel, deixa também se ser útil. Em muitos casos, percebemos que deixa até mesmo de ser jornalismo. Torna-se outra coisa, feito de outra maneira, que não aquela que transforma informa- ções em notícias importantes, com compromisso com a apuração dos fatos, a ética e a verdade. Neste caso, o jornalismo também pode morrer?

Apesar disso, uma democracia consistente depende do aces- so à informação, que, conforme vimos na legislação consultada, também é um direito. Com esta perspectiva, encaramos de forma otimista as possibilidades. O público, neste sentido, precisa do jornalismo. Qual jornalismo? Aquele que, não obstante as tecno- logias e, muitas vezes, a distância física, olha com empatia para o público e as fontes e, com isso, se aproxima do fato e pode assim cumprir seu compromisso com a sociedade.

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Referências

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