4.2.1. Instrumentos
Na coleta de dados foram utilizados: questionário (anexo 1), roteiro de entrevista semi< estruturada (anexo 2), e gravador digital.
Foi entregue a todos os sujeitos a carta de informação ao sujeito de pesquisa (anexo 8), bem como o termo de consentimento livre e esclarecido (anexo 9). Às escolas regulares e instituição especializada foram entregues a carta de informação à instituição (anexo 10)
Cabe esclarecer que todas as entrevistas com as mães e as crianças e aplicações de questionários foram realizadas em sala privativa localizada ou na Instituição Especializada ou na Escola Regular freqüentada pela criança. As entrevistas familiares, por sua vez, deram<se na residência dos sujeitos ou na Instituição Especializada.
4.2.2. Entrevistas
A escolha pela utilização de entrevista psicológica se deu, pois a mesma constitui<se como recurso fundamental na busca de aspectos psicológicos e pode ser definida da seguinte forma:
Consiste em uma relação humana na qual um dos integrantes deve procurar saber o que está acontecendo e deve atuar segundo esse conhecimento. A realização dos objetivos possíveis da entrevista (investigação, diagnóstico, orientação, etc) depende desse saber e da atuação de acordo com esse saber (BLEGER, 1998 p.7).
Neste estudo foi adotada a entrevista semi<estruturada que é caracterizada por Ludke e André (1986) como uma entrevista que se situa entre a entrevista não<estruturada e a estruturada; ela possui um esquema básico que não é aplicado rigidamente, permitindo, dessa maneira, que o entrevistador faça adaptações quando necessário. Desta forma, foram estabelecidos alguns temas e questionamentos que deveriam ser contemplados nas entrevistas, e que tiveram por objetivo investigar a relação familiar e o processo de inclusão escolar, bem como as interfaces entre ambos. O roteiro era flexível, podendo ser modificado, ampliado ou resumido no decorrer da entrevista, ele foi elaborado para que a pesquisadora pudesse perceber no discurso do sujeito quais os itens contemplados, podendo assim fazer questionamentos quando necessários.
O recurso a entrevistas semi<estruturadas como material empírico privilegiado na pesquisa constitui uma opção teórica<metodológica que está no centro de vários debates entre pesquisadores das ciências sociais. Em geral, a maior parte das discussões trata de problemas ligados à postura adotada pelo pesquisador em situações de contato, ao seu grau de familiaridade com o referencial teórico< metodológico adotado e, sobretudo, à leitura, interpretação e análise do material recolhido (construído) no trabalho de campo (DUARTE, 2002, p. 147).
Deve<se destacar que o pesquisador faz parte do campo ao realizar uma entrevista, isto é, ele condiciona determinados fenômenos que vai registrar, podendo, assim, ser questionada a validade e objetividade dos dados obtidos. Porém, Bleger (1998) afirma que tal objetividade não pode ser encontrada em nenhum outro campo científico e, de forma alguma está presente na Psicologia, pois seu objeto de estudo principal é o homem. Desta forma, para se garantir a máxima objetividade, deve<se incorporar o sujeito que observa como uma das variáveis do campo. Bogdan e Biklen (1982) assinalam, por sua vez, que a pesquisa qualitativa encontra no ambiente natural uma fonte direta de informações, sendo o pesquisador seu principal instrumento. Pressupõe, assim, o contato prolongado e direto do pesquisador com o ambiente e a situação investigada.
Ludke e André (1986) apontam que para o entendimento de um objeto é necessário o contato estreito entre o pesquisador e a situação observada, sendo assim, os indivíduos, seus gestos, palavras e comportamentos devem ser estudados inseridos em seu meio.
O registro das entrevistas foi realizado através da gravação das mesmas com gravador digital. Esta forma de registro demonstrou<se muito eficaz, pois permitiu captar as informações de maneira imediata e absolutamente fiel à forma como são expressas, evitando, assim, a seleção de informações pelo entrevistador. A gravação proporciona ao entrevistador, assim como afirma Lüdke e André (1986), acompanhar de forma mais livre a fala e as expressões dos entrevistados. Algumas dificuldades em relação à entrevista gravada, tais como as expressões faciais, corporais e mudanças de postura foram registradas pela entrevistadora, imediatamente após o encerramento da entrevista.
Uma dificuldade encontrada foi a transcrição da fala do entrevistado para o papel, pois esta operação configura<se como atividade complexa, tomando diversas horas e apresentando informações cruas nas quais o pesquisador precisa destacar as informações centrais. A transcrição de toda a fala dos entrevistados foi realizada pela pesquisadora de forma trabalhosa e cuidadosa, para preservar a riqueza do conteúdo expresso verbalmente, e depois revisto por sua orientadora. As transcrições estão disponíveis em sua íntegra nos anexos (3, 4, 5, 6 e 7).
Para Thompson (1998) e Queiroz (1991) comentados por Caiado (2006) cabe ao próprio pesquisador o trabalho de transcrição das entrevistas, mesmo tratando<se de atividade morosa e solitária. O pesquisador é quem deve trabalhar o texto, buscando preencher a lacuna existente entre a grande gama de recursos da linguagem oral e a secura do texto escrito. Ao escrever a entrevista estará revivendo toda a cena, podendo reavivar sua recordação detalhada dos fatos, o que possibilita o enriquecimento do texto.
O processo de transcrição deve ser cuidadoso para não comprometer a riqueza de conteúdo das entrevistas, deve dentro do possível demonstrar entonações, repetições, formas de linguagem, imitações...
4.2.3. Questionários
Inicialmente a metodologia consistia de entrevista semi<estruturada com todos os sujeitos de pesquisa, incluindo os professores do ensino regular. Apesar de ter sido apresentado projeto à Secretaria Municipal de Educação e obtido aprovação junto a mesma, a diretoria de duas escolas
não permitiram a execução das entrevistas. O contato com as escolas foi feito pela própria pesquisadora por telefone e posteriormente pessoalmente. As alegações dadas por estas instituições foram que os professores não poderiam conversar individualmente no recinto da escola com a pesquisadora. Por se tratar de pesquisa autorizada pela Secretaria Municipal as entrevistas não poderiam ocorrer fora do ambiente escolar. Devido a esta questão e à impossibilidade de substituir os sujeitos, pois as crianças já haviam sido selecionadas, adaptou<se o roteiro de entrevista para um questionário composto por questões fechadas, abertas e subjetivas. O questionário pode ser caracterizado como um instrumento de investigação que busca informações a partir de uma série de questões que abrangem o tema de interesse do pesquisador. A estruturação do questionário deu<se a partir de questões fechadas que tinham por objetivo investigar temas específicos, tais como formação, tempo de profissão e de questões que privilegiassem respostas abertas, nas quais os indivíduos pudessem expressar suas concepções, percepções, sentimentos e opiniões sobre o tema. A resposta aberta permitiu à pesquisadora obter informações variadas sobre o tema, bem como respostas mais representativas da opinião, concepção e compreensão do sujeito.
Para que pudesse ser verificada a coerência e a abrangência das questões foi realizado um estudo piloto com três professores da rede regular de ensino que tiveram contato com crianças com deficiência ao longo de sua experiência docente, e se dispuseram a responder este questionário voluntariamente. O questionário foi aplicado pela própria pesquisadora e posteriormente analisado para verificar a eficácia do mesmo. Terminada esta etapa, iniciou<se a aplicação dos questionários na amostra desta pesquisa.
Cabe destacar ainda, que a pesquisadora aplicou os questionários pessoalmente aguardando na escola pela resposta dos mesmos. Alguns dos professores entrevistados solicitaram que pudessem conversar em sala privativa com a pesquisadora, que pediu a autorização para a gravação da conversa transcrita posteriormente. Em duas das instituições não foi permitida a gravação, por isto a pesquisadora após a conversa sentou<se em sala privativa na própria escola para fazer as anotações de forma detalhada e mais fiel à fala do professor. Um dos professores entrevistados não quis estabelecer contato com a pesquisadora após responder o questionário.