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4 Data og metode

4.6 Statistiske analysemetoder

Entre as diversas invenções que marcaram os vários séculos de existência humana,

a imprensa e o seu desenvolvimento foi, sem sombra de dúvida, marcante e decisiva para o

aparecimento e implementação do livro como recurso pedagógico, ao serviço do processo

de ensino-aprendizagem, nomeadamente, na veiculação de conhecimentos a um número

mais alargado de pessoas (Santomé, 1998).

Tendo, ao longo dos tempos, sido atribuídas a este pequeno instrumento ao serviço

do ensino múltiplas expressões desinatórias (“livro elementar”; “livro de estudo”; “livro da

classe”; “livro de ensino”; “livro escolar”), em conformidade com as concepções de ensino

vigentes nas diversas épocas (Chopin, 1992), apresenta-se, nos dias de hoje, com a

designação frequente de “manual escolar”. Analisando-se o significado da palavra

“manual”, verifica-se que os dicionários a referem como sinónimo de algo que se “tem à

mão”, “portátil” ou “facilmente manuseável” (Dicionários Editora, 1998).

Talvez estes simples atributos tenham ajudado a cimentar a intimidade existente

entre os manuais escolares e o processo educativo, relação essa que remonta de há várias

décadas atrás até aos dias de hoje. Na verdade, estes pequenos objectos encadernados, de

acessível manipulação, converteram-se no recurso didáctico mais usado a nível mundial

reconhecida e perfilhada não só por muitos especialistas, mas também naturalmente aceite

e já enraízada na generalidade da população. Aliás, até meados do século passado,

sensivelmente, o mesmo “livro” estava ao serviço de sucessivas gerações, sendo

absolutamente frequente e normal que os filhos se servissem dos manuais já utilizados

anteriormente pelos seus pais (Chopin, 1999), situação essa que somente se alterou nos

anos 70 e 80, em consequência das transformações sociais e culturais ocorridas na segunda

metade do século passado (Tormenta, 1997).

Através de uma consulta à literatura existente sobre o assunto em questão, é de

notar que toda a diversidade de expressões utilizadas pelos investigadores para

qualificarem o manual escolar no processo de ensino-aprendizagem, é apenas uma questão

de terminologia, uma vez que todos acabam por convergir numa mesma ideologia, comum

entre eles, acerca da relevância e centralidade que assume: “está no coração do sistema

educativo” (Huot, 1989); “instrumentos essenciais de acesso ao saber” (Huot, 1989);

“instrumento de poder” (Chopin, 1992); “elemento indispensável e às vezes único”

(Blanco, 1994); “suporte didáctico mais expandido, ... mais utilizado e mais padronizador”

(Santos & Valente, 1995); “elementos centrais” (Pacheco, 1997); “símbolo da escola”

(Tormenta, 1997); “o mais difundido” (Gerard & Roegiers, 1998); “elemento privilegiado

e fundamental” (Cunha, 1999); “uma das mais bem sucedidas invenções” (Finley &

Pocovi, 1999); “um dos mais importantes recursos” (Leite, 1999a); “mediador importante

na construção do conhecimento científico” (Pereira & Duarte, 1999).

Perante tal importância atribuída aos manuais escolares, não será por mero acaso

nem por mera coincidência a relevância que oficialmente lhe é reconhecida não só na Lei

de bases do Sistema Educativo (questão já referida e desenvolvida no capítulo I), mas

também em circulares, nas quais se evidencia esse reconhecimento: “... instrumentos de

um auxiliar de relevo”; “... continua a impor-se como prática corrente e necessária...”

(circular nº 2/2001, Departamento de Educação Básica).

Mas, apesar de todas as reformulações e reajustamentos a que tem vindo a ser

sujeito ao longo dos tempos no que respeita ao papel e funções que lhe atribuem no âmbito

pedagógico (Gérard & Roegiers, 1998), ou até mesmo no que respeita à evolução em

questões de terminologia, sempre acompanhando a “moda” educativa das respectivas

épocas, o manual escolar sempre foi e continua a ser elaborado com uma finalidade: servir

de guia/suporte ao ensino de determinada disciplina (Chopin, 1992). Ainda que em moldes

não tão rígidos como os vigentes até meados do século passado, aos quais se fez uma breve

referência no início do sub-capítulo, os manuais escolares continuam, no entanto, a

estabelecer um forte elo de ligação entre a escola e a família, desempenhando funções

diversas, desde as de natureza cultural, ideológica, até às de cariz pedagógico,

transformando-se, assim, num meio de veicular ideias, conhecimentos, representações,

experiências (Castro et al., 1999) e, implicitamente, valores culturais e sociais (Gérard &

Roegiers, 1998).

Contudo, tal como consideram estes dois últimos autores, o manual escolar deverá,

para além de assumir estas diferentes funções, de carácter convencional, mais relacionadas

com a aprendizagem e entre as quais sempre se destacou a de transmitir conhecimentos

(Finley & Pocovi, 1999), deverá também proporcionar ao aluno a passagem de outros

aspectos no domínio das capacidades e competências, tais como, regras/métodos de

trabalho (pesquisa, recolha e organização de informação) e a promoção da

integração/relacionação de conhecimentos quotidianos e/ou do foro profissional.

Para além destas funções, alguns investigadores ainda consideram que,

apresentando-se o manual escolar como o recurso pedagógico mais dominante no processo

acerca da ciência (Chiappetta, Sethna & Fillman, 1991). Baseando-se em estudos que

desenvolveram, estes investigadores afirmam que os manuais escolares apresentam a

ciência como um corpo de conhecimentos e raramente, ou mesmo nunca, como um

processo de investigação ou como uma forma de pensamento. Opinião idêntica é a

perfilhada por Santomé (1998) ao considerar que os manuais escolares reflectem uma visão

deturpada da forma como a ciência se constrói ou evolui, pois apresentam-na como um

processo “linear” e acabado. O autor reforça a sua opinião afirmando que desta situação

resulta um “dogmatismo” em todo o processo de ensino-aprendizagem que se alicerça nos

manuais escolares, na medida em que a informação que transmitem surge com o aspecto de

“inquestionável”, restando aos alunos apenas uma opção: decorarem-na e reproduzirem-na.

Aliás, ainda nesta linha de pensamento, Blanco (1994) defende convincentemente

que os manuais escolares limitam-se a reproduzir o que já é conhecido, ou seja, incluem

conhecimentos já sabidos, dados como únicos e seguros, reflectindo, deste modo, um

conhecimento objectivo e verdadeiro que impede os leitores, neste caso os alunos, de eles

próprios o produzirem. Para além disso, e conforme refere Santomé (1998), não permitem

que os alunos tomem uma atitude crítica face aos assuntos do quotidiano, limitando-se a

fomentar a reprodução da cultura estabelecida, ou seja, apresentam os conteúdos como

algo inquestionável e indiscutível.