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Barkaleitet Borettslag, Bergen .1 Nøkkelinformasjon

In document Presentasjon av casestudier i REBO (sider 25-29)

Oppgradering og lønnsomhet

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“É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que

tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.”

Clarice Lispector

Outras categorias fundamentais para a compreensão da constituição do homem como tal são: pensamento e linguagem. Na atividade com outros homens surge a necessidade da comunicação, instrumento fundamental no processo de constituição do homem, pois “os

signos, entendidos como instrumentos convencionais de natureza social, são os meios de contato do indivíduo com o mundo exterior e também consigo mesmo e com sua própria

consciência.” (Aguiar, 2007 a, p.100) Por isso, podemos afirmar com Vigotski (2001) que

“no princípio esteve a ação. A palavra constitui antes o fim que o princípio do

desenvolvimento. A palavra é o fim que coroa a ação.” (, p. 485) Disso podemos concluir que

a linguagem é o instrumento simbólico primordial no processo de desenvolvimento das relações sociais, por meio da qual o homem se individualiza, se humaniza e objetiva seu mundo interno. (Aguiar, 2007 a)

Sendo a linguagem instrumento fundante da constituição humana, se faz fundamental a compreensão de seu processo de desenvolvimento. Pensamento e linguagem são processos com origens distintas, entretanto, estabelecem entre si uma relação de mediação íntima e indissociável, de modo que é impossível um desvencilhar-se do outro, já que, não é possível pensar sem linguagem, da mesma forma que não dá para usar palavras com significado sem pensar sobre elas. Por isso, dizemos que na relação pensamento e linguagem um não é possível sem o outro.

Essa forma de conceber o pensamento e a linguagem é inédita e substitui a análise do método de decomposição dos componentes desse processo. Vigotski (2001), em seus estudos sobre o pensamento e a palavra, inova ao propor uma análise desses processos que busca uma unidade, ou seja, a menor parte que contenha as propriedades inerentes à totalidade.

Na relação pensamento e linguagem, a unidade de análise é o significado da palavra. Nesse sentido, o significado da palavra é a unidade irredutível dos processos de pensamento e linguagem, de forma que é, ao mesmo tempo, um fenômeno do discurso e um fenômeno do pensamento, ou “um fenômeno do pensamento discursivo ou da palavra consciente.” (Vigotski, 2001, p. 398) Assim, o significado da palavra será fenômeno do pensamento se este for expresso por ela, do mesmo modo, será fenômeno do discurso se não for um som vazio, desprovido de significado.

O significado da palavra contém uma generalização que possibilita a comunicação. Têm fronteiras compartilhadas (plano do significado), mas também aspectos originais e particulares (sentidos). É, portanto, “a generalização nela [palavra com significado] contida

como modo absolutamente original de representação da realidade na consciência.”

(Vigotski, 2001, p. 407)

Ao conceber o significado da palavra como unidade do pensamento e da linguagem, Vigotski (2001) avança em relação às teorias anteriores, introduzindo o caráter dinâmico na compreensão dos significados das palavras.

“(...) no processo do desenvolvimento histórico da língua, modificam-

se a estrutura semântica dos significados das palavras e a natureza

psicológica desses significados (...) no curso do desenvolvimento

histórico da palavra modificam-se tanto o conteúdo concreto da palavra quanto o próprio caráter de representação e da generalização

da realidade na palavra.” (p. 400-401)

A fim de compreender a mutabilidade e a dinâmica das relações entre o pensamento e a palavra, Vigotski (2001) reconstitui o processo do pensamento verbal. Dessa forma, aponta que a relação entre pensamento e linguagem é um processo composto por etapas que se desenvolvem. A este respeito diz: “a relação entre o pensamento e a palavra é, antes de tudo,

não uma coisa, mas um processo, é um movimento do pensamento à palavra e da palavra ao

pensamento.” (p. 409)

Nesse processo de desenvolvimento funcional o pensamento procura unificar algo, seguindo uma série de etapas, caminhando para a palavra e desta para o pensamento. A reconstituição de tais etapas revela que o aspecto semântico interior da linguagem e o aspecto físico exterior, embora formem uma unidade, possuem leis próprias e distintas de desenvolvimento.

Logo, o aspecto externo da linguagem se desenvolve das partes para o todo, ou seja, a criança inicia-se na linguagem aglutinando duas ou mais palavras, depois forma uma frase simples e da concatenação dessas frases resulta uma linguagem complexa e ordenada em uma série de orações. Em contrapartida, no desenvolvimento do aspecto semântico da linguagem, a criança faz o movimento inverso, parte do todo (oração) para as partes (significados das palavras). Nesse processo o pensamento é permeado de lacunas e expresso em orações dessa natureza. “Desde o início o pensamento e a palavra não se estruturam, absolutamente, pelo

mesmo modelo. Em certo sentido, pode-se dizer que entre eles existe uma contradição que

O desenvolvimento da linguagem ocorre, de acordo com o autor, em três estágios: linguagem externa (linguagem para os outros), fala egocêntrica (série de estágios que antecedem a linguagem interior) e linguagem interior (linguagem para si). Aparentemente, este parece tratar-se de um processo simples, contudo, a simplicidade permanece somente na aparência.

A linguagem interior não só precede a exterior, temporalmente, mas é diametralmente oposta a ela, pois seu percurso “caminha de fora para dentro, um processo de evaporação da

linguagem em pensamento. Mas o discurso não desaparece de maneira alguma em sua forma

interior.” (Vigotski, 2001, p. 425) Por isso, a linguagem interior é um objeto de difícil

apreensão.

Sobre essa questão, Vigotski (2001) observa que por meio da linguagem egocêntrica é possível investigar a linguagem interior, visto que a primeira é formada por primitivas linguagens interiores, porém dotadas de sons, sendo, portanto, uma linguagem exterior em sua expressão e, concomitantemente, uma linguagem interior pela sua função e estrutura. Desse modo, a linguagem egocêntrica é uma das expressões da transição ascendente das funções interpsicológicas para as intrapsicológicas, ou seja, do social para o individual. Nesse sentido, o declínio das expressões sonoras da fala egocêntrica deve ser entendido como um aumento da capacidade crescente da criança para pensar e imaginar as palavras, em detrimento de proferi-las. “(...) se o pensamento se materializa em palavra na linguagem exterior, a palavra

morre na linguagem interior, gerando o pensamento.” (Vigotski, 2001, p. 474)

Essa concepção da linguagem egocêntrica é oposta à proposta por Piaget, que pode ser explicitada com o pensamento de List (apud Vigotski, 2001) ao referir-se aos meninos prodígios: “seu futuro está no passado. Essa linguagem não tem futuro. Não surge nem se

desenvolve com a criança, mas se atrofia e se extingue, sendo antes um processo involutivo

por natureza que evolutivo.” (p.429)

Assim sendo, ao diferenciar o processo estrutural de desenvolvimento da linguagem interior do processo da linguagem exterior, Vigotski salienta que ambas utilizam signos e possuem elementos afetivos. “O pensamento não é só externamente mediado por signos como

internamente mediado por significados.” (Vigotski, 2001, p.479) Destacando o componente

afetivo Vigotski (2001) diz que:

“O próprio pensamento não nasce de outro pensamento, mas do campo da nossa consciência que o motiva, que abrange os nossos pendores e necessidades, os nossos interesses e motivações, os nossos

afetos e emoções. Por trás do pensamento existe uma tendência afetivo-

volitiva.” (p.479)

Disso decorre que, muitas vezes, o pensamento termina em fracasso, ou seja, não se converte em palavras. Para expressar essa situação muitos usam a expressão ‘está na ponta da língua’, mas o pensamento não se materializa em palavra, por isso, o “pensamento não se

exprime na palavra, mas nela se realiza.” (Vigotski, 2001, p. 409)

O pensamento sempre supera a extensão e o volume de uma palavra, nesse sentido, Vigotski (2001) o compara a uma nuvem que descarrega uma chuva de palavras, isto porque o pensamento não coincide com estas, pois uma única palavra pode significar inúmeros e diversos pensamentos. A transição do pensamento para a palavra é necessariamente mediada pelo significado. “Como a passagem direta do pensamento para a palavra é impossível e

sempre requer a abertura de um complexo caminho, surgem queixas contra a imperfeição da

palavra e lamentos pela inexpressibilidade do pensamento.” (Vigotski, 2001, p.478)

Dando continuidade à obra de Vigotski, González Rey dedicou-se ao estudo do humano, especialmente sobre os sentidos, trazendo inúmeras contribuições que ampliam a compreensão que podemos ter, por meio do alargamento e aprofundamento de seus postulados. Sendo assim, atualmente utilizamos a expressão subjetividade em substituição à linguagem interior, sendo aquela mais abrangente que esta, pois “trata-se de um

macroconceito que integra os complexos processos [simbólicos e emocionais] e formas de

organização psíquicos envolvidos na produção de sentidos subjetivos.” (González Rey, 2004,

p. 137) É, portanto, a dimensão subjetiva que possibilita a expressão única e singular do sujeito no processo de objetivação e subjetivação da realidade, é a mediadora entre o indivíduo e o mundo. Nesta dimensão ocorre a conversão do natural para o cultural, e, por conseguinte, do social para o pessoal.

Os pressupostos explicitados anteriormente auxiliam na compreensão da constituição do humano. Visando ampliar nossas reflexões acerca dessa constituição, nos deteremos, a seguir, na reflexão sobre as categorias sentido e significado, que estão, por sua vez, diretamente relacionadas às categorias pensamento e linguagem.

4.3 Sentidos e Significados: unidade contraditória do simbólico e do

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