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Evaluation Protocol

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Implementation and Evaluation

6.1 Evaluation Protocol

Quando pesquisamos a palavra mulher em inglês no Freepik, woman, os resultados a princípio podem não parecer assim tão estranhos. Mas a verdade é que eles são o resultado de um “em- branquecimento” das personagens (Acevedo e Nohara, 2008). A primeira página, e muitas das que vêm a seguir, são ilustradas por mulheres brancas, magras e eurocêntricas, como se pode ve- rificar na Figura 1. Não bastasse a falta de representatividade e

de diversidade, ainda na primeira página e na mesma figura é possível encontrar imagens que relacionam o termo mulheres à limpeza e aos afazeres domésticos. O mesmo acontece em relação à sexualidade. E junto disso vale lembrar o que já concluímos aci- ma, com a ajuda de Cabecinhas (2007): todo estereótipo consiste em uma forma de discriminação.

Figura 1 - Pesquisa pelo termo woman no Freepik

Fonte: Freepik (2018).

O termo children, crianças em inglês, também suscita um re-

sultado interessante. As crianças negras só aparecem em fotos de grupos, junto de outras minorias étnicas. E a situação fica ainda mais drástica se trocarmos o termo da pesquisa por baby. Deborah Cattani | Maurício Amaro Onde estão os negros? Uma análise de imagens de domínio

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O “branqueamento” é evidente. São páginas e páginas de fotos de bebês no Freepik que são todas iguais. E nessa ferramenta de imagens gratuitas nem adianta tentar procurar por black baby ou black children.

O site só mostra e revela imagens de pessoas negras quando se busca pelo verbete afro. Mais uma clara demonstração de que o sistema está permeado de racismos, pois entende que pessoas negras são todas de etnia africana. É o que Acevedo e Nohara (2008) ressaltam ao falar do racismo digital através dos discur- sos e das imagens. A simples não menção da etnia, quando esta- mos assumindo se tratar de uma pessoa branca, e o aparecimen- to dela ao falarmos de uma minoria étnica.

Por isso, o fato de sermos obrigados a especificar a cor da pele ou outras características físicas para obtermos uma foto de uma pessoa ou criança que esteja de acordo com o público brasilei- ro é um ato discriminatório. Se ao procurar por woman não se consegue encontrar mulheres diversificadas, por que só as encontramos quando buscamos por afro?

No Nappy, os termos pesquisados só apresentam pessoas ne- gras, como já é de se esperar devido a sua proposta. Entretanto é curioso notar que essas pessoas muitas vezes aparecem cercadas de objetos que caracterizam também uma cena étnica específica, como se o negro fosse sempre um personagem africano por colonizar, pertencente a uma tribo e à espera de ser “humaniza- do”, como vimos em Hall (1992). A imagem do negro como per- tencente à sociedade ocidentalizada nesses dois bancos de ima- gens é rara e difícil de encontrar.

Figura 2 - Pesquisa pelo termo woman no Nappy

Fonte: Nappy (2018).

Sobre a sexualização dos corpos negros também há muito o que falar. Nas buscas por men, man, woman e women, os negros e negras são muitas vezes representados através de corpos escul- turais, seminus e com roupas de praia ou academia, como visto na Figura 2. Bosco (2018: 163) destaca que a relação da mulher negra brasileira com o sexo é central. Sobre isso ele afirma que “[...] a relação entre os negros e o sexo, no Brasil, remonta à ex- ploração sexual escravagista, que atravessa o século XX, nas ca- sas de classe média e alta, atenuada, mas não abolida – e ainda se mantém hoje, como uma associação, naturalizada, entre pessoas negras e sexo”.

Considerações finais

No âmbito desta pesquisa, podemos verificar que ilustrar mate- riais publicitários ou jornalísticos através de bancos de imagens freemium ou gratuitos, de forma diversificada, é um trabalho basicamente impossível. Não é à toa que muitos dos produtos Deborah Cattani | Maurício Amaro Onde estão os negros? Uma análise de imagens de domínio

culturais brasileiros são branqueados e representados de uma determinada forma. Além do racismo crescente no país, a falta de fontes viáveis limita o trabalho de jornalistas e de outros profis- sionais na hora de publicar sobre determinado assunto em meio digital.

O fato de termos de usar palavras pejorativas nessa busca a fim de descrever as pessoas que buscamos etnicamente também tor- na a questão ainda mais importante e vital. Uma forma de evitar isso seria criar bancos de imagens que classificassem as fotos de forma neutra, sem a disseminação do racismo ou do sexismo em mídias digitais. Como Bosco (2018) ressalta, a educação é a base para que haja uma virada na conduta, principalmente quando falamos do espaço público brasileiro e dos produtos culturais.

Se um jornalista ou publicitário ilustra, por exemplo, um ma- terial sobre o dia das crianças com bebês brancos sempre, como pode haver representatividade? Como podem as pessoas criar identidades sociais em cima de determinados conteúdos cujas imagens ilustram apenas uma camada da sociedade, as elites? O “branqueamento” digital segue reproduzindo problemas sociais que já existiam anteriormente e que deveriam ser minimizados com a possibilidade da “democratização” da internet.

Todavia, quando publicitários sentem a necessidade de criar um espaço em que se encontram apenas imagens de pessoas ne- gras, é porque essa democracia não acontece. O acesso ainda é limitado, pois não basta o acesso sem o conhecimento, sem sa- ber como lidar com a técnica e com a tecnologia. Além disso, o Nappy, apesar do seu intuito positivo, acaba por levantar outras questões discriminatórias. O próprio termo Nappy é uma gíria estadunidense que quer dizer frisado, referindo-se ao cabelo das pessoas negras. O vocábulo é de origem alemã, do século XX. O seu uso é carregado de preconceitos. Talvez não fosse o nome mais apropriado para agregar essas imagens, visto que assume um caráter de discriminação e de exclusão.

Referências

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BOLSANELLO, M.A. (1996). “Darwinismo social, eugenia e ra- cismo”. In Educar, n.º 12 (pp. 153-165). Parará: Editora UFPR. BOSCO, F. (2018). A vítima tem sempre razão? Lutas identitá- rias e o novo espaço público brasileiro. Lisboa: Tinta da China. CABECINHAS, R. (2004). “Estereótipos sociais, processos cog- nitivos e normas sociais”. In Etnicidade, nacionalismo e ra- cismo: migrações, minorias étnicas e contextos escolares. (pp. 151-165). Porto: Edições Afrontamento.

CABECINHAS, R. (2007). Preto e branco: a naturalização da discriminação racial. Porto: Campo das Letras.

HALL, S. (1992). Race, Culture, and Communications: Look- ing Backward and Forward at Cultural Studies, Rethinking Marxism (pp. 10-18).

HALL, S. (1994). “Cultural identity and diaspora”. In Williams, Patrick and Laura Chrisman (Eds.) Colonial discourse and post-colonial theory: a reader (pp. 222-237). London: Har- vest Wheatsheaf.

HOOKS, B. (1992). Black looks: Race and representation. Bos- ton: South End Press.

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TUROW, J. (2006). Niche Envy: Marketing Discrimination in the Digital Age.

WILLIAMS, R. (1983). Keywords: A vocabulary of culture and society. London: Fontana Press.

Deborah Cattani | Maurício Amaro Onde estão os negros? Uma análise de imagens de domínio público no Nappy e no Freepik

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