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In document Presentasjon av casestudier i REBO (sider 40-43)

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6.4 Erfaringer fra oppgraderingsprosessen

6.4.1 Status etter oppgradering Følgende kvaliteter er oppnådd:

Pivete “No sinal fechado Ele vende chiclete Capricha na flanela E se chama Pelé Pinta na janela Batalha algum trocado Aponta um canivete E até

Dobra a Carioca, olerê Desce a Frei Caneca, olará Se manda pra Tijuca Sobe o Borel Meio se maloca Agita numa boca Descola uma mutuca E um papel

Sonha aquela mina, olerê Prancha, parafina, olará Dorme gente fina Acorda pinel (...)”

Chico Buarque de Holanda

Ozella (2002), ao estudar o mapeamento histórico das concepções de infância e adolescência, sob a perspectiva da Teologia, Filosofia, Psicologia e das Ciências Sociais realizado por Santos (1996), identifica que a noção da adolescência surge com Rosseau, marcada por uma visão naturalizada, já que é vista como um estado e não como uma condição social.

No mapeamento histórico de Santos (1996), Freud e Piaget são citados como autores que, apesar de mencionarem a inter-relação entre biológico e cultural em suas formulações, enfatizam, sobremaneira, o aspecto interno como motor do desenvolvimento humano, deixando o contexto social e cultural em segundo plano e, portanto, tendendo a considerar suas proposições como universais. Bock (1999) considera que a universalidade “traz implícita

a idéia (sic) de uma evolução natural do ser humano, linear, independente das condições

concretas de sua existência.” (p. 64)

Corroborando esses dados, no século XX Stanley Hall (apud Ozella, 2002), o primeiro psicólogo a estudar a Psicologia da adolescência, afirma que esse fenômeno é compreendido

de forma estereotipada e estigmatizada, como uma fase cheia de sofrimentos e perturbações decorrentes da sexualidade. Tal concepção foi amplamente reforçada pelos preceitos psicanalíticos, que caracterizam essa etapa como repleta de confusões, estresses e lutos causados pelos impulsos sexuais. Erickson (1976), um dos expoentes da teoria psicanalítica, institucionalizou a adolescência como um período de moratória, identificando-a como um período de confusão de papéis e dificuldades com a identidade.

De tais concepções decorre a compreensão naturalizante e universalista de adolescência, que foi incorporada pela Psicologia e pela cultura ocidental. Tal noção está fundamentada em outra, que compreende o homem constituído de uma natureza humana, cujas potencialidades se realizarão, desde que as condições adequadas sejam oferecidas, independentemente da realidade social em que está situado.

“(...) é uma idéia (sic) de homem como autônomo, como uma entidade,

dotado de uma essência que o caracteriza como homem. A realidade social passa a ser pensada como o local onde essa essência se desenvolve, atualiza-se, desabrocha-se e realiza-se. Toda a

determinação social do homem fica oculta sob essas idéias (sic) e

conceitos, que se tornam representações ilusórias; parte da realidade; determinante do objeto fica camuflada e escondida sob o conceito.

Faz-se, assim, ideologia.” (Bock, 1999, p. 27)

Podemos observar essa concepção naturalizante e universalista em Debesse (1946) que atribui à adolescência mentalidade própria, com um psiquismo característico dessa fase. Para ele é

“um erro pensar que a juventude muda conforme as épocas... acreditar que ela se identifica com sucessivos vestuários de empréstimo e que cada geração tem sua juventude é uma ilusão de moralista amador e

apressado (...) por detrás do aspecto da juventude existe a juventude

eterna, notavelmente idêntica a si própria no decurso dos séculos.”

(pp. 15-16)

Também é possível identificar essa posição naturalizante e universalista em Aberastury (1980) e Aberastury e Knobel (1981). Aberastury afirma que a adolescência é um momento de contradições, de confusões e sofrimento e constitui-se como o mais difícil de toda a vida do homem. Aberastury e Knobel inauguram a “síndrome normal da adolescência”, pois acreditam que a adolescência seja um período de desequilíbrio e de instabilidades extremas,

marcado pela rebeldia, tendência grupal, crises religiosas e de identidade. Peres e Rosenburg (1998) ressaltam nessa concepção de adolescência entendida como momento de crise que ela

“permite dar a idéia (sic) de um desarranjo, pois a ‘harmonia’ é

pressuposta como sendo de direito (...) A crise serve assim, para opor

uma ordem ideal a uma desordem real, na qual a norma ou a lei é

contrariada pelo acontecimento (...) Na concepção de adolescência

essa leitura faz sentido, na medida em que, dentro da evolução referida, a crise é apresentada como um desvio ou perigo do curso natural do desenvolvimento, que deve ser cuidado para a retomada da

ordem natural (social).” (p.172)

Podemos observar o caráter naturalizante e universalizante da adolescência mesmo em autores que dizem considerar os aspectos sociais e econômicos. Osório (1992) afirma que

“(...) mesmo em condições de vida extremamente diversas, desde que

assegurada a satisfação das necessidades básicas de alimentação e agasalho, podemos encontrar a sequência dos eventos psicodinâmicos que configuram o processo adolescente e a crise de identidade que o

caracteriza.” (p. 21)

Ozella (2002) utiliza as reflexões de Santos (1996) para discutir as implicações das concepções modernas de infância e adolescência na atualidade. Aquele autor identificou em seus estudos uma tendência em utilizar conceitos e concepções do passado nas proposições atuais. Outra tendência das concepções é a utilização do adulto como ponto de referência.

As análises realizadas pelos autores Ariés (1978) e Snyders (1984) nos permitem afirmar que a adolescência é um conceito construído ao longo da história, não se constituindo como um fenômeno universal, natural e eterno, mas como um fenômeno que sofre variações no tempo e espaço, já que tem estreita relação com a sociedade que o concebe.

Sendo assim, a adolescência se manifestará de forma singular nos diferentes segmentos sociais. As sociedades de classes, embora nos deem a impressão de que o acesso aos bens culturais e sociais está disponível a todos, na verdade omitem que somente alguns os terão efetivamente, e isto acarretará formas diferentes e peculiares de viver a adolescência. Porém, não é dessa forma que a adolescência vem sendo compreendida ao longo da história da ciência.

As várias concepções de adolescência presentes na Psicologia, ora enfatizam os aspectos biológicos, ora os aspectos ambientais e sociais, apresentando, portanto, uma visão dicotomizada do fenômeno. Sendo assim, os aspectos sociais são vistos como abstratos,

tornando a influência do meio difusa e descaracterizada contextualmente. Bock (1999) caracteriza essa situação dentro de uma concepção liberal, ou seja, o homem é concebido a partir de uma natureza humana apriorística, cujo desenvolvimento é dado pela sua própria condição de homem.

Na tentativa de superar essa visão dicotômica e naturalizante da adolescência, fundamentada na ideologia liberal, que a compreende como fase natural do desenvolvimento, com características pré-determinadas, como rebeldia, desequilíbrios, instabilidades, lutos e crises, entre outras características que compõem a chamada síndrome normal da adolescência, a perspectiva sócio-histórica propõe olhá-la a partir de outro ponto de vista. Ou seja, compreender que esse período é criado historicamente e é constituído como significados na cultura e na linguagem presente nas relações sociais. Significados estes que serão referências para a constituição dos sujeitos. Dessa forma, “quando definimos adolescência como isto ou

aquilo, estamos constituindo significações (interpretando a realidade), a partir de realidades

sociais e marcas que serão referências para a constituição dos sujeitos.” (Ozella, 2002, p.

21)

Com isso, não queremos dizer que o subjetivo corresponde ao social. A subjetividade é constituída por configurações pessoais do social. “Os elementos desse mundo psíquico vêm do

mundo social (atividades do homem e linguagem), mas não são idênticos a ele.” (Ozella,

2002, p. 22) As dimensões objetivas e subjetivas estão em constante movimento, assim sendo, o homem ao subjetivar a realidade e, posteriormente, ao objetivar sua subjetividade, por meio da sua ação no mundo, transforma o social em psicológico, transformando e deixando sua marca singular no meio social. Nesse processo de objetivação-subjetivação o homem não é passivo, ao contrário, ao apropriar-se do real, o faz mediado pela sua dimensão subjetiva, que, por sua vez, é constituída histórica e socialmente. Ao subjetivar a realidade, esta se configura, de modo que se funde com as demais experiências subjetivas, engendrando novos sentidos e possibilitando a criação constante do novo. Dessa forma,

“Assimilar as características da matéria implica a subjetivação. Conferir-lhe uma forma nova implica não só alterar a materialidade,

mas sobretudo, imprimir nela uma idéia (sic) (projeto que preside e

dirige o trabalho). Dessa maneira, o produto do trabalho torna-se a

objetivação da idéia (sic) e da própria atividade do homem,

constituindo assim a síntese da relação dialética homem-natureza.”

Para compreender qualquer fenômeno é preciso considerá-lo a partir de uma totalidade que o constitui e lhe dá sentido (Bock, 1999). Dessa forma, conceber a adolescência numa perspectiva sócio-histórica é compreender que o adolescente está imerso numa totalidade concreta que o constitui e é constituída por ele. A totalidade concreta diz respeito não só às relações de produção e à economia, mas também à ideologia, questões de gênero, valores culturais, contradições, enfim, aos elementos que não estão dados a olho nu e, por isso, exigem uma análise que ultrapasse o âmbito da aparência. Compreender esta totalidade concreta implica compreender a síntese das múltiplas determinações da realidade.

Além disso, é preciso conceber o indivíduo inserido na totalidade concreta como um ser histórico, ou seja, “um ser constituído no seu movimento; constituído ao longo do tempo,

pelas relações sociais, pelas condições sociais e culturais engendradas pela humanidade”

(Aguiar, Bock, Ozella, 2007, p.166), muitas vezes contraditórias.

Trata-se de um processo dialético, em que o homem constitui-se numa relação imbricada e inseparável da totalidade concreta que está continuamente se produzindo e se desenvolvendo. Pino (2002) descreve esse processo dialético como a ‘realidade para si’, o qual contempla a dimensão histórica da natureza, pois na ação sobre ela, o homem a transforma e a integra na sua própria história, estabelecendo, assim, um movimento constante de constituir e ser constituído por ela.

Essa transformação e integração da natureza à história individual têm sua gênese na atividade significada e só é possível por meio da utilização de instrumentos e de sistemas simbólicos, possibilitando aos homens “transformar a natureza em cultura e transformar-se

eles mesmos de seres naturais em seres culturais (ou humanos, é o mesmo).” (Pino, 2002, p.

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2. A escola como espaço dialético e contraditório de dominação e

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