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Strategies for coping with other-intentional motivation

PART IV: FINDINGS

4.2 What kind of interview faking behavior have companies experienced?

4.3.3 Strategies for coping with other-intentional motivation

Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, a partir dos anos 1980, defendem uma perspectiva que denominam de radicalização da democracia. Assumindo uma postura crítica ao marxismo e ao liberalismo, defendem uma vertente que nas décadas seguintes buscaria uma posição própria no debate democrático, entre a modernidade e a pós-modernidade, diferenciando-se da perspectiva habermasiana da democracia deliberativa.30

Neste sentido, é importante perceber como Dallmayr (2001, p. 12) situa as lutas e os debates em torno das disputas pela construção democrática em um território onde questões modernas e pós-modernas se confrontam, onde “o papel do povo é quase sufocado, numa profunda confusão das estruturas sociais, em camadas sobre camadas de ‘subsistemas’ e de arenas públicas ou semipúblicas da vida social”.31 Porém, ao mesmo tempo, Dallmayr (2001, p. 33) reconhece que a insistência de Mouffe “em descentralizar ou desconstruir o ego moderno (cartesiano)”, não poderia ser identificada “com uma simples anulação da ação humana, especialmente a ação ‘do povo’”. Desta forma, essa perspectiva teria duas implicações essenciais. A primeira vinculada à rearticulação entre ética e política, a negação da existência de uma identidade fixa, ou natureza substantiva; a segunda seria referente ao multiculturalismo, através de uma política da diferença (Dallmayr, 2001, p. 34-36).

Chantal Mouffe (2001, p. 18) defende uma concepção de democracia que denomina de “pluralismo agonista”, criticando as vertentes liberais que reduziriam os atores políticos a indivíduos que agiriam em função de vantagens, interesses e preferências individuais aprioristicamente existentes. Essa perspectiva liberal negaria a essencialidade dos conflitos, das paixões e dos antagonismos no campo da política, impedindo a percepção dos processos e dinâmicas de formação e transformação dos interesses e preferências – para utilizar a terminologia liberal (Mouffe, 2001, p. 19). Situada em uma vertente caracterizada como democracia radical, o pluralismo agonista, afirmando o caráter inerradicável do poder e do antagonismo, enfatiza os processos permanentes de (re)constituição das identidades através das práticas políticas, em situações sempre demarcadas pela fragilidade (Mouffe, 2001, p. 20). Defendendo uma perspectiva sociológica não essencialista, o pluralismo agonista critica as perspectivas racionalistas na democracia, afirmando:

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Chantal Mouffe e Ernesto Laclau publicaram em 1985 uma obra importante para a Teoria da democracia na contemporaneidade, intitulada Hegemony and Socialist Strategy.

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Dentre os autores que fundam e desenvolvem essa perspectiva pós-moderna, destaquem-se Ernesto Laclau e Chantal Mouffe. Já quanto aos autores críticos a essa dissolução do sujeito, vide Richard Rorty (2005).

A política objetiva a criação da unidade em um contexto de conflito e diversidade; ela está sempre se ocupando da criação de um “nós” através da determinação de um “eles”. A novidade da política democrática não é superar esta distinção entre “nós/eles” mas estabelecê-la de uma maneira diferente.

No reino da política isto pressupõe que o “outro” não mais seja visto como um inimigo a ser destruído, mas como um adversário, isto é, alguém cujas idéias nós questionamos mas cujo direito em defender tais idéias não é colocado em questão (Mouffe, 2001, p. 20).

Essa perspectiva parece comungar com a vertente habermasiana ao não tematizar os condicionantes estruturais e/ou relacionais que fundam as situações, posições, interações e identidades sociais. Os agentes sociais são percebidos através de disputas intersubjetivas, demarcadas por conflitos e antagonismos, que originam identidades e hegemonias e instáveis e provisórias. Neste sentido, possíveis fundamentos objetivos que demarcariam as diferenças e as divergências sociais tornam-se ocultas ou invisíveis, e tudo parece tornar-se razão e/ou paixão. Promove-se o reconhecimento e a legitimação do conflito, além da recusa em suprimi-lo, porém, essa perspectiva teórica não fundamenta analiticamente uma compreensão da gênese e da processualidade social dos fundamentos estruturais e relacionais que originam as diferenças, os conflitos e os antagonismos.

Ao mesmo tempo parece haver um deslocamento teórico significativo. A teoria liberal acolhe a existência apriorística das preferências individuais, dissolvendo-as em uma identidade individual universal, abstrata, homogênea e racional-instrumental, fundando uma prática política assentada na competição e onde as escolhas políticas vinculam-se aos interesses em conflito. A perspectiva da democracia deliberativa, ao constituir a esfera pública, abre espaço para as interações e as disputas intersubjetivas, dentre uma pluralidade de agentes sociais como o fundamento para a legitimação das decisões políticas, em situações onde o consenso se opõe ao conflito. Já a perspectiva do pluralismo agonista, afirmando a essencialidade do antagonismo e do conflito, deriva a importância da paixão na política, deixando de tematizar, porém, a objetividade das relações e das estruturas sociais na conformação desses mesmos conflitos e antagonismos. Desta forma, a democracia radical evidencia a permanente transformação das identidades, mas, ao afirmar a essencialidade do caráter discursivo dos processos e fenômenos sociais parece, implicitamente, reduzir a objetividade do social às lutas intersubjetivas mediadas pela razão e pela paixão, entendendo- se a própria democracia como uma sempre provisória construção discursiva. Neste sentido, é interessante mobilizar as reflexões de Laclau (2008, p. 03) sobre a mudança na categoria de sujeito nas ciências sociais:

Ao invés de encarar o sujeito como uma fonte que forneceria um significado ao mundo, vemos cada posição de sujeito ocupando locais diferentes no interior de uma estrutura. A esta estrutura ou conjunto de posições diferenciais, damos o nome de discurso (...) Torna-se, portanto, impossível falar-se do agente social como se estivéssemos lidando com uma entidade unificada e homogênea. Ao invés, devemos abordar o agente social como uma pluralidade, dependente das várias posições de sujeito, através das quais o indivíduo é constituído, no âmbito de várias formações discursivas.