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STASJONER OG MÅLEPROGRAM Stasjoner

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VANS J Ø

5. STASJONER OG MÅLEPROGRAM Stasjoner

Figura 2.2– O “outer world de Mackinder”

Fonte: O Mundo de Mackinder em 1904. Disponível em:

http://www.retaguardia.org/2008/04/29/halford-mackinder-o-la-zona-pivot. Acesso: 13/07/2011

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No que diz respeito a África, na sua obra Ensaios de Geopolítica Almeida refere que as teses geopolíticas tradicionais não dão grande atenção ao continente africano, considerando-o um outer world. Políbio de Almeida (1994: 112) refere que a África era valiosa para a Europa devido às colónias, que levavam ao desenvolvimento do comércio e este por sua vez ao crescimento das marinhas. Sabe-se, no entanto, que o mar teve uma função decisiva na época dos Descobrimentos, altura em que a geografia foi determinante no estabelecimento de impérios europeus transoceânicos. Este momento histórico deu lugar ao aparecimento de novas teorias relacionadas com o poder marítimo, o poder terrestre e o poder aéreo.

Observa-se que, no passado, os geopolíticos excluíram África das suas recolhas indutivas, ao estruturarem pensamentos sobre geopolítica. Num passado recente, esta lacuna é ultrapassada por Políbio de Almeida, professor do ISCSP, na obra “Ensaios de Geopolítica” dando um impulso notável ao estudo da geopolítica de África contrariando as teses defendidas por Mackinder e seus contemporâneos de que África é um outer

world. Segundo Políbio de Almeida (1994: 115-141), a África está mais próxima do

resto do mundo como nunca esteve no passado. O autor defende que as novas tecnologias e os meios de comunicação e de difusão cultural são realidades que levam a admitir que África não é um continente periférico, mas sim uma parcela activa e cooperante no sistema dinâmico das relações internacionais. As figuras que se seguem dão-nos uma percepção da geopolítica de África e, consequentemente, da sua importância no contexto mundial.

Figura 2.3– A Geopolítica de África

Fonte: Mapa de África a partir de 9 de Julho de 2011. Disponível em: http://www.freeworldmaps.net/africa/countries.html.Acesso: 08/02/2012

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A norte, temos a África Mediterrânica, que constitui uma área autónoma, separada do resto do continente pelo Sahara e separada da Europa pelo Mediterrâneo. O centro desta área é constituído pela Argélia, Tunísia e Líbia. Na área contígua, situa-se o midland ocean, do qual fazem parte Marrocos, o

Sahara Ocidental e ainda o golfo de Cádis, Gibraltar e as Canárias. Almeida refere a importância desta zona por estar dentro da área estratégica da NATO, que Cohen denominou “trade dependent maritime world”.

Segue-se o “Shatterbelt” que agrupa o Egipto, parte do Sudão e o “Corno de África” – Etiópia, Somália, Djibuti. É considerada uma área que é parte do

Shatterbelt do Médio Oriente. Tem uma vocação anfíbia (mar Mediterrâneo, mar

Vermelho e oceano Índico).

Na parte ocidental situa-se o Sahara, que engloba a Mauritânia, o Mali, o Burquina Faso, o Níger, o Chade e o Sudão; a dinâmica desta zona pode abranger o Gabão.

Relativamente à África ao sul do Sahara, Almeida subdivide-a em: “Sudan

grassland” que é uma área propícia para a agricultura, com diversos grupos

étnicos, onde outrora se ergueram reinos históricos, como do Congo, Luba e Lunda, e, mais a norte os reinos do Mali, Mossi, Hausa). Em termos estratégicos, o autor refere que esta região tem a característica de não ser geobloqueante, servindo de transição e de elo entre o Norte e o Sul do continente.

Figura 2.4– África ao Sul do Sahara

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O heartland do Sul, expressão atribuída a Mackinder, é uma área continental, inacessível ao poder marítimo, apesar de ter bacias hidrográficas e rios; é plano, permitindo contactos e comunicações sem dificuldade; tem recursos naturais e, devido às suas capacidades, tem um elevado índice de densidade populacional. Fazem parte desta área: Congo, ex-Zaíre, Uganda, Ruanda, Burundi, Tanzânia, Malawi, Zâmbia, Zimbabué, Angola e Moçambique. É uma constelação de países com características diferentes, quer em relação ao acesso ao mar, quer em relação aos recursos naturais e à população.

Os rimlands, classificados por Spikman, ligam dois rios, que começam a sul da foz do Congo e terminam a norte da foz do Zambeze, extensivos a uma parte da Tanzânia.

O Cone Austral é uma zona que abrange o heartland e os rimlands. É rico em recursos e é favorável quanto à sua posição estratégica no Índico, no Árctico e no Atlântico Sul. Estas são áreas estratégicas fundamentais para o comércio marítimo mundial.

Figura 2.5– Cone Austral

Fonte: Almeida, P. (1994), p.136

A África insular é uma área de pequenas dimensões em que, na sua maioria, o valor estratégico se sobrepõe aos recursos existentes. Compõem esta região: Madagáscar, Canárias, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e Seicheles.

Existe uma parte do continente que pelas suas características, o autor denomina como África geobloqueada, um “continente encravado dentro do continente”. São regiões sem acesso ao mar e por isso, são limitadas quanto ao

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desenvolvimento das suas potencialidades. Fazem parte deste grupo: Mali, Burkina Faso, Níger, Chade, República Centro Africana, Zaire, Uganda, Ruanda, Burundi, Zâmbia, Malawi, Zimbabué, Botsuana, Suazilandia (Ngwane) e Lesoto.

Figura 2.6– África Encravada

Fonte: Almeida, P. (1994), p.139

Em oposição à parte encravada, encontra-se a África Atlântica, que constitui uma área que esteve na definição das grandes estratégias da geopolítica por parte das potências coloniais em relação aos territórios ultramarinos. Para Sacchetti (1990: 17-31), estes centros estrategicamente localizados serviram de porto de abrigo para as expedições que se dirigiam para o interior do continente africano.

Figura 2.7– África Atlântica

Fonte: Almeida, P. (1994), p.141

Em nossa opinião, a geopolítica de África revela-se uma das mais decisivas na geopolítica transoceânica da história contemporânea, fazendo parte das estratégias que

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contribuíram para a formação de grandes impérios coloniais erguidos em diferentes momento históricos desde o século XVI com descobertas, tráfico negreiro, partilha e ocupação de África, permitindo à Europa dominar vastas regiões do globo. Não era na prática um “outer world”.

No decurso do século XX com as independências, a geopolítica de África não só passou a ter novos actores como se alterou a correlação de forças. África, devido aos recursos naturais continua a ser um continente no centro da geopolítica mundial.

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