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bicicleta no decorrer das atividades realizadas no VADL, seja pela curiosidade de quem observa ou pela emoção de quem a utiliza, brinca e aprende ao nela se deslocar. Ela emerge, principalmente, do interesse manifestado pelas crianças e adolescentes do projeto pelas atividades com bicicleta e, por isso, contém como título, além da pergunta que foi constantemente feita aos/as educadores/as, a fala de um dos participantes que revela o que significou para ele participar das atividades com bicicleta no projeto VADL.

A questão “vai ter bicicleta?”, que intitula esta categoria, possui significado relevante, pois, inclusive, fez parte da composição musical77 realizada pelas crianças e adolescentes do projeto na ocasião da apresentação realizada no “IX Festival Sons e Movimentos” na UFSCar. Segue relato de um dos diversos momentos em que a citada questão vem à tona:

Na reunião inicial algumas crianças e adolescentes me perguntaram: “vai ter bicicleta?”. Eu respondi afirmativamente. Posteriormente, quando íamos organizar a atividade e perguntamos quem iria andar de bicicleta, todas as crianças e adolescentes presentes [...] demonstraram interesse em participar das atividades com bicicleta, André, Rodolfo e Cristiano Ronaldo sugeriram inclusive que todo o período fosse ocupado por tal atividade, já Elias, Sofia e Mel disseram que gostariam de fazer pintura também, assim ficou combinado que, em determinado momento, parte do grupo mudaria de atividade e o restante continuaria a andar de bicicleta. Os educadores chegaram a argumentar que seria muito tempo, porém os/as participantes mantiveram a opinião (DC-V, 10).

As crianças e adolescentes demonstravam certa ansiedade e, com frequência, quando se anunciava o início das atividades com bicicleta, corriam em direção ao local em que ficavam armazenadas, conforme relato:

Todos/as saíram do jogo My God aparentemente ansiosos/as para andar de bicicleta, principalmente Tito, Yan e Ronaldo, pois estes saíram correndo em direção ao local onde ficam guardadas as bicicletas (DC-II, 1).

Esse interesse pela bicicleta também se apresentou na rotina das famílias das crianças e adolescentes, tal como expresso pela fala das mães na ocasião da roda de conversa, a mãe de Roberta, Robinho e Lupita afirma: “Eles vinham à noite todo empolgados falando. A Roberta e o Robinho ficavam empolgados quando tinha bicicleta” (RC-I, 2). A mãe de Raiane diz que sua filha chegava “[...] toda empolgada porque ela também não andava muito por aqui, a gente tinha medo de soltar ela” (RC-I, 6).

Abordar a ansiedade demonstrada pelos/as participantes no decorrer das atividades nos parece fundamental, pois ela expressa a intencionalidade das crianças e adolescentes que as orienta a participar das atividades com bicicleta e isso, por sua vez, gera na equipe educadora necessidade de atuar frente a ela, decorrendo dessa relação os processos educativos observados.

77 Foi uma composição coletiva de educadores/as e participantes, cujo início da letra é apresentado a seguir:

“Aqui é o VADL/ nós somos de todos os cantos de São Carlos/ terças e quintas diversas brincadeiras/ Futebol, pião, dado, Capoeira/ Chego no clube logo pergunto:/ vai ter bicicleta?/ Também tem piscina, Imagem e Ação/ Bola Shogun e Polícia e Ladrão/ Os educadores sempre ajudam/ e eu nunca quero perder [...]”.

Foi buscando equalizar as intencionalidades educativas do projeto com as expectativas das crianças e adolescentes para com as atividades oferecidas, que a equipe de educadores/as decidiu fixar as atividades com bicicleta no cronograma para serem realizadas semanalmente. Decisão esta que foi motivo de comemoração para parte dos/as participantes do projeto.

Durante a atividade o Educador Flávio comentou com Lobão que, a partir da semana seguinte, o projeto teria bicicleta todas as terças e ele, aparentemente, ficou animado, pois rapidamente procurou os colegas Robson e Jorge para comentar a notícia (DC-III, 11).

Desde janeiro de 2014, apenas a presença das primeiras bicicletas que chegaram ao clube já despertava o interesse das crianças e adolescentes em utilizá-las, pois perguntavam quando íamos começar andar com elas e, mesmo depois que elas passaram a ser usadas nas atividades semanais, a expectativa de andar de bicicleta se manteve para maior parte do/as participantes, o que pode ser notado observando a numeração dos diários de campo dos fragmentos citados no decorrer desta categoria.

Esse interesse pela bicicleta manifestou significativa presença nas unidades de significado que compõem esta categoria, inclusive, em alguns casos, representando o desejo da maior parte dos/as participantes, tal como podemos observar no fragmento a seguir:

Neste dia tivemos um grande número de participantes que foram ao projeto pela primeira vez, a maioria de uma escola próxima ao clube, na qual foi feita uma divulgação do projeto na semana anterior. Das vinte e oito crianças e adolescentes presentes, apenas quatro não quiseram participar da atividade com bicicletas (DC- VII, 8).

O intenso interesse por andar de bicicleta mobilizou a equipe educadora, que teve que aprender a gerir a dinâmica do projeto considerando tal interesse sem, no entanto, se descuidar das outras atividades oferecidas pelo VADL, buscando manter certo equilíbrio e o compromisso de fomentar atividades diversificadas de lazer. Tal como no dia em que, devido ao andamento da atividade, o Fútbol Callejero demandou um pouco mais de tempo:

[...] educador Flávio comentou que, no momento que os/as participantes chegaram do futebol já eram 10h23min e que disse ao grupo que haveria pouco tempo, pois a atividade terminaria às 10h30min. As crianças e adolescentes insistiram dizendo que queriam andar de bicicleta ao menos um pouco. Assim, Flávio, em conversa com educadora Hilana, decidiu ampliar o horário de encerramento para 10h40min. Informaram aos/as participantes sobre a ampliação do horário, porém informaram sobre a necessidade de retornarem imediatamente quando fossem chamadas ao final da atividade e o grupo concordou (DC-XIII, 7).

Em alguns momentos, a expectativa por andar de bicicleta comprometeu o desenvolvimento de outras atividades do projeto, afetando até mesmo as atividades que eram selecionadas pelas/os próprios/as participantes, como era o caso da atividade inicial.

Os/as participantes estavam ansiosos/as por andar de bicicleta, pois nem bem chegaram ao clube e já perguntaram: “vai ter bicicleta?”. Tive a impressão de que os/as participantes haviam conversado sobre isso no ônibus, pois o grupo pediu para andar de bicicleta antes mesmo da atividade inicial que é costumeiramente realizada, normalmente uma atividade escolhida pelo grupo na semana anterior, a fim de promover integração e acolhida. Decorrente disso o desenvolvimento da atividade inicial ficou comprometido e durou pouco tempo, pois os/as participantes queriam mudar logo de atividade (DC-XIV, 12).

As atividades propostas pela equipe de educadores/as e aceitas pelos/as participantes, também sofreram influência da expectativa das crianças e adolescentes por andar de bicicleta, inclusive, fazendo com que educadores/as considerassem sobre a ordem das atividades do dia durante as reuniões de planejamento, alterando de antemão a ordem de algumas propostas, a fim de possibilitar melhor desenvolvimento destas, evitando situações como a citada:

Os/as participantes estavam ensaiando para a apresentação do festival “Sons e Movimentos”, porém antes que o ensaio terminasse, muitos/as perguntaram: “Vai ter bicicleta?”. Eu disse que andaríamos de bicicleta logo após o ensaio. Parte do grupo então começou a pedir para mudar para a atividade com bicicletas. Com mais algum tempo de ensaio esse número aumentou com outras pessoas solicitando a mudança de atividade. Diante da situação, as educadoras Pamela e Ana Lia decidiram terminar o ensaio (DC-III, 6).

Para manterem-se na atividade de bicicleta os/as participantes usavam dos mais distintos recursos.

Eu comecei a guardar as bicicletas e o educador Max ficou chamando os/as participantes. Faltavam duas bicicletas para serem guardadas e eu disse a Max que Guga e Oscar ainda não haviam entregado as bicicletas. Max pegou uma bicicleta e foi até o fundo do clube procurá-los. Lá chegando, ele os encontrou escondidos embrenhados com as bicicletas nos arbustos localizados atrás da estátua do Cristo, pois não queriam guardar as bicicletas e quando Max se aproximou para chamá-los eles fugiram e continuaram fugindo de Max toda vez que ele se aproximava [...] Ao final do período, na roda de conversa, educador Flávio retomou o fato e [...], disse a eles que o grupo ficou por mais de dez minutos os esperando, o que fez com que atrasasse a atividade de jogos de tabuleiro, que ao final teve diversas reclamações, pois não foi possível terminar algumas partidas por falta de tempo (DC-IX, 17). Tais ocasiões também interferiam na rotina do projeto, pois reduzia o tempo disponível para realização das demais atividades planejadas para o dia, as quais também eram

de interesse e eleitas pelos/as participantes. Isso demandou da equipe de educadores/as diálogos e estabelecimento de acordos para evitar que situações como esta se repetissem.

Assim como as demais atividades do projeto, a participação nas vivências com bicicleta era de livre escolha e, embora grade parte das pessoas quisesse participar, nem sempre todas manifestavam o mesmo desejo, isso variava conforme as atividades realizadas e também de acordo com a configuração do grupo de participantes em cada dia, como por exemplo, temos os excertos extraídos de dias em que significativa parte do grupo de crianças e adolescentes era composta por pessoas prioritariamente interessadas na prática do Fútbol

Callejero.

Na atividade de bicicleta de hoje, das vinte e duas crianças e adolescentes presentes no projeto, onze optaram por realizar a atividade, as demais optaram por jogar

Fútbol Callejero (DC-VIII, 10).

Das vinte e três crianças e adolescentes presentes neste dia oito quiseram participar, as demais preferiram participar do Fútbol Callejero (DC-X, 10).

Em dias como estes a equipe educadora passou a oferecer as atividades citadas simultaneamente, assim cada participante dirigia-se para a aquela de seu interesse e dedicava a ela um pouco mais de tempo.

Além do Fútbol Callejero, que era uma das atividades proposta pela equipe de educadores/as, outras coisas influenciavam no interesse das crianças e adolescentes e, eventualmente, fazia com que os/as participantes abandonassem as atividades com bicicleta.

Grande parte dos/as participantes que estavam andando de bicicleta logo parou, algumas ficaram no parquinho. Pudim, Empadinha e Luciane pararam de andar e ficaram sentadas conversando e manuseando seus smartphones, às vezes ficavam conversando com Super Mário. Alberto logo deixou a bicicleta com que estava no chão e foi embora sem falar com ninguém (DC-XVI, 14).

O cansaço também contribuía para o abandono da atividade, nesses momentos outras atividades oferecidas se tornavam mais atraentes, ocasionalmente esse cansaço aparentava estar relacionado ao esforço desprendido na atividade.

Hulk saiu durante a atividade para jogar bets com o outro grupo e Ibrahimovic comentou que também iria para lá, pois estava cansado. Os garotos estavam pedalando bem rápido para que a garrafa colocada no pneu fizesse um barulho bem forte. Cristiano Ronaldo o incentivou a continuar e ele insistiu dizendo que estava cansado de pedalar. Cristiano Ronaldo argumentou dizendo que era só ele pedalar mais devagar que não cansaria tanto. O garoto então continuou andar de bicicleta com os colegas (DC-IX, 25).

Praticamente todos/as participantes estavam andando de bicicleta, com exceção de Lili que não quis participar desta atividade e optou por um jogo de tabuleiro, o qual jogou com a educadora Joana e que, posteriormente, quase ao final da atividade, teve também a adesão de Maria Joaquina e de Fiorella, que disseram estar cansadas de pedalar (DC-XVIII, 7).

Porém, na maioria das situações, o cansaço expressado refletia muito mais o desinteresse devido à ausência de novidade que a monotonia de circular com a bicicleta, sempre no mesmo espaço, significava para algumas pessoas, tal como segue:

Com pouco tempo de atividade Natália disse que estava cansada e que iria parar. Ela se encaminhou para o lado da biblioteca e sentou-se. Ela ficou lendo um livro da biblioteca. Educadora Olga disse que ela ficou bastante concentrada nessa leitura. Minutos depois, Helena comentou que também queria parar. Perguntei a ela como ela queria pedalar fora do clube se já estava cansada com apenas uma voltinha. Ela respondeu que na rua é diferente porque é mais legal e não fica andando no mesmo lugar (DC-VI, 9).

Ou mesmo decorrente da forma como se desenvolvia a atividade, de modo que isso também influenciava na decisão de algumas pessoas em participar ou não. Como na ocasião em que, brincando de Polícia e Ladrão em bicicleta:

[...] dois meninos não tiveram sucesso em prender as outras pessoas e muitas delas desistiram de andar de bicicleta, tais como: Amora, André, Super Mário e Robinho. Amora e Robinho disseram que a brincadeira estava chata e que queriam brincar de ioiô. Super Mário disse que estava cansada e ficou conversando com Olga próxima a arquibancada do campo de futebol. André também falou que estava cansado, porém concordou com Flávio quando o mesmo perguntou se ele estava assistindo o treino de futebol (DC-IV, 15).

Esse anseio pelo novo é fundamental para o processo de aprendizagem, e questões como as expostas trouxeram novos desafios à equipe educadora, principalmente após a fixação da atividade com bicicleta na programação semanal, pois foi necessário se esforçar para oferecer possibilidades de atividades desafiadoras e motivadoras quando realizadas no espaço restrito do clube. Movimento este também efetuado pelos/as participantes que criavam maneiras diversas para se divertirem com as bicicletas naquele espaço. Desse movimento decorreram processos educativos que culminaram em diversos jogos e brincadeiras que produzidos, reproduzidos, ensinados e aprendidos no projeto, algo expresso por Sofia quando indagada sobre o que foi possível aprender com as atividades com bicicleta, a participante afirma: “eu aprendi várias brincadeiras novas que eu não sabia antes” (RC-I, 13).

Por isso, nessa categoria também ganham destaque as brincadeiras que emergiram como possibilidades de fruição no decorrer das vivências com bicicleta. No contexto das

atividades protagonizadas pelos/as participantes, destacam-se o Polícia e Ladrão em bicicleta, construção de circuito e as disputas de corridas, como podemos notar nos fragmentos dos diários de campo seguintes:

Os/as demais participantes queriam brincar de Polícia e Ladrão em bicicleta, brincadeira esta sugerida por Roberta (DC-IV, 9).

Helena e Cristiano Ronaldo fizeram sugestões de como queriam o circuito, depois de alguma conversa Helena sugeriu que fizéssemos um caracol e Cristiano Ronaldo concordou bastante animado. Apenas Helena nos auxiliou na montagem, pois Cristiano Ronaldo logo saiu para andar de bicicleta com o restante do grupo. Helena estava com dificuldade para montar o caracol, pois não conseguia organizar o material espacialmente de forma a construí-lo. Os educadores Flávio, Max e eu a auxiliamos na montagem. Construímos um grande caracol com cones e elásticos e o dividimos no meio com garrafas PET, assim teriam que entrar por um dos lados, percorrer o caminho até o centro do caracol pela mão direita do caminho e, chegando ao centro, teriam que fazer uma curva bastante fechada e retornar o percurso no sentido inverso para fora do caracol mantendo-se sempre à direita da via construída. Enquanto montávamos o caracol, David Luiz e Frynkin apostavam corrida. Eles partiam de um ponto próximo ao vestiário masculino e avançavam em disputa até o local onde nós estávamos e depois retornavam devagar e reiniciavam a disputa. Cristiano Ronaldo também participou de uma dessas disputas. Neymar ficou pedalando pelo cimentado ao lado dos garotos que apostavam corrida, ele parecia os acompanhar na atividade, porém não participou de nenhuma das corridas, possivelmente porque ainda estava aprendendo a pedalar, necessitando por os pés no chão com frequência (DC-V, 4).

Além das corridas, as disputas de empinar e a colocação de garrafas plásticas amassadas raspando nos pneus para provocar ruídos, também faziam parte do rol de brincadeiras que as crianças e adolescentes lançavam mão para se divertirem com as bicicletas.

Os/as participantes ficaram dando voltas livremente pelo clube, alguns/as apostaram corrida em alguns trechos, outros ficaram empinando a bicicleta (DC-IX, 6).

Enquanto estava acompanhando Gabi que aprendia a pedalar, vi que outras crianças e adolescentes colocaram garrafas presas entre o quadro da bicicleta e o pneu para fazer barulho. Fazia um barulho semelhante ao motor de uma moto e os/as participantes corriam bastante para fazer um barulho forte. Gabi gostou daquilo e também quis colocar (DC-X, 15).

Também fazem parte desta categoria as possibilidades de uso da bicicleta surgidas das ações da equipe educadora, dentre as quais temos brincadeiras como: circuitos de obstáculos, rampa-gangorra e zerinho.

Educador Álvaro e eu fomos para a grande área cimentada que fica em frente à portaria, local onde montamos um circuito de obstáculos com cones, cordas, garrafas PET, elásticos e rampa-gangorra. Com o circuito montado os/as participantes

começaram a circular por ele e a permanecer por mais tempo nessa região, assim os educadores Flávio e Max puderam se aproximar do grupo. Flávio e eu ficamos no Zerinho, ou seja, batendo corda para que as pessoas passassem com as bicicletas sem serem tocadas (DC-VII, 13).

Figura : Participantes em circuitos de obstáculos e na rampa-gangorra (Acervo VADL).

Brincadeiras como Queimada em Bicicleta, Siga o Mestre e Zerinho, além de realizadas individualmente, eventualmente, integravam circuitos elaborados pela equipe educadora conforme fragmentos que seguem.

[...] eu montei o jogo de queimada para bicicleta que Guerreiro havia solicitado no momento que chegou ao clube. Neste dia também montei a rampa-gangorra de bicicletas que fazia tempo que não usávamos, também montei um elástico para passar no caminho de cimentado e a corda para passar com a bicicleta, de modo a formar um grande circuito para aqueles que optassem por passar por todos os obstáculos (DC-XIII, 19).

Educador Flávio desenvolveu com os/as demais participantes uma brincadeira de Siga o Mestre, na qual ele era mestre e buscava circular com a bicicleta por lugares difíceis, procurando desafiar as crianças e adolescentes tecnicamente na condução da bicicleta (DC-IV, 5).

Esse aprender e ensinar, sobre as possibilidades de fruição da bicicleta, foi favorecido pela constante presença dos/as educadores/as nos momentos de brincadeiras com a bicicleta, não apenas orientando as atividades, mas, sobretudo, brincando junto às crianças e adolescentes. Podemos notar isso também nas descrições que tratam da realização de jogos, como queimada em bicicleta e corrida maluca, que também faziam parte do rol de atividades oferecida pela equipe educadora.

Eu iniciei a brincadeira atirando a primeira bola e queimando a primeira criança que passou. Educador Eiri e educadora Maria Luiza também entraram no jogo. No início do jogo algumas crianças e adolescentes não quiseram passar pela área da queimada,

pouco tempo se passou e todas as pessoas estavam passando animadas. Eu também peguei uma bicicleta para participar da atividade e brinquei com o grupo por algum tempo. Maria Luiza e Eiri participaram da atividade, tanto queimando aqueles que passavam quanto tentando passar com a bicicleta e sendo queimados (DC-XII, 20). [...] organizamos com as crianças e adolescentes a brincadeira da corrida maluca, uma corrida de bicicleta em que ganha a pessoa que chega por último a um ponto determinado, sem voltar para trás e sem pôr os pés no chão durante o percurso. Fizemos várias rodadas da corrida, pois os/as participantes se animaram bastante e quiseram repetir diversas vezes (DC-XIV, 8).

Além dos jogos e brincadeiras, a necessidade de manutenção e mecânica das bicicletas também se apresentou como possibilidade de fruição desde a perspectiva da equipe educadora. Tais atividades, embora tenham despertado o interesse de alguns/as participantes, em um primeiro momento enfrentou resistência, em certa medida, devido ao maior interesse dos participantes pelos jogos, brincadeiras ou simplesmente pelo andar em bicicleta como podemos ver em uma das descrições:

Ainda na roda conversamos sobre a necessidade de limpeza e manutenção das bicicletas que já estavam sendo usadas há bastante tempo e estavam sem qualquer tipo de manutenção. Em um primeiro momento Cristiano Ronaldo disse que não iria limpar as bicicletas. Dissemos que tínhamos que manter as bicicletas funcionando e educador Flávio sugeriu que fizéssemos a limpeza das bicicletas logo no inicio da atividade. As crianças e adolescentes não gostaram muito da ideia e reclamaram dizendo que assim não iriam andar de bicicleta. Sugeri então que começássemos a andar e depois eu chamaria duas pessoas de cada vez para fazer a limpeza das bicicletas. Argumentei que assim todos poderiam andar e limpar as bicicletas, mesmo porque nós não tínhamos escovas e pincéis para todas as pessoas fazerem a