9 LITTERATURLISTE
9.1 Litteratur
essencial e têm como característica fundamental, ser um método destinado a examinar a complexidade, sem colocar em prova um modelo escolhido a priori.
Segundo WISNER (1987), “o principio da análise ergonômica do trabalho, e
do trabalho de campo, é em si revolucionário, pois nos leva a pensar que os intelectuais e cientistas tem algo a aprender a partir do comportamento e do discurso dos trabalhadores” (p.4).
Assim, a exigência cientifica principal da ergonomia está no conhecimento, pela observação das situações reais de trabalho, objetivando desenvolver conhecimentos sobre a forma como o homem efetivamente se comporta ao desempenhar o seu trabalho e não como ele deveria se comportar. Para apreender das situações de trabalho, em sua totalidade e dimensões, a ergonomia utiliza uma metodologia própria de intervenção – a Análise Ergonômica do Trabalho.
Para demonstrar a atividade viva dos profissionais de manutenção, objetivando compreender a pertinência das prescrições, determinados métodos e técnicas de pesquisa foram empregados conforme os pressupostos da metodologia da AET (participação dos trabalhadores e estudo de campo em situação real), e seguiram as seguintes etapas não lineares e simultâneas (DANIELLOU, 2004), sem aprofundamento das três últimas citadas abaixo:
- constituição e análise da demanda; - descrição e análise do trabalho prescrito; - descrição e análise do trabalho real;
- confrontação entre trabalho prescrito e trabalho real;
- propostas de transformações e recomendações ergonômicas; - implantação de melhorias;
- validação das recomendações e difusão dos resultados;
Apresentam-se então, os métodos e técnicas empregados que corresponderam à situação estudada, bem como os objetivos propostos.
3.3 – Métodos e técnicas empregados
Conforme os objetivos deste trabalho, e segundo os pressupostos da AET, foi realizado um estudo de caso com os profissionais de manutenção (mecânicos e eletricistas) da área de Estamparia de uma grande indústria automobilística em duas situações de intervenção, uma corretiva e outra preventiva, em que foram aplicados os seguintes métodos e técnicas de pesquisa no período de maio de 2009 até julho de 2010:
Vários documentos foram disponibilizados dentro da empresa, para constituir e analisar a demanda, para descrever o trabalho prescrito e a atividade, bem como confrontá-las:
- Estrutura organizacional da área de Manutenção, cedido pela gerência da área.
- Descrições do cargo de mecânico e eletricista de manutenção III, cedidos pela área de recursos humanos. Este documento está apresentado na seção que descreve o trabalho prescrito dos mecânicos e eletricistas III, responsáveis pelos reparos corretivos e preventivos em máquinas e equipamentos.
- Instrução de Trabalho Interna (ITI) sobre substituição de um motor de corrente contínua. - Instrução de Trabalho Interna (ITI) sobre teste um motor de corrente contínua após substituição.
- Instrução de Trabalho Interna (ITI) sobre a desmontagem do conjunto de embreagem de uma prensa.
- Instrução de Trabalho Interna (ITI) sobre a desmontagem do conjunto do freio de uma prensa.
Observação do trabalho real e registro dos modos operatórios por filmagens e fotografias
Esta etapa teve início em abril de 2009 formalizada com um documento solicitando tal autorização às gerências das áreas de Estamparia, Segurança Corporativa e Patrimonial. No entanto, por conta da política de sigilosidade da empresa, essas autorizações foram vetadas no período de maio à outubro de 2009, em função do lançamento de um novo veículo. Após esse período, foi permitida a entrada com os equipamentos de gravação, onde foram aguardadas e acompanhadas na íntegra duas intervenções, sendo uma corretiva e outra preventiva que continham ITI’s elaboradas (totalizando 26 horas), o que nos permitiu verificar como os profissionais de manutenção gerenciavam a variabilidade e imprevistos no curso da ação.
É importante ressaltar, a facilidade que o pequisador (que é um ator do processo) obteve em se aproximar dos profissionais, onde foi possível estabelecer uma certa confiança fazendo com que ficassem à vontade para mostrarem o que realmente fazem.
Este método consiste em entrevistar os trabalhadores durante o decorrer do trabalho, ou seja: o observador realiza perguntas durante o trabalho com o interesse de produzir explicações no próprio contexto da atividade (GUÉRIN et al, 2001).
As verbalizações simultâneas podem empregadas para se compreender como (e porque) os trabalhadores agem para dar conta dos resultados esperados pela empresa e por eles também. Além disso, para serem aprofundadas, os resultados das verbalizações simultâneas devem ser autoconfrontados pelos trabalhadores, auxiliam na descrição das atividades e na confrontação entre o trabalho prescrito e o trabalho real, podendo evidenciar os conflitos entre as diferentes exigências (pessoais e da empresa), bem como o conflito entre as diversas representações sociais do trabalho pesquisado (VASCONCELOS, 2007).
Entretanto este método tem algumas limitações: enquanto permite que o observador compreenda o operador no próprio contexto da atividade, tornando as interpretações mais precisas, este método pode prejudicar a atividade realizada ou ser impossibilitado pelo próprio caráter do trabalho (GUÉRIN et al, 2001).
No caso dos profissionais de manutenção, as verbalizações simultâneas se tornaram difíceis, dificultando muito a compreensão da fala dos profissionais, devido às condições de ruído intenso, onde os profissionais são obrigados a utilizar equipamentos de proteção individual.
Fichas de descrição da atividade
Para cada uma das intervenções, tais fichas foram elaboradas para descrever como os profissionais de manutenção realizam suas atividades, após observação, registro em foto e filmagem dos profissionais em situação de trabalho, permitindo dividir o trabalho dos profissionais em etapas, em ordem cronológica, ilustradas com fotos dos profissionais trabalhando e comentários do próprio pesquisador que serviram de base para as entrevistas em autoconfrontação.
Autoconfrontação
Também conhecidas como “verbalizações consecutivas” (GUÉRIN, 2001), foram realizadas entrevistas em autoconfrontação com os profissionais envolvidos nas intervenções, cujo objetivo foi restituir a história / evento sob a ótica deles.
As entrevistas em autoconfrontação consistem basicamente em obter comentários do sujeito sobre seu próprio comportamento em diversos níveis, obedecendo forçosamente a sequência: Como? (se faz, se sabe, escolhe e etc)? Para que? (finalidade , objetivos) Por que? (motivos, razão). Segundo o autor, nesta sequência estão implícitos dois níveis de autoconfrontação, o primeiro dos quais se concentrando exclusivamente na explicitação dos procedimentos concretos, modos operatórios, atos observáveis, informações utilizadas na execução do trabalho, elementos que influenciam as decisões, etc; em um segundo nível, a autoconfrontação procura, apoiando-se nos resultados obtidos no nível anterior, explicitar os significados latentes do comportamento observável (LIMA, 1998).
Ressalta-se que a autoconfrontação não se trata apenas de apresentar dados ao trabalhador para colher seus comentários e sim, permite uma elucidação de questões através da construção de um “diálogo” entre dados da atividade, observador e observado (VASCONCELOS, 2007). Para Wisner (2004) a análise dos comportamentos pela autoconfrontação pode dar resultados mais ricos, não apenas evidenciando os diversos modos de trabalhar, mas possibilitando as descrições diferentes de comportamentos adaptados, em face das dificuldades que precisam ser vencidas.
Para Castro et al (2006), o entendimento da ação em situação permite ao indivíduo revelar a trama complexa de seu comportamento diante das exigências do trabalho, resultante de diversas lógicas em jogo (às vezes em conflito): do trabalhador, do coordenador, da chefia, do usuário, do sistema, da organização.
Em posse dos dados coletados, como as fichas de descrição, fotos e vídeos das intervenções, os profissionais acompanharam a leitura da descrição e apresentação das fotos e filmagens relativas à atividade desenvolvida, bem como, o questionamento do autor sobre alguns pontos chave evidenciados nas observações e anotações anteriores.
Foram realizadas várias seções de autoconfrontação coletiva com todos os profissionais que participaram das intervenções no próprio local de trabalho, em seus respectivos turnos, sem interferir no processo produtivo. Também foram efetuadas seções de autoconfrontação individual com alguns gestores e profissionais.
É importante ressaltar a dificuldade de se conseguir realizar tais entrevistas, devido disponibilidade dos profissionais (afastamento / férias) bem como, a dificuldade de se conseguir reunir o grupo de profissionais que participaram das intervenções. Entretanto, foi possível realizá-las, onde os profissionais verificaram suas próprias técnicas, bem como explicações de diversas estratégias. Além disso, a autoconfrontação revelou estratégias,
modos operatórios, até então inconscientes pelos profissionais e pelo próprio pesquisador que é um ator do processo.
Entrevistas não estruturadas com diferentes atores do departamento
Para restituir o processo de elaboração das prescrições (ITI’s), a forma / grau de participação dos profissionais, bem como a importância que eles atribuem a este documento, foram entrevistados individualmente os funcionários (eletricistas, mecânicos e encarregado de manutenção) que participaram do processo de elaboração das prescrições.
As entrevistas tiveram o intuito de relembrar a dinâmica de elaboração das ITI’s, como se deu a participação dos profissionais, quais as dificuldades, restrições enfrentadas, bem como os pontos positivos e importância atribuída, além de suas impressões sobre elas no que tange a sua utilização prática.
3.4 - Considerações éticas
Os profissionais que participaram deste estudo, o fizeram de maneira livre, esclarecida, conforme foi documentado em termo de consentimento, assegurando o caráter de confidencialidade das informações, preservação da identidade, bem como do direito à desistência à qualquer momento da pesquisa.
O pesquisador compromete-se a apresentar para a empresa todo o conteúdo coletado, bem como a análise dos resultados, obedecendo o código de política interna da empresa (Gerência da área de Estamparia).
3.5 – Considerações finais acerca da metodologia adotada na pesquisa
A apresentação do referencial teórico-metodológico dos pressupostos da Análise Ergonômica do Trabalho objetivou apresentar os principais conceitos desta abordagem, bem como a forma de analisar a atividade de trabalho dos profissionais de manutenção, visando familiarizar o leitor com as técnicas e formas de análise utilizadas por esta metodologia.
4 - RESULTADOS – EVIDENCIANDO A DIFERENÇA ENTRE O TRABALHO