8. Kvantitativ undersøkelse
8.3 Analyse
8.3.2 Faktoranalyse
Berenice contra o maníaco janeloso traz mais uma aventura da turma do Gordo, sendo esta ocorrida no segundo semestre de 1988. Alunos e professores são assassinados durante as aulas por um “maníaco janeleiro” ou como Pituca o chama: maníaco janeloso. Temendo serem as próximas vítimas, a turma decide ir à delegacia do Doutor Paixão, amigo do pai do Gordo, para obter informações a respeito do atirador. Também estão presentes o subdelegado doutor José e a psicóloga Neusa. Por meio de várias perguntas, as crianças tem acesso ao retrato falado do criminoso. Consegue ver o retrato falado do maníaco. Berenice, ao tentar pegar um táxi, pega carona com o maníaco janeleiro. Ao se dar conta que estava no carro do criminoso, imagina um jeito dele não escapar, mas sem levantar suspeitas. Diz ao motorista que esquecera seu caderno na Cultura Inglesa que ficava do lado da delegacia do Dr. Paixão. A intenção da Berenice é avisar a polícia por telefone quando estivesse na Cultura
Inglesa, que ficava próxima à delegacia. O maníaco sabendo da emboscada preparada por Berenice, decide matá-la e sai em alta velocidade. Sem alternativa, a menina crava as suas unhas no rosto do bandido, que, sem direção, capota o carro e este pega fogo. Berenice é lançada antes do carro incendiar, o que a livra da morte, tendo apenas escoriações leves. O maníaco acaba fugindo. No entanto, a garota desconfia da atitude do subdelegado, Doutor José que finge não vê-la quando estava no carro do maníaco. As suspeitas da menina são confirmadas, pois tanto o subdelegado como a psicóloga estão envolvidos no esquema de tráfico de drogas, chamado de Cartel de Medellín, em que o real motivo dos assassinatos é a queima de arquivo. Na verdade, a quadrilha está em busca do americano Harry que infiltrado na quadrilha em São Paulo, torna-se a principal testemunha do esquema de venda de drogas. Disfarçado de professor, passa a ser o alvo dos bandidos, sendo a morte dos alunos e demais professores apenas um disfarce.
O professor Wanderley, que ministrava aulas de ciências para a turma do Gordo é assassinado com um tiro na cabeça como as demais vítimas. Após o assassinato, o maníaco se joga do prédio onde estava. A população enraivecida quer linchar o homem, mesmo morto. Segue a descrição da cena, que pela forma como é apresentada pelo exagero e ironia causa um efeito de riso:
A turma do lincha conseguiu furar o bloqueio: uma mulher dobrava o pé do maníaco, a outra batia com o sapato na dentadura dele, cada um puxava o cadáver para um lado, o cadáver abriu.
Um sujeito cheio de sangue, com o fígado do maníaco na mão, olhou fixamente para o Pituca e falou:
_Menino, tome cuidado, você não está linchando, você é parente dele? _Eu? – falou Pituca – O senhor que esta linchando muito devagar, o senhor não está linchando honestamente, para falar a verdade o senhor está linchando porcamente, estou começando a achar que o senhor é o tarado da Vila Madalena.
As palavras de Pituca fizeram com que os outros linchadores olhasse desconfiadamente para o sujeito do fígado e ele ficou inibido: continuou a linchar quietinho e parou de ofender o Pituca.
Quarenta soldados, altos, gordos, fortes, sem pescoço, com olhar de QI- menos-quatro, escudo transparente na mão esquerda, cassetetes elétricos na mão direita, máscaras contra gás no rosto, desceram de dois caminhões. Os linchadores atiraram pedras, garrafas e pedações do maníaco nos soldados, as crianças se encolheram perto do doutor Paixão, sentiram vontade de vomitar, uma sensação ruim, olhos em fogo: era o gás lacrimogêneo. (MARINHO, 1990, p.87)
As crianças desconfiam que a intenção do atirador era matar o professor de inglês, que, ao invés de dar a última aula, pediu para antecipar sua aula com o professor Wanderley,
que acabou morto em seu lugar. As suspeitas das crianças são confirmadas quando o cônsul dos Estados Unidos, Mister Stanley, sua esposa Deborah e o professor Harry, explicam a real causa dos assassinatos. O professor Harry na verdade é um espião que se infiltrou na filial do Cartel de Medellín em São Paulo para poder denunciar os envolvidos. No entanto, foi descoberto e estavam querendo assassiná-lo, pois seu testemunho condenaria os envolvidos. Numa operação de guerra, a casa do gordo é invadida e destruída e o americano Harry, morto. Mesmo depois da morte dos criminosos e da destruição, ainda há humor ao narrar o mordomo Abreu roubando os pertences dos mortos:
_Tive sorte – falou Abreu – Daqui a cinco minutos o corpo endurecia e não havia Cristo que tirasse o paletó.
_O que você pretende? – perguntou Pituca.
_Gostei da camisa preta com gravata de seda amarela – falou Abre – Vai pro meu enxoval.
_Muito brega – falou Pituca – Eu se fosse você, pegava a camisa azul- clarinha daquele morto ali.
_Gosto não se discute – falou Abreu. (MARINHO, 1990, p. 110)
Enquanto acontecia tudo isso na sua casa, o Gordo e a Berenice saíram, sendo que ela iria para a delegacia do Doutor Paixão denunciar o envolvimento do subdelegado José e o gordo iria para a casa do pai do Anselminho, um dos colegas da sala. Chegando na delegacia, ao entrar na sala do doutor Paixão, é trancada pela psicóloga Neusa e pelo subdelegado, doutro José, de quem já desconfiava. O doutor José estava envolvido no esquema do Cartel de Medellín e envolvido também nos assassinatos. Na hora em que estava tentando matar Berenice asfixiada, o gordo chega e o Pancho ataca o homem e o mata, estilhaçando seu pescoço.
Marinho mais uma vez atento aos acontecimentos, aborda em seu texto a questão do tráfico de drogas representado pelo Cartel de Medellín, na Colômbia nas décadas de 70 e 80. Por meio de uma das personagens, o leitor é informado sobre o que é esse cartel:
_O Cartel de Medellín é uma quadrilha que controla 80% da cocaína do mundo. Pelo enorme lucro que dá a cocaína tornou desinteressantes as outras atividades criminosas: todo marginal está entrando no negócio da cocaína. (MARINHO, 1990, p. 103)
É mostrado também o envolvimento da polícia no esquema de tráfico e a banalização da violência, pois para se obter os benefícios do crime pessoas inocentes são mortas, inclusive
crianças. A postura adotada por Marinho para representar essa violência é do exagero como na cena descrita do linchamento do maníaco ou a frieza para mostrar o ataque do cão do Gordo:
O Pancho não rosnava, o ataque dele era silencioso, ia tirando pedaços de pescoço do doutor José. [...] O cadáver do doutor José, os olhos fixos, imóveis, jazia no chão, rodeado por muito sangue e pedaços de pescoço que o Pancho esmigalhou. (MARINHO, 1990, p. 120)
Em relação ao projeto gráfico-editorial, é interessante notar na capa a mudança de perspectiva. Na primeira edição, o leitor tem a mira do atirador e os elementos que fazem parte da narrativa como o local de onde atira e o tipo de arma usada. Já na última edição, há a presença de uma garota e de um adulto, que representam olhar para o assassino, mas tomando cuidado para não ser vistos, pois estão no canto da janela do prédio.
Figura 13: Ilustração de Alê Abreu e capa de Camila Mesquita (2007).