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Forskningsmodell og hypoteser

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Esta narrativa é dividida em 21 capítulos mais um epílogo. Nesta aventura da Turma do Gordo, Berenice decide escrever um livro intitulado Ninguém faz a minha cabeça. Para isso conta com a ajuda da turma já conhecida pelo leitor que acompanha a série, mais a presença de Hugo Ciências que, após Sangue fresco, passa a compor a turma. Marinho aborda todo o processo de produção do livro, da criação à venda.

No primeiro capítulo, temos a descrição da manhã do Gordo, assim que ele acorda com a mensagem em seu computador que dali a um mês é aniversário da Berenice. Sem esse lembrete, o Gordo se esqueceria do aniversário da namorada: “A Berenice ficava de mal quando o gordo esquecia o aniversário dela, e já tinha acontecido duas vezes.” (MARINHO, 1984, p.7). O leitor é apresentado à turma do Gordo, todos estando no quinto ano da admissão:

A turma vocês já conhecem: o Edmundo, o Pituca, a Berenice, a Mariazinha, a Silvia, o Godofredo, o Biquinha e o Zé Tavares, muito tímido, não falava nada, mas era indispensável para a formação química do grupo.

Agora tinha mais o Hugo Ciências, o menino do QI 250, que gostou tanto da turma que se transferiu do Pueri Domus para o Três Bandeiras. (MARINHO, 1984, p. 13)

A Berenice decide escrever o melhor livro do mundo, dando continuidade à sua vontade de ser escritora, que fora frustrada durante a aventura em Sangue fresco. Reunidos em volta da piscina na casa do gordo, a turma discute a ideia de Berenice em escrever um livro, ainda mais sendo uma criança. Em meio à escrita do livro, o leitor fica sabendo do envolvimento da professora Jandira com o industrial grego Papoulos Scripopulos, que fica muito interessado com a informação de que sua aluna está escrevendo a maior obra-prima da literatura brasileira, talvez até mundial. Assim, o narrador revela a ideia do grego:

O cérebro do grego se iluminou.

Se conseguisse roubar o livro da Berenice e publicá-lo em seu nome, ia dar uma nota, além da fama de artista que todo milionário persegue como um colorido final da sua felicidade. (MARINHO, 1984, p.45)

Papoulos procura um jeito de roubar o livro da Berenice e publicar em seu nome. Para isso, vai à casa do Gordo para ver um meio de pôr em prática seus planos. Com a ajuda de Kuntz, veterano de guerra alemão, especialista em missões arriscadas, conseguiria instalar um

o micro-computador-auditivo-transmissivo. Este dispositivo, sensível ao toque das letras da máquina de escrever, transmitiria para um computador no apartamento do grego e também já imprimiria milhões de cópia. O impasse acontece quando o grego, questionado pelo seu capanga Mathias, sobre os capítulos anteriores, escritos antes do uso do microcomputador. Mais uma vez, Kuntz entra em ação para roubá-los visto que só poderiam estar na casa do Gordo. Numa operação digna de espionagem, o alemão vasculha toda a casa, “milímetro por milímetro”. Só que o criminoso não contava com a astúcia do Gordo, que já desconfiara de uma possível ação criminosa:

Depois das aventuras do Gênio do Crime, do Caneco de Prata e do Sangue Fresco, o gordo não se iludia com a humanidade e sabia que todas as coisas que a gente faz tem gente safada querendo se aproveitar. (MARINHO, 1984, p.72)

No entanto, o que acontece em seguida provoca o humor da forma como é contada. O gordo guardara cada capítulo datilografado debaixo do seu travesseiro. Quando o Kuntz ia procurar bem onde o Gordo escondera, ele vê uma bandeja com brigadeiros e pega um, pois gostava muito. “Prá que meu Deus!”, expressa o narrador. Sabendo que o mordomo sempre comera os brigadeiros escondidos em seu quarto à noite, colocara o prato com os doces sobre uma balança ultra-sensível, cujo dispositivo disparava um alarme a qualquer alteração de massa. O alemão ficou desconcertado com a barulheira e com o fato de ter sua orelha cortada pelo afiadíssimo cortador de papéis do Gordo. O pedaço de orelha que será guardado pelo menino ajudará à turma chegar ao grego, pois o Pancho, cão pastor que substitui o Pirata, morto durante a ação dos bandidos de Ship O‟Connors em Sangue Fresco, pelo seu faro muito treinado irá em busca do dono da orelha. Essa primeira tentativa falha, sendo que o grego não desanima e pede ajuda a professora Jandira, que por dois diamantes resolve ajudar o namorado. Seduzindo Godofredo, Jandira pede ao menino que fotografe todos os capítulos que faltam ao Papoulos Scripopulos. Chega a festa de aniversário de Berenice, em que estão presentes o cambista e o seu Tomé, dono da fábrica de figurinhas, o detetive Mister John e o anão de O gênio do crime, o Redimir, cozinheiro do acampamento da Amazônia e Ship O‟Connors. O Gordo descobre o modo como a obra de Berenice estava sendo roubada quando, junto com Hugo Ciência, “envenenavam” o computador para fazer uma surpresa à aniversariante e o livro começa a passar na tela. Associando com a invasão ocorrida no quarto do Gordo em que Kuntz perdera parte de sua orelha, descobre-se que é o grego. Pituca, o frade João e o Gordo vão ao apartamento do Scripopulos para pegá-lo em flagrante. Sem

armas para combater o grego e Mathias que atiravam, o Gordo usou o cortador e acerta o olho do capanga, que morre. Ainda correndo perigo e sem condições de escapar dos tiros, frade João improvisa um coquetel molotov com uma garrafa de vodca e pedaço de sua batina e atira no Scripopulos, que morre carbonizado. Berenice finaliza sua obra e resolvido a questão da busca de editor, o livro, finalmente é publicado. No epílogo do livro, há narração da tarde de autógrafos:

Pouca gente compareceu à tarde de autógrafos do Ninguém Faz minha Cabeça.

Mas foi um lançamento simpático, ali na Livraria Capitu, na rua Pinheiros. A turma do gordo, os amigos, os parentes e alguns curiosos foram lá dar uma força. (MARINHO, 1984, p. 128)

Como O livro da Berenice aborda o processo de produção do livro escrito pela namorada do Gordo, num procedimento metalinguístico, a estrutura da obra também segue as mesmas características de produção, em que há a presença do epílogo. Essa parte final que arremata a narrativa é o momento final do processo: a recepção do público e tarde de autógrafos. Marinho traz para o plano da forma o conteúdo do texto, pois ao tratar da escrita de um livro, o conteúdo se iguala à forma.

Marinho mostra o processo de construção de um livro ao passar pela vontade do escritor até a procura de um editor. O autor também revela as dificuldades de se publicar um livro mesmo que ele seja considerado a obra mais importante da literatura mundial. Por meio de um estilo marcado pelo exagero e pelo humor, procura instigar o leitor à reflexão além de mostrar um dado real.

A voz narrativa é a mesma das obras anteriores em que é mostrada ao leitor a visão onisciente do narrador. A história é permeada por várias referências de obras da literatura e de seus autores, como no exemplo abaixo:

_Nenhum grande escritor brasileiro conseguiu ficar rico com literatura. Machado de Assis vivia num empreguinho público, Guimarães Rosa vivia de um empreguinho no Itamarati, Gracilianao Ramos e Clarice Lispector viviam sabe Deus lá como, Carlos Drummond de Andrade também vivei de um emprego público modestíssimo, a lista é grande e nunca leva para a riqueza. (MARINHO, 1984, p.126)

Assim, Marinho vale-se de seu conhecimento sobre literatura e insere na narrativa de um modo descontraído para o público infantil sem cair no pedagogismo. As informações são usadas como um recurso estilístico para potencializar o efeito de sentido na obra.

Além de saber que não ficará rica, Berenice também sabe que sua fama será discreta, sendo que seus leitores a farão “uma pessoa imortal, silenciosamente imortal.” A fama virá silenciosa, bem diferente do que Scripopulos e Berenice esperavam. Para ilustrar essa realidade, o editor cita exemplos da literatura nacional embora tenham sido considerados grandes autores, não conseguiram viver de seus escritos.

Figura 8: Imagem da capa da primeira edição de Arturo Condomí Alcorta e ilustração de D. M Dellog .

Figura 9: Capa e ilustrações de Camila Mesquita (9ª edição, 2006).

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