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Algumas vantagens listadas por Law e Kelton (2000), Shannon (1998) e Miyagi (2006) do uso da simulação são:

• permite testar novos cenários sem comprometer os recursos;

• permite explorar novas políticas de pessoas, procedimentos operacionais, regras de decisão, procedimentos organizacionais, fluxos de informação, entre outras, sem interromper as operações em curso;

• permite visualizar novos equipamentos, arranjos físicos, sistemas de transporte e outros, antes de investir em recursos;

• permite identificar gargalos onde as informações ou materiais têm seus fluxos comprometidos;

• permite testar hipóteses sobre como ou por que certos fenômenos ocorrem no sistema;

• permite controlar o tempo, podendo operar o sistema durante vários meses ou anos de experiência em questão de segundos;

permite obter insights sobre como um sistema modelado realmente funciona e a compreensão de quaisvariáveis são mais importantes para o desempenho;

permite responder a questões do tipo “what if”.

• permite o estudo de sistemas complexos que contenham elementos estocásticos e não conseguem ser descritos perfeitamente por modelos matemáticos ou resolvidos analiticamente;

• é mais econômico que testar em um sistema real e evita gastos inúteis na compra de equipamentos desnecessários.

Outras vantagens citadas por Banks (1998, p.10) são:

obter a escolha correta, a compressão e expansão do tempo, o entendimento do porquê, poder explorar possibilidades, diagnosticar problemas, identificar contrastes, desenvolver entendimento, visualizar um plano, construir consenso, preparar para mudanças, investir amplamente, treinar o time e especificar requisitos.

No caso específico das engenharias, a adoção da técnica de simulação tem trazido benefícios como: previsão de resultados na execução de uma determinada ação; redução de riscos na tomada de decisão; identificação de problemas antes mesmo de suas ocorrências; e eliminação de procedimentos em arranjos industriais que não agregam valor à produção (BRUSTOLIN; SILVA, 2007).

Além dos benefícios gerais da simulação citados, há um número específico de benefícios potenciais para análise da fabricação, incluindo: aumento do throughtput (peças produzidas por unidade de tempo), redução de estoque em processo, aumento da utilização de recursos, aumento na pontualidade das entregas de produtos aos clientes, redução das necessidades de capital ou despesas operacionais, maior compreensão do sistema através das informações recolhidas para a construção do modelo, entre outras questões importantes que são pensadas bem antes com o modelo (LAW; KELTON, 2000). Além disso, projetos fabris que possuem variáveis estocásticas também adquirem vantagens ao aplicar simulação, tais como: redução da incerteza na demanda; redução das incertezas no fornecimento de materiais, com relação a prazos de entrega e qualidade; e redução das incertezas no processamento, com relação ao tempo de operação, qualidade e quebras de maquinário (CASSEL et al., 2002).

De acordo com Perin Filho (1995) os fatores que tornam desejável o uso de técnicas de simulação aliadas aos benefícios computacionais são:

tempo: já que computacionalmente é possível realizar experimentos em segundos;

custo: embora a simulação computacional exija recursos humanos e alguns equipamentos, o custo se mantém bem abaixo se comparado à execução de experimentos sobre o sistema real;

impossibilidade de experimentação direta: existem situações em que experimentações diretas no sistema real não podem ser realizadas por questões de segurança, de tempo, de acesso, ou ainda, de inexistência;

visualização: os computadores, atualmente, oferecem recursos que facilitam a visualização dos resultados de uma simulação, por meio de gráficos e tabelas, bem como do estado do sistema durante a execução de um modelo;

repetição: depois de construído, este pode ser executado “n” vezes, sem que ocorram problemas com custos;

interferência: um modelo é extremamente mais flexível para a realização de mudanças se comparado a um sistema real. Logo, esta é uma característica bastante desejável e ótima no estudo de sistemas, pois gera informações de apoio a tomada de decisões.

Contudo, nem tudo na simulação são vantagens, pois como qualquer outra ferramenta de gestão possui algumas limitações. De acordo com Dias e Correa (1998), a simulação pode apresentar alguns pontos fracos, considerando-se que a construção dos modelos, dependendo de sua complexidade, pode envolver grandes somas monetárias e levar vários meses para sua elaboração. Neste sentido, as principais desvantagens apresentadas são que (SHANNON, 1998; MIYAGI, 2006; LAW; KELTON, 2000):

• a construção de modelos requer um treinamento especial, pois é considerada uma “arte” que se aprende ao longo do tempo e que envolve o “bom” uso da experiência;

• os resultados da simulação podem ser difíceis de interpretar. Como as saídas da simulação podem incluir variáveis aleatórias, não é trivial determinar se os resultados observados resultam de inter-relações efetivas das partes do sistema ou se são frutos da aleatoriedade do sistema;

• algumas modelagens do sistema e a análise dos dados podem consumir muito tempo e muitos recursos. Por outro lado, economizar tempo e recursos na modelagem e na análise pode resultar em cenários insuficientes para atender os objetivos;

• a entrada de dados altamente confiáveis pode ser demorada e os resultados, às vezes, muitoquestionáveis;

• os modelosde simulação não produzem uma solução ótima, eles servem apenas como uma ferramenta para a análise do comportamento de um sistema sob condições especificadas pelo experimentador;

• devido a sua natureza estocástica, os modelos de simulação devem ser rodados várias vezes para obterem um bom desempenho do sistema;

Em defesa do uso da simulação, as desvantagens acima citadas têm sido minimizadas através dos seguintes argumentos (MIYAGI, 2006, p.5):

fornecedores de softwares de simulação têm continuamente desenvolvido pacotes que contêm um tipo de template pré-concebido, nos quais é necessário somente definir os dados da operação;

muitos fornecedores de softwares têm desenvolvido pacotes com ferramentas que facilitam a análise dos dados de saída;

• os avanços nas plataformas computacionais permitem que a simulação seja realizada cada vez mais rapidamente.

Todos os pacotes de simulação têm pontos fortes e fracos. É importante sim, a melhoria nos softwares de simulação, porém mais importante ainda é deixar claro aos clientes que a simulação é uma técnica e não uma solução em si. Não é o software o solucionador de problemas, mas sim o modelador que irá entender e tomar decisões em cima do sistema (BANKS; CHAIR, 2000).

Sendo assim, é importante salientar que as limitações das técnicas de simulação são, geralmente, superadas com a aplicação de outras técnicas, tais como gestão de projetos, programação ou otimização. A partir disto, convém deixar claro que simulação de processos é (HARRINGTON; TUMAY, 2000, p.30):

• uma técnica de gestão de processos e não uma técnica de gerenciamento de projetos;

• uma técnica de planejamento e análise e não uma técnica de programação;

• uma técnica para medir a eficiência do processo e não medir a eficácia (ver definição na página 36).