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Ao longo de vinte e quatro capítulos, o leitor acompanha a aventura da turma do Gordo inspirada na obra do vampiro mais conhecido do mundo: conde Drácula. Após fazer a descrição da casa da família do Gordo, num estilo que lembra os romances românticos, pelo excesso de detalhes, e informar aos leitores a composição da turma do Gordo, o narrador revela o motivo da reunião daquela tarde: a ida da professora Jandira à Itália e o seu casamento com o conde Futreson de Lucra.

Depois de uma seleção com mulheres das principais capitais do mundo, Jandira é escolhida para ser a nova esposa do conde italiano, no entanto, só aceita assim que assistisse a um vídeo do futuro noivo. A turma fica curiosa para saber quem é o famoso conde, que se casará com a bela e inteligente professora Jandira. No momento em que a turma e os demais adultos, os pais do Gordo e o frade João assistem ao vídeo, aparece na tela a figura de um grande mastim. Pancho começa a avançar na tela, sendo que o mastim acompanha a trajetória do cão do Gordo. Este fica tão agitado, que estraçalha as caixas de som.

No dia do embarque de Jandira, Hugo Ciência tenta, inutilmente, alertar a turma de que o conde na verdade é um vampiro, pois o nome dele, Futreson de Lucra, é um anagrama de Nosferatu Drácula. Jandira vai à Itália e fica assustada com algumas coisas que ocorrem no castelo onde mora o conde como a entrada misteriosa do mastim do vídeo em seu quarto além do cheiro forte de amoníaco no ambiente. A professora estava certa ao temer o destino que a esperava: o conde Futreson a transforma em uma subvampira, como ficam conhecidos aqueles que são mordidos pelo vampiro.

O conde, ao ver uma foto da turma do Gordo mostrada pela sua noiva, fica comovido ao ver a semelhança de Berenice com a camponesa, a quem fora apaixonado e se matara para não ser amaldiçoada. Assim, o leitor é levado para o ano de 1487, quando é descrita o encontro do conde com a jovem camponesa. A fim de encontrar-se com Berenice, o conde vai ao Brasil com o objetivo de transformá-la em uma subvampira. A partir da chegada do conde em São Paulo, coisas estranhas acontecem como a desobediência do Pancho, que passa a ficar próximo do conde e ser agressivo com as pessoas conhecidas. Nesse meio tempo, o frade João fica desconfiado do conde e pede ajuda a Roma para esclarecer suas dúvidas a respeito desse misterioso homem, cujas suspeitas são confirmadas pelo fax enviado por frei Cristoforo Petroluzzio, direto da Itália.

Edmundo e Silvia voltando do pronto-socorro, onde o menino fora cuidar do ferimento causado pelo Pancho, encontra com o carro que conduzia o conde e decidem segui-lo. Assim, como em O gênio do crime, Edmundo resolve investigar. Chegando na casa onde o carro entrara, as duas crianças começam a observar cada cômodo. No porão se deparam com o conde e a professora Jandira deitados sobre um caixão de terra muito preta que exalava um cheiro forte de amoníaco. Constatando que ambos estão mortos, concluem que foram assassinatos pelo Tafor, mordomo, e que este se prepara para fugir de helicóptero. Edmundo e Silvia não sabiam que o conde e a sua noiva estavam apenas dormindo. Jandira desperta do seu sono e vai em direção a Edmundo. Neste ponto a narrativa é interrompida, aumentando o suspense no leitor, que lê a narração do que está acontecendo na casa do Gordo devido à demora dos amigos.

Berenice fica preocupada por um pressentimento ruim. Ela sente que algo de ruim vai acontecer e pede que o Gordo a acompanhe na sua casa e que não a deixe dormir sozinha. O conde estava controlando a mente da menina para que ela o convidasse para entrar em seu quarto e, assim, ter a sua amada de séculos. O Gordo deve que se ausentar do quarto de Berenice, que controlada mentalmente pelo conde, permite que o vampiro entre. Quanto este ia dar a mordida, a garota enfia um facão em seu próprio coração, dizendo as mesmas palavras que a camponesa dissera ao se matar: “_Alma penada, cão danado”. Diante da morte da amada, o conde transforma-se no mastim e uiva estrondosamente. O Gordo, ao abrir a porta do quarto, é atacado pelo mastim, que acaba mordendo sua canela.

A garota é salva pela ação rápida do Gordo, que faz uma massagem cardíaca, para reanimá-la, enquanto aguarda a chegada da ambulância. A menina sobrevive e, enquanto se recupera no hospital, frade João, o Gordo e seu pai, seguindo as recomendações do frei, amigo do frade, resolvem matar o conde e a Jandira para acabar com a maldição. Para que a alma da professora seja salva, a sua morte é inevitável. O conde consegue escapar e a professora é morta. Frade João alerta a turma de que, devido às circunstâncias, o conde voltará a atacar Berenice. A turma toda se organiza para matar o conde no hospital, onde a namorada do Gordo se recupera. Mesmo se transformando no frade João para tentar enganá-los, o conde é descoberto pelo Gordo, que reconhece a farsa e ataca-o, pois o vampiro se esquecera de pegar a corrente com a cruz que o frade João sempre usava.

O narrador mostra certas curiosidades sobre os nomes de alguns objetos ou sobre detalhes da construção do castelo: "O enxoval que a professora mandara vir do Brasil já estava arrumado direitinho nas grandes cômodas (que haviam substituído os incômodos baús originais, vindo daí o seu nome de cômodas) e os livros nas estantes." (MARINHO, 1994,

p.24), e, “A janela abria para o pátio interno do castelo: naquele tempo não podia abrir-se para fora, pois seriam atingidas por flechas incandescentes, pedradas ou outros engenhos. (MARINHO, 1994, p. 24)”. Além da descrição da tortura feita à família da camponesa, por quem o conde se apaixonara, por métodos tão comuns no século XV:

O pai, a mãe e os irmãos da jovem camponesa foram torturados pelos vários instrumentos que havia nos porões do castelo, colocados na roda dentada, puxados pela máquina de esticar, atarrachados na prensa de crânio, e, finalmente, quando os seus corpos eram mais do que informes pelotas de carne macerada, foi-lhes colocado o funil nas bocas e por ali derramado chumbo fundido. (MARINHO, 1994, p.43)

Por meio da voz do narrador, o leitor é informado de certas peculiaridades ou curiosidades como as mencionadas acima. Ao longo da narrativa, Marinho incorpora curiosidades sobre o período dos acontecimentos ou sobre a origem dos nomes como no caso das formas de tortura e da cômoda, respectivamente.

Sobre as capas, embora sendo do mesmo ilustrador, Mauricio Negro, o enfoque dado é diferente. Na primeira edição, há a presença do conde escrevendo uma carta à professora Jandira, em meio a uma vasta biblioteca, em que o leitor olha de trás a ação da personagem. Já na última edição, observa-se o clima de suspense por ser mostrada uma imagem do castelo envolta com morcegos, numa noite de lua cheia. Na capa da primeira edição, pela escolha feita pelo ilustrador, o leitor pode remeter o ambiente da história ao universo da nobreza pela personagem ser um conde. Já na segunda capa, introduz o leitor no universo próprio da história que é a questão do vampiro representado pelo conde Futreson num intertexto com o conde Drácula, sendo o nome do conde um anagrama de conde Drácula, pois há a imagem de um castelo rodeado de morcegos.

Atendendo ao novo projeto gráfico da última edição, houve a mudança da capa, mas as ilustrações mantiveram-se as mesmas no interior das obras nas duas edições analisadas. O estilo das ilustrações na primeira edição é o mesmo da capa, diferente da última:

Figura 17: Imagem da primeira edição, capa e ilustrações de Mauricio Negro (1994).

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