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Stavanger sentrum og Gamle Stavanger: Mellom bypuls og nostalgisk gamleby

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3. Verneområdenes sosiokulturelle kvaliteter

3.2. Stavanger sentrum og Gamle Stavanger: Mellom bypuls og nostalgisk gamleby

Para concluir este tópico, façamos um breve exercício sobre todas estas discussões envolvendo metáforas do conhecimento, concepções a respeito de conhecimentos para transformar ou conhecimentos construídos e validados histórica e socialmente, discorrendo a respeito, simplesmente a título de exemplificar e na tentativa de elucidar qualquer parágrafo que porventura tenha ficado obscuro, com uma outra metáfora que chamaremos de metáfora culinária.

A arte e a técnica de cozinhar pode ter vários objetivos, desde a simples necessidade de sobrevivência até o prazer de conhecer e provar novos sabores e ter novas experiências. Chamaremos de conhecimento culinário tudo o que é relativo ao ato de planejar, até provar, algum alimento que necessite de preparação, sendo que o mesmo pode ser construído de múltiplas formas.

Podemos conhecer a culinária através de familiares, amigos, ou qualquer pessoa que faça parte de nosso círculo social e de convívio íntimo – este ponto de vista implicaria valorizar o conhecimento social e cultural, pois é evidente que diferentes culturas e sociedades produzem e valorizam diferentes refeições, chamadas normalmente de pratos regionais. Este conhecimento é influenciado, portanto, por fatores locais: uma comunidade de pescadores, por exemplo, criará hábitos alimentares relacionados à ingestão rotineira de peixes e frutos do mar. Ao mesmo tempo, certos hábitos alimentares estão relacionados a fatores sazonais, pois determinados frutos e verduras são disponibilizados para consumo em alguns poucos meses do ano.

Outra forma de elaboração do conhecimento, ainda à luz da metáfora culinária, é através de livros especializados, catálogos ou até mesmo pela rede mundial de computadores (internet). Dessa maneira, o conhecimento é selecionado através da preferência pessoal de cada um, mas impregnado da influência cultural e de aspectos sociais, locais e temporais. Ao ler a informação a respeito de uma receita que nos interessa, podemos estabelecer uma série de possibilidades a partir deste ato até o de serví-lo, passando por adaptações e transformações que poderão ser realizadas a partir da influência da disponibilidade ou não de um grande número de variáveis (tempo, ingredientes, dinheiro, etc.).

Também poderíamos optar, embora seja bem menos frequente, pela matrícula em um curso específico com um grande chefe de cozinha que nos ensinaria os “segredos” para preparar uma refeição saborosa. O que caracterizaria essa experiência a fim de diferenciá-la das outras já mencionadas? Talvez o aspecto “científico”, ainda que obtido de maneira muitas vezes empírica, que o instrutor dá ao conhecimento que possui e procura compartilhar com seus aprendizes, tais como, técnicas para cortar carne ou desossar frango, misturas que combinam ou não, identificar pelo aroma o tempo de cozimento, etc.

Finalmente, poderíamos citar o papel importante de um profissional que analisa os alimentos e pondera sobre as maneiras saudáveis ou não de combiná- los e sobre as dietas mais adequadas para cada tipo de indivíduo. Os nutricionistas exercem este papel crítico sobre o conhecimento culinário. No entanto, mesmo sabendo o que faz bem ou não para a saúde, muitas pessoas ignoram este conhecimento científico crítico em prol do que consideram trazer mais satisfação a suas vidas.

Cada um destes personagens e destas escolhas pessoais, em busca de conhecimentos culinários, possui fatores positivos e negativos. A própria cultura regional pode, ao ser respeitada, provocar efeitos negativos na criação de hábitos alimentares, o que pode conduzir a uma diminuição na expectativa de vida de determinada comunidade. Entretanto, mesmo sabendo as implicações de uma alimentação desregrada, parece que a maioria das pessoas não se preocupa com isso, e a análise crítica a respeito dessa realidade parece não produzir significado para a maioria.

Por meio dessa metáfora, procuramos estabelecer as seguintes relações: o conhecimento culinário poderia muito bem representar o próprio conhecimento matemático que pode ser construído pela relação social com outras pessoas, pode ser obtido para resolver uma questão prática, pode ser adquirido na escola, através de conhecimentos científicos e valorizando os próprios conhecimentos espontâneos vivenciados até um dado momento da vida do estudante, e pode ser também analisado de maneira crítica, buscando transformações sociais, políticas e econômicas. No entanto, de maneira nenhuma podemos afirmar que apenas um destes conhecimentos é valido ou deve ser valorizado em detrimento de outro(s).

O papel do nutricionista, por exemplo, não pode ser imposto sob o pretexto de ensinar a melhor maneira de se alimentar a determinado grupo social, pois implicaria desrespeitar os aspectos culturais, locais e temporais seguidos por uma comunidade. Essa consciência deve nascer das necessidades específicas de um determinado povo e não imposto por educadores. O programa Etnomatemática, ao nosso ver, representa a maneira sensível e respeitosa de problematizar e atender à necessidade do próximo, seja cultural, seja social, seja política, seja econômica, buscando soluções, mas valorizando a riqueza existente. No entanto, entendemos que algumas propostas relativas à Educação Matemática Crítica, diferentemente da Etnomatemática, acabam propondo aspectos radicais que, se não fossem extremamente pensados e personalizados para determinado público, causariam efeito justamente oposto aos objetivos propostos inicialmente. Logicamente não nos referimos às diversas propostas amplamente divulgadas por especialistas como Ole Skovsmose, Marilyn Frankenstein, Paulo Gerdes, Ubiratan D’Ambrosio, Arthur Powell, entre muitos outros conceituados educadores matemáticos, mas nos referimos às possíveis interpretações e contextualizações dessas propostas ao serem realizadas em proporções gigantescas, como no caso do Brasil todo.

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