5 Resultater
5.1 Kriminell deltakelse - Logistisk regresjon
Embora seleccionados para os alunos, os manuais escolares acabam por configurar
e condicionar a prática dos professores (Blanco, 1994; Santos & Valente, 1995; Santomé,
1998) que se apoiam neles, uma vez que o consideram como um meio que os auxilia na sua
Ainda que se revele escassa e insuficiente a investigação acerca da forma como os
docentes utilizam o manual escolar (Johnsen, 1996), alguns autores não hesitam em o
apontar como suporte das planificações das aulas dos professores e das aprendizagens dos
alunos (Duarte, 1999a), como orientador dos docentes na organização do currículo
(Chiappetta, Fillman & Sethna, 1991) e como intermediário na construção do
conhecimento científico (Pereira & Duarte, 2000). Blanco (1994) vai mais longe nas suas
afirmações ao referir a forte dependência entre o manual e o docente, a ponto de as
competências profissionais deste serem limitadas pelo uso que faz do manual: uma vez que
é este recurso que especifica os objectivos a atingir, a escolha e a ordem dos assuntos a
ensinar, as actividade mais apropriadas para a aprendizagem desses conteúdos e até os
critérios de avaliação da aprendizagem, ou seja, tudo neles está “previsto”, as funções
inerentes a um professor acabam por desaparecer, pois tornam-se desnecessárias.
Segundo nos informa Johnsen (1996), todos os trabalhos que têm sido
desenvolvidos neste âmbito permitem concluir que os manuais escolares continuam a ter
um forte poder controlador, sobretudo na planificação da aula, na forma de ensinar e até
fora da sala de aula, na medida em que são eles que indicam e estipulam as tarefas a
realizar em casa pelos alunos. Este autor clarifica e pormenoriza mais a sua opinião ao
considerar que a faceta dominadora do manual escolar no processo educativo se revela,
entre outros aspectos, pelo tempo de utilização durante o tempo lectivo (maioritário
relativamente a outro qualquer), pelas indicações e atitudes dos professores em relação ao
seu uso, pela influência organizada que exercem sobre as metodologias de ensino, pelas
dificuldades em contestar as consequências do seu uso relativamente aos assuntos que se
ensinam e ainda pelo facto de as investigações, que se desenvolvem no domínio dos
A apoiar e a reforçar algumas destas argumentações, surgem os resultados de
alguns estudos levados a cabo no sentido de investigarem a forma como os professores de
Ciências utilizam os manuais escolares na sua prática pedagógica. Entre eles, indica-se o
trabalho desenvolvido em Portugal por Cachapuz et al. (1989), cuja finalidade era analisar
em que moldes se ministrava o ensino da disciplina de Ciências Físico - Químicas. Pelas
informações conseguidas através de um questionário escrito passado a professores
representativos de todos os distritos do Continente, conseguiu-se detectar que os manuais
eram, entre as diversas fontes de informação disponíveis, as mais relevantes no ensino da
disciplina na opinião de 92.5% dos professores envolvidos no estudo e que eram usados
por 77.0% dos professores na preparação das aulas. Relativamente aos alunos, verificou-se
que os professores lhes sugeriam a utilização do manual escolar para resolveram questões
acerca do assunto da aula (83.%), com o fim de realizarem leituras acerca do assunto da
aula (52.5%) e ainda para recolherem dados consultando tabelas (51.0%).
Concordantes com algumas destas conclusões são os resultados obtidos por Merzyn
et al. (1988), citado por Brigas (1997), num trabalho que desenvolveram na antiga
Alemanha Ocidental com professores de Física, questionando-os sobre o uso dos manuais
escolares dessa disciplina. Foi possível constatar que eram esses os recursos didácticos que
dominavam, também na preparação das aulas.
Todavia, esta dependência no que respeita à utilização do manual escolar no ensino,
nem sempre se processa uniformemente, na medida em que pode ser influenciada por
vários factores, nomeadamente, pelas concepções que os docentes perfilham em relação ao
currículo, ao ensino, à aprendizagem e ao conhecimento ou às matérias a ensinar e pelos
próprios níveis etários dos alunos (Johnsen, 1996).
Na verdade, verifica-se uma efectiva consonância entre as considerações deste
motivo(s) que levam os professores a tomarem determinada atitude em relação ao manual
escolar. É o caso da investigação realizada por Alvermann & Hinchman (1994), com três
professores de Ciências do ensino secundário, que lhe permitiu concluir que a forma mais
ou menos rígida do uso do manual na aula se relacionava directamente com a concepção de
ensino – aprendizagem que cada um deles perfilhava: o seguidor de um ensino tradicional
utilizava o manual, integralmente e a tempo inteiro, como base de todas as actividades
concernentes à sua prática pedagógica; um outro professor, que atribuía maior relevância
ao processo decorrente da aprendizagem do que aos conteúdos, embora referenciasse de
vez em quando o manual, praticamente excluiu-o das suas aulas, pois a sua leitura, na visão
dele, transformava a ciência em algo enfadonho; o terceiro docente que tinha em conta os
conhecimentos prévios dos alunos como elemento influenciador da aprendizagem, usava o
manual como uma fonte de informação, entre os demais recursos didácticos à disposição
dos alunos, numa tentativa de equilibrar a dupla processo/produto.
Integradas neste âmbito, foram as conclusões que Digisi & Willett (1995)
conseguiram extrair do estudo que levaram a cabo com docentes da escola superior de
Biologia, nos estados de Maine, Massachusetts, New Hampshire e Rhode Island. De
acordo com os resultados obtidos, os professores usavam o manual nas suas aulas, com
maior ou menor frequência, em função do ano que leccionavam: utilização mais intensiva
(em actividades de leitura) nas classes de nível mais inferior e utilização menos frequente
nas salas de nível académico mais elevado.
Assim, tal como considera Stinner (1992), possivelmente, os manuais escolares
ainda irão continuar connosco nos próximos tempos. Mesmo com todas as limitações que
apresentam, ainda possuem um “alto valor” para alunos e docentes, pelo que urge
desenvolver nos professores a capacidade de analisar e criticar estes recursos didácticos,