4.2.1 Características gerais da propriedade intelectual nos projetos de desenvolvimento tecnológico da GERDAU
No período analisado (1982-2009) a GERDAU10 depositou 60 pedidos de patentes de invenção ou de modelo de utilidade. O índice de aprovação foi de 51,67%. A seguir apresenta-se uma tabela com o resumo do total de pedidos depositados, patentes concedidas e o porcentual de patentes concedidas (Tabela 6).
Tabela 6 - Pedidos de patentes depositados, patentes concedidas e porcentual de patentes concedidas, tendo a GERDAU como titular para o período de 1982 a 2009
RESUMO GERDAU Subsidiárias TOTAL
Pedidos de patentes depositados 55 5 60
Patentes concedidas 28 3 31
Porcentual de aprovação 50,91% 60,00% 51,67%
Verifica-se a existência de 13 pedidos de patentes não concedidos, compreendendo apenas pedidos indeferidos (6), arquivados (7), e 16 pedidos de patentes em fase de análise, não contendo nenhum em sigilo. O porcentual de pedidos não concedidos é de 21,67% e de pedidos em analise é de 26,67%. A seguir apresenta-se o gráfico com a evolução de pedidos de patentes, patentes concedidas, pedidos de patentes não concedidos e pedidos em análise (Gráfico 6).
É possível dividir o gráfico em dois períodos. O primeiro período (1984- 1996) é influenciado pela maior proporção de patentes concedidas, enquanto o segundo período (após 1997) é influenciado pela existência de pedidos não concedidos ou em análise, diminuindo em grande proporção a existência de
10 Base de Pesquisa: Gerdau, Aceros Corsa, Corporación Centro Americano del Acero, Diaco,
Gerdau Açominas, Gerdau Aços Especiais, Gerdau Aços Longos Brasil, Gerdau Amenisteel, Gerdau Aza, Gerdau Laisa, Gerdau Macsteel, Inca-Gerdau, Kalyani Gerdau Steels Ltd, Sidenor-Gerdau, Empresa Siderúrgica del Perú S.A (Siderperu), Siderúrgica Tultitlán, S.A (Sidertul), Sipar Gerdau, Siderúrgica Zuliana C.A. (Sizuca).
patentes concedidas.
É importante ressaltar que o número de patentes depositadas é baixo para todo o período, não ultrapassando nove pedidos de patentes por ano.
0 2 4 6 8 10 12 14 16 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 Q u an ti d ad e (u n .) Pedidos de Patentes Patentes Concedidas
Pedidos de Patentes Não Concedidos Pedidos em Análise
Gráfico 6. Evolução de pedidos de patentes, patentes concedidas, pedidos de patentes não concedidos e pedidos em análise
Em um contexto geral, o desenvolvimento tecnológico apresentado pela empresa é de pouca expressão. O depósito de pedidos de patentes da GERDAU não demonstra ser o foco estratégico da empresa. Não se observa em nenhum momento uma mudança de paradigma tecnológico, pelo contrário, a área tecnológica da empresa demonstra ter menor expressão após 1999, com a queda no número de pedidos de patentes e com o aumento de pedidos arquivados ou indeferidos, o que pode estar influenciado pela baixa qualidade da pesquisa ou pelo incorreto gerenciamento do processo de pedidos de patentes.
O tempo de análise processual para a concessão de uma carta patente, considerando a diferença entre o ano de concessão e o ano de depósito do pedido é apresentado no Gráfico 7, em termos de tempo mínimo, máximo e médio para cada ano do período analisado (1984 – 2005).
Tem-se em média um período de concessão de patentes para a GERDAU de 6,58 anos, com mínimo de 4 e máximo de 11 anos. Desta forma, ao analisarmos as patentes concedidas depositadas entre 1984 e 1998, considera-se que o resultado do deferimento e a expedição da carta-patente
ocorreram entre 1988 e 2006. 0 2 4 6 8 10 12 1984 1989 1992 1994 1996 1998 T em p o d e A n ál is es (A n o s)
Média Mínimo Máximo
Gráfico 7. Tempo médio, mínimo e máximo de análise processual para a concessão da carta patente
Após a pesquisa de patentes no banco de dados nacional (INPI), fez-se uma busca por patentes exclusivamente internacionais. Com base nas informações disponíveis na base de dados do Escritório Europeu de Patentes, foram encontradas duas patentes concedidas no exterior em 1982 e 1999 e nove pedidos de patentes em fase de análise entre 1999 e 2007. Nenhum dos documentos encontrados demonstra a existência de titularidade compartilhada.
4.2.2 Cooperação tecnológica e rede de relacionamentos da GERDAU No período de 1982 a 2000, a GERDAU desenvolveu 31 projetos inovadores que resultaram em patentes. É importante ressaltar que praticamente todos esses projetos foram resultados do desenvolvimento de projetos por fontes internas de P&D da organização, com a ocorrência de apenas uma parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais, em 1995.
No intuito de compreender o potencial da rede de relacionamento da GERDAU utilizou-se a abordagem de prospecção da rede para o período de 2001 a 2009, no qual foram considerados 20 depósitos de pedidos de patentes.
Por meio da análise verificou-se a existência de apenas uma parceria, com Universidade Estadual de Maringá (UEM) no ano 2000.
Portanto, observa-se que a GERDAU não tem como objetivo estratégico o desenvolvimento de parcerias tecnológicas. O desenvolvimento tecnológico em parceria pela empresa não foi somente eventual como único. Desse modo a empresa não se encontra presente em nenhuma rede de inovação. Por esse motivo, a análise de redes não foi aplicada a essa empresa.
Assim, conclui-se que a GERDAU apresenta fragilidade na gestão da inovação tecnológica, expressos tanto em termos de amplitude limitada de know-how tecnológico, evidenciado pelo baixo número de patentes, como pela falta de influência tecnológica no setor, demonstrado pela ausência de parcerias tecnológicas e a não inserção em nenhuma rede de cooperação. É claro que sempre poderá se levantar a possibilidade da empresa trabalhar com segredo industrial, mas neste caso também haveria a ressalva de ser uma tecnologia com restrição de uso e/ou comercialização (licenciamento) e não envolver conhecimentos disruptivos, característica das tecnologias patenteáveis.
O know-how tecnológico e o posicionamento na rede são dois fatores importantes para o desenvolvimento de novas parcerias e a inserção em redes de cooperação. Dessa forma, evidencia-se que a empresa precisará de investimentos em P&D para o desenvolvimento de sua capacidade inovadora e a atração de parceiros tecnológicos.
Nessa perspectiva, a gestão da inovação torna-se uma ferramenta gerencial importante para o correto direcionamento das estratégicas da empresa, de modo a garantir o avanço tecnológico, pelo fortalecimento da capacidade tecnológica interna, pelo desenvolvimento da capacidade de cooperação e a respectiva absorção do conhecimento e pela capacidade de gestão de relacionamentos e de identificação de oportunidades, evitando condições desfavoráveis de relacionamentos e negociação de tecnologias.