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4.4 A LTERNATIVE PERSONELLPRODUKSJONSSTRATEGIER

4.4.3 Strategi 2. Oppnå full dekning av yngre yrkesbefal

Consideramos que escândalos existem em diferentes áreas da vida, mas neste estudo nos interessam aqueles que aparecem na esfera política e têm grande repercussão na mídia, constituindo uma espécie de risco profissional para os políticos.

Chaia e Teixeira (2001) afirmam que os escândalos podem aparecer em todos os regimes políticos, dos autoritários aos liberais, mas é na democracia liberal que há maior ocorrência dos escândalos políticos, porque possui algumas características que a diferenciam dos outros:

[...] a política é um campo de forças em competição, organizado e/ou mobilizado em torno de ideias, partidos e grupos de interesse; - a reputação dos políticos é importante porque prevalece uma institucionalização do processo eleitoral e, para se ascender ao poder e obter sucesso eleitoral, um dos elementos-chave é gozar de boa reputação; - a relativa autonomia da imprensa; - as condições do poder político que favorecem a descoberta de transgressões por rivais e opositores, visto que prevalece o princípio da lei. (p. 65).

O conceito de escândalo é muito antigo, bem anterior à mídia que conhecemos hoje. Pode ser remetido ao início da era clássica grega e até mesmo ao pensamento judaico- cristão. Mas, a partir do século XVII o “escândalo” passa a receber afirmações e contra- afirmações veiculadas na imprensa, surgindo, no século XIX, como um novo fenômeno social, que Thompson (2012, p. 189) chama de “[...] escândalo como evento mediado”. Com estrutura e dinâmica que prescindem da revelação pela mídia de alguma ação ou atividade antes oculta, envolve algo obscuro de característica imoral ou errática e que, ao ser revelado, despertava no público indignação ou revolta. A exposição súbita de um suposto segredo ilegal pela imprensa transforma o evento em escândalo. Trata-se da emergência de um novo fenômeno: o escândalo como um evento de mídia.

“Escândalo” é um termo muito comum e largamente usado desde o século XVI. Embora o uso original do termo frequentemente tivesse uma conotação religiosa (conduta que era uma ofensa a sensibilidades religiosas), gradualmente, porém, o termo foi adquirindo uma conotação mais genérica e um sentido de indignação ou ultraje moral. Comportamento escandaloso era aquele que produzia desgraça ou ofendia o sentido de decência. O termo conserva esta conotação ainda hoje, mas as condições sob as quais atividades escandalosas acontecem mudaram em certos aspectos (THOMPSON, 2012, p. 188).

Em entrevista ao site Extra Classe8, feita por Paulo César Teixeira, Thompson fala sobre sua teoria do escândalo político e conta que a palavra surge nas línguas romana, francesa, portuguesa e inglesa no século XVI. A literatura panfletária dos séculos XVII e XVIII também está presente, mas, neste caso, tratava-se de uma literatura de agressão e blasfêmia contra os monarcas. Uma mudança significativa acontece na virada do século XIX, quando o termo é desvinculado do sentido de blasfêmia e passa a se referir a um tipo particular de evento, intimamente ligado à imprensa. “O século XIX foi o berço do escândalo mediado, mas o século XX veio a ser seu verdadeiro lar” (THOMPSON, 2012, p. 16).

Esse advento modificou a relação do público com a mídia e dos políticos com o público. Os escândalos políticos passaram a ser divulgados em diferentes locais, sendo que o caráter e a frequência variavam de um contexto para outro e de um período para outro, de acordo com a cultura da sociedade em questão e, sem sombra de dúvida, o papel da mídia foi relevante. Thompson (2012) destaca que, para analisar os escândalos, devem ser levados em consideração diferentes aspectos, como variações culturais nos códigos de comportamento, diferenças entre os sistemas políticos e interesses comerciais das organizações da mídia. Porém, uma vez na agenda pública, o escândalo assume uma dinâmica própria em que os papéis centrais são desempenhados pelos jornalistas, políticos e membros do ministério público, judiciário e policial.

Embora os escândalos sejam frequentes na vida política, há pouca literatura sobre o assunto, que se concentra nas notícias veiculadas em jornais e revistas, não despertando tanto interesse dos estudiosos quanto dos jornalistas. Thompson (2012) enfatiza que geralmente escândalo implica a transgressão a um conjunto de normas ou expectativas que, ao serem reveladas, viram denúncia e escândalo. O alcance, o efeito e o prejuízo causados por esse tipo de ação dependem de diversas condições e variam de acordo com contextos sociais e históricos.

O autor classificou o escândalo político em três tipos: sexuais, financeiros ou corrupção e escândalo de poder. Em cada tipo de escândalo estão implicadas normas e formas de poder, que geram efeitos e consequências diferentes. Um romance ilícito e os delitos financeiros (corrupção, desvio de verbas) só se tornam escandalosos e ganham caráter político se afetarem a trajetória de indivíduos que ocupam ou disputam posições de poder na sociedade. Já os escândalos de poder envolvem o abuso de autoridade por parte de funcionários públicos, sendo um tipo específico da esfera política. Ou seja, algo só se torna

escandaloso se as regras, convenções ou leis possuírem certo grau de obrigatoriedade moral e somente se a infração for vista por outros como suficientemente séria e importante para provocar uma manifestação vigorosa de desaprovação.

Os escândalos políticos ocorrem no mundo todo, sendo aspecto significativo e conhecido da vida pública, diferenciando-se de acordo com as normas e expectativas predominantes. Em outras palavras, o que interfere na vida política de um país pode não causar prejuízo a outro. Na Inglaterra e nos Estados Unidos existe predominantemente a divulgação de vários escândalos sexuais, o que tem influenciado expressivamente as políticas desses países, seja pela queda de governantes, mudança de políticas ou determinação de novos códigos ou regras.

No Brasil e em outras partes da América Latina e em outros países, os tipos de escândalos predominantes tendem a ser escândalos financeiros e de poder, e não escândalos sexuais. Nesses países e partes do mundo, os escândalos estão inextricavelmente entrelaçados com histórias políticas que envolvem formas institucionalizadas de corrupção, favoritismo e intercâmbios clientelistas (THOMPSON, 2012, p. 16).

Azevedo (2010) afirma que no Brasil a principal matéria-prima dos escândalos explorados pela mídia é a corrupção: malversação de recursos, desvios de dinheiro, compra de votos, financiamento de campanhas com caixa dois, favorecimentos em licitações e apadrinhamentos no serviço público, entre outras ações do tipo. O autor acrescenta:

Os três maiores escândalos políticos da nossa história republicana recente mostram a predominância desse gênero entre nós: o suposto “mar de lama” do segundo governo Vargas, cujo desfecho trágico foi o suicídio do Presidente; o “Collorgate”, com desfecho dramático da renúncia de Collor, e o “Mensalão”, que atingiu em cheio o PT e o primeiro governo Lula. Além desses três escândalos federais podemos incluir o escândalo, atualmente em curso em Brasília, e batizado pela mídia como o “Mensalão do DEM”, que já resultou na prisão e cassação do governador José Arruda (p. 15).

Azevedo (2010) também destaca que um episódio pode se tornar um escândalo de acordo com a possibilidade de atrair a atenção do público. Para o autor, os escândalos políticos, entre os quais se incluem a corrupção individual ou sistêmica, constituem uma das principais matérias-primas do jornalismo político moderno. Ele ressalta que isso tem dois aspectos muito importantes: por um lado, os escândalos são explorados com volúpia pela

mídia, por conta da teoria do cão de guarda, e, por outro, há o valor-notícia9, ou seja, a capacidade que um acontecimento cotidiano tem de “virar notícia” e, consequentemente, vender mais exemplares ou ampliar a audiência (p. 14).

Chaia e Teixeira (2001), baseados em Thompson, destacam a profissionalização dos jornalistas e o surgimento do jornalismo investigativo, lembrando que alguns profissionais da imprensa se consideram guardiões do interesse público “[...] e atuam no sentido de revelar os segredos dos poderes” (p. 64). Porém, lembram que não se pode deixar de considerar que existe um interesse comercial na divulgação dos escândalos, já que esse fenômeno “vende”.

Rose-Ackerman (2001) lembra que, para que os escândalos emerjam à superfície e à atenção dos meios de comunicação é necessário que as revelações pareçam ter credibilidade. E o público deve estar suficientemente interessado em expressar sua indignação e seu mal-estar, que, por sua vez, podem ser aproveitados e utilizados pelos meios de comunicação.

Mesmo com as distinções entre os tipos de escândalos nos diferentes países, o escândalo político passou a ser aspecto significativo da vida pública mundial. Thompson (2012) explica essa presença de escândalos na vida pública a partir de três fatores, entre eles, a mudança nas tecnologias de comunicação e vigilância. A visibilidade conferida pela televisão aos políticos os expõe como pessoas comuns, que passam a ser vistos e avaliados pelo público em termos de caráter, sinceridade, honestidade e integridade, o que claramente implica riscos. As tecnologias modernas oferecem dispositivos que podem ser usados para vazar um comportamento impróprio e virar escândalo. Concordando com essa visão, Chaia (2000) afirma: “Com o poder da mídia, a vida privada das lideranças políticas ficou escancarada, isto significa afirmar que não existem mais segredos particulares e também nem ‘segredos de Estado’” (p. 1).

O segundo fator apontado por Thompson para a prevalência crescente do escândalo político é a mudança da cultura jornalística. A partir dos anos 1960, a ênfase jornalística passa a ser investigativa, em que o interesse incide em buscar os segredos e expô-

9 Conforme Wolf (2003), os valores-notícia ou noticiabilidade é um conjunto de critérios, operações e

instrumentos que controla a quantidade e qualidade dos acontecimentos – para selecionar os que serão produzidos como informação jornalística. Entre os critérios que determinam o valores-notícia estão:

importância, proximidade, notoriedade, relevância, significatividade entre outros. Os fatores que dão a um fato do acontecimento cotidiano valor-notícia coincidem na maior parte das redações dos veículos de comunicação.

los de maneira enfática: “Os jornalistas passaram a ser menos refreados pelo etos de sua profissão” (THOMPSON, 2012, p. 17).

O terceiro fator é o caráter mutante da cultura política mais ampla. As transformações sociais da década de 1960 levaram ao declínio da política baseada em classes, surgindo em seu lugar a “política da confiança”; os partidos e as classes sociais se desvincularam, e a credibilidade dos líderes políticos passou a ser foco, pois o seu caráter e a sua confiabilidade seriam o meio de garantir as promessas políticas. O escândalo político passa a ser um teste de credibilidade para a confiança política. Thompson (2012) afirma que, quanto mais nossa vida política se orienta para as questões de caráter e confiança, maior será a importância que daremos para as situações nas quais a confiabilidade de líderes políticos é questionada. Paralelamente, para o autor, quanto mais tivermos que depender da integridade dos políticos no cumprimento de suas promessas e de sua capacidade de exercer um juízo sólido, mais importância daremos àquelas ocasiões em que a fraqueza de caráter e os lapsos de juízo são trazidos à tona.

Assim, na luta pelo poder, os partidos políticos em competição passam a buscar os defeitos de caráter ou os erros dos seus opositores, para expô-los e conseguir vantagem política. O caráter do político passa a ser moeda de negociação, e as falhas de caráter dos rivais acabam se tornando capital político para os partidos em disputa por votos. Desse modo, a visibilidade midiática é ao mesmo tempo alvo e temor dos políticos, cada um com seus motivos ou intenções, seja para ganhar votos, conquistar confiança, chamar a atenção para uma causa ou situação. Nessa busca irrefreada pelo domínio público, existe uma intensa competição pela atenção, para ser visto e ouvido ou evitar que outros o sejam. Constata-se, portanto, que essa visibilidade tornou-se um meio para articulação e realização de lutas sociais e políticas.

Todo escândalo representa uma ameaça ao poder, pois o coloca em risco, o que faz com que os envolvidos direta ou indiretamente despendam intensos esforços no sentido de reduzir o impacto, minimizar os prejuízos e reduzir os efeitos. Da mesma maneira, o tempo que cada escândalo se mantém na atenção pública depende da sua visibilidade na mídia.

No livro O escândalo político – Poder e visibilidade na era da mídia (2002), Thompson introduz o conceito de “escândalo político midiático”, o qual denomina EPM: evento que implica revelação, através da mídia, de atividades encobertas e moralmente questionáveis que, após sua revelação ou divulgação, desencadeia uma sequência de ocorrências posteriores. O autor desenvolve a ideia de que os EPM surgem no contexto do chamado jornalismo investigativo, combinado com o crescimento da mídia de massa e a

disseminação das tecnologias de informação e comunicação, num cenário de transformações dos processos políticos. São imbricados na questão do poder, envolvendo indivíduos ligados à aquisição e ao exercício do poder político através do uso, dentre outros, do poder simbólico.

Uma das características centrais dos escândalos de poder é a revelação das formas ocultas do poder e os abusos de poder reais ou supostos que tinham, até então, sido ocultados por detrás dos ambientes públicos em que o poder é exercido e dos procedimentos publicamente reconhecidos através dos quais ele é exercido (THOMPSON, 2002, p. 240).

Evidentemente nem todo o ato corrupto origina um escândalo político midiático. Para algo se tornar escândalo, são necessários três elementos: o feito ser grave, ser moralmente condenável e a mídia se interessar pelo caso.

Mas uma denúncia jornalística, embora muito frequente, nem sempre se transforma num escândalo político. Para se transfigurar num escândalo é necessário que a denúncia repercuta e reverbere entre os formadores de opinião e provoque reações em cadeia suficientemente fortes para que o caso se transforme num assunto “quente” na opinião pública. Ou seja, num escândalo midiático (THOMPSON, 2002, p. 14).

Além de tornada pública, é precisa haver considerável entendimento de que essa infração é grave e repreensível, e isso depende do contexto social e histórico em que está inserida. Como lembra Correia (2009, p. 9), “[...] o jornalismo vai destacar aqueles fatos que mais relevam os valores e crenças da sociedade naquele momento histórico.”.

A mídia moderna tornou-se central nas relações do campo político. A apresentação e repercussão dos EPM não são características secundárias ou acidentais, ao contrário, são partes constitutivas do próprio meio político. Essa dinâmica de visibilidade e controle da mídia propicia o surgimento de EPM. A força do escândalo ou uma simples ameaça no campo político pode abalar o poder simbólico do qual o poder político depende. Pode afetar as reputações e a credibilidade, atingindo as fontes concretas do poder com prejuízos concretos aos envolvidos. O domínio do poder simbólico não é secundário à luta pelo poder político, mas essencial a ele, pois, para a conquista do poder político ou para o exercício dele de maneira durável e efetiva, é essencial o cultivo e o sustento da crença para atribuir legitimidade. “O escândalo é importante, porque, em nosso moderno mundo midiático, ele afeta as fontes concretas do poder” (THOMPSON, 2002, p. 23).

Thompson (2002) afirma que através dos escândalos políticos midiáticos a ênfase passa a ser o caráter e não a competência dos políticos. Tomando como referencial esse

pressuposto thompsoniano, postulamos que nesse ponto reside um dos perigos ou efeitos colaterais da mídia: desconfiança generalizada e mútua, banalização e caracterização de políticos como de caráter questionável ou corrupto. Esses, por sua vez, passam a dedicar um grande esforço para evitar escândalos, manter a imagem midiatizada favorável e cuidar dos impactos de ações, esvaziando um processo político de discussão e divergências salutares à democracia.

Nesse sentido, a política midiatizada pelo uso do escândalo como espetáculo político em detrimento do debate político traz significativos prejuízos ao sistema democrático, pois enfraquece a imagem da política, que deixa de ser entendida como uma atividade de cidadania e passa a ser vista como uma personalização de políticos.

Chaia e Teixeira (2001) lembram que os escândalos políticos ganham destaque na democracia exatamente por ser um regime político em que os conflitos e atritos políticos se tornam mais presentes e visíveis. Considerando que a disputa política e a busca de cargos também aceleram as contendas políticas, os autores afirmam:

O aparecimento de “escândalos midiáticos” é resultado de um jornalismo investigativo e possui pontos positivos e negativos. Por um lado, a divulgação desses escândalos provoca um aumento da fiscalização das atividades políticas, forçando que sejam criados instrumentos para seu controle, e por outro, a cobertura desses escândalos pode levar a uma generalização dos “maus exemplos” de políticos, provocando descrença nas instituições, consideradas como inoperantes e custosas (p. 73).

Consonante com o arcabouço teórico aqui exposto, notadamente com Thompson, entendemos que, exatamente pelo papel relevante de prover a transparência e a visibilidade fundamentais à democracia e por ter a tarefa de apresentar a vida política a todos, é que se espera que a mídia seja pautada por diretrizes éticas. Porém, avaliamos que, muitas vezes, apesar de proclamar um discurso de independência e apartidarismo, ao denunciar e explorar um escândalo político a mídia produz, com ou sem intenções e interesses políticos, efeitos na vida social, partidária e eleitoral.

Um dos efeitos perniciosos do vínculo entre a mídia e a política é que, ao enfatizar os aspectos negativos de maneira insistente, rasa e repetitiva, pode-se gerar desconfiança e banalização, fomentando conceitos generalistas e inadequados. É fundamental noticiar e informar, porém, deve-se buscar um

[...] acompanhamento da vida parlamentar por parte dos meios de comunicação precisa ser constante, ressaltando também seus aspectos

positivos, como as práticas políticas consistentes e atuação de partidos políticos que mais se destacam no parlamento, contribuindo com isso para mudar a cultura política brasileira (CHAIA, 2000, p. 14-15).

A autora levanta uma questão importante: quais são as consequências dos escândalos políticos? Claro que pessoas são envolvidas, reputações são questionadas, carreiras políticas podem ser destruídas. Porém, o que mais nos chama a atenção é que, em determinadas situações, ocorre a quebra da confiança no papel de certas instituições. Em alguns casos de escândalos, a mídia exagera em suas observações e avaliações, chegando a generalizar certas atitudes, como se toda a classe política agisse de maneira comum. O político, em alguns momentos, é avaliado negativamente e torna-se sinônimo de corrupção (CHAIA, 2000).

Grün (2011) acredita que os escândalos podem ser entendidos de forma ampliada. Além de revelações de crimes, o autor sugere que os escândalos podem ser tratados como uma forma de ação, de controle e também, por vezes, como um mecanismo de mudança social: “Através dos escândalos, a sociedade abandona, reitera, altera ou cria normas de convívio e de legitimação” (p. 151).

Rose-Ackerman (2001) aponta que uma crítica pertinente aos meios de comunicação se refere ao fato de que frequentemente eles acabam por personalizar as notícias ao dar ênfase às pessoas que estão no centro do escândalo e, consequentemente, ignorando as condições sistemáticas que criaram os incentivos à corrupção. Para realmente modificar a situação, deve-se responder aos escândalos fazendo algo mais que castigar os culpados. O desafio consiste em reduzir os incentivos subjacentes para a corrupção. Caso contrário, as campanhas anticorrupção se convertem em pouco menos que uma caça às bruxas que tenderá a afetar desproporcionalmente os adversários políticos do regime. Ou seja, muitas vezes as questões associadas à corrupção tendem a centrar-se só nas personalidades: encobrir os culpados por uma parte e buscar os bodes expiatórios, por outra.

Vale apontar, entretanto, que em alguns casos os escândalos alimentados pela mídia têm impulsionado a reforma em alguns sistemas políticos. Os escândalos e as crises podem colocar a corrupção na agenda de atuação pública, que nem sempre dirige os esforços de reformas em direções úteis. Escândalos e crises podem mobilizar, fazer os políticos agir