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2. BESKRIVELSE AV LOKALITETER MED NEDBØRFELT
A dimensão marítima e terrestre é outro aspecto que foi alvo de estudo dos geopolíticos. Alfred Thayer Mahan (1840-1914) centrou as suas teorias na importância do mar para as grandes potências. Defendia que o poder se manifesta através do posicionamento geográfico, da tipologia do território, da população, do Governo e do aproveitamento que se pode fazer do mar através da marinha militar, da marinha mercante e das indústrias. Segundo Mahan, deve existir um controle militar das actividades marítimas, porque em caso de conflito, o controlo marítimo pode determinar o resultado da guerra ( Mahan, s.d.).
Posteriormente, o geógrafo Halford Mackinder (1861-1947) fez evoluir o estudo da geopolítica, ao apresentar a teoria do pivôt geográfico da história. Segundo a qual a comunidade internacional está dividida em dois tipos de potências, as marítimas e as continentais, constituindo-se no heartland e no coastland. Seriam estas potências que iriam definir e fazer evoluir o sistema internacional, por terem o poder de se influenciar mutuamente. A partir desta interacção, Mackinder estrutura o conceito de pivot geográfico, referindo-se a uma área que vai do Árctico, passando pela Ásia Central, Himalaias, Urais, até ao Nordeste Asiático (Mackinder, 1904). A parte contígua à continental denominou-a crescente interior, que engloba a Europa, com excepção de Inglaterra, países do Norte de África, a Índia e a China. São países que tinham contacto com o mar, formando uma espécie de zona de transição.
Com o novo mapa europeu delineado após a Primeira Grande Guerra, Mackinder revê o conceito de pivot, continuando a defender a necessidade de impedir o acesso da União Soviética ao mar livre. Por isso teorizou que “quem governar o Leste da Europa, comanda o heartland; quem governar o heartland comanda a maior ilha do mundo e quem governar a ilha do mundo comanda o mundo”. É nesta ilha do mundo formada pela Europa, África e Ásia que diz existirem os maiores recursos naturais e humanos (Almeida, 1990: 155-156; Fernandes, 2008: 46-47).
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Numa outra parte geográfica, Mackinder identificou o crescente exterior, que compreende a África, a América, a Austrália, a Inglaterra e o Japão; são territórios com acesso ao mar, o que lhes permite ter fáceis comunicações com o resto do mundo. Nos espaços contíguos a estes “crescentes” situa uma área a que chamou coastland da qual fazem parte: o coastland europeu compreendendo a Europa e o Norte de África; o coastland monsónico, localizado na Ásia monsónica. Na partilha geográfica desta área restava a Arábia, que considerava uma região demasiado parcelada para ser integrada no heartland ou no coastland; o Sahara que constituía uma área autonomizada entre o crescente interior e o crescente exterior e, por fim o heartland do Sul, que compreende toda a área ao sul do Sahara, cujas características se assemelhavam às do heartland do Norte. Para além deste espaço, que considerou a ilha do mundo, está o outerworld ou seja, o mundo exterior (Fernandes, 2008: 46-48). A divisão geopolítica de Mackinder configurou-se no espaço conforme o mapa seguinte.
Figura 2.1 – A Representação Geopolítica de Mackinder
Fonte: Mackinder (in ISCPS)
http://www.iscsp.utl.pt/cepp/autores/ingleses/mackinder.htm. Acesso: 17/07/2011
A evolução que se fez sentir com a Segunda Guerra Mundial deu um novo ímpeto à Geopolítica, levando Mackinder a readaptar a teoria perante a vitória da União Soviética e dos seus aliados considerados potências marítimas, sobre a Alemanha considerada potência terrestre.
Por fim, Mackinder enriquece as teorias de equilíbrio de poder, ao defender que além da sede do poder mundial situada no Heartland existia uma outra situada no Atlântico Norte, o Midland Ocean, que compreendia três potências anfíbias – EUA,
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Inglaterra e França – que, coligados, impossibilitariam o domínio do Midland Ocean por um poder continental (Fernandes, 2008:48).
Por seu turno, como refere Almeida, Nicholas Spykman (1893-1943), um realista contrário ao idealismo, estabeleceu o elo de ligação entre a geopolítica clássica e a nova geopolítica, que resultou no conceito de rimland, designado como o centro do poder mundial. Alguns autores consideram que esta designação é um reajustamento do conceito de heartland defendido por Mackinder. O rimland significa uma área descontínua e heterogénea, com elevada população, recursos naturais e de acesso à Eurásia. Dada a sua importância geopolítica, quem dominasse essa área, dominava o mundo (Almeida, 1990: 40).
Os estudiosos desta matéria consideram que, depois de 1945 a geopolítica foi votada a um certo ostracismo devido a disputa mundial e à definição da grande estratégia espacial para se atingir o estatuto de grande potência. Neste combate, opunham-se, de um lado, os vitoriosos e do outro, os vencidos – o Japão com o seu expansionismo marítimo, a Alemanha nazi e a Itália fascista (Vesentini, 2007).
Na década de 70, a geopolítica entra numa fase de reformulação, em que os princípios defendidos já não são os de uma política expansionista, mas sim os de um confronto bipolar entre o capitalismo e o socialismo (Melo, 2010). Esta década foi marcada por uma nova perspectiva da geopolítica, introduzida por Henry Kissinger com a obra The White House Years (1969-1974), na qual analisa as relações dos EUA com o resto do mundo, em especial com a Ásia: a derrota dos EUA na Guerra do Vietname (1963); a aproximação à China comunista; as assinaturas dos acordos sobre limitações de armamento estratégico com a União Soviética. A análise de Kissinger levou a uma nova delimitação no campo da geopolítica, num clima de Guerra Fria. Durante esse período, o confronto entre o Leste e o Ocidente era ideológico tendo culminado a desagregação do império soviético e na reunificação da Alemanha em 1991, o que encerrou o sistema mundial bipolar e configurou um novo momento da história geopolítica da humanidade.
Numa outra vertente, com a evolução das ciências sociais, o conceito foi aplicado a outras realidades. Em 1955, Josué de Castro ficou celebrizado ao criar a noção de “geopolítica da fome”, relacionando os problemas da alimentação e da população em todo o mundo. Um outro aproveitamento deu lugar à “geopolítica do petróleo”, sistematizado com base nos recursos petrolíferos localizados em diferentes regiões do mundo.
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No mesmo sentido, existe uma outra dimensão da geopolítica que é complementada pela geoestratégia, cujo objecto é a relação entre a geografia e os meios a utilizar para levar a cabo os interesses do Estado, o que pode ser concretizado através do hard e do soft power, que é igual ao smart power.
Para Gentelle et al (2008:15), a geoestratégia está sempre ligada à geopolítica e constitui o conjunto de planos estabelecidos, em função dos meios de que se dispõe para se afrontar um adversário, procurando percepcionar a sua estratégia e dissimular os seus propósitos e objectivos. A finalidade suprema de uma geoestratégia é levar o adversário a participar indirectamente, se possível sem que ele se aperceba, numa “armadilha” que lhe será prejudicial. Na óptica de Martins (1996: 36) a geoestratégia é o estudo das relações entre os problemas estratégicos e os factores geográficos, à escala regional ou mundial, procurando deduzir a influência dos factos geopolíticos (económicos, geográficos, populacionais, etc.) nas situações estratégicas e na consecução dos respectivos objectivos.
Por fim, utilizamos neste estudo o conceito operacional de geopolítica - a relação que se estabelece entre o espaço geográfico (localização, território, recursos e população) e a política levada a cabo por um Estado para prossecução dos seus interesses junto de outros Estados ou das organizações transnacionais.