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Beregnet Energi- og effektbehov

In document Presentasjon av casestudier i REBO (sider 48-52)

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7.4.3 Beregnet Energi- og effektbehov

O presente trabalho é fundamentado na Psicologia Sócio-Histórica, deste modo, explicitaremos os pressupostos teóricos subjacentes ao método utilizado para analisar a dimensão subjetiva da escolha moral na adolescência e, portanto, apreender os valores utilizados para a fundamentação dessas escolhas. Para isto torna-se necessária a utilização da categoria sentido. E, finalmente, a partir da análise dos sentidos, procuraremos identificar a aproximação ou o distanciamento dos sujeitos, ao que Agnes Heller (2003) denominou de particularidade e individualidade. Fenômenos complexos, como estes, só podem ser explicados com a construção complexa do seu objeto em nível teórico. (Martinez, 2005) Sendo assim,

“a complexidade não é uma declaração de fé, não basta reconhecer ontologicamente a complexidade do psicológico; o problema é expressar essa complexidade em sistemas de categorias cujo valor

heurístico permita gerar novas zonas de sentido. (Martinez, 2005, p.

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Dessa forma, acreditamos que a Psicologia Sócio-Histórica propõe um método que permite apreender o psicológico como fenômeno complexo, “cujo caráter é

multidimensional, recursivo e contraditório.” (Martinez, 2005, p.15)

Todo método de investigação está estreitamente relacionado a uma concepção de homem, sendo assim, é válido resgatar, brevemente, o que foi discutido no Cap. I. Entendemos que o homem se constitui dialeticamente na relação com o social, sendo ao mesmo tempo único e singular, histórico e social.

Sendo assim, concordamos com Vigotski (2007) quando diz que o desenvolvimento psicológico dos homens está intimamente relacionado com o desenvolvimento histórico da

espécie humana, dessa forma, o homem, como ser histórico, só pode ser entendido se compreendido no contexto sócio-histórico em que vive, em sua condição social, de gênero, em sua história familiar, ou seja, se compreendido na relação dialética e contraditória com a história de seu tempo. Normalmente, ao dizermos que pretendemos estudar algum evento ou fenômeno historicamente ou em sua historicidade, entende-se que se trata de um estudo do passado; no entanto, na interpretação de Vigotski (2007) “estudar alguma coisa

historicamente significa estudá-la no processo de mudança: esse é o requisito básico do

método dialético (...) é somente em movimento que um corpo mostra o que é.” (p.68)

Para que contemplemos a premissa da historicidade é necessário utilizarmos uma metodologia coerente e que apreenda a natureza complexa e dinâmica do real. Para isso Vigotski (2007) propõe três princípios que devem compor tal metodologia. O primeiro deles é

analisar processos e não objetos, uma vez que aqueles estão sempre em movimento,

diferentemente dos objetos que são fixos e estáveis, e, portanto, requerem uma reconstituição dos pontos que compuseram sua constituição. Sobre isso Vigotski (2007) diz que: “Se

substituímos a análise do objeto pela análise de processo, então, a tarefa básica da pesquisa obviamente se torna uma reconstrução de cada estágio no desenvolvimento do processo:

deve-se fazer com que o processo retorne aos seus estágios iniciais.” (p.64)

O segundo princípio proposto é o da explicação versus descrição. Tal premissa compreende que apenas a descrição do fenômeno não revela seu processo de determinação. A função da ciência é estudar determinado fenômeno visando desvelar sua gênese e suas bases dinâmico-causais, é transcender à aparência, à manifestação externa. Vigotski (2007), ao estabelecer esse princípio fundamenta-se em Marx (apud Vigotski 2007) o qual afirma que

“se a essência dos objetos coincidisse com a forma de suas manifestações externas, então,

toda ciência seria supérflua.” (p. 66) Com esse princípio Vigotski quer garantir que não se

confundam dois fenômenos com manifestações externas semelhantes, contudo, com origens ou essências distintas, se não opostas.

Sobre o papel que a descrição presta à produção do conhecimento científico, é válido notar que diversos autores interessados em estudar o status da pesquisa educacional no Brasil, como André (2001), Gatti (2001), e Alves-Mazzoti (2001), identificam aspectos preocupantes em suas análises. Relatam que muitas pesquisas educacionais apenas descrevem o fenômeno estudado. Mantendo-se no nível descritivo, o conhecimento científico não avança, estagnando-se no mero levantamento de dados; dessa forma, não identifica dimensões e relações. Com isto não queremos dizer que a descrição não seja uma etapa importante no processo da produção de conhecimento, já que é fundamental no estudo de fenômenos em que

não se tem vasto conhecimento acumulado, porém queremos destacar que o perigo da descrição está em deter-se nessa etapa inicial da produção científica, não avançando para a explicação dos fenômenos.

O terceiro princípio proposto por Vigotski (2007) sintetiza os anteriores e fundamenta- se no seguinte pressuposto: uma análise que vise apreender o humano deve compreender os comportamentos fossilizados15, reconstruindo o percurso de seu desenvolvimento até a sua origem, ou seja, deve atentar para o processo e não para o produto, pois “a forma fossilizada é

o final de uma linha que une o presente ao passado, os estágios superiores do

desenvolvimento aos estágios primários.” (p. 68) Da mesma forma, compreender o processo

de desenvolvimento de determinado comportamento, contemplando seu início e fim, implica na descoberta da sua essência,prosseguindo para além da aparência.

Entendemos ser importante observar que, diferentemente da corrente filosófica idealista que concebe o homem como um ser abstrato e dotado de uma essência inata, responsável pela sua humanidade, no materialismo histórico-dialético, essência indica a síntese das múltiplas determinações.

São inegáveis as contribuições de Vigotski às ciências humanas, especialmente, para a Psicologia, no que se refere ao novo olhar instaurado na compreensão das funções psicológicas superiores, ou nos termos de González Rey (2003), para apreender a subjetividade humana. Para este último, subjetividade é a articulação dos sentidos subjetivos atribuídos pelo indivíduo ao longo da sua existência e constitui-se o problema de investigação próprio das pesquisas qualitativas.

Devido às diversas tendências, muitas vezes, com bases teórico-metodológicas antagônicas, agrupadas sob a denominação qualitativa, fica difícil definir o que seja realmente uma pesquisa desta natureza. Diante disso, González Rey (2005) propõe uma Epistemologia Qualitativa, a qual defende o caráter construtivo-interpretativo do conhecimento, ou seja, o pesquisador vai empreender-se num trabalho de interpretação e construção do conhecimento, ideias e hipóteses. Nisto está implícita a concepção de que o conhecimento é uma construção e não uma realidade linear.

Ao buscar a teorização dos fenômenos, González Rey (2005) afirma que “zonas de sentido” são “espaços de inteligilibilidade que se produzem na pesquisa científica e não

15 Comportamentos fossilizados são descritos por Vigotski (2007, p.67) como aqueles que “esmaeceram ao

longo do tempo, isto é, processos que passaram através de um estágio bastante longo do desenvolvimento histórico e tornaram-se fossilizados” e tornaram-se mecânicos e automáticos e, por isso, sua manifestação externa não corresponde à sua essência.

esgotam a questão que significam, senão que pelo contrário, abrem a possibilidade de seguir

aprofundando um campo de construção teórica.” (p. 6) Tal conceito permite-nos “gerar

novas zonas de inteligibilidade acerca do que é estudado e de articular essas zonas em

modelos cada vez mais úteis para a produção de novos conhecimentos.” (p. 6)

Em síntese, podemos afirmar que, numa pesquisa cuja perspectiva é qualitativa, visamos construir modelos explicativos sobre o fenômeno estudado, rompendo com a dicotomia entre o empírico (realidade externa) e o teórico (especulação), entendendo que nossas práticas são constituídas e constitutivas na e pela realidade e que utilizamos as construções teóricas da ciência para compreendê-la parcialmente, pois limitados são nossos instrumentos utilizados para tal. (González Rey, 2005)

Segundo González Rey (2005), outra característica da Epistemologia Qualitativa é a

“legitimação do singular como instância de produção do conhecimento científico.” (p. 10)

Esta característica está estreitamente vinculada ao caráter construtivo-interpretativo discutido anteriormente, pois “a informação ou as idéias (sic) que aparecem através do caso singular,

tomam legitimidade pelo que representam para o modelo em construção, o que será

responsável pelo conhecimento constituído na pesquisa.” (p. 11)

Com isto queremos dizer que não almejamos generalizações estatísticas, visto que o estudo do singular nos possibilita a generalização teórica e é a esta tarefa que dedicamo-nos. Produzir conhecimento visando à generalização teórica é algo que não se restringe ao desenvolvimento de dada teoria, mas compreende, também, a função de ampliar a compreensão do real, a fim de produzir formas de intervenções mais efetivas.

González Rey (2005) aponta um terceiro elemento que caracteriza a Epistemologia Qualitativa: compreender a pesquisa como um processo de comunicação, sem perder de vista que interessa-nos, como objeto de estudo, o sujeito que discursa e não o próprio discurso.

Como explicitamos anteriormente no Cap. I 4.2: A efetiva constituição do homem:

intrínseca relação entre pensamento e linguagem, acreditamos que a linguagem é o

instrumento simbólico fundamental na constituição do homem. Dessa forma, o signo, e a palavra como tal, constitui-se uma forma privilegiada de apreender as formas de pensar e agir do indivíduo.

“A comunicação é uma via privilegiada para conhecer as configurações e os processos de sentido subjetivo que caracterizam os sujeitos individuais e que permitem conhecer o modo como as diversas

condições subjetivas da vida social afetam o homem.” (González Rey,

Para a compreensão do pensamento necessitamos, antes, compreender o processo da linguagem. Ambos não podem ser confundidos, pois têm origens distintas, mas constituem uma relação de mediação, em que um não pode ser compreendido sem o outro.

Sob esse ponto de vista a comunicação constitui-se num lócus constante de produção de informação para a pesquisa. Nesse sentido, entendemos que as falas (palavras com significados), ponto de partida para a compreensão do sujeito, são construções que expressam, não apenas uma resposta em decorrência da utilização de determinado instrumento de coleta de dados, mas revela uma construção histórica constituída, inclusive, pela situação de obtenção de dados (pesquisador, instrumentos etc.).

“A palavra, portanto, é a arena onde se confrontam valores sociais

contraditórios, conflitos, relações de dominação, etc. (...) aponta

sempre as menores variações das relações sociais, não só as referentes aos sistemas ideológicos constituídos, mas também as que dizem respeito às ‘ideologias do cotidiano’, aquela que se exprime na vida corrente, em que se formam e se renovam as ideologias constituídas.”

(Aguiar, 2007 a, p. 101)

Sendo assim, compreendemos que os instrumentos utilizados na obtenção de informações são os meios para a produção das mesmas e não eliciadores de respostas fixas e acabadas, que são portadas pelos sujeitos, prontas para serem acessadas, visto que, por sua estrutura a

“linguagem não é um simples reflexo especular da estrutura do pensamento, razão por que não pode esperar que o pensamento seja uma veste pronta. A linguagem não serve como expressão de um pensamento pronto. Ao transformar em linguagem, o pensamento se

reestrutura e modifica.” (Vigotski, 2001, p. 412)

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