• No results found

Strategy for Configuring Matchers based on Ontology Profiling Most approaches for configuring matchers rely on manual intervention or

In document Semantic Matching (sider 133-139)

Implementation and Evaluation

5.4 Matcher Selection and Configuration

5.4.2 Strategy for Configuring Matchers based on Ontology Profiling Most approaches for configuring matchers rely on manual intervention or

Mas, e no campo do Jornalismo? Como esta discussão das lite- racias se aplica ao ensino e prática deste campo? Especialmente, como se aplica diretamente ao Ciberjornalismo e suas especifici- dades? Uma exploraçao das literacias e do Ciberjornalismo per- mite vislumbrar categorias de análise similares e que, em primei- ro plano, parecem usar as mesmas lógicas e quase as mesmas nomenclaturas para o mesmo fenômeno.

Ao realizar uma pesquisa qualitativa e quantitativa com diferen- tes atores das empresas mediáticas e diretores de programas pro- fissionais de Jornalismo da Colômbia, Barrios Rubio e Zambrano Ayala (2015) nos fornecem algumas pistas sobre o que eles de- finiram como três categorias profissionais: empresarial-tecnoló- gica, comunicativa de conteúdos e profissional-usuários. Apesar de se não utilizar a mesma categoria analítica deste trabalho (as competências digitais), apresentam-se algumas aproximações e tensões úteis para este debate. Neste cenário de convergência di- gital, o “novo” jornalista colombiano, segundo a pesquisa, deve ter as seguintes competências:

• Ser um profissional polivalente, multimédia e ciberjornalista; • Com conhecimento das tecnologias e dos dispositivos móveis,

domínio da fotografia, vídeo, som e edição da informação em rede;

• Com interação através das redes sociais e atualização ágil da informação para diferentes plataformas;

• Capaz de produzir informação dinâmica e bem documentada com a mesma velocidade dos consumidores, com qualidade, veracidade, ética e relevância de ser publicada;

• Redator multitarefa e multimédia, capaz de difundir uma in- formação em diferentes formatos e gêneros jornalísticos; • Com conhecimentos de cultura geral;

Trabalho interdisciplinar em rede (redação online);

• Habilidade para compreender e interagir com outras culturas; • Formação de pensamento crítico e analítico;

• Destrezas para recopilar informação, elaborar guias, editar conteúdos, atualizar o sítio web;

• Ético, responsável socialmente, excelente pessoa e profissio- nal extraordinário.

Segundo Barrios Rubio e Zambrano Ayla (2015: 238, tradução nossa), estas competências exigem abordar a profissão de Jorna- lista desde várias frentes, não somente no âmbito do digital, mas como a articulação entre os aspectos disciplinares, profissionais e a formação integral. “Alguém capaz de conceber o processo intei- ro, de dar conta do que se quer comunicar, dos públicos aos quais se dirige e dos discursos interativos em que deve expressar-se”.37

Este perfil profissional vislumbrado a reboque da convergên- cia, por sua vez, dialoga com trabalhos que trazem esta discussão para o âmbito da formação em Jornalismo. Castellón e Jaramillo (2009) já indagavam sobre competências de caráter digital, a partir das mudanças culturais, políticas, econômicas e comuni- cacionais presenciadas no âmbito da Sociedade da Informação.

37 - Sino alguien capaz de concebir el proceso entero, dar cuenta de lo que se quiere comunicar, de los públicos a quienes se dirige y de los discursos interac- tivos en que deba expresarse.

A partir de um trabalho de revisão teórica sobre o conceito, in- clusive a partir da ideia de nativos digitais, apontam o seguinte como competências digitais para os jornalistas:

1. Competências de julgamento, de discernimento sobre a quali- dade e credibilidade de uma fonte de informação;

2. Competências Transmídia, relacionadas à capacidade de na- vegar entre fluxos e evolução de médias, tradicionais ou não; 3. Competências éticas de apropriação e/ou reprodução, discer-

nindo entre temas como plágio e obra derivada, propriedade intelectual e direitos de autor;

4. Competências Hipertextuais, com habilidades nos campos de arquitetura da informação e mineração de dados

5. Competências Convergentes, com habilidades para compreen- der e utilizar software e códigos de programação;

6. Competências de trabalho, prevendo cenários de inteligência coletiva, atuação em rede e habilidades sócio-emocionais.

Segundo os autores, estas competências são necessárias para a sobrevivência dos jornalistas em contextos digitais. “São de so- brevivência porque o fenômeno da migração digital claramente indica que esta é uma tendência definitiva, num caminho sem volta”38 (Castellón e Jaramillo, 2009: 51, tradução nossa).

Considerações finais

Após este exercício exploratório do conceito de literacias, no- tam-se aproximações e tensões interessantes e importantes des- ta abordagem para o campo da Comunicação, evidenciada a uti- lidade do conceito para estudar as competências e habilidades necessárias para o Jornalista atuar frente às mudanças ocorridas no bojo do paradigma digital. Fica evidente, inclusive, que este é um tema que já é debatido, de alguma forma, no campo da

38 - Son de sobrevivencia porque el fenómeno de la migración digital claramen- te indica que ésta es una tendencia definitiva y sin marcha atrás.

218 219 Comunicação, com atenção para a formação dos estudantes e a

presença deste tema em propostas de planos de estudos.

As literacias digitais, assim, se mostram como uma categoria de análise para compreensão do que se vislumbra como neces- sário para atuar nos entornos do Jornalismo mediado pelas tec- nologias digitais. Além disso, quando compreende-se o Ciber- jornalismo interdependente do próprio paradigma que o define, pressupõe-se que há ai uma intersecção que precisa ser mais bem compreendida.

Ademais, esta metáfora da intersecção se mostra pertinente para compreender as habilidades e competências dos jornalis- tas e a própria definição de Ciberjornalismo, compreendendo um profissional autônomo e criativo em relação às tecnologias digi- tais. Assim, as literacias emergentes de atores em rede permitem não apenas vislumbrar o que é necessário para atuar no Ciberes- paço, como deixam evidente os riscos que a falta destas compe- tências e habilidades traz para a boa prática do Ciberjornalismo e do Jornalismo de maneira geral.

Com pode verificar-se, não se trata de compreender a utilização de ferramentas tecnológicas em seus meios e processos produtivos (o que já vem sendo feito em alguma medida a partir de pesquisas disponíveis), mas de compreender a interação, aprendizagem e apropriação tecnológica. Assim, reconhecem-se o jornalista para além de um tipo de “usuário” competente ou incompetente digi- tal, mas como interagente num “processo de apropriação cons- ciente do ciberespaço, numa postura de aprendizado dinâmico, colaborativo e constante” (Botelho-Francisco, 2017).

Por fim, ressalta-se a importância e urgência do tema, que re- quer atenção e investigações mais profundas. Neste sentido, como trabalhos futuros, vislumbra-se a necessidade de um es- tado da arte em relação às Literacias Digitais no campo do Jor- nalismo; pesquisa sobre Literacias digitais de estudantes de Jor- nalismo no Brasil, bem como em contextos de blocos regionais como Mercosul e Europa; pesquisa sobre Literacias digitais de jornalistas profissionais, igualmente em contextos locais e inter- nacionais; ações de divulgação sobre o tema junto às escolas de

Rodrigo Eduardo Botelho-Francisco

Jornalismo; e atividades de sensibilização voltadas para estu- dantes e profissionais. Enfim, trata-se de um campo em aberto e a ser explorado.

Referências

BAWDEN, D. (2001). “Information and digital literacies: a review of concepts. Journal of Documentation”, 57(2), pp. 218-259. Recuperado em 28 de novembro de 2018, de http://www.eme- raldinsight.com/journals.htm?articleid=864156&show=pdf. BOTELHO-FRANCISCO, R. E. (2017). “Literacias emergentes

em contextos digitais”. RBBD, São Paulo, 13, pp. 4-26. Recu- perado em 28 de novembro de 2018, de https://rbbd.febab. org.br/rbbd/article/view/653/568.

CABEZUELO, F. e SIERRA, J. (2012) “La nueva formación de los futuros profesionales de la comunicación digital: case study de una propuesta educativa del panorama universitario español”. In: Mario Quijano Pascual (Coord.). TELOS 90: Revolución de los museos. Fundación Telefónica.

CÁDIMA, F. R.; TORRES DA SILVA, M. (2013) Novas conver- gências digitais, novos perfis e competências. Libro de Actas do XIII Congresso Internacional Ibercom. Santiago de Com- postela: IBERCOM, AssIBERCOM, AGACOM. Recupera- do em 28 de novembro de 2018, de https://run.unl.pt/bits- tream/10362/37321/1/NovasConvergenciasDigitais.pdf. CASTELLÓN, L. e JARAMILLO, O. (2009). “Competencias digi-

tales para periodistas. Revista Latinoamericana de Ciehncias de la Comunicación”, 10(6), pp. 38-51. Recuperado em 28 de novembro de 2018, de https://www.alaic.org/revista/index. php/alaic/article/view/81/79.

COSTA, J. J. M. da. (2011) “Literacia ou Literacias Digitais? Uma Reflexão no Final da Primeira Década do Século XXI. Revista Portuguesa de Pedagogia”, [S.l.], pp. 171-180, Recuperado em 28 de novembro de 2018, de http://impactumjournals.uc.pt/ rppedagogia/article/view/1314.

COSTA, A. Q. da, VETRITTI, F. G. C. de M. & VERGILI, R. (2016). Internet das Coisas, Big Data e Literacias Digitais: novos rumos para a formação de comunicadores. Anais do Encontro Internacional Tecnologia, Comunicação e Ciência Cognitiva, 2(1), pp. 1-16.

ESHET-ALKALAI, Y. (2004) “Digital Literacy: a conceptual framework for survival skills in the digital era”. Journal of Educational Multimedia and Hypermedia, v.13, n.1, pp. 93- 106.

GILSTER, P. (1997) Digital literacy. San Francisco, CA: John Willey & Sons.

GRIZZLE A. e SINGH, J. (2018) “Cinco leis da Alfabetização Mediática e Informacional” (AMI). Recuperado em 28 de no- vembro de 2018, de http://www.unesco.org/new/fileadmin/ MULTIMEDIA/HQ/CI/CI/pdf/Events/mil_five_laws_por- tuguese.png

LUCAS, M., MOREIRA, A., e COSTA, N. (2017). “Quadro euro- peu de referência para a competência digital: subsídios para a sua compreensão e desenvolvimento”. Observatorio (OBS*), 11(4), pp. 181-198. Recuperado em 28 de novembro de 2018, de http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&- pid=S1646-59542017000400010&lng=pt&tlng=es.

PASSARELLI, B. (2010) Literacias emergentes nas redes sociais: estado da arte e pesquisa qualitativa no Observatório da Cul- tura Digital. In: PASSARELLI, B., AZEVEDO, J. (Org). Atores em rede: olhares luso-brasileiros. São Paulo: Senac São Paulo. ROMERO-RODRÍGUEZ, L. M. e AGUADED, I. (2016). “Con- sumo informativo y competencias digitales de estudiantes de periodismo de Colombia, Perú y Venezuela”. Convergencia, 23(70), pp. 35-57. Recuperado em 28 de novembro de 2018, de http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttex- t&pid=S1405-14352016000100035&lng=es&tlng=es.

BARRIOS RUBIO, A. e ZAMBRANO AYALA, W. R. (2015). Con- vergencia Digital: Nuevos perfiles profesionales del periodista. Anagramas, 13(26), p. 221-240. Recuperado em 28 de novem- bro de 2018, http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_

arttext&pid=S1692-25222015000100012&lng=en&tlng=es. UNESCO (2017). “Media and Information Literacy”. Recupera-

do em 29 de novembro de 2018, de http://www.unesco.org/ new/en/communication-and-information/media-develop- ment/media-literacy/mil-as-composite-concept/.

VERGILI, R. (2017). “Literacias digitais nos cursos de Gradua- ção em Relações Públicas: disciplinas de tecnologia nas ma- trizes curriculares de universidades brasileiras”. Tese de Dou- torado, Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado em 28 de novembro de 2018, de www.teses.usp.br

WARSCHAUER, M. (2003a) “Demystifying the Digital Divide”. Scientific American, Vol. 289, 2, pp. 42-47. Recuperado em 28 de novembro de 2018, de https://www.jstor.org/stab- le/10.2307/26060401

WARSCHAUER, M. (2003b) Technology and social inclusion: rethinking the digital divide. Massachusetts: MIT Press. Rodrigo Eduardo Botelho-Francisco (In)Competência digital como ameaça ao Ciberjornalismo?

In document Semantic Matching (sider 133-139)